13/02/2012 atualizado às 10:55
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O rato do PC e o novo sexo fraco

Os qualquercoisasexual são mais vulneráveis do que as mulheres e morrem mais cedo.

Luis Pedro Nunes (www.expresso.pt)
0:00 Quarta feira, 6 de janeiro de 2010

Numa década, os homens, enquanto género, moveram-se uns metros: deixaram o sofá, largaram o comando da TV e agarraram o rato do computador. Pelo meio retiraram-lhes muita da capacidade de interagir no espaço público, porque o politicamente correcto liderado por um comité semântico feminino tornou-se implacável com as palavras, que depois de dois copitos se tornaram minas a explodir na boca. Uma chatice. O tabaco e a comida pesada teve que ser deslocada no cérebro da zona "Prazeres" para zona "Nojo". Depois apareceram as definições - como o metrossexual. Beckham, o Homem do Século XXI? Que tempos aqueles... a anorexia grassava, o lesbian-chic era moda, o casamento gay começou a institucionalizar-se. Escreveram-se livros sobre o fim da masculinidade (outra vez) e o mirrar do homem. Podia ter sido o fim do mundo, aí por 2003. Mas não foi.

Os rótulos são uma coisa boa. Uma tábua de salvação sígnica para tipos perdidos no meio do caos existencial pós-feminista. E no meado da década surgiu o qualquercoisasexual, uma divertida tipologia de homens prêt-à-porter para escolher uma. Ou várias. Ou partes. Ou ir mudando.

É óbvio que a maioria não quis nem teve dinheiro para ser metrossexual ou pinta para ubersexual com causas e mulheres lindas e manteve-se orgulhosamente retrossexual: o chaço de barriga, pêlo no nariz e artérias entupidas. Muitos foram-se reconvertendo e são hoje militantemente ecossexuais, embora a predominância sejam os tais tecnossexuais, pairando uma certa exuberância para os bem-amados gastrossexuais, tão interessantes a cozinhar gourmet para elas.

Conforme as mulheres se foram instalando nos seus lugares de direito e as leis cristalizando, também se registaram movimentos reactivos, até porque na guerra e no divórcio vale tudo. Até já existe um Dia Internacional do Homem (19 de Novembro) para defender a necessidade de instituir role models inspirados no 'homem comum' e não nas estrelas do desporto ou em actores de cinema e lutar contra a discriminação nas 'atitudes, expectativas e leis'. Pais divorciados contra-atacam a partir de Tobago!

E porque a ideia do 'sexo forte', depois de espancada pelas feministas e emudecida pelo politicamente correcto, começou a ser tornada light pela Ciência... Até ver, os homens continuam fisicamente mais fortes, mas sabe-se hoje que são biologicamente mais vulneráveis à doença do que as mulheres, o que começa logo no útero e se acentua nos primeiros meses de vida. As doenças coronárias fazem a primeira ceifa aos 30 anos e a segunda pelos 65. Há quatro a seis vezes mais incidência de doenças mentais neles. Os homens têm muito mais tendências suicidas e para correr riscos idiotas, o que faz deles óptimos clientes da cultura radical e óptimos soldados... enfim, os homens vão continuar a morrer mais cedo. Segundo uma investigação da Universidade de Tóquio, publicada este mês, os genes dos homens limitam o seu tempo de vida: ao 'optarem' por uma compleição física maior comprometem a duração do tempo que vão por cá andar.

Além da destruição imparável dos mitos biológicos, os gurus da socioeconomia não antecipam nada de virtuoso para um mundo onde até à crise de 2008 ainda subsistia uma ideia masculina de sociedade. Na pós-recessão mundial falam de um homem deprimido e diminuído à escala global, tentando recuperar o trauma do desemprego que atingiu todos os sectores e níveis da força de trabalho. Ou o surgimento de fenómenos de ruptura inesperados, por exemplo na China, onde há dezenas de milhões de homens a mais que mulheres e onde podem surgir situações de caos e violência. Dezenas de milhões de homens sem mulher é muito gajo à nora.

Regressando ao mundo onírico das revistas de papel couché que embelezam as bancas. Há um macho pós-moderno de masculinidade resgatada e engraxada. E uma retórica por construir. 2010 será o início. Cá estaremos.

Masculinidade resgatada

Um dos mais interessantes, bem escritos e visualmente fascinantes sites dedicados ao homem é este Art of Manliness, que já teve direito a um livro lançado no Outono e que visa recriar para os dias de hoje a ideia de cavalheiro do século XIX, do como se barbear ao salvar uma pessoa de se afogar, como oferecer flores ou ensinar o seu filho a andar de bicicleta, como fazer fogo, como derrubar uma porta...

A Arte da Masculinidade
http://artofmanliness.com/

Big Think - fórum global com 600 especialistas. Especial O Homem
http://bigthink.com/series/the-problem-with-men

Site do Dia Internacional do Homem
http://www.internationalmensday.com


Texto publicado na edição do Única de 31 de Dezembro de 2009

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Quando era miúdo...
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 11:52 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
... morava numa vivenda com piscina que, por questões imobiliárias e mau gosto do meu pai, ficava mesmo em cima de um bairro municipal. Um bairro municipal antes do 25 de Abril era bem pior do que um bairro social, não em termos de violência e banditismo mas em termos de miséria. Para atalhar uma longa história, com a coragem e inconsciência de um miúdo, fiz-me amigo da vizinhança, ou seja, de uma boa dúzia de rapazolas semi-esfomeados, brutos que nem portas e que já tinham trocado os bancos da escola pelas enxadas ou outras ferramentas, que a vida não estava para letras e não havia dinheiro para contar. De quando em vez, nos intervalos da escola (para mim) e da vida (para eles), reuniamo-nos num descampado próximo e, com paus e pedras e uma bola que eu fornecia, arriávamos por lá umas valentes futeboladas. Por unanimidade e com o meu fraco protesto (abafado pela vontade de jogar) ia eu para a baliza. E lá ia oferecendo o corpo às valentes batatadas que me dirigiam. É claro que deveria ter suspeitado que quando um grupo de pseudo-amigos (que acusava a piscina da minha casa de responsável pela crónica falta de água do bairro e me invejava as sapatilhas "sanjo") acertava mais em mim do que na baliza deveria ser de propósito...
  Hoje compreendo os meus vizinhos porque eu era o menino rico. Nessa medida compreendo o cronista porque o homem ainda é o mais forte. A chatice é que quando o homem se cansa de tretas feministo-correctas, leva a bola para casa. Que brinquem sozinhos...
 
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sou a rosa e o senhor luís deixa-me atazanada
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 1:47 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
sou uma moça no início da sua vida sentimental e o senhor luís deixou-me aparvalhada pois eu pensava que a coisa era simples como a minha prima reunião que é programadora me tinha explicado pois eu só tinha que ter a certeza que o homem não era gay e agora o senhor luís aparece-me com esses sexuais todos e o problema não é só para mim e é também para o senhor engenheiro sócrates pois ele já tinha a questão do casamento entre homosexuais e agora o casamento entre retrosexuais e ubersexual e muitos mais e veja o problema pois além de casarem entre si será que podem casar uns com os outros e podem ter filhos e podem adoptar e o que é que a doutora leite vai dizer e com um raio onde é que o senhor luís foi buscar essa gente toda mas que chatice
 
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Pois!!!
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 15:42 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
Talvez o que vos deixo ajude, porque se estiverem a contar aprender alguma coisa com este???
Estão lixados!!!
Querem saber o quanto é fácil lidar com mulheres?
As de ontem, as de hoje e as de amanhã!
Desprezem-nas!!!
Fácil ???
Pois é!!!
Uma mulher é um ser que não tem a menor ideia do que quer mas quere-lo com muita força. Quando o obtêm conclui que não é nada daquilo que queria.
Seja esse seu ultimo maior desejo uma mala, uns sapatos, um perfume, um homem ou uma outra coisa qualquer.
Como tal, homens deste mundo estudem o Nobel da economia John Forbes Nash Jr. que tão bem explica em “Pontos de Equilíbrio em Jogos de N-Pessoas", uma teoria expressa em Mente Brilhante.
  Os homens inteligentes sabem perfeitamente o que é melhor para eles e para o grupo e não apenas aquilo que pensam que é melhor para eles e que estupidamente fazem questão de impingir ao grupo.
  Os que não foram a correr rapar os pelos do peito porque era moda e com eles ficaram independentemente da opinião da sopeirinha bêbada numa qualquer lady’s night que por ai pululam. Hoje, não se sentem fracos, diminuídos ou semanticamente incorrectos uma vez que ao terem uma auto-estima inabalável, mantiveram a sua personalidade e como tal aquilo a que se chama cool o qual continua a ser kryptonite para um qualquer espécime feminino da raça humana.
 
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    Com o patego do Byron, ui ui    Ver comentário
maria28 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:52 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
Luís, o senhor estava inspirado
sara09 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:34 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
Ri com a sua crónica. Que bom senso de humor.
Os qualquer coisa sexuais.... são mais vulneráveis que as mulheres....
Mas olhe ,que nem só os homens se agarram ao rato so computador. Engano..

Eu sou mulher e, quando se agarra no rato do computador, vê-se logo que não é um rato como os outros...
Tem um olhar franco.
Bom, não é o primeiro rato da minha vida (já conheci outros da sarjeta)....
Nunca fiquei muito tempo com um rato...
Não é que seja racista, longe disso!
É que mereço conhecer alguém a sério , que goste de mim, por aquilo que eu sou.

Parabéns. Excelente crónica.
Sara
 
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O rato do PC e o novo sexo fraco
naif (seguir utilizador), 1 ponto , 13:10 | Quarta feira, 6 de janeiro de 2010
Isto é tudo assessuado!!!!!!!!!!!!!
Bom artigo.
 
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lord Byron, continuo consigo
maispapistaqueopapa (seguir utilizador), 1 ponto , 0:14 | Quinta feira, 7 de janeiro de 2010
Como sou pessoa pouco inteligente, pouco culta e incapaz de ter uma opinião. Resta-me seguir e deslumbrar-me com alguma mentes brilhantes, que pululam nesta comunidade. Uma delas é, Lord Byron.

Ele já me respondeu a dizer que não gosta do meu assédio, mas nada posso fazer, a minha índole de parasita intelectual, domina-me completamente.

O comentário sobre as mulheres é soberbo. Relei-o vezes sem conta, na tentativa de apreensão de um conhecimento, que até agora ignorava.

A minha ignorância era tal, que se fosse outra pessoa a indicar que as mulheres se tratam assim, estaria convencido estar perante um homossexual. Mas não é o caso. Lord Byron, é de certeza um ser másculo, por quem as mulheres se afogueiam em desejo.

Obrigado, e acredite como são certas as palavras iniciais do seu comentário: Talvez o que vos deixo ajude...

Ajuda sim. Hoje mesmo, vou começar a subjuga-las.

 
 
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