Obviamente, não o demita ainda
Portugal divide-se hoje em três facções:
1.
Os formalistas, para quem a forma como as escutas do caso "face oculta" foram e estão a ser divulgadas é razão suficiente para se colocar as mãos nas orelhas e entoar Vangelis em voz alta (nos extremos deste grupo temos os hiper-formalistas, que dizem que "as escutas são ilegais", e os relativistas, que dizem que tudo isto é perfeitamente normal e talvez até um sinal do amadurecimento da nossa democracia, pelo que o mais grave é a violação do segredo de justiça);
2.
Os que pretendem o julgamento político sumário de Sócrates com base na divulgação de escutas parciais;
3.
E quem, reconhecendo que a relevância política não se inscreve na relevância criminal e, também, que qualquer acerto na forma como se lida com a violação do segredo de justiça não pode ter efeitos retroactivos directos sobre o caso que for a gota de água, gostaria de ouvir o Procurador Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, bem como que, sem mais demoras, se constituísse uma comissão parlamentar de inquérito capaz de trabalhar depressa e bem. Caso a investigação viesse a comprovar o que se suspeita, este grupo dividir-se-ia entre os que recomendariam que o Sócrates não fosse demitido, tendo em conta o estado comatoso do PSD e o sinal que o país daria aos mercados, e aqueles para quem uma ausência de intervenção do Presidente da Repúbilca se tornaria insustentável para o próprio e para o país. Esta última é provavelmente a opinião mais aborrecida que se pode formular sobre o assunto, mas também me parece ser a mais correcta - de resto, é quase sempre assim.
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Vasco M. Barreto
10:02 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
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