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O cartel municipal

O presidente da associação tentou a todo o custo que o Tribunal Constitucional 'matasse' o projecto logo à nascença.

J.L.Saldanha Sanches* (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 15 de outubro de 2009

São 16 as autarquias que já optaram por reduzir em 5% a favor dos residentes no seu concelho: uma possibilidade atribuída aos municípios da qual o presidente do grémio municipal discorda.

Segundo Fernando Ruas, um homem de ideias originais e profundas, o que o Estado deveria fazer era dar mais dinheiro aos municípios.

O sentido principal desta medida, contida na última versão da Lei das Finanças Locais, em que o município renuncia a uma parte do que iria receber da partilha das receitas gerais do Estado, reduzindo a carga fiscal do seu residente é que os municípios deverão fazer mais e melhor com menos recursos.

Para a maior parte deles, esta ideia de eficiência administrativa e de combate ao desperdício, é deplorável: o que é preciso é que o Estado lhes dê mais dinheiro, mesmo que para isso tenha de aumentar os impostos. Mas não os impostos municipais para que os contribuintes não sintam que o fausto autárquico é pago por eles.

O município deve construir rotundas ornamentadas com mostrengos (obras de arte segundo o esclarecido gosto dos senhores presidentes), pavilhões multiusos sem uso nenhum, subsidiar clubes de futebol e criar empresas públicas municipais para dar emprego aos familiares e clientes.

Se os munícipes acham que isso é pago com o dinheiro 'que vem do Estado' nem lhes parece mal. O presidente tem obra. Se percebessem que era ele, o contribuinte municipal, quem pagava talvez não gostassem.
Percebe-se por isso a aversão à possibilidade de renúncia à redistribuição do IRS. Os autarcas que o fazem recebem chamadas cheias de censuras de colegas de vários partidos. O presidente do cartel, que tentou a todo o custo que o Tribunal Constitucional matasse o projecto logo à nascença, apela à união sagrada contra os contribuintes. Nem daquelas velhíssimas lamúrias sobre o interior desertificado (os portugueses deveriam ser proibidos de se deslocar) se esqueceu.

Os municípios conservam aquela mentalidade típica de fidalgos arruinados: por maior que seja a penúria não se deve ligar ao dinheiro e a outras coisas mesquinhas.

Num debate sobre a Câmara de Lisboa, Santana Lopes ilustrava brilhantemente o tipo autarca-com-obra-e-muitas-dívidas quando sustentava que a grande vantagem de António Costa era (segundo dizia) poder contrair empréstimos. Não lhe passava pela cabecinha que os empréstimos têm que ser pagos.

Nem que as despesas municipais, mesmo em obras tão úteis como piscinas são, pela natureza das coisas, investimentos pouco reprodutivas (do ponto de vista estritamente económico). Não falamos já das obras inteiramente inúteis para todos excepto para os empreiteiros com boas ligações com a Praça do Município.

As despesas - e as decisões - municipais são a condição para podermos viver em cidades ou vilas que sejam espaços agradáveis. Para conservar a história e a memória das cidades. São a condição da conservação dos residentes e da atracção de turistas. Mas têm de ser pagas e devem ser pagas por quem beneficia delas e pode julgar a acção dos seus autarcas.

*Fiscalista

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Empresas municipais, ou... offshores municipais?
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 18:35 | Quinta feira, 15 de outubro de 2009
É impressionante verificar-se como cada vez mais autarcas procedem à criação de empresas municipais, não só para dificultarem a clarificação de contas mas também para servirem de agências de emprego a amigos e comissários políticos.
Vou referir apenas um, para que não fiquem acusações no ar e também porque o autarca em questão o confirmou na televisão.
Rui Rio transformou os SMAS do Porto em Água do Porto, E.M.
De seguida, contratou o seu amigo e comissário político do PSD, Eng. Poças Martins, para presidir a essa E.M.
Mas, como alegadamente Poças Martins terá colocado como condição ganhar o mesmo que ganhava na Águas de Portugal, onde parece que trabalhava, Rui Rio aceitou a proposta, que lhe pareceu razoável, de pagar a Poças cerca de 10.000€/mês.
No entanto, como não podia pagar este vencimento, por ser superior ao do PR, então contratou com uma empresa de Poças a prestação de serviços e assim foi ultrapassado este "pequeno pormenor", que não dificuldade!
Ou seja, com este expediente, qualquer dia os autarcas vão prescindir dos seus funcionários e, através de montagem destas offshores, vão montar empresas de serviços paralelos, o que se nos afigura muito justo para premiar criaturas esforçadas no crecimento e manutenção de fidelidades partidárias.
O que eu coloco em causa é a legalidade destas operações.
Mas como ninguém actua, apesar disto ser público, creio não haver qualquer problema. Pode o Prof Saldanha Sanches esclarecer?
Cumprimentos
 
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    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
carteiro2666 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:31 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 22:28 | Quarta feira, 4 de novembro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 19:23 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 22:42 | Quarta feira, 4 de novembro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
carteiro2666 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:17 | Sábado, 17 de outubro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 11:00 | Sábado, 17 de outubro de 2009
    Re: Empresas municipais, ou... offshores municipai    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 23:05 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
O cartel municipal
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:38 | Sábado, 17 de outubro de 2009
O problema será sempre o mesmo só apertam o cinto quando a tal forem obrigados. Se formos a ver a maior parte das obras já foi feita. Hoje não há aldeia que não tenha o saneamento básico e a maior parte das infraestruturas já feitas. O grande problema é que a maior parte nem gente já tem. Na maior parte dos casos passam o tempo a desfazer o que já fizeram em mandatos anteriores. O mais grave é que coisas que seriam mais necessarias não são feitas, porque não são obras de encher o olho. Infelizmente nem todos os autarcas têm uma boa gestão como todos sabemos. Por outro lado os politicos na maior parte dos casos estão há demasiado tempo nos lugares e não fui eu que disse que o poder corrompe. Muitos deles apesar de se terem considerado revolucionários, têm atitudes na prática parecidas a Salazar que tanto criticavam. É urgente uma renovação de toda a classe politica, porque a maior parte já deu o que tinha a dar e até já se encontram meios xexés.
 
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Quem mais desperdiça, mais ganha
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 8:26 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
Todos sabemos que os eleitores premeiam nas urnas a quem faz bastante com o máximo de recursos e castigam quem faz o indispensável com o mínimo de recursos. Tem lógica pois o município é em muitos casos o maior ou até o único empregador do concelho. A questão resume-se a quem paga e o problema é que, em altura de crise, além de não quererem apertar o cinto todos se julgam mais desfavorecidos e mais merecedores do dinheiro dos outros. E quando se trata de tentar sacar dinheiro aos outros a unanimidade está garantida.
 
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-Rodapé
Pedra-Mó (seguir utilizador), 1 ponto , 16:38 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
AS DESPESAS DO CARTEL MUNICIPAL

“ ... têm de ser pagas e devem ser pagas por quem beneficia delas” , desde que quem as pague não seja dos que beneficiam de tudo e não pagam nada...
 
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Aparelho de estado local.
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 21:57 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
As camaras são propriedades dos partidos,estes precisam de, por seu intermédio, alimentar os seus parazitas.
 
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    Re: Aparelho de estado local.    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 23:16 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
Uma pequena obsrvação
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:36 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
com o tipo de comentários efectuados acerca do artigo do ex-MRPP (?) sou levado a considerar que nenhum dos comentadores votou para as autarquicas. Certo? Ou então tudo não passa de hipocrisia. Quanto ao ex-MRPP insere-se na lógica dominante: os autarcas são os bandidos e os corruptos, o governo é bestial. Pois claro...
 
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    Re: Uma pequena observação    Ver comentário
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 9:52 | Sábado, 17 de outubro de 2009
EU AINDA HÁ 2 ANOS;ESTIVE NUMA PREFEITURA AÍ;E VI
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 23:25 | Sexta feira, 16 de outubro de 2009
EU AINDA ;VI NA REALIDADE NO ANO PASSADO;COMO É ESTA VERDADE NUA E CRUA NO PAÍS MEU QUE ME VIU NASCER.É DE LAMENTAR.A MAIORIA DOS FUNCIONÁRIOS DESTA CÂMARA ERAM PRATICAMENTE AOS MONTES;EM TODOS OS SERVIÇOS;QUE NSTA MESMA AUTARQUIA;O TAL PRESIDENTE DE CÂMARA;LÁ FOI CRIANDO AO LONGO DE QUASE 25 ANOS.E SEMPRE O MESMO PARTIDO.E QUAL ERA.??/ADIVINHEM.???CRIOU MUSEUS;SERVIÇOS POR TODO O LADO.PRATICAMENTE MEIA CIDADE;É FUNCIONÁRIO NESSA AUTARQUIA.E NAS OUTRAS;COM TODA A CERTEZA;NÃO É DIFERENTE.É POR ISSO QUE TODOS QUEREM GANHAR ELEIÇÕES.ORA..ORA..É TÃO BOM..AFINAL;QUEM CONSEGUIRÁ SAIR DESTA DOENÇA ENDÉMICA.???SÓ OUTRO TIPO DE GENTE.ESTA JÁ ESTÁ TODA CORRUPTA.É SÓ.E NÃO VOU DIZER MAIS NADA.PARA QUÊ.???ROBESPIERRE.
 
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Então qual é a solução?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 11:00 | Sábado, 17 de outubro de 2009
Individual e colectivamente estamos endividados até ao pescoço e temos que reduzir as despesas e os investimentos fictícios ainda que isso represente a perda de mais alguns postos de trabalho também fictícios que nos saem caríssimos. A generalidade dos autarcas não toma a iniciativa de reduzir o orçamento ou de aumentar a eficácia na sua execução porque isso vai contra os interesses do seus munícipes e se arriscam a perder votos. Contra isto só o governo central pode fazer alguma coisa 'apertando' o orçamento das autarquias de forma generalizada, O ideal seria acordar os critérios com a ANM mas o mais provável é que tal acordo seja boicotado e só resta uma solução que consiste em o governo central impôr e ficar sózinho com mais um ónus no seu rol de 'políticas de direita' que nem a aprovação da direita merecem.
 
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