Os nomes são enganadores e os protagonistas actuais nada têm a ver com o duque de Loulé ou com Joaquim António de Aguiar. No entanto, os nomes de dois dos partidos do rotativismo do final do séc. XIX português poderiam bem caracterizar a essência dos dois candidatos previsíveis às presidenciais de Janeiro de 2011.
Cavaco e Alegre não podem ter personalidades mais diferentes. Onde um tem interesse e cuidado na economia, tem o outro na cultura. Onde um é prudente e reservado, o outro é expansivo, emotivo, capaz de, como ele próprio disse ao Expresso na semana passada, "de um acto heróico ou louco". Onde um revela certas dificuldades na expressão oral, o outro é um tribuno de voz tonitruante. Onde um fez da política um instrumento racional para tentar mudar o país, que dominou durante 10 anos de poder executivo, o outro faz da política um sonho, uma utopia e um desígnio que o fez andar pelo exílio. Onde um tem cultura de poder, tem o outro cultura de contrapoder.
Mas ambos são conservadoramente sérios e patrioticamente portugueses, por vezes em excesso neste mundo cosmopolita. Têm, ainda assim, esse chão comum onde se encontram e de onde podem partir para um debate elevado sobre que país devemos ser, que democracia devemos ter, que sistema devemos adoptar.
Um debate longe das pequenas intrigas da politiquice que dominaram dos últimos anos.
Como dizia Eleanor Roosevelt, "grandes mentes discutem ideias, mentes médias discutem acontecimentos e pequenas mentes discutem pessoas". Esperemos que a discussão seja própria de grandes mentes.
A tragédia
Seja através da Cruz Vermelha, da AMI, da Caritas ou de qualquer outra ONG idónea (ver como no site da SIC Esperança), é absolutamente imperioso ajudar a população do Haiti.
Da nossa parte, cabe-nos recordar essa obrigação moral àqueles nossos leitores que têm essa disponibilidade, porque a dimensão da tragédia fala por si, não havendo sequer palavras que a possam descrever.
O 'nosso' terrorismo
É extraordinário como, tantos anos e tantos crimes depois, ainda há na sociedade portuguesa quem se mobilize para proteger terroristas da ETA detidos no nosso país. A ETA, longe de ser um movimento 'nacionalista', é um bando dedicado à extorsão e assassínio.
Se Portugal hesitasse no seu apoio a Madrid nesta questão seria vergonhoso.
Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Janeiro de 2010