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O ano de António Costa

8:00 Segunda feira, 20 de outubro de 2008
Quando António Costa foi eleito presidente da Câmara de Lisboa havia a esperança de que ele conseguisse mudar a Câmara. Agora o que voga por aí é o receio de que a Câmara consiga mudar António Costa.

A CML são 13.000 funcionários e não se sabe quantas empresas municipais. A causa é uma estrutura produto de uma aliança sagrada entre o PS/PSD/PCP/CDS (o Bloco ainda tem as mãos limpas) que distribui centenas de empregos, geralmente de administração ou de direcção com VUP (viaturas de uso pessoal no sofisticado jargão da nomenclatura municipal), cartão de crédito e cartão frota NI (gasolina ilimitada no território nacional-internacional).

Tudo isto torna as opções dramaticamente claras: dinamizar a cidade, ou criar espaços para a cultura é, por enquanto, secundário. O alvo central é livrar a cidade das sanguessugas que são as empresas municipais.

A fradaria mata-nos, a fradaria devora-nos, dizia Alexandre de Gusmão no séc. XVIII exasperado pela multiplicação dos conventos que sugavam o ouro do Brasil. A forma mudou mas a substância mantém-se: agora são as múltiplas empresas municipais, encarregadas das tarefas que deviam competir à Câmara e alimentando as bases dos partidos que nos devoram.

A questão das casas e as toscas explicações de Ana Sara Brito são apenas um sintoma deste ambiente: há uma nomenclatura municipal que se sente com direito aos impostos cobrados em Lisboa - e se a derrama, o IMI e o IMT não chegam cria-se uma taxa sobre os esgotos. A apropriação de fundos públicos sob a aparência de legalidade é um sugadouro infindável.

O drama para António Costa é que para governar neste ambiente é melhor Santana Lopes. Se se trata de música e de fardamentos novos, de terrenos para o Benfica e o Sporting então ninguém bate Santana (em especial se a dívida que criou estiver meio paga). Por isso, ou António Costa, mesmo com maioria que tem, dá sinais claros de limpar Lisboa ou perde a única vantagem que pode ter em relação a Santana Lopes (n. b. Santana, 2001, 131.094 votos; Costa, 2007, 56.751 votos).

Claro que estas políticas não agradam ao aparelho do PS com os seus arranjinhos com o PSD, mais umas migalhas para o PCP que também é gente.

As bases dos partidos existem para conseguir favores e lugares, querem a sua multiplicação e não a sua redução. Não lhes interessa que as empresas municipais sejam eficientes e deixem de ser geridas com o rigor do tarot. As bases odeiam os gestores chatos que pensam nos custos, na eficiência e na lei, em vez de se concentrarem no bem-estar dos apaniguados. Por isso, uma gestão dura das empresas municipais extinguindo as que são casos incuráveis de corrupção e compadrio seria uma traição ao aparelho.

Contra isto os lisboetas não vão fazer barricadas: votam com os pés, procuram casas mais baratas nos arredores e deixam Lisboa que envelhece e perde população.

António Costa não é um político como os outros. Mas esse facto tem tido dificuldade em passar. Ainda vai passar menos se António Costa, no ano que lhe resta, continuar a pactuar com a nomenclatura municipal com os seus pequenos e grandes arranjinhos.

PS - A CNPD não autorizou a instalação de vigilância nos táxis. Uma decisão sensata: com o desemprego actual, não há qualquer dificuldade em substituir um taxista assassinado.

Fiscalista

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António Costa é o retrato perfeito do português
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 15:12 | Domingo, 26 de outubro de 2008
A primeira vez que ouvi falar desse político foi numa reportagem do finado "Tal e Qual" aqui há uns bons anos, onde se abordavam as falcatruas financeiras cometidas por alguns políticos. Na referida reportagem apareciam os nomes de Paulo Portas - que tinha uma dívida de 7000 contos (foi antes do Euro) nas Finanças - e António Costa, do PS, que não tinha declarado às Finanças o valor real de um apartamento que comprara há pouco tempo. Ora, Paulo Portas eu já o conhecia da televisão, portanto não foi novidade nenhuma, até porque o mesmo jornal já tinha andado a denunciar o caso do Jaguar da Moderna (coisas da fradaria, mas da maçónica, não é verdade?) só que em relação a António Costa, foi a primeira vez que ouvi falar dele. Como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica, como tal, a impressão com que fiquei desse político foi a de que ele não era melhor do que os outros. No entanto, fazendo jus ao espírito do tempo, ele lá conseguiu atingir o topo da hieraquia do partido, portanto vemos que Portugal premeia os bons portugueses e castiga os maus. Acho bem ...

Eu só estranho mesmo é que o articulista tenha receio de que "a Câmara consiga mudar António Costa". É que é impossível mudar alguém que nunca deixou de ser aquilo que é e que, pelos vistos, até se adapta bem às situações de compadrio que existem por essa e por outras Câmaras deste miserável país e que tão bem descrevem o Portugal moderno.
 
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A CML são 13.000 funcionários
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 13:31 | Segunda feira, 27 de outubro de 2008
SO 13mil...!?! com tanto desempregado e pedinte a viver em Lisboa bem que podiam dar mais uns empregosinhos a quem realmente precisa, e nao era preciso ir para os ordenados pornograficos de alguns "assessores", bastava uns 1500euritos e voila deixava de haver desemprego os centros comerciais enchiam o pessoal continuava a ir ao futebol e isso das casas...caramba deixem nos la dar umas quantas casinhas.
Sejam felizes
 
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