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O (mau) capitalismo

O Bloco de Esquerda não pode ir para o poder porque nacionalizar a EDP com indemnização a preços de mercado era demasiado caro.

J.L. Saldanha Sanches* (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 23 de setembro de 2009

O PS, o PSD e o CDS são os partidos do poder: os que estão comprometidos com as derrapagens das obras públicas e falcatruas avulsas que se arrastam pelos tribunais. Ao Bloco de Esquerda cabe denunciar estes desmandos.

Não é difícil. Francisco Louçã não tem que se esforçar muito para denunciar as tranquibérnias da república: basta servir de porta-voz ao Tribunal de Contas. Um ponto nodal, porque as derrapagens das obras são apenas a face mais obscenamente visível daquele feroz rent seeking perfeitamente legal ou ilegalíssimo que caracteriza o capitalismo português e que tem conduzido a crescimentos do produto à volta de 1% (apesar das transferências comunitárias).

Um mau capitalismo, em suma, para usar a distinção de Baumol entre os bons e os maus capitalismos. O nosso é dos maus e não há fundos comunitários que lhe valham. Os maus capitalismos geram os votos de protesto e nos casos extremos produzem os Chávez. Com aquela gente que frequentava o governo na Venezuela, com a sua lógica pré-capitalista do saque de fundos públicos como forma única, normal e possível de enriquecer não há petróleo que baste.

Há qualquer coisa que faz com que a economia de mercado deixe de funcionar quando se chega a estas paragens. Um caudilho militar está plenamente justificado e sempre serve de justificação para a sobrevivência de forças armadas.

A economia é que continua a não crescer, a corrupção limita-se a tomar novas formas e os recursos continuam a ser desbaratados.

A Venezuela ilustra assim o círculo vicioso dos bloqueios institucionais: o mau capitalismo gera um enorme e legítimo protesto, mas como os partidos do poder são a expressão política desse mau capitalismo, o protesto acaba nos Chávez.

O Bloco não é Chávez, felizmente, e há décadas que em Portugal ninguém acredita que os militares possam salvar a pátria ou servir para qualquer coisa.

Mas para o Bloco o mau capitalismo é um pleonasmo: o capitalismo é tóxico e por isso a EDP deve ser renacionalizada para que, com os seus lucros, os imposto possam ser reduzidos.

Noutros termos: o Bloco não quer ir para o poder e quer esconjurar qualquer tentação demoníaca.

O Bloco não pode ir para o poder porque nacionalizar a EDP com indemnização a preços de mercado era demasiado caro. Para a nacionalizar sem indemnização era necessário mudar a constituição (a la Chávez) e deixar a União Europeia: o Tribunal das Comunidades ia considerar uma nacionalização sem indemnização como um confisco contrário ao Direito Comunitário, num acórdão que não precisava de ter mais de duas ou três páginas.

A conclusão é que o Bloco é, quer continuar a ser, um puro voto de protesto, para quem não se revê na ideologia arqueológica do PCP. Um voto de protesto que sintetiza as escolhas impossíveis: de um lado o Freeport do outro o BPN. Logo, a corrupção não pode ser discutida e por isso não entra no debate político. São outros os temas da campanha eleitoral.

Depois, espantem-se com a dimensão do voto de protesto.

*Fiscalista

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O (mau) capitalismo
Toni 2 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 22:14 | Quarta feira, 23 de setembro de 2009
O Faraó determina e manda publicar, para que todos fiquem a saber que durante 3 dias os Sarcófagos do Reino vão ser abertos, afim de arejar por causa da asfixia, sendo permitido que todos expiem. Findo este prazo as mumias que se portarem mal serão expulsas.
 
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Misturar alhos com bugalhos
JoseGab (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 14:22 | Sexta feira, 25 de setembro de 2009
Ao intrépido e franco atirador S.Sanches até é reconhecida alguma lucidez, quando "desenvolve" dentro das suas áreas de especialização da fiscalidade e economia.

No entanto não se percebe bem porquê, de tempos a tempos não consegue resistir a divagar e lá vai dando algumas "bicadas" em matérias que objectivamente não domina.

Neste caso e a pretexto das inconsistências da esquerda populista portuguesa e Chávez, não resistiu a enrolar as Forças Armadas no contexto do mau capitalismo, justificando-lhes ainda um papel no 3º mundo, ao mesmo tempo que lhes nega já qualquer utilidade no nosso País (1º mundo ?).

O raciocínio é mais ou menos este:
- O mau capitalismo e a corrupção no 3º mundo geram frequentemente, protagonistas militares (igualmente maus e corruptos é certo, mas ), em Portugal nem isso !!

Em resultado vamos ter um provável voto de protesto no BE ... ??!!!!

Bom, na ausência de outras explicações que justifiquem estes disparates, resta recomendar ao ilustre fiscalista a frequência rápida de um curso de Estratégia...
 
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    Re: Misturar alhos com bugalhos    Ver comentário
NJP (seguir utilizador), 2 pontos , 6:43 | Domingo, 27 de setembro de 2009
O (mau) capitalismo
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:12 | Sexta feira, 25 de setembro de 2009
A senhora nem tem parra nem tem uva ,está completamente seca e azeda ,quer fisica ,quer intelectualmente.

Recuso-me a admitir que qualquer pessoa inteligente não queira um Primeiro Ministro que nos prestigie lá fora.

Ainda gostava de saber quem autorizou as mumias a saír dos Sarcófagos.
 
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O melhor protesto é fugir deste país
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 10:04 | Quarta feira, 23 de setembro de 2009
Para quem, como eu, sempre se posicionou CONTRA as privatizações dos monopólios e ao mesmo tempo acredita no liberalismo económico, mas no VERDADEIRO LIBERALISMO e não no LIBERALISMO PORTUGA, ler a sua crónica só me faz rir.

Há quem diga que cada povo tem o governo que merece. Eu acho que Portugal MERECE TER O BLOCO DE ESQUERDA, percebe?

O verdadeiro voto de protesto deste paizeco é a EMIGRAÇÃO.
 
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    Re: O melhor protesto é fugir deste país    Ver comentário
Zaratustra70 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:01 | Quarta feira, 23 de setembro de 2009
O educador convertido das massas
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 23:47 | Quinta feira, 24 de setembro de 2009
Saldanha Sanches foi (não é?) activo dirigente do MRPP. Como Pacheco Pereira, José Manel Fernandes, Durão Barroso, Fernando Rosas, etc, etc, foram de outros similares ao MRPP. Todos convertidos ao mercado, ao dá cá o meu...
 
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O educador convertido das massas 2
jurista justiceiro (seguir utilizador), 1 ponto , 2:28 | Sábado, 26 de setembro de 2009
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