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Obviamente, não o demita ainda

Portugal divide-se hoje em três facções:

1.

Os formalistas, para quem a forma como as escutas do caso "face oculta" foram e estão a ser divulgadas é razão suficiente para se colocar as mãos nas orelhas e entoar Vangelis em voz alta (nos extremos deste grupo temos os hiper-formalistas, que dizem que "as escutas são ilegais", e os relativistas, que dizem que tudo isto é perfeitamente normal e talvez até um sinal do amadurecimento da nossa democracia, pelo que o mais grave é a violação do segredo de justiça); 

2.

Os que pretendem o julgamento político sumário de Sócrates com base na divulgação de escutas parciais;

3.

E quem, reconhecendo que a relevância política não se inscreve na relevância criminal e, também, que qualquer acerto na forma como se lida com a violação do segredo de justiça não pode ter efeitos retroactivos directos sobre o caso que for a gota de água, gostaria de ouvir o Procurador Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, bem como que, sem mais demoras, se constituísse uma comissão parlamentar de inquérito capaz de trabalhar depressa e bem. Caso a investigação viesse a comprovar o que se suspeita, este grupo dividir-se-ia entre os que recomendariam que o Sócrates não fosse demitido, tendo em conta o estado comatoso do PSD e o sinal que o país daria aos mercados, e aqueles para quem uma ausência de intervenção do Presidente da Repúbilca se tornaria insustentável para o próprio e para o país. Esta última é provavelmente a opinião mais aborrecida que se pode formular sobre o assunto, mas também me parece ser a mais correcta - de resto, é quase sempre assim.

Vasco M. Barreto
10:02 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

 

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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E Mário Soares,quando é que fala?
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 12:08 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Nste processo de saída de Sócrates do Governo -irreversível no curto prazo--falta ouvir Mãrio Soares,mas o "Patriarca" só fala quando tiver uma solução para substituir Sócrates dentro do PS.Como o regime de duodécimos está afastado-com a garantia da aprovação do orçamento-a ameaça da explosão social está,por hora,afastada e isso dá mais tempo para negociar,arrumar as malas e ainda apagar alguns vestígios.
 
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