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O pequeno jardim sob ameaça

Alexander Ellis, Embaixador Bitânico
14:15 Sexta feira, 30 de outubro de 2009

Faltam menos de 40 dias para a Conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas. Vamos viver com as alterações ao nosso clima já provocadas pelo aumento das emissões de gases com efeito de estufa. Mas a evolução do clima a longo prazo dependerá verdadeiramente da quantidade destes gases que continuarmos a emitir para a atmosfera.

Então temos uma escolha: entre algumas mudanças climáticas que são inevitáveis e uma alteração do clima bem mais extrema. Esta é uma decisão com que se irão defrontar os negociadores do Reino Unido, de Portugal e de todo o mundo, em Dezembro em Copenhaga. Que planeta queremos para o nosso futuro?

Isto foi um tema abordado durante uma Conferencia da Fundação Gulbenkian esta semana. Abriu com um discurso de Sir David King sobre a ciência das alterações climáticas. Terminou com um forte apelo do Sir Jonathon Porritt sobre a necessidade de nos deixar worship at the altar do crescimento do PIB - há outras medidas do nosso bem-estar que são mais sustentáveis.

Para melhor entendermos o impacto que o pior cenário pode ter para o Homem, o Instituto de Meteorologia do Reino Unido produziu um mapa ilustrando algumas alterações que podem ocorrer se em Portugal, no Reino Unido e em todo o planeta, a temperatura média global subir 4ºC em relação à média verificada antes da Revolução Industrial. Embora o aumento da temperatura média prevista no planeta seja de 4°C, a projecção do mapa mostra que esse aumento não será uniforme. A terra vai aquecer mais rapidamente do que o mar e nas latitudes altas, em particular no Árctico, haverá aumentos de temperatura mais acentuados. A temperatura média da superfície terrestre ficará 5,5ºC acima dos níveis pré-industriais.

Portugal, como muitos outros países, é vulnerável às alterações climáticas; o 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas revela que Portugal se tem tornado mais quente, mais seco e mais propenso a secas. As projecções indicam um aumento de temperatura de 3%-7% em Portugal até ao final deste século. Aquando da sua visita a Portugal, Lord Stern alertou para o facto de haver 50% de hipóteses do clima português se assemelhar, por essa altura, ao do sul de Marrocos. Não é de admirar portanto que, num inquérito recente encomendado pela Embaixada Britânica 70% dos inquiridos portugueses considerassem importante disponibilizar mais recursos para o combate às alterações climáticas.

No entanto, devemos agir com base na ciência e no senso comum, e não no pânico. Nós, seres humanos, temos uma grande capacidade de adaptação e temos agora a oportunidade de agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e limitar o aumento inevitável da temperatura a 2°C. A Europa já está empenhada em mostrar que é possível combinar prosperidade com um ambiente mais limpo; desde 1990, a economia do Reino Unido cresceu cerca de 150%, ao mesmo tempo, as emissões baixaram 18%. Reino Unido e Portugal têm colaborado ao longo dos anos na luta contra as alterações climáticas. Contudo, a acção da Europa não será suficiente, precisamos de um esforço global e colectivo em Copenhaga; só há um clima e um mundo.

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Para um problema global, um plano global!
jvicentepinto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Sábado, 31 de outubro de 2009
Caríssimo Senhor,

Apreciei o seu texto pelo que diz e pela informação complementar que disponibiliza. O limite de 1500 caracteres impõe-me, porém, não ir além do fundamental.

E, para mim, o mais importante do seu texto são as últimas palavras – só há um clima e um mundo – apesar de ser uma evidência e, possivelmente, para muitos, uma banalidade.

Penso do mesmo modo; em 21 do corrente escrevi: “ … a Terra é só uma e as alterações climáticas são um problema global que só pode ser atenuado quando atacado numa óptica global.”

Os dirigentes europeus costumam atacar os problemas atirando dinheiro para a frente; em muitos casos, com manifesta falta de senso e escassos resultados.

A UE dispõe-se a dar milhares de milhões, para ajudar os “países pobres” a combater as alterações climáticas. Este é o habitual pendor caritativo da UE, macaqueando, sem senso, o “fazer bem sem olhar a quem”.

No caso particular do clima o que está em causa não são países – é toda a Humanidade. Gastar dinheiro sem olhar aos resultados é não ter consciência de que os meios são escassos e o problema é vital e de dimensão que, de facto, nos ultrapassa.

É indispensável aplicar os meios de que podemos dispor de modo a optimizar o efeito global sobre as alterações climáticas. A Terra é só uma!
Avançar sem um plano global (idóneo) será de uma total irresponsabilidade.

Cordialmente,

Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com

 
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Gulbenkian presenteou-nos mais uma vez
3S (seguir utilizador), 1 ponto , 23:13 | Domingo, 1 de novembro de 2009
É verdade, a Gulbenkian presenteou-nos com mais um excelente evento com oradores do melhor que há, mas só A. E. foi interrompido por merecidas palmas.
O Reino Unido faz questão em continuar a marcar pontos neste tema das Alterações Climáticas. Em 2012 Londres prepara-se para receber os primeiros Jogos Olímpicos Sustentáveis. Para tal também criou em 2007 uma British Standard International ( BSI ) que passará a ISO em 2012, de modo a que, graças à implantação da norma, o impacto ambiental de um evento desta grandeza seja o menor possível.
Ao olhar para o mapa que indica no seu texto lembro-me que em Setembro foi já iniciada a ‘Rota do Pólo Norte’ para navios. Sem comentários…
Mas gostava de citar aqui, com a ajuda do youtube, uma conversa de Ed Milliband, Secretário de Estado da Energia e Alterações Climáticas, com Franny Armstrong. E. M. revela um sentido de humor e uma simplicidade notáveis: http://www.youtube.com/wa...
E o trailer do filme: http://www.youtube.com/wa...
Em contacto com o grupo de F. A., em Setembro, foi-me dito que a QUERCUS estava a tratar da divulgação do filme. Mas no site não vi nenhum destaque e o filme passou despercebido.
É que espectáculos acessíveis e de qualidade como este filme é são importantes para a formação das pessoas e a mudança de mentalidades.
C
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