Nestes dias fala-se muito da competitividade, do grande desafio económico em frente, da necessidade de exportar mais para sair da recessão, dado que a procura interna é tão fraca. Depois, esta conversa deprimente entra em mais pormenor; onde é que somos competitivos? O que podemos produzir mais? Há uma outra conversa, mais específica e igualmente deprimente, que corre ao lado desta primeira - que a agricultura já não é o que foi, que há mais abandono rural, que não há nada para os jovens e talentosos fazerem nas partes do país mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Conhecem estas conversas? Vocês pensam que estou a escrever sobre Portugal? Não, não estou. Esta onda cinzenta existe em quase todos os países Europeus. Mas Portugal tem uma resposta clara e forte ao miserabilismo. Cada vez que pergunto a alguém onde Portugal é competitivo, e competitivo na agricultura, a resposta é a mesma: vinho.
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| Imagem retirada do site "Infovini" |
Vinho. Pois, é isso mesmo. O vinho de Portugal é fabuloso; é uma boa reflexão do país - tanta variedade, desde os verdes tão frescos e, bem, verdes, até a profundeza e complexidade dum tinto Alentejano maduro (só de escrever estas palavras dá-me vontade de fugir para a Guadiana e passar uma tarde chuvosa no conchego dum pequeno restaurante, em boa companhia, a comer um cabrito assado acompanhado por um dos tais vinhos). Tanta inovação, tanta subtileza, tanta tradição - e tanta abertura ao mundo exterior: desde os meus compatriotas do século 17, que ainda contribuem muito para a economia rural do Douro, até à influência australiana das ultimas décadas. E tanta promessa da onda nova de produtores, juntando a tradição com a inovação (exemplo simples - a criação de lagares robóticos na produção do vinho do Porto).
Fiquei por isso muito contente por participar num evento esta semana para promover uma nova campanha do marketing para o vinho português - "wines of Portugal - a world of difference". Gostei imenso do novo logótipo, da mensagem da confiança neste produto Português, e também das palavras dum jornalista britânico, Charles Metcalfe
que abriu o evento e disse uma coisa muito perspicaz - que Portugal era um país com tanta riqueza e tanta modéstia sobre o que tem; e acrescentou que, no mundo global, era preciso ser menos modesto e falar mais alto para ser ouvido - apesar da modéstia ser uma das características mais agradáveis de Portugal. Concordo plenamente. Se não dizemos nada, não nos podemos queixar se a não nos ouvem.
PS. Ao contrário da imagem que um ou outro leitor pode ter dos diplomatas, não bebi nem um pingo do vinho oferecido depois; infelizmente.