I. Paulo Rangel traçou linhas políticas claras. Ao nível económico, foi claro na forma como disse que o país precisa de uma barreira higiénica entre o público e o privado. É preciso acabar com a promiscuidade entre o público e um privado. De facto, é preciso colocar os partidos "acima dos interesses". E para isso é necessário, entre outras coisas, acabar com as golden share. É esta a ruptura com a "promiscuidade socialista", com a teia de interesses instalados, com o "populismo tipo Hugo Chávez de José Sócrates". Mal ou bem, é esta a mensagem política de Rangel. Uma mensagem que é resumida com um slogan que fica no ouvido: "des-socratizar". Rangel falou ainda de mudanças na justiça, que implicam mudanças constitucionais.
II. Mais uma vez, Pedro Passos Coelho desiludiu politicamente. "Política" não é tomar conta das secções e dos sindicatos de votos de um partido. "Política" é ter um discurso para o país, para os problemas do país. Passos Coelho não fez isso. Fez um discurso cheio de picardias e "bocas" para militante ouvir (não se percebeu as bocas que dirigiu a Rui Machete, por exemplo). Autojustificou-se em excesso, revelando aí uma fraqueza enorme. E levou uns assobios (justos, diga-se) quando voltou a dizer que Paulo Rangel é militante do partido há pouco tempo. É um pouco sinistro este discurso contra o "militante novo". Os partidos estão sempre a dizer que precisam de gente nova, mas depois os mais novos são tratados como militantes de segunda sem o direito a concorrer à direcção.
III. O momento político mais forte de Passos Coelho foi uma espécie de imitação da agenda de Paulo Portas. O que não é mau per se, atenção. Mas não deixa de ser engraçado ver esta colagem de Passos à agenda anti-subsídios de Portas.
PS: e Passos comete uma gaffe de todo o tamanho na forma como lidou com Alberto João Jardim. Sem necessidade.