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O grau zero da política à portuguesa

O Bloco Central não é um casamento, é uma convergência imposta pelo exterior.

J.L. Saldanha Sanches *
8:00 Quarta-feira, 27 de Mai de 2009
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A discussão sobre o Bloco Central tem esquecido o mais importante: o PS e o PSD só se coligarão se o país se encontrar de novo sob tutela, com um programa de reequilíbrio imposto de fora e em estado de necessidade financeira, tal como sucedeu no tempo de Mário Soares/Mota Pinto.

A má vontade do PS e do PSD em relação a qualquer possível coligação explícita é uma característica central na nossa cena política. A acrimónia patológica da actual dirigente do PSD para com o primeiro-ministro pode ser doentia, mas tem raízes muito fortes no seu partido.

Contudo, como a própria já reconheceu para desmentir a seguir, naqueles avanços e recuos desastrados que marcam o seu estilo de actuação, essa aversão não impede nada.

Se a Europa sair da crise e Portugal continuar instalado na sua eterna crise, com o défice externo sempre a subir, a dívida pública com problemas de refinanciamento e a necessitar de novas e mais radicais reduções da despesa pública, um governo minoritário não pode funcionar.

O primeiro governo de Cavaco Silva, que tomou posse imediatamente a seguir ao Bloco Central ter suportado o odioso da redução do défice externo, dispôs de boas condições financeiras e durou pouco. Da sua existência nada se pode concluir.

O longo governo minoritário de Guterres só se pôde manter no poder com concessões a todos os interesses especiais, sem necessidade de decisões duras que em minoria nunca poderia ter tomado e só durou enquanto foi possível adiar estas decisões. O tal pântano que justificou a sua demissão era apenas a necessidade de mudar de rumo sem que uma maioria qualquer o permitisse.

Governar em minoria, negociando tudo e dando tudo a toda a gente, pressupõe um orçamento confortável com receitas fiscais a subir sem penhoras nem aumentos de taxa.

Na economia nunca se pode prever nada, mas será possível que isso se repita?

Além disso, o pior bloco central, com a sua merecida má reputação - o 'bloco central' dos tráficos de influência e da corrupção -, existe para além das coligações políticas e não depende delas. O bloco central governativo depende de uma não-existência da margem de decisão: uma solução única na política que é exigida pela existência de uma solução única na economia.

As caras da solução podem ser várias: o Bloco Central não é um casamento, é uma convergência de políticas imposta pela situação de tutela exterior em que os desequilíbrios crónicos das balanças de pagamentos deixam um país: quando começam as negociações para financiamentos de emergência estas têm de ser feitas com uma maioria que possa pôr em prática as medidas desagradáveis que as acompanham.

Por isso, o Bloco Central é o grau zero da política, acompanhado da descrença generalizada na coisa pública e na morte das ideologias: PS e PSD unem-se porque o eleitorado e o estado da economia não foram capazes de escolher e não lhes deixam outra alternativa.

Os eleitores não escolhem porque não conseguem confiar em nenhum dos programas e, por isso, nem mesmo afastam o Governo em funções; a sua indecisão conduz a uma solução que lhes repugna e os afasta ainda mais da política.

*Fiscalista

Palavras-chave  bloco central  ps  psd  governo  minoria  aliança
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Caro Professor.
4 DE DEZEMBRO (seguir utilizador), 2 pontos , 15:55 | Quinta-feira, 28 de Mai de 2009
Por infinitas dificuldades com que o país possa ser confrontado, as razões de ter existido o Bloco Central não se repetem. Mudou Portugal e mudou o mundo.

Aquilo que divide hoje o PS do PSD são interesses imanados de directórios multinacionais com múltiplas ramificações cujos tentáculos se cruzam nos subterrâneos do poder. Refiro-me à Opus Dei e à Maçonaria que, colocados perante o abismo, conseguem sempre esboçar um sorriso cínico no canto dos lábios.

É neste cinismo com sorriso forçado que poderemos ter um novo Bloco Central, assente na promiscuidade da ganância e não, como no passado, havia outras coisas em jogo.

Sócrates e Manuela Ferreira Leite poder-se-ão odiar mas, como locomotivas de composições fragilizadas, sabem, que a alternativa pode ser o fim de ambos.

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POR UMA MAIORIA DE VOTOS EM BRANCO !!!
J.B.DLEGS (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 4:08 | Sexta-feira, 29 de Mai de 2009
NA VIGÊNCIA DA ACTUAL LEI ELEITORAL ESTA É A ÚNICA OPÇÃO DE QUE TODOS OS ELEITORES PORTUGUESES DISPÕEM PARA PROTESTAR EFICAZMENTE CONTRA A CLEPTOCRACIA INSTALADA IMPONDO COM UMA MAIORIA DE VOTOS EM BRANCO OS SEGUINTES EFEITOS LEGAIS:

1. A ANULAÇÃO AUTOMÁTICA DO ACTO ELEITORAL.

2. A MARCAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES, COM A SUBSTITUIÇÃO DE TODOS OS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES ANULADAS.

IMPÕE-SE A DIFUSÃO MÁXIMA DESTA NORMA LEGAL, POR TODOS OS MEIOS VERBAIS E TECNOLÓGICOS POSSIVEIS.

NEM QUE SEJA PARA QUE OS ELEITORES SAIBAM QUE ESTA HIPÓTESE EXISTE.

DEPENDE DE TODOS E DE CADA UM A OBTENÇÃO DE "MAIORIAS ABSOLUTAS BRANCAS" VS. AS "MINORIAS NEGRAS" INSTALADAS QUE ROUBAM RECORRENTEMENTE O ESTADO E TODOS OS PORTUGUESES.

AFINAL, BASTA "TRANSFERIR" A "ABSTENÇÃO" PARA "VOTO EM BRANCO".

VOTAR É UM DIREITO!

VOTAR É UM DEVER CÍVICO !

NAS 3 ELEIÇÕES DE 2009

VOTAR EM BRANCO É UM IMPERATIVO DE CONSCIÊNCIA

CONTRA A CLEPTOCRACIA INSTALADA E AINDA IMPUNE !
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AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:14 | Sexta-feira, 29 de Mai de 2009
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castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 23:16 | Sexta-feira, 29 de Mai de 2009
caos comunicacional que tudo emperra
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:42 | Quarta-feira, 27 de Mai de 2009
Mais um articulista e mais uma vez se mistificam as palavras para ajudar à argumentação. Não foi o tal "pântano” que justificou a demissão de Guterres. O termo “pântano” surgiu da própria voz de Guterres mas com o sentido contrário: ele afirmou, na altura, que saía para evitar o pântano que, na ideia dele, a sua permanência, naquelas circunstâncias, provocaria.
É por esta falta de rigor com as palavras, com este tipo de arbitrariedade das interpretações dos discursos que se geram equívocos atrás de equívocos, derivações sobre derivações que dão no caos comunicacional que tudo emperra.
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O papao do Bloco Central...
Pedro Lemos (seguir utilizador), 1 ponto , 9:54 | Quinta-feira, 28 de Mai de 2009
O Bloco Central nao é um papao. Olhem para a Alemanha, cuja organizaçao democàtica nenhum paladino da democracia ousaria de boa fé pôr em causa.
Nao quer isto dizer que eu defenda o Bloco Central. O assunto é-me afinal perfeitamente indiferente!
Apenas me preocupa po facto de, à falta da discussao e de soluçao para os verdadeiros problemas nacionais, se passe o tempo a discutir caras e organizaçoes partidàrias...
A verdade é que em Portugal se perde grande parte do tempo a... fulanizar a politica... e se esquece o modo de resolver os problemas quotidianos do Povo.
Por isso, este Pais continua atrasado!
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OS VARIOS LOGROS
FAMOSA (seguir utilizador), 1 ponto , 23:53 | Quinta-feira, 28 de Mai de 2009
PROFESSOR SALDANHA SANCHES:

Ouvi-o num curso de pós-graduação sobre as Autarquias Locais,na Faculdade de Direito de Lisboa.

Foi feita esta espécie de abordagem relativamente à politica do Bloco Central que vampiriza o país.

Gostaria de perguntar:

Fala-se de alternância e não de alternativa.Na alternância o problema reside apenas na mudança de caras.Na alternativa poderiamos assistir a mudança radical de politica e de caras.

A mudança de PS para PSD é uma alternativa?Nem pensar.Não assumem ambos o estatuto de social democracia?

A alternativa seria apenas com o CDS,uma vez que PS e PSD têm a mesma génese.

Claro que existiriam alternativas com o PCP ou com o BE,mas desde quando é que um PC ou um BE trotsquista e estalinista poderiam chegar ao poder?Só se os eleitores portugueses tivessem enlouquecido.

O problema reside ainda no logro que constitui o leque politico português.O Pacto MFA/Partidos apenas desejava partidos que caminhassem para o socialismo e,por isso,liquidaram a Democracia Cristã de Sanches Osório e Silva Resende ou o Partido Liberal entre outros.

Considerar o PSD de direita é considerar um SPD alemão também como direita ou os Trabalhistas ingleses igualmente de direita.

E o CDS/PP afirmando-se de direita, quando a sua designação é de centro democrático social?

O Bloco Central é uma designação equivalente a Bloco de Interesses Comuns com vista a sacar o maior proveito de muitos a favor apenas de alguns (pouquissimos!!!)

Portugal, pais de farsa politica!
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Camisa de forças
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 23:07 | Sexta-feira, 29 de Mai de 2009
Teoricamente esse seria o voto correcto de quem quer cumprir com o seu dever cívico e não se revê nas opções em concurso. Mas já reparou como são apresentados os resultados das eleições? No fim da lista lá vem a percentagem de "votos brancos e nulos", ou seja, o "sistema" encarrega-se de retirar significado aos votos em branco, colocando-os no mesmo grupo dos votos formalizados de forma errada.

A abstenção seria uma opção com mais significado. Mas a elevada dependência criada pelo "sistema" ainda leva muitos seguidores às urnas.

Uma terceira opção será ir votar num pequeno partido qualquer. Desta maneira o seu voto afecta o peso do centralão que nos tem desgovernado.

saudações democráticas

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castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 23:21 | Sexta-feira, 29 de Mai de 2009
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