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O caso Mesquita Machado

J. L. Saldanha Sanches
8:00 Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009

Uma longa investigação (oito anos) aos inexplicáveis sinais exteriores de riqueza do presidente vitalício da Câmara Municipal de Braga e aos seus familiares e amigos teve o resultado habitual: arquivamento por falta de provas.

Sem cadáver nem flagrante delito estes processos estão para lá das forças da nossa justiça: mas vamos admitir que não havia mesmo provas e o arquivamento foi a única solução possível. E as questões fiscais?

O processo penal no Estado de Direito põe o dever de prova a cargo do Estado. O processo fiscal não.

No processo fiscal, o sujeito passivo deverá convencer a Administração e o juiz (se o processo for para tribunal) que as suas casas ou os seus carros cabem dentro dos rendimentos declarados. A discussão sobre a inversão do ónus da prova no caso do enriquecimento de políticos é ociosa.

Por meios fiscais pode obter-se quase o mesmo efeito.

Se no processo se prova que um empresário conhecido pelos seus actos de benemerência chamado Domingos Névoa ofereceu 10 mil euros à filha do sr. Mesquita Machado no casamento desta, pode não se provar que haja aqui qualquer crime ou motivação condenável.

O sr. Mesquita Machado é um corifeu da democracia socialista e o sr. Domingos Névoa provavelmente partilha estes nobres ideais. É um sentimento que só o enobrece.

Mas a nobreza de sentimentos não influencia as empedernidas qualificações fiscais. O fisco tem pêlos no coração. Não será esta desinteressada dádiva uma doação? Terá sido tributada em imposto do selo?

O sr. Mesquita Machado pode ter admiráveis qualidades de poupança que expliquem o património que tem acumulado. Mas terá esta poupança passado pelas declarações de IRS?

Será possível que em Braga haja inúmeras penhoras de contas bancárias dos empresários que não entregaram o IRS e se comunique ao Ministério Público os abusos de confiança fiscal dos falidos que ficaram a dever o IVA e nada se faça em relação a estes casos? Que o Ministério Público investigue durante oito anos sem a colaboração da Inspecção Geral de Finanças ou da DGI?

Quando um praça da GNR com um enorme património é levado a tribunal por extorsão a automobilistas, a pergunta que deve ser feita é saber por que motivo não detectou a DGI a distância entre património e rendimento; num alvo tão fácil como um praça da GNR. Porquê? Como pode a Administração deixar escapar situações como estas?

Já passou o tempo em que Administração era um corpo corroído pela corrupção, um corpo impotente e inerme. Hoje funciona e se pode ser acusada de alguma coisa (em relação aos que cumprem) é de excessos.
E em relação aos marginais sem declaração ou com declarações ridiculamente falseadas? Aos políticos que acumulam fortunas sem ninguém perceber como?

Seria bem mais importante reagir a tais situações (se isso não for incompatível com a política deste Governo) do que redistribuir, por meio de um novo regime de deduções no IRS, uns magros tostões entre as várias camadas de contribuintes.

Adenda: a Defesa e os serviços secretos portugueses estão sempre no limiar da farsa. Aquela história dos livres-trânsitos para os espiões (para irem ao futebol? Para andarem de comboio?) demonstra que ao lado dos generais de opereta temos os espiões de livre-trânsito.

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(in)Justiça portuguesa
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 12:22 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
O que é que os juizes, quando vão para casa, dizem aos filhos? O que dizem aos pais? Aos conjuges? Como se justificam perante os amigos? Será que têm amigos? Amigos a sério, não dos outros - toda a gente quer ser 'amigo' de um juiz, como é óbvio! Será que dormem? Conseguirão pô-lo em pé? O que passa na cabeça dessa corja que dá pelo nome de Juiz, em Portugal? Quando e como é que se põem estes criminosos, atentadores do Estado Democrático, na ordem?
 
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E continuaremos na mesma!
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 17:48 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Toda a gente o sabe... Todos os portugueses têm conhecimento destas e de outras manifestações injustificadas de riqueza, da inoperância e falta de iniciativa dos responsáveis, e sobretudo da condescendência do governo para com os senhores 'seus pares'...

Hoje, toda a gente sabe, e mais, toda a gente fala!
Mas nenhum dos responsáveis faz seja o que fôr necessário fazer para punir, evitar, corrigir e fazer com que tais senhores paguem ao Estado, com juros acrescentados das devidas coimas. E porquê?
- Porque eles são 'os mesmos'... Oh Compadre!
 
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... por falta de provas.
Kavai (seguir utilizador), 1 ponto , 18:41 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Por isso é que nos faz falta um magistrado como o Juiz Baltazar Garzón, para pôr " em sentido " toda a gente que pactua com situações destas. Mas para isso é preciso alguém que corte a direito, doa a quem doer e até agora não apareceu ninguém com essas características. Como diz o povo, alguém com "tomates" !
È tudo boa gente, todos amigos, ou amigos de alguém e tudo vai andando na maior, até ao arquivamento ou á prescrição.
 
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Subscrevo, mas...
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 22:58 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Acho bem a abordagem via fiscal, Acho mal a via cirúrgica, atacando apenas os casos de suspeita, pois para esta existir tem de se basear num critério, e aqui entram os amigalhaços lisboetas do costume para definir o critério.
Por exemplo, no caso do "apito dourado", o "critério" levou a inspeccionar ( através de escutas ) a vidinha do P. Costa e outra “gentinha” a norte do paralelo de Leiria, deixando de fora os dirigentes das mui nobres agremiações lisboetas.
  Quando se pretende rectificar comportamentos num determinado universo, uma vez que não existem meios para o escrutinar em toda a sua extensão, deve definir-se antecipadamente um critério onde a probabilidade dos diversos elementos serem escrutinados seja igual para todos. Um país evoluído tem estes sistemas montados. Num país, tipo o nosso, os agentes repressivos e os comentadores pescam à linha, segundo as suas conveniências.
      Já agora, o grave nisto tudo não será a forma de financiamento partidário?
      E o tráfico de influências não é ele em si um problema tão grave como a corrupção, sendo mais difícil a identificação do ganho ( um cargo qualquer para alguém da família, uma mão que mais tarde lava a outra, etc.) ? . E o que pensará o articulista relativamente à divulgação tão comum do segredo de justiça, será tráfico, será imoral ?
 
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Já reparou que...
JMdaSilva (seguir utilizador), 1 ponto , 19:02 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
Caro Saldanha Sanches (permita-me trata-lo assim, simpatizo consigo e com a sua companheira)

Viu o que aconteceu em Entre-os-Rios, quando caiu a Ponte?

Anos e anos de extracção desenfreada de areias, com 2 pontes cujos projectos ficaram na gaveta, pagos pelo $ dos contribuintes.

Toda a gente sabe que, se este processo tivesse sido levado a sério, 3 tipos de pessoas iam cair: areeiros, fiscais, e politicos.

O Procurador Pinto Espanhol definiu como arguidos 4 funcionários da extinta JAE - sobre estes não me pronuncio -, e 2 engenheiros que cumpriram as suas funções: os projectos que ficaram na gaveta, , e a indicação que a ponte não estava em condições.

Não me faz o favor de perguntar a este Procurador, especialmente indicado para o Processo de Entre-os-Rios, o que é que ele fez? Porque é que ele fez? E se dorme bem à noite?

Muito Obrigado.

PS: (esta é a parte em que cai o carmo e a trindade) não está na altura de criar um bando de justiçeiros que limpem o sarampo à corja de politicos, funcionários publicos, empresários amigos, malta do futebol etc. etc. ?
 
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    Re: Já reparou que...    Ver comentário
grátis (seguir utilizador), 1 ponto , 4:01 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
    Re: acredito....    Ver comentário
Zaratustra70 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:14 | Quinta feira, 19 de março de 2009
URGENTE.
4 DE DEZEMBRO (seguir utilizador), 1 ponto , 23:18 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
Uma escola de Braile para os agentes da Justiça portuguesa.

Anda tudo cego.

Ou não querem ver?
 
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    Re: URGENTE.    Ver comentário
4 DE DEZEMBPO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:17 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Roubo e corrupção nas autarquias
borrego (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
Foi criado um forum na internete pelo Ministro da Justiça Vera Jardim infelizmente ou propositadamente desaparceu.
Seria de todo o interesse que se fizesse uma investigação das vezes que a IGAT(agora IGAL) com base em documentos que não existiram e por outras razões criadas artificialmente propuzeram ao Ministro do Equipamento a nulidade de alvarás de loteamento e outras penalizações dificultando a vida a várias familias. Talvez os portugueses ficassem informados quem foram os principais responsáveis da destruição do nosso maravilhoso País que se chama Portugal e que deu novos mundos ao mundo.........
 
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Baltazar Garzon
userEX166048 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:57 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
é uma verdade que já ninguem pode ignorar. O grande problema deste nosso pais é a corrupção. Tal como a crise, tambem ai estamos no limite. Já ninguem, acredita na regeneração, deste sistema completamente podre, em que os principais culpados e agentes, são os politicos.Penso que a unica saida para todo este lamaçal, era uma justiça que funciona-se. Drº Saldanha Sanches e a Drª Maria Jose Morgado, têm feito todo o possivel, para alterar este caos, mas a falta de poder e meios, não tem possibilitado esse designio. Só há uma solução, um Baltazar Garzon. Com coragem, para limpar esta escomalha que por ai parasita. Como já sebe que os poderosos, não lhe vão dar condições para desenpenhar as suas funções com dignidade e justiça, vai ter de ser o povo na rua a reclamar e exigir. Quanto a esse homem ou mulher que tome a decisão de limpar este pais, só tem uma solução. Ter a coragem de abdicar de uma vida normal e ir viver num local em total segurança. Não tenhamos duvidas, vivemos numa autentica mafia
 
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Dif. tratamento - Dirigentes Privados vs Publicos
diabolico (seguir utilizador), 1 ponto , 22:57 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
Infelizmente , quem gere MAL bem publico , continua em liberdade e a ser eleito pelo Povo ; quem gere bem privado ( DR. Oliveira e Costa - BPN ) é preso preventivamente ....

Será que o criminoso é diferente .... Ou a sua posição politica é que conta para a justiça nestes casos ...

Apenas parece , que a iniciativa privada não tem sabido praticar os seus actos Criminosos , de forma mais desimulada do que os Eleitos pelo POvo para gerir o bem comum . Realmente os meus parabéns , ao Dr. Mesquita Machado e seus pares ...
 
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