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O dia em que Don Varone jogou "Mafia Wars" com o capo di tutti i capi, Don Godini

Onde o nosso Comendador explica que Don Varone e Don Godini podem estar no "Mafia Wars" e deixa muito claro que nada disto tem a ver com a realidade passada ou futura, ou outra qualquer.

Comendatore Marquini de Correizini (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 18 de novembro de 2009

A coisa põe-se da seguinte maneira. Um muito popular jogo na Internet, baseado no Facebook, chama-se "Mafia Wars", ou "Guerras da Mafia". Os seus promotores dizem que mais de quatro milhões de pessoas jogaram este jogo ontem. Não interessa em que dia isto é escrito, porque a frase está lá há mais de um mês.

O "Mafia Wars" consiste em fazer trabalhos mafiosos em Nova Iorque, em Cuba e na Rússia (brevemente também em Banguecoque e na Califórnia). Desses trabalhos fazem parte, por exemplo, a extorsão a um juiz corrupto, ganhar um concurso falsificado para a reconstrução de Havana ou silenciar um opositor político em Moscovo.

Entre as pessoas que jogam, há o hábito de mudar o nome. É assim que personalidades diversas, de todo o mundo, surgem nos nossos computadores com os nomes italianizados. Há o Don Pintini, o Don Pinheirini, o Don Ferreirini, mas também o Don Orlando, ou o Don Brunote, ou do Don McCartini. Isto é tudo gente honesta que se está a divertir com o único objectivo de mudar de nível. Alguns já vão no 300 e têm grupos da Mafia de mais de 500 pessoas. Outros vão em níveis mais modestos e têm pequenas Mafias de sete ou oito elementos.

Deixo isto muito claro porque, antes de me pronunciar sobre o caso "Face Oculta", gostaria de saber se o senhor procurador e o senhor juiz do processo conhecem este jogo. É que, não duvidando eu da inocência total de todos os envolvidos, me ocorreu que tudo não passasse de uma forma mais vívida de o jogar. Digamos que os envolvidos não só faziam as suas jogadas a partir da plataforma do Facebook mas iam mais longe, telefonando-se e encontrando-se para discutir combates e trabalhos.

Por exemplo: retirar de uma empresa um gestor honesto é um dos trabalhos que se pode fazer no jogo quando se está em Moscovo, assim como vender sucata que não existe, ou comprar a que ainda está em bom estado para depois ser vendida ao mesmo fornecedor. Já encontrar-se num parque de estacionamento e trocar sacos com substâncias suspeitas ou proibidas é claramente o trabalho de um dos níveis de Nova Iorque. Arranjar um contrato com uma empresa pública, mesmo sem concurso, é um dos objectivos do jogo em Havana.

Eu imagino alguns jogadores do "Mafia Wars" - como Don Varone e Don Godini (este claramente no elevadíssimo nível de capo di tutti i capi, aquele no mais elevado ainda de consiglieri) - não só a fazer jogadas combinadas pelo telefone ou por mail (é que no "Mafia Wars" pode pedir-se ajuda a outros mafiosos; a mim, por exemplo, fazem-me falta umas transacções ilegais e um dossiê sobre um tal Dimitri para, na Rússia, mandar para o hospital um nacionalista da oposição) mas também a almoçarem juntos para melhor combinarem as coisas.

Mas, claro, em Portugal, devido ao atraso tecnológico, ninguém se lembra destas possibilidades e pensam logo que é corrupção, nepotismo, locupletação, etc., etc. A oposição põe-se aos berros, o país quer moralidade e, muito possivelmente, nada disto é mais do que um mero jogo sem importância.

Se abrirem conta no Facebook lerão mensagens do tipo: "A Mafia de Sicrano combateu a Mafia de Fulano", ou: "Fulano ofereceu um político corrupto a Beltrano".

É a vida moderna, meus senhores! Por que razão se há-de pensar logo no pior?

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

 

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Il Comendadori Marquesi de correini
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Quarta feira, 18 de novembro de 2009
Signore, perdão já estava a ir na onda. Começo de novo.

Senhor Comendador, não percebo. A sua presença em Portugal torna-se urgente.

Há dias, estava para Oriente, agora nem sei. Nos anos 70, para se dar "ares" de esquerda, qualquer um se identificava como cidadão do Mundo. Estará "nessa"?

Há quem garanta que o Comendador só existe no mundo virtual. Não acredito. (ponto final)

A sua presença aqui na "terra", não é só uma questão de estar presente. É mesmo para meter a "mão na massa".

Não. Não pense nisso. A massa que me refiro são os "assuntos" os "casos". A outra "massa", já está dividida e com dono certo.

A confusão existente, reflecte-se nos assuntos mais "comezinhos".

Recorda-se de lhe ter falado naquele meu viciozinho privado? Exato. Espreitar a "boa" do prédio ao lado. O que faz esquina, mesmo janela com janela.

Vê-se e ouve-se. Então quando está com o namorado...

Na última vez, notei diferença nos gritos. Abri os olhos (com eles fechados tem outro sabor) e vejo-a a ser espancada pelo tal. Corro para a polícia e apesar da vergonha, confesso porque estava a espreitar.

- Não pode.

- Não posso?

- Se o objectivo fosse espreitar para ver se havia violência tudo bem. Mas espreitava para ver cenas de sexo. O máximo que aceitamos é uma queixa contra os bons costumes.

Dizem que está na Lei. Vê como o Comendador faz falta. Mas é aqui. Que nos interessa a sua opinião sobre os Orlandini, ou um chinoca qualquer.

Regresse.

Cumprimentos
 
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Comendadore, salvo seja!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 21:05 | Quarta feira, 18 de novembro de 2009
Como é que se chama il capo de tutti i capi? Don Godini? Don Socrini? Il due Penadini? Ou Don Varone?

Quem souber ganha uma investigação ilibatória tipo portuguesa que poderá servir para pedir uma indemnização ao Estado sem problemas.

É um novo esquema mafioso que não vem no jogo.
 
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