11/02/2012 atualizado às 16:10
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O risco é mesmo esse, Pacheco Pereira.

"Se, numa hipótese que sei ser puramente académica e num certo sentido democraticamente retorcida, porque quem ganhou as eleições foi Sócrates, o PS mudasse de Primeiro-ministro e outro dos seus dirigentes fosse encarregado de governar, o ambiente mudaria de imediato. Até penso que nessa hipótese académica, a oposição aceitaria a legitimidade da mudança e um melhor clima de entendimentos necessários poderia daí resultar." José Pacheco Pereira na Sábado.

Vasco Campilho
23:22 Terça feira, 15 de dezembro de 2009

José Pacheco Pereira será ingénuo? O deputado do PSD sabe bem que a "hipótese puramente académica e num certo sentido democraticamente retorcida" que coloca é uma hipótese real. Sabe que ela já esteve em cima da mesa no interior do PS quando o caso Freeport eclodiu. Sabe que poderá voltar a estar se outros dos casos que metodicamente elenca neste artigo vierem a agravar o deve e o haver político de José Sócrates para o partido que lidera. E sabe que a orientação que tem imprimido aos seus comentários na imprensa e à sua intervenção parlamentar vai no sentido de favorecer a "hipótese puramente académica e num certo sentido democraticamente retorcida".

Mais. José Pacheco Pereira não pode ignorar que ao promover uma oposição personalizada ao Primeiro-Ministro, está a oferecer um free pass ao PS. Bastará ao PS mudar de líder e de Primeiro-Ministro, e logo três quartos da oposição que Pacheco Pereira e a actual direcção do PSD lhe move cairão por terra. Se o PS aparecer com uma cara diferente num momento em que a oposição se faz à pessoa de Sócrates e não às suas políticas, poderá lavar as mãos de 15 anos de asneiras políticas e económicas, pôr os contadores a zero e continuar alegremente a dominar a vida política nacional. Se o PSD permitir que o PS se livre de Sócrates se e quando lhe for mais conveniente, impedirá os portugueses de poderem julgar o Governo pelo seu balanço nas próximas eleições. Eu não estou nada convencido de que se trate de uma "hipótese puramente académica". Pelo contrário, penso que o risco, para o PSD e para todos os que querem uma alternativa ao socialismo em Portugal, é mesmo esse: que derrubando Sócrates se perpetue o PS.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Porque não te calas, Pacheco?
woman55 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:13 | Sexta feira, 18 de dezembro de 2009
Porque não te calas, Pacheco?
Pacheco Pereira é um mau político! A sua ideologia maoísta ainda permance no seu sub(?)consciente: só sabe dizer e fazer mal, como o está a fazer ao PSD! Ele e todos os outros velhos do restelo deviam abandonar o partido, matar o tempo a escrever blogues e dar lugar aos novos, embora também não veja nenhum que se aproveite! Com uma oposição assim, não vamos a lado nenhum!
 
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Bem visto
Outubro1560 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:59 | Terça feira, 22 de dezembro de 2009
Mas há um cenário pior:

É que essa demissão precoce de Sócrates sirva ainda para o "redimir" elevando-o à condição de mártir do sistema, atendendo ao presente grau de manipulação da opinião pública.

O PS poderá não querer livrar-se imediatamente de Sócrates, se souber que uma demissão desse tipo poderá ser outra forma de recuperar a maioria absoluta.

Mas para isso teria de ser o PR e não o PS a demiti-lo, reservando inerentemente ao PS a possibilidade de vir a jogar contra Sócrates ou a favor dele, consoante a conjuntura.

Se vir que ganha com a exclusão de Sócrates exclui-o.
Se, pelo contrário, vir que ganha com a sua vitimização, irá protegê-lo.

Mesmo com outro primeiro-ministro, o PS não poderá divergir muito das linhas mestras do seu programa, sob pena de perder publicamente a imagem de coerência, portanto a exclusão de Sócrates também não é um garante de maioria absoluta, caso seja o próprio PS a concretizá-la.

Mais vale que este caia naturalmente.
 
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