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O significado de uma vitória

Um PSD clarificado nas suas opções, desempoeirado nas suas ideias, modernizado nas suas estruturas, aberto à sociedade, e posicionado para a conquista de uma maioria.

Vasco Campilho
13:06 Sábado, 27 de março de 2010

Há vitórias com mais significado do que outras, e há vitórias que deixam dúvidas quanto ao seu significado. Mas a vitória de Pedro Passos Coelho na corrida à liderança do PSD pertence à categoria das vitórias inequívocas, e inequivocamente significativas. Significativa desde logo pela própria votação: 61%, 27 000 votos, é a maior vitória jamais obtida em eleições directas no PSD. Este resultado mostra que os militantes quiseram escolher com clareza um caminho e colocar uma pedra sobre divisões e conflitos do passado. Mas significativa sobretudo pelo seu conteúdo político. E esse conteúdo lê-se em três estratos cuja sobreposição é fundamental para conferir coerência a um projecto de poder.

O primeiro estrato é o partidário-político. Esta vitória foi um duro golpe numa concepção transviada de elitismo que tinha tomado conta do PSD. As sociedades e os partidos políticos precisam de élites, e produzem-nas - melhores ou piores - em qualquer circunstância. Mas em democracia, não é élite quem quer, quem herda ou quem se auto-proclama como tal. Numa democracia a élite é composta por aqueles que a cada momento têm a capacidade de assumir o papel e a função que uma élite deve ter na sociedade. Ontem, saíram derrotados os que confiaram na lógica de casta, e venceram os que apostaram no trabalho, na vontade e no mérito. E isso tem um imenso significado naquilo que vai ser a reconfiguração das élites políticas no PSD.

A este sobrepõe-se um segundo estrato político-metodológico. Esta foi a vitória de uma forma renovada de fazer política. Renovada desde logo pelo profissionalismo assumido com que procurou fazer passar as suas mensagens, dirigindo-se aos militantes e aos portugueses. Já era tempo de o PSD perceber que a autenticidade não desculpa o amadorismo, e que se a mensagem é o mais importante a primeira obrigação do político é saber transmiti-la com eficácia. Mas renovada também pela aposta na abertura das ideias e pela desfulanização do discurso.O PSD deixou-se intoxicar ao longo dos anos pelo carácter pessoal das suas lutas intestinas, o que veio até a repercutir-se na forma excessivamente centrada na pessoa do primeiro-ministro de fazer oposição ao PS. Pedro Passos Coelho, que se manteve durante estes anos afastado dessas más práticas, demonstrou já que pretende um PSD mais respirável, mais acolhedor para o debate de ideias, mais capaz portanto de construir uma alternativa confiável.

O estrato superior do significado desta vitória é o posicional-ideológico. Esta eleição teve o mérito de permitir ao PSD optar com clareza entre dois caminhos distintos, um de pendor liberal-conservador e outro de pendor liberal-democrata. Era para mim evidente, já há meses, que era este último o caminho que melhor reproduzia a fórmula que permitiu ao PSD ter sucesso no passado: promover profundas mudanças na economia, procurando encontrar um equilíbrio nos valores sociais. E não é por acaso que esta fórmula teve, e deverá voltar a ter, sucesso. A sociedade portuguesa está hoje cada vez mais consciente de que necessita de mudar muito daquilo que é a sua estrutura produtiva e material. Mas para ter a energia de o fazer, terá também de saber impedir que questões simbolicamente relevantes sejam instrumentalizadas para criar divisões inúteis. Ao eleger Passos Coelho, o PSD escolheu ser o veículo dessa mudança económica, mas também um factor dessa despolarização social.

Sobrepondo estes três estratos de significado, o que vemos? Um partido clarificado nas suas opções, desempoeirado nas suas ideias, modernizado nas suas estruturas, aberto à sociedade, e posicionado para a conquista de uma maioria. Fazia falta um PSD assim.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Pedro Passos Coelho
ajotaef (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 2:06 | Domingo, 28 de março de 2010
Parabéns e boa sorte como é da praxe!
Como acredito que o país não carece de nenhum antisócrates (igual mas apenas do lado oposto da barricada) e muito menos de um salvador o país só terá a ganhar com um homem que traga a política para o nível a que a direita social democrática sempre a colocou nos momentos mais críticos do pais, como foi o caso de Sá Carneiro: autêntica, congruente e compreensiva ou seja liberal, democrática e social.
 
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    Re: Ajotaef - Pedro Passos Coelho    Ver comentário
Pedra-Mó (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Domingo, 28 de março de 2010
    Re: Ajotaef - Pedro Passos Coelho    Ver comentário
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 22:50 | Domingo, 28 de março de 2010
Directas
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 8:27 | Domingo, 28 de março de 2010
Uma vitória concludente das bases sobre os elitistas.
Este acto demonstra, à saciedade, de quem manda no Partido são aqueles de que nunca se fala, mas na hora H, lá estão na primeira linha a traçar o rumo que desejam para o PSD.
A vitória, inequívoca, apesar de lhe terem apresentado um candidato com bons dotes oratórios, mas nada mais, à última da hora, representou ainda um revés para todos aqueles que deitaram para o caixote do lixo, nas últimas Directas, Pedro Passos Coelho e os os seus apoiantes, em detrimento de António Preto e outros de discutível valor.
Havia que pagar os favores.
Aí começou o descalabro do PSD.
E desse facto Manuela Ferreira Leite não pode ser ilibada.
Pedro Passos Coelho, vai em sentido contrário:
PACIFICAR E UNIR O PARTIDO !
BOA SORTE, COMPANHEIRO.
Não tenha pressa em alcançar o PODER.
Arrume primeiro a casa e escolha os melhores, independentemente de quem apoiassem.
O PSD é de todos os militantes e não só de alguns.
 
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Pois...%)))
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 9:42 | Domingo, 28 de março de 2010
“Um PSD clarificado nas suas opções, desempoeirado nas suas ideias, modernizado nas suas estruturas, aberto à sociedade, e posicionado para a conquista de uma maioria.”
O problema do PSD não tem sido o não mudar de ideias… o problema do PSD tem sido mudar de ideias uma vez vezes de mais!
“Clarificado nas suas opções”… Classificadíssimo!!! Se olharmos ao que diz Henrique Monteiro: “viu-se que há um PSD real muito diferente do PSD que se movimenta nos órgãos de informação e nos círculos bem pensantes”. Podemos também extrapolar, que não lhe resta alternativa, uma vez que são esses a quem ele se refere e que como tão bem explica “se movimentam nos órgãos de informação” que controlam também o grupo parlamentar.
“aberto á sociedade”…mas alguma vez esteve fechado??? É que eu saiba as únicas pessoas a quem o PSD esteve fechado não foram as da sociedade em geral, mas apenas a PPC e aos seus apoiantes em particular.
“desempoeirado das suas ideias”….ideias??? PSD??? Serio que queres usar estas palavras na mesma frase??? É que a única ideia (com ou sem poeira) que se conhecia ao PSD era uma tal politica de verdade que o Pacheco Pereira bem tentava traduzir e explicar cada vez que MFL abria a boca.
“modernizado nas suas estruturas”…absolutamente modernizado nas suas estruturas! Agora até tem um líder que o grupo parlamentar fez tudo a para que não fosse eleito. Existe lá mais modernismo… ...
 
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    cont...%)))    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 9:44 | Domingo, 28 de março de 2010
    Explicações para os Forrest Gumpianos!    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 9:55 | Domingo, 28 de março de 2010
Constatação
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:43 | Domingo, 28 de março de 2010
Costumo dar uma vista de olhos pelo blogue de Pacheco Pereira.
Como é de domínio público, Pacheco Pereira, sempre que teve ocasião bateu forte e feio em Pedro Pssos Coelho.
Recordo-me de em tempos acusar o Diário de Notícias de ser um seu "apoiante encapotado".
Optou, por apoiar Paulo Rangel, para que tudo continuasse na mesma.
Errou na escolha e por isso perdeu.
No entanto o que mais estranho é que no seu blogue não dedique uma única linha à vitória de Pedro Passos Coelho, nem tão pouco às directas!
MAU PERDEDOR, É O QUE POSSO DEDUZIR !
Preocupou-se. sim foi com os fotógrafos da Assembleia da República.
Será que também se sentiu "VISADO " ?
É que como está na bancada, dos que muito raramente usam da palavra, porque preferem cavaquear, ler os jornais e bater palmas àquilo que não prestaram qualquer atenção...
Cavaco Silva, apresentou parabéns ao no lider do PSD, numa cerimónia pública.
Não cometo a injutiça de o criticar por isso, porque desconheço, se noutros casos procede de idêntica forma...
Mas, ninguém tenha dúvidas a influência de Cavaco Silva dentro do PSD, TERMINOU !
 
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