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O pior cego é aquele que vê e nada faz

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 10 de dezembro de 2009

Nos últimos tempos tornou-se moda dizer mal de organismos internacionais que tecem críticas à economia portuguesa, em especial o Fundo Monetário Internacional. A credibilidade do FMI não é de facto a melhor após alguns desaires conseguidos em intervenções junto de certas economias das quais a Argentina, em 2001, é o exemplo mais recente. É claro que dá um jeito enorme dizer agora que o FMI está errado quando esta organização, relatório após relatório, traça um futuro a preto e branco para a economia portuguesa. A verdade incomoda, mas não deve estar nada longe do destino que nos espera.

"A crise económica acentuou problemas pré-existentes, de origem interna, de crescimento anémico da produtividade, de um grande desvio da competitividade e de níveis de dívida elevados." Estas são as causas.

"Com a economia altamente endividada, condições monetárias provavelmente mais restritiva (taxas de juro mais altas), fraca produtividade e necessidade de consolidação da posição orçamental, Portugal deverá continuar a registar um crescimento inferior ao da área do euro e elevados níveis de emprego". Este é o fado.

"O Governo deve reduzir o seu défice, as empresas têm de se tornar mais eficientes e o trabalho mais flexível e produtivo e as famílias devem poupar mais". Esta é a solução.

Mas para que isso seja possível é necessário: 1 - "uma liderança determinada ao longo de muitos anos"; 2 - uma grande consolidação orçamental através da "redução da despesa corrente primária, especialmente da massa salarial do sector público e das transferências sociais". 3 - "aumentar a competitividade e a flexibilidade dos ainda muito regulados mercados de trabalho e serviços".

Quando olhamos para esta receita é fácil perceber o destino das propostas, o lixo!

Não temos uma liderança forte. Temos um Governo cada vez mais fragilizado e que nunca teve (nem no anterior executivo) uma liderança que fosse capaz de implementar, de forma séria, medidas impopulares, quanto mais anunciar que a função pública tem de ganhar menos, que a protecção social tem de ser mais eficiente e que temos de flexibilizar o mercado de trabalho e dos serviços. E em oposição a um governo fraco temos uma oposição irresponsável com os olhos postos no seu umbigo.

Anda o FMI preocupado a tentar estabelecer um rumo para a economia e nós preferimos discutir a melhor maneira de construir estradas. No plano do FMI não há sequer espaço para mais estradas, mas no plano do Governo, as estradas são o 'ovo de Colombo' e no da oposição também, mas feitas de maneira totalmente igual.

Somos inteligentes ao ponto de perceber o que está mal e burros ao ponto de nada fazer para o alterar. É triste, mas Portugal tem de viver com os políticos que tem.

João Vieira Pereira

Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Dezembro de 2009

 

Palavras-chave  opinião, FMI, Economia portuguesa
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johnny ramone (seguir utilizador), 1 ponto , 21:03 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Queria felicitar o autor. Um artigo sucinto e completo. Desenhou a real imagem daquilo que se passa em Portugal.

  É necessario salientar que o crise salientou os problemas já existentes, este governo usa-a como capa para a sua incompetencia. Se continuamos no mesmo rumo vamos cair bem mais depressa do até o proprio FMI preve.
 
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O pior cego somos todos
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 21:48 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Não estou de acordo em considerar que os políticos são os culpados. Os políticos são eleitos pelos cidadãos para defenderem interesses de grupos, de regiões ou de classes e em geral fazem o que esperamos deles. Por exemplo, se toda a oposição se uniu para impedir a entrada em vigor do código contributivo, certamente que foi para defender os interesses de quem votou nesses partidos. Que tenha sido para defender os interesses do país isso é que já é discutível.
O sentido de voto dos portugueses nas últimas legislativas evidenciou bem que queriam um governo muito mais fraco que o anterior. Aí o têm. Evidenciou bem que queriam mais populismo no parlamento. Aí o têm.
O que não vale é termos uma democracia de alto nível com quatro partidos significativamente representados no parlamento e depois queixarmo-nos dos políticos em quem votamos como se nada tivéssemos a ver com isso. Também escusamos de dizer que queremos outros políticos totalmente diferentes pois os que temos são mesmo os que merecemos. Não há melhores políticos no país com pachorra para governar quem simplesmente não quer ser governado.
 
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Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 17:09 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Acha que não???
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 17:20 | Terça feira, 15 de dezembro de 2009
«... Não temos uma liderança forte. Temos um Governo cada vez mais fragilizado e que nunca teve (nem no anterior executivo) uma liderança que fosse capaz de implementar, de forma séria, medidas impopulares, quanto mais anunciar que a função pública tem de ganhar menos, que a protecção social tem de ser mais eficiente e que temos de flexibilizar o mercado de trabalho e dos serviços...»

Por onde andou durante a anterior legislatura?

Por que razão pensa que o PS perdeu votos? Não terá sido exactamente por aquilo que você o acusa de não ter feito???

Esqueceu-se das greves e manifestações quase diárias? Dos ditos 100.000 professores?

De uma oposição que, tal como agora, se uniu a tudo o que era insatisfeção para tentar destruir tudo isso que você diz que o governo anterior não teve coragem de fazer?

Não VÊ o que sucede actualmente na AR? Quer o quê, milagres?

O povo cede sempre ao populismo. Aqui tem o resultado do voto do povo. O mais fácil é sempre acusar os políticos mas se eles estão lá é porque alguém votou neles.

Como parece ser dos únicos que além de ver também faz, diga-nos lá qual é a solução porque para críticas e "prognósticos só depois do jogo" não é necessário ser jornalista especializado.

Lembre-se também que vocês jornalistas não estão inocentes na actual situação política. Se o governo está fragilizado é porque tem tido a vossa ajuda para isso... desde sempre (incluíndo a anterior legislatura)!
 
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Cegos e ....troca tintas!
Hom'Essa (seguir utilizador), 1 ponto , 3:44 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Lendo o seu artigo e dificil discordar da primeira metade .
A partir dai e que a "porca torceu o rabo" e fiquei a matutar se o senhor pertence ao grupo dos que diz "preceberem" o que esta mal, mas burros ou preguicosos de mais para endireitarem a coisa ou, pior ainda, se, pretendendo nao enxergar "ponta"-nao por causa dos bolero/rayban que "taticamente" ostentam- mas porque assim,com eles e uma caninha a condizer, o Ze Povinho la vai amparando o "coitadinho/s" que assim vai/vao enchendo a "mula" a conta.Dando como adquirido que entende que so a tal "receita" nos ajudaria a por a economia do Pais -e a de muitos de nos-em ordem e que como tal, ate percebe porque nao tomamos (ate um dia..) a tal "xaropada", ja nao percebemos nada daquilo que a seguir a essa observacao diz. Se nao temos "lideranca forte" nao nos diz quem e ela nem as suas fraquesas.Temos um "Governo fragilizado" sem dizer como nem o que o fragilisa.Diz que o Governo nao fez ou nao foi capaz de fazer,mas nao nos adianta os porques.Diz que a oposicao e "irresponsavel e tem os olhos" mas nada nos diz o que o leva a tal conclusao.Que o FMI nao quer mais estradas mas o Governo faz nisso fincape e a Oposicao possivemente,apesar do berreiro que tem feito, tambem as acabava por fazer.E no fim, depois disto, acha que sao assim tao inteligentes?E que a desgraca sao os politicos que Portugal tem?Ou sera mais o caso de(s) "ditosa" a Patria que tais filhos (todos ou quaze todos)tem...
 
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