13/02/2012 atualizado às 1:11
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"Obama perdeu uma oportunidade"

Em entrevista ao Expresso, o economista francês Jacques Sapir considera que o Presidente americano deveria ter dado prioridade à revisão da regulação bancária em vez do sistema de saúde.

João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
13:51 Sexta feira, 20 de novembro de 2009
A estratégia dissolveu-se na táctica, diz Sapir
A estratégia dissolveu-se na táctica, diz Sapir
José Ventura

O novo Presidente americano perdeu uma oportunidade política de se comparar a Franklin D. Roosevelt na forma de combater uma Grande Depressão. "Obama decidiu dar prioridade política à questão do plano de saúde - que não nego ser importante para a América - em vez de se concentrar, logo no começo do seu mandato, na questão da crise. Perdeu uma oportunidade", afirma o economista francês Jacques Sapir, que esteve, esta semana em Lisboa, para apresentar a tradução de um seu livro intitulado 'Os Buracos Negros da Ciência Económica'.

A inversão de prioridades por Obama permitiu ao sector financeiro "reorganizar os seus grupos de interesse" e paralisar a necessidade de uma regulação urgente. "Se compararmos com o que fez Franklin D. Roosevelt em seis meses, logo após ter tomado posse em Março de 1933, Obama sai mal na foto", enfatiza o economista, que reclama a falta de uma regulação rápida e cirúrgica do sector financeiro ligado à Wall Street.

Entre as medidas que deveriam estar na lista de prioridades americanas, Sapir coloca a reintrodução da Lei de 1933 conhecida por Glass-Steagall, o apelido dos seus dois proponentes, que disciplinou o sector financeiro saído da Grande Depressão de 1929/1932. Esta lei foi sucessivamente revogada nas suas partes fundamentais em 1980  (no mandato de Carter) e em 1990 (no mandato de Bill Clinton). Segundo muitos economistas, incluindo Sapir, a sua manutenção poderia ter evitado a germinação das crises financeiras posteriores a 1980 engendradas pela convergência de uma série de novos instrumentos e práticas financeiras, que levaram ao limite a alavancagem e especulação . Adicionalmente, Sapir advoga uma regulação em mercados de commodities invadidos actualmente pelos especuladores financeiros.

A gestão da crise foi ad hoc


O economista francês, na longa entrevista que concedeu ao Expresso, é demolidor sobre a forma como a emergência da crise e o pânico financeiro foi gerido em 2008 pela equipa responsável pela política monetária e orçamental no período da Administração W. Bush. "Eles geriram a crise ad hoc, no dia-a-dia. Perderam a oportunidade de agir estrategicamente desde o princípio. A estratégia dissolveu-se na táctica", critica duramente Sapir.

O economista aponta a dedo o duo gestor da crise, Ben Bernanke, Presidente da Reserva Federal (o banco central), e Henry Paulson, secretário do Tesouro (o equivalente ao nosso Ministro das Finanças). Não se aperceberam da gravidade do que se estava a passar desde o colapso da Bear Stearns e cometeram o erro capital de largar a Lehman Brothers, o que viria a gerar o pânico financeiro à escala global.

O economista francês escreveu logo a seguir a este acontecimento de um domingo de Setembro de 2008 um artigo arrasador avisando para as consequências da decisão de Paulson e Bernanke. Classifica mesmo a decisão de deixar cair o Lehman Brothers como uma "aposta" de Paulson, que se veio a revelar mal-sucedida.  

Pico do pânico na Wall Street


Sapir foi dos poucos que, no meio do pânico e da confusão que se seguiu, prognosticou o que se seguiria. "Aqueles dez ou doze dias revelaram a total perca de liderança política em Washington sobre o que se estava a passar. A liderança esteve ausente num momento crítico!", acusa. Parte do problema radicava nas próprias convicções ideológicas de Paulson e na expectativa em que Bernanke, que conhecia perfeitamente a dinâmica das Grandes Depressões (ele próprio um académico estudioso da Crise de 1929/33), ainda se colocou no pico do pânico "quando a Wall Street sabia perfeitamente a gravidade do que se estava a passar ". E outra parte, sublinha o economista francês, foi politiquice durante a campanha eleitoral presidencial com a agravante de grande parte dos republicanos no Congresso chumbarem a condução "intervencionista" de Paulson.

De todo este processo de gestão da crise pelos bancos centrais, Sapir reforça uma convicção que já manifestava em 2000 no livro que, agora, veio apresentar a Lisboa. "A independência formal dos bancos centrais não sobreviveu à crise, provou ser uma falácia. E o afunilamento da sua política a uma única variável económica, a inflação, é um erro. Não pode haver, apenas, um alvo e uma única arma, as taxas de juro. Tem de ser uma política que lança mão de vários instrumentos, e que se centra em quatro alvos: a inflação, sem dúvida, mas também o nível de desemprego, a taxa de câmbio e a questão do risco sistémico".

A solução, defende, é reforçar o poder da política monetária, com capacidade de intervenção mais alargada, mas sem estar completamente na mão de banqueiros centrais independentes. Uma das suas propostas passa, por exemplo, por permitir ao Governo financiar-se junto do banco central à mesma taxa de juro dos bancos.

 
Palavras-chave  Economia, Obama, EUA, Presidente, lehman, Sapir
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mais votados ▼
A solução de esquerda que irrita os americanos...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:32 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
... mas apenas os que têm bons seguros. Os 40 milhões sem seguro de saúde pensam precisamente como Obama. E a América anda nisto, para a frente e para trás.
Esta é a c arta enviada hjoje por Obama aos seus apoiantes:

"Right now, Sarah Palin is on a highly publicized, nationwide book tour, attacking President Obama and his plan for health reform at every turn.
It's dangerous. Remember, this is the person who coined the term "Death Panels" -- and opened the flood gates for months of false attacks by special interests and partisan extremists.
Whatever lie comes next will be widely covered by the media, then constantly echoed by right-wing attack groups and others who are trying to defeat reform.
As we approach the final sprint on health reform, we can't afford more deception and delay. We need to be ready for anything -- and have the resources to respond with ads, events, and calls to Congress when the attacks come.-"
 
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    Re: A solução de esquerda que irrita os americanos    Ver comentário
ElogoAli (seguir utilizador), 1 ponto , 20:03 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
    Re: A solução de esquerda que irrita os americanos    Ver comentário
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:05 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
A melhor soluçao
Titus Vespasianus (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
Para regular o sistema bancario era extingui-lo.
 
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Regular o sistema bancário ?...
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 17:14 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
O Barack Obama virou-se para a reforma da saúde por que sabia que regular o sistema bancário seria o princípio do fim da Presidência OBAMA.
Nem Obama nem qualquer outro governo de qualquer outro país poderão "mexer" nos "TUBARÕES DA BANCA". Primeiro por que a maioria dos governantes em todos países têm interesses na actividade bancária, e segundo por que a outra parte já mais permitiria que os privilégios do sistema bancário fossem abolidos. Esta máfia mandaria matar o Presidente ou qualquer outro Ministro que fizesse frente a estes TUBARÕES...
 
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A ganância no seu pior...a saúde que se lixe!
Geraldo Sem Favor (seguir utilizador), 1 ponto , 17:16 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
.
 
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Arrogância
Caldeiradas (seguir utilizador), 1 ponto , 17:44 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
Os 40 milhões de americanos sem seguro de saúde, sem qualquer protecção na doença, pensam certamente o contrário.
 
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Mendonça Júnior, Coronel de Cavalaria
sinahd (seguir utilizador), 1 ponto , 23:31 | Sexta feira, 20 de novembro de 2009
Devagar se vai ao longe

Eu estou no google em MENDONÇA J'UNIOR
 
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    Re: Mendonça Júnior, Coronel de Cavalaria    Ver comentário
Caldeiradas (seguir utilizador), 1 ponto , 12:59 | Sábado, 21 de novembro de 2009
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