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O que está em jogo em Gaza

8:00 Segunda-feira, 5 de Jan de 2009
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Gaza é um lugar terrível. Um milhão e meio de pessoas vivem no meio de um mar de pobreza, falta de cuidados básicos de saúde pública, desemprego, ignorância, violência, túneis e contrabando de armas. A população sobrevive diariamente graças à ajuda das Nações Unidas. O final do ano costuma ser uma época de balanço para os decisores políticos. Estes balanços são particularmente importantes em lugares arruinados e com poucas ou nenhumas perspectivas de futuro. Gaza é disso um bom exemplo. Aí, o Hamas teve de fazer um balanço aparentemente simples: avaliar os resultados da trégua de seis meses com Israel.

Tendo em conta que o Hamas governa Gaza e é responsável pelo bem-estar e futuro da população local, o mais natural é pensar que a renegociação da trégua com Israel seria do seu interesse. Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestiniana, tornou claro o seu pensamento sobre o assunto: "Falámos com eles (o Hamas) e dissemos-lhes: 'Por favor, pedimo-vos, não ponham fim à trégua. Deixem a trégua continuar e não parar' e assim poderíamos ter evitado o que aconteceu". A liderança do Hamas foi por outro caminho e na véspera do Natal disparou uma barragem de foguetes em direcção às cidades no Sul de Israel. Desde o passado sábado, Israel tem vindo a responder com uma intensa operação aérea contra todas as infra-estruturas políticas e militares do Hamas em Gaza.

Do ponto de vista estratégico, Gaza levanta duas questões importantes. A primeira é perceber o que é que levou o Hamas a atacar Israel de uma forma tão pública agora. A segunda é compreender o que é que levou os decisores políticos e militares israelitas a reagir de uma forma tão dura e sistemática.

Começando pela primeira questão, a última semana tornou abundantemente claro que, exceptuando a Síria, nenhum decisor político árabe está verdadeiramente interessado em ver o Hamas ser bem sucedido em Gaza ou a liderar o que resta da causa palestiniana. Nos últimos dias tem-se falado muito do bloqueio económico e naval de Israel a Gaza. Este bloqueio é real. O bloqueio decisivo, todavia, para os dirigentes do Hamas é aquele que se verifica na fronteira com o Egipto, em Rafah. Tal como Telavive, no Cairo olha-se com enorme suspeita para o Hamas.

Governar para o bem comum dos habitantes de Gaza implica um novo entendimento do Hamas com o Egipto e com Israel. O Hamas sabe que um entendimento deste tipo teria consequências drásticas para a sua ideologia e objectivos políticos.

Num contexto deste tipo, atacar Israel é a melhor prova das dificuldades da liderança do Hamas em Gaza. Como se tem visto nos últimos dias, um ataque contra Israel é uma opção muito arriscada. Dito isto, é uma opção que tem algumas virtudes políticas para o Hamas aparecer à sociedade palestiniana e ao mundo árabe e islâmico como o verdadeiro líder da resistência a Israel, diminuir o poder e a influência da Fatah na Cisjordânia e mostrar às opiniões públicas árabes que é possível atacar as cidades israelitas são alguns dos exemplos mais óbvios.

Do ponto de vista de Israel, o Hamas não é uma ameaça existencial. Além disso, a guerra civil que tem decorrido entre a Fatah e o Hamas nos últimos anos diminuiu ainda mais a capacidade dos palestinianos ameaçarem verdadeiramente os interesses estratégicos de Telavive. Quem é que fala pelos palestinianos hoje em dia? A trágica resposta é ninguém! Como explicar então a intensidade das operações militares da Força Aérea israelita contra o Hamas em Gaza?

Gaza tem sido, e vai obviamente continuar a ser, uma dor de cabeça política e militar para Telavive. Nos últimos anos, a principal opção de Israel em Gaza tem sido a coerção económica. Esta coerção tem sido gerida pelos decisores israelitas de maneira a punir o Hamas sem criar ao mesmo tempo uma crise humanitária excessivamente grande. Os resultados desta opção não têm sido famosos para Israel. O fim da trégua pelo Hamas deu a Telavive uma oportunidade para tentar mudar os termos do seu relacionamento com o seu inimigo em Gaza. A liderança israelita decidiu aproveitar esta oportunidade ao máximo.

As operações militares israelitas visam atingir três objectivos. O primeiro é diminuir a força política e militar do Hamas em Gaza. O segundo é diminuir o número de ataques com foguetes contra os civis nas cidades israelitas. Estes ataques têm vindo a atingir cidades cada vez mais próximas de Telavive. O terceiro objectivo visa apagar os fantasmas da guerra de 2006 contra o Hezbollah no Líbano. Em Israel teme-se que a maneira como essa guerra foi conduzida tenha diminuído a sua credibilidade militar e a capacidade dissuasora. Gaza está a ter custos para a imagem internacional de Israel, mas é uma maneira de restaurar a sua reputação militar numa região com uma história brutal.

A grande questão agora é saber até onde é que o Hamas e Israel estão dispostos a ir para concretizar os seus objectivos estratégicos.

Robert Fisk e o Médio Oriente

Robert Fisk tinha 29 anos e estava em Porto Covo quando recebeu um convite extraordinário: ser correspondente do 'The Times' no Médio Oriente. Fisk aceitou o convite mas nunca imaginou que 33 anos depois continuaria a viver e a escrever sobre esta turbulenta região. 'A Grande Guerra pela Civilização; A Conquista do Médio Oriente' (Lisboa: Edições 70, 2008), 1234 páginas, €44.00, é o resultado das suas viagens e reportagens da Argélia ao Afeganistão para o 'The Times' e 'Independent' durante as últimas três décadas.

Fisk é extremamente crítico de Israel e da política de sucessivas administrações americanas para o Médio Oriente. É também um escritor e uma testemunha poderosa dos trágicos acontecimentos que têm varrido esta região desde o final da Primeira Guerra Mundial.

Miguel Monjardino

Palavras-chave  gaza  hamas  fatah  israel  miguel monjardino
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O que está em jogo em Gaza
temi (seguir utilizador), 1 ponto , 11:38 | Terça-feira, 6 de Jan de 2009
Os que conhecem um pouco da história desta região sabem que é talvez a mais desesperadamente pobre e sofrida do mundo, pela simples razão de que ali vivem, amontoados, uma grande parte daqueles que foram expoliados de suas casa e terras para que Israel crescesse. Sem as infraestruturas que o mundo Ocidental considera indispensáveis à vida, como a água, e a energia, sem possibilidades de cultivar, é uma terra de pedras, sem poderem pescar, os barcos israelitas completam o cerco terrestre no Medoterrâneo, os palestinianos vivem em autênticos campos de concentração porque não podem sair para qualquer poutro lado. Esta gente, tal como não pode comprar, também não pode vender nada, pois o boicote de Israel é total.Os seus hospitais são um milagre, pois ainda salvam vidas em condições miseráveis, as suas escolas são destruída. Dir-me-ão, o Hamas é um grupo de terroristas. Tudo bem, mas foram a eleições e ganharam, e o facto de serem extremistas não justifica que todo um povo seja destruído por causa dos seus chefes.quando Israel teve governos extremistas não se considerou válido atacar os judeus por causa do seu governo. Só que. a guerra no Médio Orient parece ser indispensável para uma grande parte dos grandes deste mundo, incluindo governos árabes, e porque assim Israel pode continuar a armar-se e a ser a única potência da região com armas nucleares para que os EUA possam contar com o apoio financeiro e político da elite judaica americana...e assim vive a região dita sagrada!
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A Palestina não é Gaza...
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 17:27 | Terça-feira, 6 de Jan de 2009
Análise interessante q/peca, do meu ponto de vista, por: a) supor q/o Hamas para “Governar para o bem comum dos habitantes de Gaza”, deveria procurar um “novo entendimento com o Egipto e Israel, “esquecendo-se” MM q/nunca houve qualquer sinal por parte deles, de quererem esse entendimento, pelo contrário: o apertar do cerco à Faixa foi gradualm/ tornando-se + severo. A uma população de +/- 1,5 milhão q/se amontoam numa faixa de 40x10km, constituída essencialm/ por refugiados, dos quais, cerca de 1/2 vive em campos subhumanos, profundam/ islâmica e afecta ao Hamas (em 24 lugares o Hamas elegeu 15), sujeita a 1 cerco severo q/em tudo lhes soa a punição colectiva, não creio q/vejam o seu “bem comum” pelos olhos racionais/frios de MM. +: os “sucessos diplomáticos” obtidos pelo “bom comportamento” de Mahmoud Abbas não têm servido para encorajar mudanças de atitude; e b) não ter explorado + a questão da “guerra civil” entre Fatah/Hamas, e o papel q/os intervenientes no processo de paz têm exercido nessa “guerra”. Por fim (q/não tenho espaço para +), gostaria de alertar o MM para a sua afirmação: “punir o Hamas sem criar ao mesmo tempo uma crise humanitária excessivamente grande” – citando a BBC: “Israel maintains the blockade has at no point caused a humanitarian crisis - but in early 2008, a group of aid agencies described the situation as exactly that, and the worst situation in the strip since Israel occupied it in 1967.”
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Crise humitária de dimensão adequada ?!?!?!
kashmir (seguir utilizador), 1 ponto , 0:08 | Quarta-feira, 7 de Jan de 2009
Há expressões que me custam a digerir, e a mais infeliz de todo o artigo de MM é claramente “sem criar ao mesmo tempo uma crise humanitária excessivamente grande”.

Uma crise humanitária pequenina, é aceitável. O facto de o Hamas ter sido democraticamente eleito numas eleições incontestadas é um mero pró-forma.

Às tropas de uniforme, altamente treinadas, com algumas das melhores armas do mundo, reconhece-se o direito de, em legítima defesa, bombardear escolas da ONU e matar mais de 400 civis.

Às tropas sem uniforme, organizadas com parcos recursos, com armas artesanais ou do tempo da WWII, no meio de uma enorme prisão e sujeitas a uma crise humanitária que MM considera de dimensão adequada, qualquer reacção é imediatamente apelidada de terrorista e qualquer esforço de análise das suas motivações totalmente irrelevante.

É sempre um prazer ler uma crónica tão imparcial e equilibrada.
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CRIMES DE GUERRA (MAIS UM)
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:48 | Quarta-feira, 7 de Jan de 2009
Ontem os sionistas bombardearam TRÊS escolas sob a égide das UN matando mais de 50 homens mulheres e crianças que aí tinham procurado santuário.
Apesar das forças militares judaicas estarem de posse das coordenadas (gps) fornecidas pelas UN as escolas foram atingidas propositadamente.
Note-se que não foi uma nem duas,foram três as escolas bombardeadas o que põe de lado qualquer disparo acidental por parte dos israelitas.
SE A FALTA DE PONTARIA FOR A CAUSA ALEGADA PELOS ISRAELITAS ENTÃO CAI POR TERRA A TEORIA DE QUE O HAMAS SE SERVE DA POPULAÇÃO CIVIL COMO ESCUDO...SE REALMENTE TÊM TANTA FALTA DE PONTARIA DEVIAM DE PENSAR DUAS VEZES ANTES DE BOMBARDEAR UMA DOS TERRITÓRIOS MAIS POVOADOS DO MUNDO SOB PENA DE TEREM MASSACRADO OS CIVIS COMO ATÉ AGORA TÊM FEITO..SENÃO SÓ PODE TER SIDO UM ATAQUE INDISCRIMINADO Á POPULAÇÃO CIVIL...QUALQUER QUE SEJA A DESCULPA DADA É UM DOS MAIORES CRIMES DE GUERRA QUE SE ASSISTIU NOS ULTIMOS TEMPOS.
Neste momento as UN pediram uma investigação a ser levada a cabo pelos seus membros ao que Tel Aviv se opôs terminantemente.
Será que os responsáveis um dia serão acusados de crimes contra a humanidade e julgados no TRIBUNAL(FANTOCHE) PENAL INTERNACIONAL DE HAIA???
Não cremos...porque dos fracos e oprimidos não reza a história.
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CERCADOS POR TERRA MAR E AR
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:14 | Quarta-feira, 7 de Jan de 2009
As forças armadas israelitas atacam com todos os seus braços.
A marinha bombardeia com os seus (americanos)destroyers a faixa de Gaza.
A força aérea lança os seus (americanos) F16 carregados com mísseis cuja destruição é inimaginável.
O exercito com os seus(americanos)tanques ABRAHAMS M 1 descarregam os seus obuses uns atrás dos outros ATÉ FICAREM SEM MUNIÇÃO.
Perante este cenário alguém acredita que não haja milhares de baixas civis num espaço de 40km de comprimento por 6km de largura e onde vivem mais de 1 milhão de pessoas ou continuam atirar serradura para os olhos das pessoas com a treta do hamas e dos escudos humanos.
Tenham paciencia...os israelitas sabem perfeitamente o que estão a fazer,que é massacrar todos os palestenianos para um dia rea lizarem o sonho sionista que é a "terra prometida" e a erradicação total dos palestenianos da palestina.
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