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O regresso do FMI

8:00 Quarta feira, 4 de fevereiro de 2009

As agências de notação de crédito são hoje aquilo que os homens sem rosto do FMI eram entre 76 e os anos 80: um receituário económico ultra-esquemático e raramente adequado, uma espécie de agiotas internacionais subservientes perante os erros dos poderosos e implacáveis para com os que estão em dificuldades.

No entanto das duas vezes que interveio em Portugal o tosco diagnóstico do FMI e as medidas simplistas que nos obrigaram a aplicar resultaram. As mesmas medidas poderiam ter sido tomadas mais cedo, com menor intensidade e muito menores custos mas não foram e tivemos que nos contentar com a consulta ambulante do FMI. À custa do aumento temporário do desemprego, da descida dos salários reais e da estagnação do produto, mas com resultados.

Apenas porque o nosso sistema político não conseguiu tomar medidas mais adequadas e mais bem pensadas.

As intervenções externas vêm quando a incapacidade de mudar de rumo e de adoptar políticas mais prudentes as torna indispensáveis. Nos acordos com o FMI eram as perturbações pós-25 de Abril. Agora os desequilíbrios têm a sua origem no aumento da despesa pública iniciada com Cavaco e o auge nos Governos Guterres. No falhanço estrondoso das políticas Barroso/Ferreira Leite para a redução do défice e da insuficiência das reformas - mais a crise internacional - do Governo Sócrates.

A dificuldade de obter mais créditos para financiar a balança de pagamentos é a causa da intervenção: a família gastou demasiado e só resta a visita à casa de penhores e a ajuda amável e desinteressada do penhorista.

Podemos consolarmo-nos a recordar o falhanço miserável da Standard & Poor's na avaliação do risco da banca. Mas aquela gente do FMI ou dessas agências são apenas a face visível do mercado de capitais internacional a recordar que as dívidas têm que ser pagas e o consumo de bens e serviços do exterior tem que ser reduzido.

Mesmo quando o escudo não pode ser desvalorizado porque já não existe: aquele corte brusco dos salários, dos lucros, dos juros e do valor de todos os activos expressos em escudos já não é possível, a cura vai ser mais lenta, mas o endividamento não pode prosseguir.

Contra nós e a nosso favor está o ambiente internacional: é muito mais difícil exportar na situação actual mas uma dívida elevada não é um problema muito original. É bom e mau para Portugal que haja situações ainda mais críticas e mais pigs (o I agora quer dizer Itália+Irlanda) do que se pensava. O Reino Unido não está muito longe. A Alemanha - o país sensato e aforrador - vai-se opor a qualquer solução que lhe pareça constituir o triunfo dos porcos mas precisa de mercados para exportar. A situação é má mas uma saída acabará por se desenhar. Tal como sucedeu nas crises do FMI.

Adenda: se há coisa que não nos fazia falta é o nosso primeiro-ministro a braços com o Freeport. Em vez da satisfação perversa que costuma acompanhar estes casos o que vemos desta vez é um sentimento geral de depressão pela inoportunidade desta distracção.

Fiscalista

Palavras-chave  opinião, FMI, saldasnha sanches, Economia
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..."uma saída acabará por se desenhar"...
neo c3po (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 1:55 | Quinta feira, 5 de fevereiro de 2009
"Não podemos resolver problemas utilisando o mesmo raciocínio usado para o criar" - Einstein dixit.

Tenho para mim que a vaga está apenas a começar de quebrar.
A onda que ganhou força em decadas de evolução tecnológica exponencial, forçará mudanças drásticas nos comportamentos e relações humanas incluindo as de produção, naturalmente.
O modelo de industrialização baseado em mão-de-obra humana tendo em vista um consumo "infinito" garantido... está a extinguir-se.
A economia "virtual" dos ultimos anos foi tão só uma tentativa de o perpetuar, sendo a culpa dos seus excessos muito menos da ganância dos especuladores activos - o fácil bode expiatório - do que daqueles que em maior ou menor grau o permitiram e disso beneficiaram. Todo o mundo industrializado, sem exceção, e uma boa parte do resto.
O que em outras mudanças profundas de civilização demorou séculos a acontecer está agora, num mundo onde as distancias se apagaram, a suceder em decadas. Periodos menores do que uma geração.
Boa parte dos millhões de pessoas agora dispensadas jamais voltarão a exercer o mesmo tipo de actividade. Pois que o seu "direito" ao trabalho fruto de um cículo produtivo terminado estará num futuro próximo ocupado por... máquinas, cada vez mais acessíveis, inteligentes, para todo o tipo de tarefas, que não são sindicalizadas nem reclamam horário de trabalho... por enquanto!
Pelo que isto representa em termos de relações sociais ... muito brevemente... Espero estar enganado
 
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Adenda
Peterv (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 16:51 | Quinta feira, 5 de fevereiro de 2009
Explicando de maneira simples politica monetaria:
A riqueza nao se perde, apenas se transfere.
Enquanto nao houver um sistema de free debt money o cartel da banca internacional ira sempre controlar a oferta e procura de moeda. Foram entao criados organismos a nivel mundial IMF(FMI) e o world bank. Tambem foi o que deu origem as nacoes unidas, visto que eram os grandes banqueiros internacionais que financiavam guerras, os dois lados da guerra. Comecando com Rotchilds family em londres, passando por J P Morgan no EUA. Depois das guerras havia o debt que tinha de ser pago atraves de impostos que por sea vez era pedido as populacoes. Sendo uam forma segura de garantir o capital emprestado,logico! Portanto, o que se passa hoje passou-se ha muitos anos atras desde 1700 para ca, desde napoleo ate aos tempos de hoje. Isto ira levar-nos a uma organizacao societal de escravidao. Onde a riqueza das nacoes estara aglomerada nas maos de poucos. Portanto, Devia-se ler um pouco de freidman, free debt money, com esse controlo feito atraves do crescimento da populacao e do crescimento dos precos.
 
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Organizações "internacionais".
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:10 | Quarta feira, 4 de fevereiro de 2009
O FMI e o Banco Mundial têm hoje, uma grande falta de credibilidade. Porquê? Muito simples... São bastiões ideológicos e não são internacionais. O FMI e o Banco Mundial têm um poder que, durante décadas, permitiu que a soberania de nações fosse subjugada à política neo-liberal, de legalização da corrupção que hoje entrou em colapso.

Lembro a "Revolução Francesa" na Argentina, em Dezembro de 2001, como resultado do Consenso de Washington que matou muita gente à fome, não só naquele país, como também em toda a América Latina. Organizaram-se golpes de estado, pondo no poder aqueles que participariam na adopção e na prática de políticas desastrosas, que conduziriam à pobreza e à miséria.

Face a este Mundo Novo, em que grandes blocos de nações começam a surgir, com o poder Mundial mais distribuído, o FMI e o BM reformam-se. Reformam-se, porque o establishment tem medo. Tem medo do que virá. Antes, quem dizia "Não" era invadido. Hoje, quem é que invade a União Sul-Americana das Nações? Quem é que invade um membro da OCS? No futuro, quem invadirá a União Africana? Pois...

Acabou o tempo do quero, posso e mando. O futuro será muito, mas muito diferente...

E quanto ao caso Freeport, é um mais um golpe de estado. Mais um que falhará, à semelhança de muitos outros que se fizeram, desde que este governo tomou posse. Porque é a única maneira. Como é que se pode dar cabo de um governo que tem resultados à mostra? Jogando porcamente. É a obra dos "democratas".
 
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Peterv (seguir utilizador), 1 ponto , 1:51 | Sexta feira, 6 de fevereiro de 2009
o FMI faz lembrar aqueles miudos de peito inchado
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 8:52 | Quarta feira, 4 de fevereiro de 2009
mas sO enquanto teem a retaguarda protegida, assim que olham para traz e nao esta ninguem...foge, pernas para que te quero.

mas isto para nOs nao E uma crise, nao, para nOs Portugueses uma crise tem que ser a valer. Afinal de contas ainda nao pagamos o ar que respiramos
 
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O regresso do FMI
Toni 2 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:09 | Quarta feira, 4 de fevereiro de 2009
No minimo já lá vão 30 anos que leio esta lição. Eu decorei-a logo da primeira vez. Toca daí,vamos lá guardar uns cobres não vá o diabo tecê-las. Muitas vezes me arrependi e outras tantas tive chatices. Que diabo o vizinho que podia menos que eu, tinha um carro,uma casa melhor e não sei que mais. Poupei e vou poupar a vida toda,ou seja, vou viver pobre para morrer rico. Será que a descendência me vai agradecer?
 
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Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:48 | Quinta feira, 5 de fevereiro de 2009
O passado foi passado...
Peterv (seguir utilizador), 1 ponto , 2:23 | Quinta feira, 5 de fevereiro de 2009
Nao obstante dos erros cometidos por politicas mal tomadas ou mesmo pelas nao tomadas mas que deveriam, devemos olhar em frente e meter as maos a obra.

Algumas Medidas:

1-Dimunuicao da dependencia energetica externa
      1.1 - Barragens em todo o rio que mexa.
      1.2 - Central nuclear
      1.3 - Energia eolica e das mares

2- Politica agricula
      2.1 - Organizar os minifundios do norte para aumentar a produtividade e podermos competir em preco.
      2.2 - Organizar os latifundios do sul em areas mais pequenas para o aumento da produtividade.
            ( Isto aumenta a producao nacional o que diminui a dependencia externaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa) assim vesse melhor!!!1
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Tenos energia, temos producao interna pelo menos para conseguir abastecer o nosso mercado interno...
----ficamos mais resistentes a crises externas, cria-se riqueza e ela fica dentro de portugal....
Mas.......mas....mas....o essencial e que ....adivinhem la!!!
diminuicao da corrupcao!
Ha coisas que sao tao faceis de entender....mas que na pratica nunca sao feitas!
 
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