"Ele é alto, não é?... e tem muita presença! Gosto da maneira como ele se refere à família. É inteligente, carismático, fala bem..." A minha mulher consegue por um minuto tirar os olhos das imagens do homem do momento e vira-se para me olhar. Pausa. "Pois".
Pois, indeed, digo eu. Também eu gosto de Obama, também eu acho que ele é inteligente, carismático, etc, etc. Mas, meus caros leitores, este novo Presidente eleito está a provocar-me problemas gravíssimos. Ele está a estabelecer um padrão tão alto que, confesso, estou a ter alguma dificuldade em atingi-lo. Já estão a surgir sintomas preocupantes do meu complexo de inferioridade - ontem à noite menti sobre a minha altura, para mostrar que sou igual ao super-homem Barack.
O meu único conforto é que não estou sozinho. No mundo lá fora, e especialmente no mundo da política, há outros que estão aflitos com o mesmo fenómeno. Quase todos os líderes mundiais estão a tentar puxar a brasa à sua sardinha, querendo mostrar que Obama é tal e qual como eles. Mas não sei se isto é muito aconselhável. Quem tenta comparar-se a Obama pode acabar por provar o contrário - que a maioria dos líderes são do nossa planeta, não do dele.
Será que há outros homems a ler este blogue que também estão a sofrer com este novo fenómeno, que estão a ser colocados lado ao lado com o Senador de Illinois, que estão a habituar-se a uma nova presença na sua vida familiar? O Obama faz boa companhia, com certeza. Mas vamos passar quatro anos assim? Oito? Qual deve ser a resposta adequada do lado masculino: comentários animados sobre os óculos da Sarah Palin?
Enfim, homens, temos que ser humildes e seguir o conselho de Clint Eastwood no final de um daqueles filmes violentos dos anos 70 - "Um bom homem sabe reconhecer as suas próprias limitações". Obama já conseguiu lembrar-me as minhas.