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O centrão da Fundação Champalimaud

Será um Centro privado onde uma equipa privada escolheu um terreno público de primeira água.

Clara Ferreira Alves
8:00 Segunda feira, 18 de maio de 2009

Desde a sua fundação que a Fundação Champalimaud é um mistério. Um mistério dissolvido na dispersão dos mentores e conselheiros, e um mistério nos objectivos, que vão da intervenção humanitária a projectos de neurociências e de investigação científica de "áreas de ponta", sem que se perceba com rigor para que serve a instituição.

Não ponho em causa a competência de Leonor Beleza, e acho formidável que a Fundação queira prestar atenção ao cancro e às metástases e fundar um programa e um centro de intervenção nessa área; por estes dias, organiza um Simpósio que põe a caminho de Lisboa não sei quantos "génios" da investigação médica. Da ilustre lista de oradores não consta um português. São projectos da Fundação e modos de a gerir. Privados, privadíssimos. A ligação da Fundação a Portugal será o que a Fundação quiser. O que não devia ser o que a Fundação quiser é o modo como o Governo ofereceu à Fundação mais um bocado de rio, roubado aos lisboetas e aos portugueses, na zona de Pedrouços. 60 mil metros quadrados.

Em Reunião Extraordinária de 5 de Outubro de 2008, a CML aprovou o projecto de arquitectura do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud para a zona da Doca de Pedrouços. A proposta foi votada com o aval do PS, da lista Lisboa com Carmona, do PSD e do PCP. O PCP apoiou, apesar de achar que fica por "resolver todo o problema da envolvente de Pedrouços". A lista Cidadãos por Lisboa, de Helena Roseta, e o vereador Sá Fernandes, eleito pelo Bloco de Esquerda, abstiveram-se. Sá Fernandes lamentou a não participação dos cidadãos na discussão. Roseta também. E assim se suspendeu o PDM. E se destruiu a escola de Pesca.

Se não fosse o Movimento de Cidadãos capitaneado pelo Miguel Sousa Tavares íamos levar com o muro de contentores em Alcântara. Vamos levar com um edifício administrativo, luxuoso é certo, mais laboratórios e um hospital de dia. O site da Fundação anda com grandes cautelas sobre a "envolvente" porque sabe que está a pisar vidros. Na verdade, o que ali vai ser feito não é um equipamento público nem da cidade, é um Centro privado onde uma equipa privada com objectivos privados escolheu um terreno público de primeira água. O novo IPO vai para Chelas, o hospital de dia da Fundação (Que "utentes" terá? Os do SNS? Cobaias? Pagantes?) fica à junto à Torre de Belém "onde o rio se encontra com o oceano Atlântico".

Aqui chegados, o site torna-se hilariante: O projecto (do arq. Charles Correa) "desenvolve e potencia os objectivos da excelência científica e de celebração das 'descobertas' ao mesmo tempo que devolve o rio à cidade e o torna acessível através de zonas públicas de grande beleza". Três edifícios vão abrir (???) o rio à cidade e ao oceano. O Edifício A, o maior, com áreas de diagnóstico e tratamento, e laboratórios de investigação e serviços administrativos. O Edifício B, com um auditório, uma área de exibições e outra de restauração, e com os escritórios da Fundação, que comunicam com o escritórios do Edifício A "através de uma elegante porta de vidro". E o Edifício C, com "um anfiteatro ao ar livre com vista para o rio".

Vista para o rio têm todos eles, nos seus magníficos postos de trabalho e padecimento, nós é que deixamos de ter vista para o rio. A não ser que a necessidade nos arraste para um refeitório médico ou para um colóquio (fechado) sobre oncologia. Ou que a Fundação queira imitar a Gulbenkian (obviamente, não pode). "Os edifícios estão dispostos de forma a criar uma via pedonal de 125 metros que atravessa diagonalmente o terreno em direcção ao mar, e, simbolicamente, do 'desconhecido'". Este caminho tem "uma suave rampa ascendente em direcção ao rio de tal maneira que na sua subida se vê unicamente o céu.

No final da rampa encontram-se duas grandes esculturas monolíticas de pedra bruta. Ao ser atingido o ponto mais alto ver-se-á uma grande massa de água que, aparentemente sem qualquer tipo de corte visual, liga com o oceano. No centro desta massa emerge um objecto oval de aço inoxidável que reflecte o céu azul e o movimento das nuvens; pode representar um conjunto diverso de coisas, desde a carapaça de uma tartaruga a uma ilha tropical ou mesmo um tesouro, elementos que fazem parte da aventura mítica que inspirou os descobrimentos".

E lá atrás, supõe-se, uma bela vista para um hospital, laboratórios e escritórios. Com esta conversa tonta sobre o espaço mítico, lá se foram 60 mil metros quadrados. Sobram-nos 125 metros para olhar o céu. E um auditório. E a imaginação. E os carros? Quantos carros irão entrar, sair e estacionar neste gigantesco centro? Não, esta não é a minha ideia de um domingo à beira-rio.

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ESCÂNDALO PORQUÊ?
NJP (seguir utilizador), 2 pontos , 0:27 | Terça feira, 19 de maio de 2009
A Fundação Champalimaud é o remorso de alguém que pautou a sua vida pelos caminhos mais ínvios, do Caso da Herança Sommer, á compra do banco Pinto e Sotto Mayor, do engano de Guterres á venda ao Banesto, dos fogos na zona Guincho/Abano, etc., etc.
Há uns anos o então Capitão do Porto de Cascais, Com. Raúl Patrício Leitão, verificou que o mesmo cavalheiro se preparava para vedar a zona do Cabo Raso como propriedade privada, num apropriamento ilícito. Achando estranho encarregou o Escrivão da Capitania de estudar o assunto, chegando-se á conclusão que a Quinta da Marinha tinha sido um baldio dos pastores de Cascais, estranhamente tendo perdido essa condição. O Capitão do Porto de Cascais foi promovido para novas funções e tudo ficou livre para os negócios que se entendesse.
Compreende-se perfeitamente o que aconteceu com os terrenos da Docapesca, se entendermos o que o Bloco Central tem para projecto Nacional. Escândalo porquê se tudo está á vista?
 
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seis hectares de terra dá para fazer muita coisa..
sopa de letras (seguir utilizador), 1 ponto , 9:33 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
dona clara, esqueceu-se de mencionar quantos m2 de implantação no solo têm esses tais três edifícios... sim porque isso é importante saber... afinal são três edifícios implantados em seis hectares de terreno... isso é chão para muita coisa... para além dos 3 edifícios... penso eu..
 
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Carissima e clarissima Clara
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 10:44 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
Clarissima por defender os seus pontos de vista de um modo frontal e inequicovo.

Criticar, criticar, criticar...ora bem, comecemos pelo principio. Um multimilionario Portugues deixa em heranca milhoes de euros para uma fundacao em prol do desenvolvimento cientifico e bem comum num paIs pobre, mal agradecido e vergonhosamente incapaz.

Dito isto:

Criticar porque tem duvidas quanto A orientacao programatica da dita fundacao?!? Se reconhecemos caracteristicas profissionais com qualidade As pessoas envolvidas, ja estou como o outro..."deixem-nos trabalhar"...
Criticar o projecto arquitectonico pelas "palavras" que descrevem um possivel conceito de desenvolvimento criativo?!? Bom, eu sei que adoramos dar a nossa "opiniaozinha" mesmo quando nao sabemos distinguir um plano bidimensional de um tridimensional. Mas nada disso interessa quando a criticazinha mordaz entra em accao.
E o rio, realmente E de todos nOs, viva o rio a paisagem o ar puro, viva tambem o desenvolvimento cientifico, social, o apoio a necessitados dado pelo novo hospital, viva a ideia de um homem que em tempos foi escorracado de Portugal(imagine), e no entanto deixou uma fundacao...nao, nos foi dessas criadas por politicos e empresarios para fugir aos impostos, nao foi mesmo com esse intuito altruista de ....AJUDAR
 
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Fantástico!
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
Acho fantástica a mesquinhez das pessoas!
Gostava que a autora dissesse quantas vezes é que foi passear para Pedrouços, quando ali existia a Docapesca!
Gostava de saber quantos portugueses, além dos que trabalhavam na Docapesca, usufruiam daqueles 60 mil metros quadrados de vista de rio?
Gostava de saber quantas vezes é que a senhora foi tomar banhinho ou molhar os pés na praia de Algés.
Substituir uma indigente escola de pesca por um centro de altos estudos cientificos e de investigação é uma má escolha? Requalificar tudo aquilo com um projecto de grande nível arquitectónico é mau?
O que é mau, minha senhora, são os esgotos a vazarem no rio; são os carros em cima da beira rio enquanto as pessoas andam entre eles; são os carros a 10 metros de monumentos como o Padrão dos Descobrimentos; é não haver uma ciclovia ao longo do rio; é não haver passagens que atravessem a linha em quantidade e comodidade; é não haver a requalificação da zona de Belém; é não haver uma politica municipal de desportos nauticos; é, no pouco espaço que não tem linha de comboio ou contentores entre a cidade e o rio (Terreiro do Paço) haver obras há mais de 10 anos; etc, etc, etc.
O problema da senhora é isto ser de privados... e nenhum deles seu amigo, claro! Senão estava tudo bem.
 
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Fora da ordem
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 17:08 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
http://www.youtube.com/wa...
 
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Causa Nobre
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Quarta feira, 20 de maio de 2009
A Pluma Caprichosa mostra aflição porque “nós” perdemos a “vista para o rio”ao domingo, mas o domingo é para ir à missa e o rio é um esgoto a céu aberto.
A grandeza e visibilidade do Palácio da Causa Nobre interessa para realçar a Nobreza da Causa à sombra da qual vão medrando outras Fundações.
Se a Dª Clara quiser dizer coisas sobre outras Famílias e Fundações não se coíba, vai ver que rende…
 
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    Re: Causa Nobre    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 13:20 | Quinta feira, 21 de maio de 2009
    Re: Causa Nobre    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:51 | Quinta feira, 21 de maio de 2009
    como se liga com o artigo    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:01 | Quinta feira, 21 de maio de 2009
    Re: como se liga com o artigo    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 23:30 | Quinta feira, 21 de maio de 2009
    Dar-se-á caso de usarmos línguas diferentes?    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 8:13 | Sexta feira, 22 de maio de 2009
    Re: Dar-se-á caso de usarmos línguas diferentes?    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:38 | Sexta feira, 22 de maio de 2009
    De lenha não percebo nada    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:19 | Sexta feira, 22 de maio de 2009
    Re: De lenha não percebo nada    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 23:40 | Sexta feira, 22 de maio de 2009
Merecemos mais respeito
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:04 | Quinta feira, 21 de maio de 2009
Desta vez, concordo inteiramente consigo. Por mais meritória que possa ser aquela Fundação, nada justificará que se atribuam a uma entidade privada 60.000 m2 (!) de terreno com localização privilegiada junto ao rio, suspendendo o PDM e roubando aos lisboetas o direito de usufruir de um espaço que é de todos.

Este é apenas mais um exemplo da subserviência política em relação ao poder dos "lobis" (económicos e não só) e que toca o limiar do ridículo. Até seria hilariante, se as suas consequências não fossem tão nefastas, para o (des)ordenamento da cidade e para o usofruto público, e se não revelasse por si só um claro desrespeito pela lei e pelos cidadãos.
 
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ignorante e atrevida
userholanda (seguir utilizador), 1 ponto , 11:48 | Terça feira, 2 de junho de 2009
a menina clara exibe ignorância e mostra atrevimento nas conclusões: requalificar lisboa seria, eventualmente, colocar a menina na casa fernando pessoa ou no ccb.
 
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Dizer mal só por dizer!
hpg (seguir utilizador), 1 ponto , 12:33 | Terça feira, 5 de outubro de 2010
Estava a fazer uma busca no Google sobre a Fundação Champalimaud e vim parar a este "maravilhoso" artigo de opinião da Dra. Clara Ferreira Alves.
De facto, cada vez mais me convenço, que por detrás dessa capa de cultura "chic", de alguém que normalmente se interessa mais pelos problemas da Palestina ou de Inglaterra do que propriamente do seu país, ainda tem tempo para escrever este tipo de barbaridades sobre uma obra que coloca Portugal na linha da frente da investigaçao sobre o câncro.
Este tipo de texto é típico de gente mesquinha, com enormes complexos ideológicos, em que só pelo facto da fundação ter o o nome "Champalimaud", já é motivo para se retorcer toda.
Se apenas uma vida for salva neste novo centro, já valerá a pena ter tirado alguns metros de vista sobre Tejo aos Lisboetas. Esperemos que nunca tenha de usar a fundação. Seria no mínimo irónico.
 
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