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O exemplo irlandês

António Gaspar, Professor Universitário e Consultor
13:44 Quinta feira, 11 de março de 2010

A Irlanda possui um défice das contas públicas na ordem dos 10%, portanto acima do nosso, que de acordo com o Ministro das Finanças e apresentado esta semana com o O.E. foi de 9,3% em 2009.

É também do conhecimento público, que no final do ano que passou, as principais casas de notação financeira mundiais, baixaram o "rating" da dívida pública de alguns países, entre os quais se encontram Portugal, Espanha e Grécia. Mas, (para os menos atentos) a Irlanda "paradoxalmente" não teve qualquer recomendação negativa. E porque seria?

A Irlanda também recentemente veio demonstrar, através de medidas muito concretas, que está a atacar ferozmente os desequilíbrios das contas públicas. Para tal, reduziu o salário do Primeiro-ministro em 20%, o dos ministros em 15% e os de todos os assalariados públicos em 10%. Através desta poupança irá conseguir aliviar o seu défice em muitos milhões de Euros, que lhe permitirá avançar posteriormente para outro conjunto de reformas complementares tendo em vista o equilíbrio orçamental.

Foi esta tomada de decisão, sem qualquer dúvida, muito corajosa mas também necessária, que fez manter inalterável a qualidade da sua dívida pública aos olhos dos avaliadores.

Para Portugal, a revisão em baixa do "rating" da qualidade da nossa dívida pública, tem desde logo uma consequência - o Estado irá pagar mais pelos empréstimos contraídos (quando nas renegociações) e por novos que venha a contrair. Depois e em sequência, as empresas e as famílias, irão também pagar mais pelas suas dívidas. O crédito é escasso e o prémio de risco a pagar aos credores, varia de forma directamente proporcional à saúde financeira dos mutuários, com o risco-país à cabeça.

Estamos em crise!

E numa altura como aquela que estamos a viver é justo existir uma partilha de esforços e sacrifícios entre a iniciativa privada e a esfera pública.

Apesar de ninguém desejar o aumento do desemprego, confesso que sempre me fez "muita confusão" o esforço e sacrifícios que sempre foram pedidos ao sector privado.

Veja-se a onda de despedimentos que tem varrido o país, nos têxteis, nas cablagens, na construção civil, nas pequenas empresas prestadoras de serviços, na restauração, nos transportes, na indústria automóvel, enfim, em todos os sectores. É confrangedor o espectáculo dado quase todos os dias nas televisões, mostrando mais umas dezenas ou centenas de portugueses que perdem os seus empregos.

E no sector público administrativo? O que é que se tem passado?

A crise não passou nem passa por ali. Quando toda a gente sabe que o sector público administrativo funcionaria com produtividades interessantes e de forma eficiente, com menos 200.000 funcionários, nada acontece.

Ser funcionário público é assim uma espécie de intocável, quando os infelizes que tiveram a "ousadia" de ir para o público, acabam despedidos todos os dias.

Confesso que nunca entendi a falta de coragem dos variados governos em abraçar de forma definitiva este problema e de uma vez por todas o resolver. Acredito que o congelamento dos salários no sector público administrativo é já um sinal, mas ainda insuficiente.

Mas já que as medidas que a situação exige não são tomadas, e neste momento particular acredito que não seria a melhor altura, ao menos que se tomem medidas idênticas às que a corajosa Irlanda tomou.

Sei que são medidas impopulares, que iriam gerar muito descontentamento. Mas acaso estarão os irlandeses contentes? E não foi por isso que estas medidas agora anunciadas não deixaram de ser tomadas.

A situação das nossas finanças públicas é grave. Os avisos que chegam do exterior demonstram grande preocupação e ameaçam tornar Portugal numa segunda Grécia. Este orçamento agora aprovado, tem que ser uma mensagem clara para o exterior de que queremos combater a despesa pública de forma inequívoca e assim ganharmos a confiança dos nossos "stackholders".

Sempre estive na esfera privada onde a extraordinária exigência e o forte rigor, sempre foram pedras basilares e omnipresentes na excelência do output gerado e oferecido aos clientes.

É esta noção de exigência e rigor que terá que vigorar também no domínio público.

Os portugueses não entendem que sejam sempre aqueles que trabalham na área privada a arcar com os esforços e sacrifícios duma nação. Há que começar a repartir estes mesmos sacrifícios pelo sector público e de forma urgente!

 

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Parece decalque do Henrique Raposo
Alberto Teixeira (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 13:58 | Quarta feira, 19 de maio de 2010
Este "toda a gente sabe que os serviços funcionavam sem problemas com menos 200 mil funcionários"...soa-me a perfeita estupidez. Se calhar este senhor é daqueles que exige do Estado tudo e mais alguma coisa. Não admite que se atrasem em nada e diz que lhes paga os salários mas acha que, trabalhando como trabalham, 2/3 dos actuais FP's podiam ir embora. Mesmo sabendo que se for assaltado hoje em dia a policia tem de fechar a esquadra para o ir defender; Mesmo sabendo que o porteiro da escola onde morreu o Leandro tinha de ir servir de telefonista e ir deitar fora o lixo; Mesmo sabendo que se for a um hospital na área da grande Lisboa espera 5 ou seis horas porque não há enfermeiros e médicos que chegem; mesmo sabendo que os serviços estão a rebentar pelas costuras em trabalho, insiste no discurso ridículo da direita do "desperdício". As pessoas têm de se consciencializar que, se querem menos FP's têm de ter menos Estado e isso vai-lhes custar muito mais caro do que pensam!
O Sr descobriu a pólvora. Há que cortar 10% nos salários dos FP's. Então não sabe fazer contas? Com o rácio de 1/10 - FP/População activa o Estado ficava com o equivalente a cobrar agora 1% a todos os que trabalham, publico ou privado (sim porque os FP's que o sr habilmente esqueceu também vão pagar o imposto adicional).Porque é que cobrando menos o Estado haveria de conseguir pagar melhor as suas contas?O que interessa é manter este discurso demagogo e clamar contra oEstado e, por simpatia contra os FP's..
 
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Exemplos à medida das conveniências!
Runaldinho (seguir utilizador), 1 ponto , 18:35 | Domingo, 14 de março de 2010
Importar exemplos sempre foi o nosso grande mal. Poucas vezes usamos a cabeça pensando por nós próprios!
Neste País vendem-se teorias e modelos económicos como quem vende tremoços numa esquina, e das duas uma:
Ou a classe política com a enorme massa crítica que a serve, não são capazes de criar um modelo económico por via das circunstâncias, que vão desde a atribuição de fundos comunitários desenquadrados da nossa realidade produtiva, desertificação de algumas regiões, enfim um rol de condicionalismos que podem afectar a nossa economia, ou somos na realidade uma cambada de incompetentes de canudo na mão!
A Irlanda baixou os vencimentos dos funcionários públicos de facto, mas têm um salário médio na função pública duas vezes superiores ao nosso!
O primeiro ministro cortou a eito, não inventou um número de 150.000€/Ano como tecto para agravar o IRS, pondo assim de fora todos os titulares de Cargos Públicos!
Mas mesmo que isso acontecesse há que salvaguardar que a diminuição do ordenado não gseria compensada com benesses escamoteadas de despesas de representação, e outras no género, dando uma ideia de comportamento ético, quando no fundo não passava de uma mentira!
As empresas privadas que recebem ajudas do Estado, por via dos quadros comunitários de apoio ou directamente das verbas inscritas no Orçamento têm de seguir as mesmas regras!
Em Portugal quem está disposto a abdicar do seu manjar, para num jejum colectivo levar-mos o Estado a uma cura de emagrecimento?
 
 
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Estou disposto a...
vigilante de Viana (seguir utilizador), 1 ponto , 10:28 | Sexta feira, 2 de abril de 2010
Sendo eu funcionário de uma empresa de capitais publicos e que não gostei nada das suas insinuações, venho propor-lhe um acordo que passo a citar:
Eu acompanho um dia de trabalho normal seu (sector privado) e você um dia normal do meu (sector público). No final dos dois dias, vamos jantar juntos, cada um paga o seu, e vamos discutir a experiência.
Talvez mude de ideias ou passe a ser mais comedido
 
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Exemplos!
Palorca (seguir utilizador), 1 ponto , 9:46 | Quinta feira, 8 de abril de 2010
Já Napoleão dizia "NÃO HÁ MAUS SOLDADOS MAS SIM MAUS OFICIAIS".
Estou em crer que estas medidas,acertadas,não tiveram as reações populares que medidas de contenção no deficet tiveram na grécia ,por dois motivos,a ver:
O exemplo veio de cima (aqui é o que se vê,até os ministros não abdicam dos subsidios de renda de casa,quando se sabe que possuem residencia na capital).
O Povo ter assim consciencia que tem de haver cortes.
E finalmente,não viverem como nós num País que eu diria medieval pois nem no tempo de Salazar havia tantas corporações,Eng. ,médicos,enfermeiros ,contabilistas,advogados,etc.)cada uma apenas destinada a defender ferozmente os seus previlégios.Até quando?As duas gerações futuras estão já hipotecadas,as outras seguintes... tambem,e nós,incluindo os funcionários publicos que formamos uma geração que na sua grande maioria vive às custas dos pais,qual será o seu futuro quando essa benesse desaparecer?
 
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O Tigre Celta
Roan (seguir utilizador), 1 ponto , 0:09 | Domingo, 25 de abril de 2010
Ex. Sr. Professor. Dr Consultor....António Gaspar, Gostei muito do seu artigo, gostaria de obter acesso a mais artigos seus, principalmente quando todos os Neo-Liberais, como sua Exa. glorificavam a inteligencia, sagacidade do Tigre Celta....Ups parece que o Tigre Celta virou Tigre de papel com um defice claramente superior ao Portugues, como è isso aconteceu???,.....tenho a certeza que sua Exa. a 3 anos atras, como professor/consultor conseguiu perceber o que de errado estava a acontecer com o Tigre de papel e com certeza escreveu e ensinou sobre isso, estou certo?.....Parabéns Sr. prof. Doutor Consultor António Gaspar
 
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os meus parabens
88dabulota (seguir utilizador), 1 ponto , 0:43 | Domingo, 9 de maio de 2010
Já qui tenho dito ,se importamos treinadores de futebol ,porque não importar 1ºs ministros competentes?
Além de tudo o que apresentou estar completamente correcto ,há ainda a acrescentar a não existência de corrupção na Irlanda como em Portugal pela classe politica, o que ajuda o povo a aceitar as medidas.Há tambem a competência dos seus governantes e, alem disso , não tem uma força sindical destruidora do crescimento económico como em Portugal , cheia de parasitas. O que já ganháram com as medidas tomadas ,evitando os ataque dos especuladores ,dá para compensar os sacrifícios e começar já a deminuir o défice ,coisa que nós não faremos se não alterarmos o rumo.
 
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