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O capital criativo e as novas indústrias

8:00 Segunda-feira, 2 de Jun de 2008
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Empresas norte-americanas, financiadas por capital de risco, criaram dez milhões de empregos entre 1970 e 2005.

Georges Doriot, professor de Harvard e fundador do INSEAD, esteve na origem desse fenómeno. Doriot concebeu a American Research Development (ARD), a primeira firma de capital de risco a ser bem sucedida. O notável livro 'Creative Capital' de Spencer Ante, publicado recentemente, retrata a vida deste francês e a época histórica do pós-guerra que transformou os EUA numa nação de "start-ups".

O êxito da ARD deve-se a Georges Doriot, mas também a Karl Compton, presidente do MIT, e a Ken Olsen, fundador da Digital. Karl Compton percebeu que a criação de novas indústrias era uma missão fundamental da Universidade. Ken Olsen reproduziu o ambiente criativo do MIT na Digital, transformando ideias em produtos.

Foi o sucesso do investimento na Digital (70.000 dólares originaram um retorno de 400 milhões) que estimulou o desenvolvimento da indústria de capital de risco.

Exportada para o Silicon Valley, ajudou a criar novos mercados como o dos semicondutores, computadores pessoais, videojogos e biotecnologia. Universidades como Stanford, Berkeley e Cal Tech emularam o MIT na criação de firmas. Empresas como a Intel, Apple, Atari e Genentech permitiram um retorno de investimento semelhante ao obtido com a Digital.

"Lembrem-se sempre: alguém está a desenvolver, neste momento, um produto que vai superar, um dia, o vosso", era um dos conselhos favoritos de Doriot. Não foi adoptado, ironicamente, pela Digital que tinha ajudado a criar. Mas essa possibilidade de superação constante continua a ser a inspiração do Silicon Valley.

O acesso a capital de risco é hoje global. Mas as universidades continuam a ser instituições locais: a experiência presencial é insubstituível.

O factor limitativo na criação contínua de novas indústrias em Portugal (ou qualquer outro país) reside assim na capacidade de formação de empreendedores no meio universitário. A criação de uma cultura de risco, que era tão cara a Doriot, é um dos maiores desafios da nossa Universidade.

António Câmara
Presidente da Y-Dream

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