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O plantel

João Duque (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 4 de novembro de 2009

É da gíria desportiva que em equipa que ganha não se mexe. Da vitória do Partido Socialista nas últimas eleições, resultou um Governo comandado por um primeiro-ministro que se mantém (equipa que ganha...) e é formado por catorze ministros, dos quais oito são novos.

Se em futebol um treinador mexesse em mais de metade do seu plantel de uma temporada para a outra, o que diriam os adeptos? Uma mexida com esta dimensão só pode ser o resultado de um desagrado do treinador com a equipa, ou o desagrado dos jogadores para com o clube ou com o treinador...

Por isso, ou venceu a velhice e o cansaço dos membros da equipa ou o treinador não considera que tenha sido uma vitória... E a manutenção do ministro das Finanças não dá qualquer espaço à tese do "cansaço dos ministros". Pois não foi ele, ao responder a Adão da Fonseca, que disse quem teria razões para estar cansado era o ministro? E não está!

Nesta mexida, o 'treinador' resolveu manter duas pedras-base que terão o efeito de acalmar os nervos dos adeptos mais críticos da equipa: o prof. Teixeira dos Santos e o dr. Vieira da Silva.

O que poderão fazer estes dois jogadores ao soar o apito para uma nova temporada?

Podemos esperar que irão tentar implementar um programa de governo sufragado em escrutínio universal.

Porém, a realidade vai ultrapassar o planeado, e penso que a execução orçamental de 2010 e 2011 será seriamente afectada pela realidade que infelizmente vai teimar em afastar-se do que forem os pressupostos enunciados.

Fernando Teixeira dos Santos sabe bem que a realidade segue teimosamente o seu curso e que o exercício orçamental é uma lei que se aprova mas que dificilmente se faz cumprir. Se assim fosse nunca haveria crises, as receitas seriam sempre obtidas e as despesas nunca derrapariam.

O crescimento económico e o actual estado das Finanças Públicas portuguesas serão a condicionante mais séria do desenvolvimento de Portugal, uma vez que atingimos valores para o endividamento público directo e indirecto que nos fazem ser demasiado cautelosos com os tipos de gastos a realizar.

Simultaneamente, começamos a assistir a uma inversão nas políticas orçamentais europeias e mundiais no sentido de pensar seriamente em reequilibrar os orçamentos públicos em resultado de sinais cada vez mais seguros de uma recuperação das economias.

Por isso, se a posição de Teixeira dos Santos no anterior plantel parecia ser o de trinco colocado à frente da defesa, agora vai ter de jogar ainda mais recuado, talvez mesmo atrás da linha mais atrasada em suporte directo ao guarda-redes.

No que respeita a Vieira da Silva, habituado a acudir às pessoas, vai agora tentar acudir às empresas, muitas delas famílias-empresa, num país onde o tecido empresarial mais numeroso é constituído por pequenas e micro-empresas, a quem apetece dar uma ajuda humanitária.

Porém, um país não se governa assim. O futuro de Portugal não está na abertura de pastelarias, lojas de roupa de senhora ou biscateiros de subempreitadas em obra pública.

Esse modelo está esgotado. E Vieira da Silva sabe que não vale a pena atrasar bolas para a defesa, porque os bons golos marcam-se na baliza do outro lado do campo.

João Duque , Professor Catedrático do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Outubro de 2009

 

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O mundo do futebol espera por si
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:37 | Quarta feira, 4 de novembro de 2009
Para uma pessoa que se intitula professor "Catedrático"(?), parece-me lamentável, a utilização da gíria futebolística, no tema que "pretendeu" aprofundar.

Tal como na SICN, aqui os seus argumentos, deixaram-me um pouco confuso. Será porque não sou leitor da "Bola" ou do "Record"?

Voltando ao assunto. Após a leitura de uma série de lugares-comuns, surgiu-me um naco de prosa, de uma visão extraordinária. Só fiquei na dúvida. A que País se está referir? A vida das pessoas não é resultado de um modelo experimental.

És costureira? Está esgotado. Passas a Investigadora nuclear. Pedreiro? Esgotado, passas a professor universitário. Loja de roupa? Esgotado. Vão à Zara.

Ajuda humanitária é para pequenos negócios. Subsídio é para Universidades falidas devido a professores incompetentes.

Na sua opinião, as dezenas de milhares de empresas, que dão trabalho a centenas de milhares de pessoas e de comer a alguns milhões, deve-se deixar de lhes chutar a bola.

A bola, chuta-se para a outra baliza.

  Em vez se chutar, envia-se de TGV. Mais rápido.

Na SICN, ouço-o a entaramelar, no Expresso lei-o no café, porque sempre encontro tradutores, especialistas em assuntos de "bola".

Sinceramente, acho-o um modelo esgotado. Vou chuta-lo... para fora de campo

 
 
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