Dois terços dos adultos e um quinto das crianças americanas têm peso a mais, revela o jornal Financial Times. O problema da obesidade nos Estados Unidos é uma realidade sobejamente conhecida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já elevou a obesidade ao estatuto de epidemia global e os EUA figuram no topo da tabela. As autoridades de saúde apelam a uma urgente redução dos refrigerantes açucarados, numa tentativa para reduzir a obesidade, que tem sido associada às doenças cardíacas, enfartes, cancro e diabetes.
Os refrigerantes estão na mira, não somente pelo seu contributo para a obesidade, como pelos potenciais perigos do consumo de xarope de milho rico em frutose (HFCS - High Fructose Corn Syrop), o adoçante que é usado na maioria das bebidas norte-americanas, desde os anos 70, quando foi descoberto como uma alternativa mais barata e eficaz ao açúcar tradicional.
Segundo o Financial Times, diversas pesquisas têm ligado o HFCS à diabetes e a doenças que deterioram os tecidos. Há quem considere que elevadas percentagens elevadas de açúcar e de HFCS são igualmente negativas. No entanto, um determinado número de produtores estão a substituir o HFCS por açúcar, quando confrontados com críticas vindas de personalidades como Michelle Obama, que proíbe às suas filhas o consumo de alimentos com HFCS.
Neste regresso às aulas muitas crianças norte-americanas estão a descobrir que os refrigerantes, outrora disponíveis nos distribuidores automáticos das escolas, são agora difíceis de encontrar. A indústria de bebidas está progressivamente a substituí-los por opções mais nutritivas. Estima-se que um maior recurso ao açúcar represente um aumento de 200 a 300 mil toneladas do lado da procura. Em 2009, o açúcar terá registado uma quota de mercado de 42%, contra 40% de HFCS e 18% de adoçantes artificiais.
A opção pelo açúcar terá pouco impacte no problema da obesidade na América. A situação é por demais complexa, envolvendo múltiplas camadas de influência, desde os hábitos de alimentação diários, à reduzida actividade física dos norte-americanos.
A Harvard School of Public Health procura alertar a população para os riscos para o que apelida de "rebuçados líquidos", explicando que um refrigerante de 20 onças (0,62 l, o formato habitualmente disponível nas máquinas de distribuição) contém o equivalente a 17 colheres de açúcar. Os seus investigadores concluíram que, cada um estes refrigerantes contribuem para incrementar significativamente a obesidade e exortam os industriais do sector a criar bebidas de calorias reduzidas, com um máximo de uma grama de açúcar por onça - ou seja, menos 70% de açúcar - e sem adoçantes dietéticos. "É tempo de enfrentar o problema de bebida escondido da América", afirmam no seu relatório sobre os refrigerantes.