09/02/2012 atualizado às 0:30
Página Inicial » Opinião » Daniel Oliveira » O óptimo e o bom

O óptimo e o bom

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 7 de janeiro de 2010

Nas próximas presidenciais a direita tem duas possibilidades: ou aposta na recandidatura de Cavaco Silva, o menos consensual de todos os presidentes eleitos que este país teve nos últimos 35 anos, ou vai ter de desencantar uma figura de terceira linha. Como se vê pelo PSD, não se conhece ninguém capaz de unir aquelas hostes.

Nas próximas presidenciais a esquerda tem duas possibilidades: ou encontra um candidato que possa ser apoiado pelo conjunto da esquerda ou terá pelo menos três candidaturas. Sem essa figura, haverá um apoiante de Sócrates, condenado ao fracasso. E PCP e Bloco acabarão inevitavelmente por tentar, mais uma vez, contar espingardas.

Por mais que se puxe pela cabeça, só há um candidato capaz de juntar, pela sua história, o PS, e pelo seu posicionamento nos últimos anos, o Bloco e o PCP. Sou insuspeito. Poucos foram os elogios que Manuel Alegre me mereceu. Não seria a minha primeira escolha. Mil vezes, por exemplo, um Carvalho da Silva. Mas a política é a nossa vontade mais as circunstâncias. E Manuel Alegre é o único candidato em condições de conseguir duas coisas em simultâneo: arrancar uma vitória a Cavaco Silva ou a outro candidato de direita, juntando o voto socialista ao do resto da esquerda, e, ao mesmo tempo, manter-se, caso seja eleito, independente de José Sócrates.

Esperemos que por uma vez a esquerda se entenda. E desta vez a divisão provável pode vir do interior do PS. Não deixaria de ser irónico que, depois de décadas de apelo ao voto útil, fosse o PS a matar à nascença uma candidatura vencedora à esquerda. Nas próximas presidenciais, a esquerda pode ter um candidato que não represente nenhuma das suas correntes partidárias. Uma condição: se Alegre avança, só pode lançar a sua candidatura sem patronos prévios. Se se limitar a ser o candidato do PS, perde. Se for o candidato dos outros que o PS engole, também perde. A sua eleição traria uma excelente notícia: fazer com que as presidenciais deixassem de ser um mero prolongamento das legislativas.

2012


Os tremendistas sempre pegaram bem. E agora dão cartas no país. Perdidos e sem grandes exemplos a seguir, os portugueses viram-se para os homens que lhes anunciam a hecatombe e que disparam para todos os lados sem qualquer critério. No estilo erudito, Vasco Pulido Valente. A cobrar à bandeirada, Medina Carreira. Os apóstolos do Apocalipse têm colunas nos jornais e programas televisivos em plano inclinado. Trazem-nos a boa nova: o mundo está a acabar e Portugal já acabou. Não há nada a fazer. Ninguém presta. Os portugueses não trabalham, os políticos não valem nada e, tirando eles próprios - todos portugueses e alguns deles ex-governantes -, apenas há gente incapaz e incompetente. Quem os ouve e lê pensa sempre que é de outros que eles estão a falar. Não, caro leitor, é a si que eles se referem.

Espero que um dia esta gente perceba a inutilidade do que fazem. Como opinantes, são preguiçosos. Como cidadãos, são pior do que isso. Mas que não se julgue que são apenas diletantes. As suas profecias servem, mesmo que involuntariamente, muitas agendas. As que se alimentam da resignação, seguramente. As que querem impor aos do costume um cinto apertado também. E, no limite, as dos que apostam na descrença total na democracia para nos propor coisa bem pior.

Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Dezembro de 2009
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Alegre
George Rupp (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 17:40 | Quinta feira, 7 de janeiro de 2010
Concordo inteiramente com o cronista. Podemos em teoria imaginar um melhor candidato na área da esquerda, mas só Manuel Alegre tem neste momento condições para poder aspirar a derrotar Cavaco Silva. Vai ser um grande teste ao sentido de responsabilidade de todos que não se revêem no actual PR.
 
 Regras da comunidade
Bom texto. Parabéns.
ESPADA DE DAMOCLES (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Quinta feira, 7 de janeiro de 2010
Pela segunda vez e apesar de não partilhar de muitas das orientações defendidas pelo partido que o Sr. Daniel Oliveira defende gostaria de lhe endereçar os meus parabéns pelo seu brilhante texto e pela opinião que demonstra ter no que concerne aos temas abordados. Posso até garantir que pela forma sólida como escreve o Sr. Daniel Oliveira deveria envergonhar alguns pseudo-jornalistas e pseudo-politólogos que por aqui insistem em denunciar o vazio que se assomou ao seu espírito.
 
 Regras da comunidade
Tesão de pouca dura
limaos (seguir utilizador), 1 ponto , 0:23 | Sexta feira, 8 de janeiro de 2010
O mal dos partidos ditos de esquerda, radica na presunção de que têm as soluções para a felicidade daqueles a que chamam "o nosso povo".
Afinal onde está o povo?Que povo?
Se os portugueses estão para lá da meia idade em grande percentagem, o que enfraquece a actividade civica, se os portugueses não se reproduzem como seria de esperar, se os portugueses continuam a saga da emigração em grande escala, alguns na maior escravidão (sem que os camaradas se manifestem como o fazem para legalização do aborto vrs caasamento homossexual, outros por terem horizontes mais alargados pela sua preparação académica
qual é o povo que lhes pertence?
Mesmo com a razia dos portugueses, as estatisticas continuam a contar um stok de 10 milhões.
Já sabemos qual é o vosso povo.Os desvalidos que rumam a Portugal que se filiam na esperança de uma naturalização que não os tira da miséria,.
 
 Regras da comunidade
Inocência...
P3dr0M (seguir utilizador), 1 ponto , 13:59 | Sexta feira, 8 de janeiro de 2010
Bem, quando o melhor candidato da esquerda é alguém que nem o seu partido consegue ganhar...

Sobre o tema dos "tremendistas", fica uma analogia: Um médico faz o diagnóstico a um paciente com base num historial de análises e exames (factos, portanto - os "tais gráficos") e conclui que se o dito continuar neste caminho, acaba mal. Recomenda ao paciente que faça um tratamento de choque se quiser inverter a situação.
O que lhe responde ele? Que não há problema, pode continuar a beber como sempre. Basta mudar o tipo de bebida...
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Troika o muerte! Venceremos!
0:00 Sábado, 4 de fevereiro de 2012,
Os estrangeiros
0:00 Sábado, 28 de janeiro de 2012,
Os dois países
0:00 Sábado, 21 de janeiro de 2012,
Todos portugueses
0:00 Sábado, 14 de janeiro de 2012, 1
Comendador Alexandre
0:00 Sábado, 7 de janeiro de 2012,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP