12/02/2012 atualizado às 14:48
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O regresso de 'O Independente'

8:00 Segunda feira, 1 de dezembro de 2008

O Independente' era um jornal malcheiroso com um significado que o ultrapassava: as primeiras páginas que o tornaram famoso eram o sinal mais expressivo do período em que os enriquecimentos ilícitos foram a questão central da política portuguesa.

No Governo estava Cavaco Silva e o dinheiro jorrava de Bruxelas: era preciso gastá-lo depressa e tolerar algumas irregularidades - constava ser esta a posição de Cavaco - senão o direito de o receber caducava. Foi assim que tudo começou.

'O Independente' com as suas indignações fulminantes reflectia muito bem o despeito de quem já estava instalado perante a rapidez com que políticos, que vinham para Lisboa com carros a cair aos bocados, passavam para BMW topo-de-gama.

De vez em quando um deles tinha um processo-crime, apesar de a justiça desse tempo ainda funcionar pior do que a de hoje. Então, quando o processo era arquivado por falta de provas, Cavaco Silva mostrava a sua indignação pelo modo como jornalistas sem escrúpulos e magistrados incompetentes manchavam a reputação de homens impolutos.

Não é que os jornalistas de 'O Independente' fossem muito escrupulosos ou que os magistrados fossem muito competentes. Que os tais homens fossem impolutos é que era mais duvidoso.

É isso que dá um imperdível odor a "déjà vu" ao caso BPN. A única diferença é que aqui a conta que vamos pagar por causa das ilicitudes está devidamente contabilizada e temos o caso extraordinário do crime ser cometido à vista de toda a gente: ao que parece o BPN funcionava sem reuniões do conselho de administração e sem actas. Um pormenor insignificante do qual o Banco de Portugal, apesar da aturada vigilância a que submetia o BPN, nunca deu conta.

Conselho de administração havia: ainda que nos últimos anos (segundo as informações que obtivemos no sítio institucional do banco) estivesse muito reduzido. Actas, é que não. Um estilo de governação societária rodeado de cuidados conspirativos e aprendido na Palermo Business School. Um estilo que em Lisboa pode durar por tempo indefinido: ainda no ano passado o banco anunciava um lucro muito confortável, e como diziam os últimos auditores (que revelaram uma excelente adaptação à cultura peculiar da instituição) num relatório assinado em Abril de 2008, as suas demonstrações financeiras apresentavam de forma verdadeira e apropriada a posição financeira do BPN.

Tudo isto é um pouco mais desconfortável para Cavaco Silva que as tais primeiras páginas de 'O Independente', mas o seu modo de reagir é mais ou menos o mesmo: não se pode dar demasiada atenção ao que se publica nos jornais, nada está provado, ainda ninguém foi condenado. Provavelmente o dr. Dias Loureiro anda demasiado agitado para o seu gosto, mas não é fácil passar de repente de "king maker" do PSD (lembram-se do tom paternal com que ele nos contava as suas conversas com o Pedro para explicar porque não tinha dado mais apoio a Santana Lopes?) para o estado de radioactivo.

Mesmo assim Cavaco Silva vai continuar a apoiá-lo, a menos que ele vá ao Palácio de Belém para confessar que é culpado, o que nos não parece muito provável. Afinal de contas a respeito de má moeda e de boa moeda, a situação (para mal dos nossos pecados) não é tão clara como parecia há alguns anos.

Fiscalista

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por favor nao vamos denegrir a MAFIA de Palermo...
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 10:20 | Quarta feira, 3 de dezembro de 2008
pelo menos esses dizem ao que vEm, sem medos nem pudores, sao aquilo que sao.

Por ca temos ratos de esgoto a brincar de cinderelas virgens imaculadas. Bem sei que ainda nao assassinam a sangue frio mas que matam devagarinho matam, e sem arrependimento, la nisso sao iguais aos de Palermo
 
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Simplesmente brilhante
All that Jazz (seguir utilizador), 1 ponto , 13:51 | Quarta feira, 3 de dezembro de 2008
Não há como ter memória e relembrar factos passados para explicar o presente. Perfeito na análise e na conclusão. Não desista, nunca!
 
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Este fulano é muito badameko...
Cuernavaca (seguir utilizador), 1 ponto , 23:16 | Quarta feira, 3 de dezembro de 2008
Devia explicar por que razão um fiscalista empocha tanta massa e ainda aparece muito sisudo a bramar pelo pagamento de impostos. E ainda lhe pagam pelos comentários nos media! É só facturar... com ou sem factura?
 
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que bom que é ser administrador em portugal...
userEX123855 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:03 | Domingo, 7 de dezembro de 2008
desconhecendo a lei...e as responsabilidades que são inerentes ao cargo de administrador...executivo ou não executivo
 
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Nunca tinha relacionado as duas situações!
Bandaranaik (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Quarta feira, 10 de dezembro de 2008
A verdade é que os homens são os mesmos: "Os do Independente" (acusados pelo independente) e os do BPN!
 
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jcfilipe
Jose Cartaxo Filipe (seguir utilizador), 1 ponto , 17:47 | Domingo, 21 de dezembro de 2008
Vamos exigir da nossa imaginação que este artigo, deste Saldanha, Sanches de sobrenome, fiscalista, mártir e provavelmente extremista, nas ideias, nas letras e no julgamento, fosse um bebé de aninho e meio.
Uma mamã extremosa, embevecida de carinho pelo fruto do amor revelado inocência, vestir-lhe-ia vestidinho rubro, curto, meinhas e sapatinhos a condizer, babete p´ra não sujar, com estrelinha e lua no meio p´ra enfeitar. Na cabecita, um gorrinho, p´ra não constipar. Tudo da cor da melancia madura, quando se deita a casca fora para não desconfiar das intenções.
Já eu, que artes tantas não tenho para esconder, o que toda a gente vê, plantava-lhe vestidinho comprido até ao chão, p´ra não se ver nem o sapatinho e muito menos o rabinho com a setazinha na ponta..
 
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