Depois de o Brent ter ultrapassado os USD 80 por barril, espera-se que o petróleo possa voltar a atingir os USD 100 no final de 2010. Note-se que a faixa dos USD 80 era considerada inimaginável por muitos observadores financeiros ainda no último trimestre do ano passado, e ridícula por muitos outros. Ora, também na economia há forças que fazem parte da natureza...
Com o actual nível dos USD 80, acomodam-se crescimentos, garantem-se mínimos de receitas para algumas economias e assegura-se uma menorização de riscos (segurança) geoestratégicos, estabilizando economias exportadoras petrolíferas (EEPP) e produzindo
spillovers positivos para as ditas economias industrialmente maduras. Sem estas garantias asseguradas, as lógicas de formação de preços do petróleo, por mais ou menos complexas (ou atrapalhadas) que sejam, não interessarão para nada.
Por agora, a faixa dos USD 80 é aceitável na medida em que é um valor que de alguma forma acomoda os pressupostos orçamentais para o preço do barril nas economias exportadoras de petróleo. Claro que, para estas economias, quanto mais melhor. E assim, quereriam uma subida muito acentuada daquele preço, não fora a ameaça das energias renováveis. Sendo verdade que, do lado do consumidor europeu, a valorização do euro atenua o impacto da valorização do brent cotado em USD, não podemos esquecer que esta competitividade nas importações é sustentada em maiores dificuldades naquele que deveria ser, no médio prazo, o motor do crescimento económico da Europa - as exportações.
Ainda que caras e tecnologicamente muito jovens, as energias alternativas são um substituo bastante ameaçador para o petróleo. Talvez esta ameaça venha inibir futuras subidas inusitadas do preço, mesmo que em resposta a acréscimos da procura (designadamente da Ásia). Em última instância, será uma questão de bom senso e de estratégia. Em alternativa, que não espero, as EEPP poderão querer ganhar o máximo o mais rapidamente possível, antecipando a substituibilidade da sua riqueza. Mas fazê-lo precipitará ainda mais rapidamente uma evolução tecnológica que, mais ou menos demoradamente, acontecerá.
A opção estratégica pelas energias renováveis prova-se, assim, não apenas ambientalmente simpática como economicamente inteligente. Aliás, para Portugal já o era há muito, se pensarmos que diminuir ao haver no registo comercial da balança de pagamentos é, talvez, mais crucial estrategicamente, do que aumentar às exportações. Conseguisse Portugal garantir a sua independência energética e passaria a ter uma nova imagem no mundo, com todo o crescimento que daí se poderia alavancar. A
marca de Portugal é aí que se deve encontrar.
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Nota
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