Faltam menos de 40 dias para a Conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas. Vamos viver com as alterações ao nosso clima já provocadas pelo aumento das emissões de gases com efeito de estufa. Mas a evolução do clima a longo prazo dependerá verdadeiramente da quantidade destes gases que continuarmos a emitir para a atmosfera.
Então temos uma escolha: entre algumas mudanças climáticas que são inevitáveis e uma alteração do clima bem mais extrema. Esta é uma decisão com que se irão defrontar os negociadores do Reino Unido, de Portugal e de todo o mundo, em Dezembro em Copenhaga. Que planeta queremos para o nosso futuro?
Isto foi um tema abordado durante uma Conferencia
da Fundação Gulbenkian esta semana. Abriu com um discurso de Sir David King
sobre a ciência das alterações climáticas. Terminou com um forte apelo do Sir Jonathon Porritt sobre a necessidade de nos deixar worship at the altar do crescimento do PIB - há outras medidas do nosso bem-estar que são mais sustentáveis.
Para melhor entendermos o impacto que o pior cenário pode ter para o Homem, o Instituto de Meteorologia do Reino Unido produziu um mapa
ilustrando algumas alterações que podem ocorrer se em Portugal, no Reino Unido e em todo o planeta, a temperatura média global subir 4ºC em relação à média verificada antes da Revolução Industrial. Embora o aumento da temperatura média prevista no planeta seja de 4°C, a projecção do mapa mostra que esse aumento não será uniforme. A terra vai aquecer mais rapidamente do que o mar e nas latitudes altas, em particular no Árctico, haverá aumentos de temperatura mais acentuados. A temperatura média da superfície terrestre ficará 5,5ºC acima dos níveis pré-industriais.
Portugal, como muitos outros países, é vulnerável às alterações climáticas; o 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental da ONU
para as Alterações Climáticas revela que Portugal se tem tornado mais quente, mais seco e mais propenso a secas. As projecções indicam um aumento de temperatura de 3%-7% em Portugal até ao final deste século. Aquando da sua visita a Portugal, Lord Stern alertou para o facto de haver 50% de hipóteses do clima português se assemelhar, por essa altura, ao do sul de Marrocos. Não é de admirar portanto que, num inquérito
recente encomendado pela Embaixada Britânica 70% dos inquiridos portugueses considerassem importante disponibilizar mais recursos para o combate às alterações climáticas.
No entanto, devemos agir com base na ciência e no senso comum, e não no pânico. Nós, seres humanos, temos uma grande capacidade de adaptação e temos agora a oportunidade de agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e limitar o aumento inevitável da temperatura a 2°C. A Europa já está empenhada em mostrar que é possível combinar prosperidade com um ambiente mais limpo; desde 1990, a economia do Reino Unido cresceu cerca de 150%, ao mesmo tempo, as emissões baixaram 18%. Reino Unido e Portugal têm colaborado ao longo dos anos na luta contra as alterações climáticas. Contudo, a acção da Europa não será suficiente, precisamos de um esforço global e colectivo em Copenhaga; só há um clima e um mundo.