12/02/2012 atualizado às 9:02
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O iPhone até salva putos em Vilamoura

chegou! Ninguém o tem. Mas faz coisas ainda mais maravilhosas. De certeza.

Luís Pedro Nunes (www.expresso.pt)
0:00 Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Steve Jobs
Steve Jobs

Há que tirar o chapéu a Steve Jobs. Fez de cada dono de um iPhone um vendedor ambulante a tentar impingi-lo a quem ainda não é iphonista: "Vê, pega-lhe, mexe, não tem naaada a ver com isso que tens aí..." Xôô! São uma seita de fanáticos a arregimentar fiéis. Jurei nunca ter uma coisa daquelas, uma questão de honra retorcida. Na semana em que o novo modelo foi lançado em Portugal, vi a meu lado um pai resgatar o filhote de 10 anos a centenas de quilómetros, perdido no emaranhado anónimo de condomínios do Algarve com recurso apenas a um iPhone e a uma conexão paternal de alta fidelidade. Fiquei rendido e ajoelhei a Jobs. Mas, a lista de espera é tal que é mais fácil fazer um puto e esperar que nasça do que ter um iPhone 4 novo.

Foi assim que aconteceu. Em Lisboa, dois homens conversam sobre negócios ao anoitecer. Um telefone toca e do outro lado um miúdo de dez anos diz: "Papá, saí com o avô de bicicleta mas estamos perdidos." Diogo, 10 anos, tem o seu telemóvel da praxe e foi com o avô pedalar em Vilamoura, onde está a passar férias com o pai (que se ausentou nesse dia), a irmã caçula e os avós. O avô está já bastante surdo e nervoso para ser ajuda. Diogo é ali o macho Alpha. Anoitece em Vilamoura. Este pai tem o filho perdido - para além da avó e a filhota a ligar em pânico porque não sabem dos dois homens da casa. E ele está a 250 km do problema. Ou a três dias de caminhada, segundo lhe dirá iPhone.

Ainda faz várias tentativas "tradicionais". Liga para um número de secretariado da PT para lhe descobrirem um táxi. Nada. O que se segue só podia acontecer nesta época e - sejamos justos - talvez com este telefone.

Vai para o carro para ficar de mãos-livres. Já tinha no Google Maps do telefone localizado o miúdo através de uma das poucas ruas com placa - sim, tinham pedalado furiosamente para o fim do mundo em direção às traseiras de time-shares dos arrabaldes. Há dois anos tinha visto esta cena num filme do Jason Bourne, com o Matt Damon, em que o ex-agente secreto é conduzido em vielas marroquinas por um telefone numa mota desde a sede da CIA. Só que aqui era um puto, à noite, numa zona sem grandes referências toponímicas, de bicicleta e sem auricular. Mas foi perfeito. Um momento em que pai e filho estiveram na "zona mental" - unidos por pequenos remoques de ironia, mas com o "homem no terreno" seguro porque sentia que o pai estava ali com ele quando lhe dizia ao telefone: "Estás a ver um parque de estacionamento?" Os pais devem saber tudo - mas se tivesse um Blackberry acho que ele, o papá, estaria a chorar baba e ranho.

No carro e através do Google Maps analisámos a evolução da viagem de regresso. Minutos de silêncio porque desligava e lá ia a pedalar com o avô. Ligava: "Papá, agora se for em frente bato numa parede. Acho que ainda estou na Rua da Alfarrobeira..." No Google Maps a realidade espalmada dava outra perspetiva. "Engraçadinho! Mas não há uma curva para a esquerda? Tem um descampado a seguir a uma casa enorme?" Diogo: "É uma casa grande, mas não é maior que a nossa" "Ó filho, mas... aah, sim, talvez, olha... mas não vês assim um campo sem nada?" "Só com erva? Sim, acho que é aquilo, mas já é noite, não se vê muito... vou por aí?" Pai: "Sim, filho, continua, vá!" É por isso que Deus lá do alto e na sua infinita sabedoria terá que ser mais que um bom leitor de Google Maps. Ele também terá que contar com a fé dos homens para os guiar...

E, assim, um pai sentado num carro parado a olhar para um iPhone conduziu um filho e um avô em velocípedes via telemóvel, caminho a caminho, curva a curva, desde Lisboa, dos arrabaldes de Vilamoura até aos braços da avó e às lagriminhas da mana. Diogo manteve tudo sob controle.

Ora, é nisto que o Steve Jobs é um génio... Não tenho iPhone, nem consigo ter um, não gosto nada destas histórias enternecedoras em que os laços entre o pai e um filho saíram reforçados por um eletrodoméstico. O Jobs é do caraças. E o Diogo é um puto muita cool.


Steve Jobs - Um vídeo antigo e raro de Steve Jobs foi recuperado e está a fazer um sucesso estrondoso no Youtube. Nele, um Jobs de bermudas põe em causa toda a estratégia de marketing da Apple e de como vai ter que mudar radicalmente para que as pessoas se lembrem da marca. O resto já é história...
http://www.youtube.com/watch?v=vmG9jzCHtSQ&feature=player_embedded

Texto publicado na edição da Única de 4 de setembro de 2010

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Cromalhise
Conflituoso (seguir utilizador), 1 ponto , 1:52 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Depois de ler toda a noticia na integra, ainda estou a tentar redigir o que é mais estúpido, se a noticia em si, se o autor da noticia.

Pois face a falta de estrutura noticiosa de que a noticia é característica.

Ofende todos os utilizadores que gostam de produtos alternativos.

E se possível gostava de fazer enaltecer a minha opinião.

"seita de fanáticos" que neste contexto da gíria recorrente tecnológica denominam-se de "fanboys", não são apenas aqueles que idolatram de mais um produto ou marca, mas também os "crencos" que se recusam a dar um parecer imparcial só porque acham que sim, e que o meu é que é bom sem de nada saber, que aparenta ser o caso de sua excelência.

E com este ultimo paragrafo termino a minha triste observação da sua noticia e pessoa.
 
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Estupidez "integrale"
Atabão (seguir utilizador), 1 ponto , 12:38 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Apraz-me poder ler nas páginas deste sítio da internet uma crítica tão bem estruturada. Como consumidor de ideias inteligentes sinto-me também ofendido da íntegra. A estrutura da notícia é realmente nula, deve ser por isso que é uma crónica. E como crónica integra poucas coisas de notícia. É pois nestes casos que a pirâmide se inverte. A minha dúvida é apenas escolher modo em que ela deve conflituar: Ou pela base esmagando o crenco, ou pelo o vértice furando os parietais do fanboy.
 
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Pois é...
Maxx (seguir utilizador), 1 ponto , 15:21 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Eu com o meu descontinuado PDA que continuo a usar, tem capacidades de o fazer quer por placa de rede, GPRS ou ainda por GPS, pelo Google, pela Michelin etc, tudo a cores e também em 3D. Suponho que daqui a uns tempos o salto em termos de comunicações será muito maior que o esperado por qualquer utilizador comum, e cabe ao utilizador final decidir o melhor para ele sem que haja "opinion makers" a contar histórias giras de família no sentido de influenciar alguma escolha. Fica bem numa esplanada entre amigos mas como artigo nem por isso. Sou sincero.
 
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maria28 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:56 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
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