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O seu filho é especial (mas se lhe diz isso pode prejudicá-lo)

Jornalista americano investigou os mitos relacionados com a infância. O resultado é um novo olhar sobre a educação.

Maria Barbosa (www.expresso.pt)
10:50 Sábado, 13 de março de 2010
O seu filho é especial (mas se lhe diz isso pode prejudicá-lo)

Com o nascimento da segunda filha, Po Bronson, autor do livro "Choque na Educação", arrumou os manuais de bebés acumulados em casa e decidiu não educar os filhos como mandam as regras mas sim segundo os instintos. Isso parecia-lhe suficiente, como escreve na introdução do livro, um dos melhores de 2009 para mais de 30 publicações e sites americanos. "Estávamos apaixonados pelos nossos filhos e observávamos atentamente as suas necessidades e o seu desenvolvimento".

Segundo a sabedoria popular, esses instintos surgem, como que por magia, logo após o nascimento do bebé. Com a criancinha nos braços, a mãe ou o pai, saberá o que fazer. "E irá continuar a saber o que fazer nos dezoito anos seguintes", ironiza o jornalista da "Time" e do "Washington Post".

Após três anos a investigar os mitos à volta do desenvolvimento infantil, e a analisar 200 mil páginas de pesquisas em publicações científicas, Po Bronson (em colaboração com a educadora Ashley Merryman) concluiu que também ele se deixara levar pelo senso comum, que tem em conta a educação recebida em casa ou o exemplo dos outros.

A verdade é que o modo como os pais educam os filhos pouco tem de científico, "no sentido de não ter como base as experiências que têm vindo a ser realizadas, principalmente nos Estados Unidos", diz o pediatra português Paulo Oom, que leu o livro precisamente por desmontar algumas ideias feitas relacionadas com a educação das crianças.


"Como é que podíamos estar tão errados?" A pergunta de Po Bronson e Ashley Merryman serviu de ponto de partida para a obra com o título original de "NurtureShock", a expressão inglesa que descreve o pânico que só os novos pais sentem na pele. Os dois acreditavam que a leitura ia assemelhar-se a um balde de água fria. Primeiro ia surpreender os pais, depois desorientá-los.

Cérebro viciado em elogios


E estavam certos. A polémica estalou com o livro numa fase embrionária. Um dos dez tópicos da obra - o excesso de elogios que predomina na relação entre pais e filhos - foi capa da revista "New York Magazine" e deixou toda uma geração de adultos perplexa.

Segundo um inquérito da Universidade de Columbia, 85% dos pais americanos pensam que é importante dizer às crianças que são as mais inteligentes. "Há mesmo miúdos que vão para a escola com frases de incentivo guardadas nas lancheiras e que, quando chegam a casa, têm tabelas de excelência afixadas nos frigoríficos", conta Po Bronson.
Se para os adultos o elogio constante funcionaria como um anjo da guarda, assegurando que os petizes não desaproveitam os seus talentos, Bronson e Merryman descobriram o contrário: dizer às crianças que são inteligentes não as impede de ter um desempenho fraco. Pior, até as pode prejudicar.

A pesquisa de Carol Dweck, da Universidade de Stanford, revelou que os estudantes elogiados em excesso optam pela via mais fácil, para não fazerem má figura, e são menos motivados. E nem as crianças no ensino pré-primário estão imunes ao efeito inverso do elogio.

Outro estudo feito pela American Association for Psychological Science mostrou que uma elevada auto-estima não melhora as notas nem o sucesso profissional. Nem sequer reduz o consumo de álcool. E muito menos contribui para uma diminuição da violência.

Com estes dados na mão, também Po Bronson parou de elogiar os filhos com frases banais como "tu és óptimo" ou "estou orgulhoso de ti". E percebeu que era ele, e não os mais pequenos, o viciado em elogios. "Senti que podia estar a contribuir para o cérebro deles ter uma necessidade química real de receber recompensas constantes", admite.

O tópico dos elogios foi, de longe, o mais citado nos media mas "Choque na Educação" não se resume a uma tese. Há outras "vacas sagradas" que precisam de ser repensadas, segundo os autores. Como a mentira. E aqui, a pesquisa é clara: as estratégias clássicas para promover a sinceridade apenas encorajam as crianças a mentir melhor.

Entre os pais portugueses que frequentam os workshops sobre disciplina dados por Paulo Oom, um dos temas abordados diz respeito ao bater. A grande maioria admite já ter dado uma ou outra palmada mas o correctivo é questionável. A educação é mais eficaz pela positiva, realça o pediatra, mas uma palmada "na altura certa, pelo motivo certo, pode resolver o problema".

Um assunto à margem do livro, o que quer dizer que ainda existe uma forma latina de estar na vida e olhar para o mundo. Nas palavras de Paulo Oom, os portugueses são menos permissivos do que os americanos, mais afectuosos do que os ingleses e mais tolerantes do que os franceses. "O que significa que seguir à risca ensinamentos de um livro traduzido e que não reflecte os nossos valores pode não dar certo".


Três perguntas a Po Bronson, autor do livro

Alguns pais criticaram o livro por apresentar uma série de factos e estudos científicos sem, no entanto, apontar caminhos. Parece-lhe um comentário justo?
Os que procuram um manual com respostas a dúvidas e inquietações devem comprar outro livro. "Choque na Educação" foi escrito a pensar nos pais que detestam livros que abordam o tema da paternidade. Quem o lê não fica confuso. Pelo contrário. Ultrapassado o choque inicial, conseguimos relacionar-nos com as crianças de uma forma completamente nova.

Critica o facto de os pais confundirem "boas ideias com boas intenções". E de não questionarem os instintos. O livro não confia de mais na ciência?
Não é uma questão de fé. Cada capítulo baseia-se em pesquisas com mais de dez anos, reproduzidas por vários especialistas. Há uma tendência para não questionar algumas tradições porque estão entre nós desde sempre. O que descobrimos foi que os instintos (reacções informadas) estão poluídos por uma mistura de esperanças vãs, preconceitos morais, modas, história pessoal e psicologia ultrapassada.

Além da sociedade elogiar as crianças em excesso, que outras pesquisas o surpreenderam?
O facto de as crianças dormirem menos uma hora do que há trinta anos. E isso tem custos elevados, não só a nível intelectual mas na forma física dos mais novos, com mais tendência para a obesidade.


Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010, Primeiro caderno
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Especial Educação
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 11:27 | Sábado, 13 de março de 2010
É de notar como, de facto, as prateleiras estão cheias de manuais para bem educar! Infelizmente, a impressão que tenho é a de que quantos mais manuais se fazem e se vendem maiores se tornam os problemas das nossas crianças. Entre eles, um dos maiores, o problema que cada vez mais as crianças têm na relação com os outros, sobretudo os de idade diferente da delas. E de onde vem tudo isso? Basicamente, do Berço, pois claro. Sobretudo dos berços encharcados de modas e receitas, dos berços não feitos, como diz este autor americano, com um mínimo de bom senso, sem darem qualquer atenção àquilo que chamo de voz interior da Educação. É que, para além de tudo mais, nenhum pai/mãe se pode fazer apenas com workshops ou livros de instruções: eles fazem-se, também eles, desde o Berço! Evidentemente, hoje, e cada vez mais, esta formação especial é necessária. Tão necessária que a própria Igreja deveria aprofundar as suas próprias workshops destinadas à preparação dos noivos que nela se querem casar. A educação é um fenómeno em cadeia: quanto mais se tem no início mais se terá no fim! E quanto às crianças: confirmar o narcisismo natural das crianças com elogios despropositados só pode ser, de facto, prejudicial. Outra coisa é acompanhar as crianças, dar-lhes todo o carinho e estímulo na dolorosa tarefa de se tornarem sempre mais quem são. Mas a fantochada de pais que invariavelmente julgam serem donos dos melhores dos filhos só pode levar a que estes se esqueçam de, realmente, o ser!
 
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Não é preciso dizer
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos , 12:01 | Sábado, 13 de março de 2010
Não é preciso que os pais digam ao menino/a que ele/a é especial. Ao tratá-lo/a como especialíssimo/a, a criança interioriza que é mesmo muito especial e faz dos pais gato sapato.
Embora possa parecer estranho e absurdo, as crianças (e um pouco todos nós) precisamos e valorizamos a autoridade (não o autoritarismo).
Se as crianças constatam que os pais são uns "bacanos" e nunca os contrariam, mercê da capacidade que têm de manipular, conseguem tudo o que querem, mesmo que este caminho não seja necessariamente aquele que os conduz mais tarde à tão necessária estabilidade emocional.
Se não começarmos a treinar bem cedo a lidar com as frustrações e contrariedades, a tendência é pars nos tornarmos uns crápulas, umas criaturas azedas e intragáveis.
Mas é um facto que a maioria das famílias vive ainda em pleno estado de anarquia, em que cada um faz o que quer, porque a vida é pertença de cada um e ninguém tem nada a ver com isso.
Faltará ainda um bom bocado de tempo até que esta situação se inverta.
 
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Educar os filhos
sara09 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:47 | Sábado, 13 de março de 2010
Educar um filho/s não deve partir de conceitos pré-estabelecidos, porque os nossos pais eram assim... os nossos avós nos educaram assim...

Cada criança, como cada ser humano é única, diferente. Educar um filho, para além de tudo o que vem nos manuais, significa acompanhar o seu crecimento, dedicar-lhe tempo. Saber dizer "não" na hora certa e explicar porquê. Significa em cada fase da idade explicar aquilo que lhes é perceptível.

Significa ser pai ou mãe não como uma autoridade... mas com delicadeza, impondo respeito e regras. Significa ter tempo para eles... e não nos livrar-mos deles porque estamos cansados e ligamos a TV para verem desenhos animados...( e pensar finalmente tenho paz) , significa sobretudo amá-los e dizer-lhes isso mesmo.

Significa criar laços afectivos e emocionais estáveis, em que sejamos pais/filhos, mas também amigos em quem eles podem confiar... com quem podem desabafar, com quem podem partilhar as primeiras desilusões que a vida lhes aprontar.

Foi assim que eduquei o meu filho, hoje com 13 anos, sem recurso a manuais ou ideias pré-concebidas... e sinto-me feliz pois ele é um jovem adulto, responsável, com um carácter e valores bem definidos.

Sara
 
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Educar na Fé
Diaconodoonline (seguir utilizador), 1 ponto , 15:54 | Sábado, 13 de março de 2010
Nada como a Catequese quando se larga os cueiros.
O Corpo de Escutas aos primeiros calções.
A JEC e a JUC aquando estudantes.
A JOC aquando trabalhadores.

Para os mais vocacionados, a entrega ao Seminário, o ingresso em qualquer Ordem, quiçá a adesão ao Opus Dei, serão garantes de uma educação à prova de pais prejudiciais.

Comungo da opinião do irmão Miranda, quando diz que a Igreja deveria aprofundar e realizar workshops visando a preparação e educação para o casamento, preenchendo a lacuna de tantos pais que não preparam os seus para o acto. Nada vale a experiência de quem não a tem e jurou dedicar-se ao celibato.
 
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    Re: Educar na Fé    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:34 | Sábado, 13 de março de 2010
    Re: Educar na Fé    Ver comentário
Diaconodoonline (seguir utilizador), 1 ponto , 17:57 | Sábado, 13 de março de 2010
    Gogo    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:18 | Sábado, 13 de março de 2010
    Re: Gogo    Ver comentário
Diaconodoonline (seguir utilizador), 1 ponto , 18:55 | Sábado, 13 de março de 2010
    Re: Gogo    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:50 | Sábado, 13 de março de 2010
E gritar...
orion_hum (seguir utilizador), 1 ponto , 20:54 | Sábado, 13 de março de 2010
Eu só vou parar de gritar com a malta quandoa malta para de gritar acho eu...
 
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