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Obviamente, responde-se pelo que se subscreve

Podemos ser formalistas também nas petições?

Vasco M. Barreto
23:35 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

A Joana Lopes pede que o Senhor nos perdoe, porque não sabemos o que fazemos, nem do que falamos . A evocação de Deus é pertinente, sobretudo num caso com notório deficit de omnisciência, mas eu diria apenas que o aumento da sensibilidade a agressões à liberdade de expressão é positivo. Por outras palavras, ridicularizar uma exigência de liberdade de expressão quando não há mártires a sério é fácil, tentador e até compreensível, sobretudo num país onde essa memória ainda está tão presente e o humor floresce, mas os tempos são outros e, felizmente, as exigências também.

Seis dos sete membros do Arrastão dizem que queremos "a cabeça de Sócrates" e parecem confundir currículos com tomadas de posição. Não me surpreende. Sobre a última petição que assinei, a do Movimento pela Igualdade , chegou a dizer-se que a passagem onde se defende o "reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo" era compatível com uma lei que sublinha a discriminação que pretendia corrigir. Com base em que argumento? No argumento de que um dos seus subscritores era publicamente a favor do casamento dos homossexuais e contra a adopção. Este entendimento do que é uma petição parece-me absurdo.

Para que nos entendamos: quem assina um determinado texto responde apenas pelas afirmações e reclamações que o texto encerra. Qualquer incongruência de um dos seus subscritores será sempre pessoal e intransmissível. A menos que pretendam inquinar uma petição com base num contagioso argumento de desautoridade. Da forma como entendo uma petição, só faz sentido assiná-la se ainda formos capazes de o fazer sem saber quem mais a assinou. O elemento aglutinador não são as motivações e as agendas de cada um, mas o texto. Se tiverem tempo e ainda vos sobrar formalismo, leiam o texto. Talvez se chegue à conclusão de que, tirando aqueles publicamente comprometidos com o PS ou com tácticas secretas de grande sofisticação, a prosa até soa bastante consensual. Afinal, apenas se pede que o poder judicial preste esclarecimentos e que o poder político investigue as suspeitas. Foi o que toda a gente disse esta noite, durante o serão televiso. O que sobra é a normal agitação das capelinhas, mas os Monty Python já a explicaram com graça inultrapassável.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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