Trata-se da parte em que o Lourenço diz que eu "quer[o] convencer-nos
de que propor o adiamento da votação do PEC é um "desafio", quando o PEC nem deveria ir à Assembleia". O Lourenço - seguindo aliás a opinião de Paulo Rangel - está no seu direito em considerar que um documento que define a política económica portuguesa para toda a legislatura não deve ser discutido na Assembleia. Afinal o Parlamento serve para discutir coisas realmente importantes, não é? Conviria contudo não ignorar que o documento vai mesmo ser discutido na Assembleia e, se o PS levar a sua avante, será votado 24 horas antes de o PSD escolher uma nova liderança.
Eu compreendo aqueles que já dizem que o PEC tem muitas falhas
mas dele lavam as mãos, como fizeram com o orçamento. Eu compreendo aqueles que consideram mais cómodo deixar o odioso de capitular uma vez mais face às políticas do PS à líder que está de saída, para poderem aparecer a "romper" quando já tudo estiver decidido. Mas eu não quero comodistas nem calculistas na liderança da oposição: quero alguém que esteja disposto a assumir o risco de entrar numa negociação dura com o PS, da qual pode sair um PEC melhor para Portugal... ou um chumbo, se não for possível melhorá-lo significativamente. E nestas directas, isso significa eleger Passos Coelho.