Web 2.0 De todos os conceitos que entraram no dicionário tecnológico da primeira década do século XXI há um que se destaca entre os demais: a Web 2.0. O termo cunhado por Tim O'Reilly em 2004 marca uma mudança de paradigma na forma como nos relacionamos com a Internet. Ela não é mais uma mera tecnologia ao serviço de milhões de pessoas mas um ambiente de interacção onde convergem inúmeras linguagens, tecnologias e motivações. A Web 2.0 é a mudança para uma Internet como plataforma, onde a regra mais importante, defende O'Reilly, é o desenvolvimento de aplicações "que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usadas pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva". A palavra-chave aqui é colaboração: com a Web 2.0, a Internet deixa de ser uma mera tecnologia de comunicação para se afirmar como uma plataforma de suporte para a produção de conteúdos, dando aos utilizadores a possibilidade de participarem, gerando e organizando as informações. Mais do que uma tecnologia, é uma atitude que tira proveito de um conjunto de tecnologias que cumprem várias funções (em simultâneo ou não): colaboração entre utilizadores, livre (e fácil) difusão de conteúdos, interacção social. Bons exemplos desta nova era são a Wikipédia, uma enciclopédia livre e gratuita, que pode ser desenvolvida com a colaboração de qualquer internauta, ou os chamados media sociais como o YouTube, o principal site de partilha de vídeos em formato digital, considerado pela revista americana "Time" a invenção do ano em 2006, ou o Flickr. Outro expoente desta nova geração de aplicações e serviços que revolucionaram o século XXI são as redes sociais na Internet, como o MySpace, o Facebook ou o Twitter.
Pen drive Pergunte a uma criança de dez anos o que é uma disquete e, provavelmente, ela fá-lo-á sentir-se um dinossauro. O dispositivo portátil de armazenamento de arquivos informáticos da primeira década do séc. XXI é a USB flash drive, popularmente conhecida como pen drive ou apenas pen. Lançadas no mercado em 2000, as memórias flash não só superaram depressa a capacidade das disquetes (as primeiras pens da IBM, de 8MB, tinham já uma capacidade cinco vezes superior à das disquetes de então, mas chegam hoje aos 256GB, o que permite guardar, por exemplo, mais de 17 mil minutos de vídeo), como tornaram o processo de armazenamento de informação mais prático e resistente. Indispensáveis nas escolas, no mercado de trabalho e até na vida privada, assumiram-se não só como um "gadget" tecnológico mas também como um artigo decorativo: o formato padrão, rectangular e achatado, tem sido acompanhado de outras formas mais criativas, incluindo carros, aviões, dedos, ursos de peluche, canetas, moedas e até...granadas. A prova de que a criatividade, à semelhança da tecnologia, parece não ter limites.
Streaming Há uma dezena de anos, para ver na Internet um pequeno vídeo de alguns segundos era preciso descarregar todo o ficheiro para o PC. A tarefa exigia horas de paciência. Graças ao "streaming", o internauta não precisa de fazer o download de um ficheiro para ver um filme ou ouvir a última música do seu artista preferido. A tecnologia que veio acabar com este martírio foi desenvolvida na última década do século XX, mas só se popularizou nos anos mais recentes. Chama-se "streaming" e veio permitir a reprodução de um ficheiro de vídeo ou música digital quase em tempo real (é necessário esperar alguns segundos para que o servidor onde está armazenado o ficheiro transmita o primeiro pacote de dados, um processo conhecido por "buffering"). A tecnologia é usada, por exemplo, por muitas rádios ou TV's digitais para fazerem as suas transmissões na Internet ou para a visualização de "video on demand".
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Leitores de mp3 O formato digital que chegou ao mundo da Internet nos anos 90 e que se transformou na escolha de eleição na troca de música "online" saltou da Web para as ruas e mudou a forma de vender e consumir música. A tecnologia mp3 permite comprimir os ficheiros de áudio, reduzindo o seu tamanho, mas com uma qualidade próxima de um CD. As vantagens da compressão são óbvias: o ficheiro fica mais pequeno e, logo, mais fácil de enviar para alguém ou descarregar da Internet. Por isso, os leitores de mp3 conseguem guardar muito mais músicas que os antigos leitores de cassetes e CDs, permitindo ainda escolher as faixas preferidas e ordená-las na sequência em que pretendemos que toquem. São capazes não só de armazenar e reproduzir ficheiros de áudio em distintos formatos, como guardar vídeos e fotografias e, em alguns casos, até gravar voz em formato digital. Alguns leitores, como o iPod Nano, são tão pequenos como um selo, tornando-se, por isso, muito mais fáceis de transportar. Embora estes aparelhos tenham sido lançados na Coreia em 1998, foi só na primeira década do século XXI que se tornaram, primeiro, numa afirmação de estilo e vanguarda tecnológica e, depois, num fenómeno de massas a que não escapam nem jovens nem adultos.
Câmaras digitais Embora vários modelos tenham sido introduzidos no mercado nos anos 90 do século passado, foi só na primeira década deste século que a progressiva redução no tamanho e no preço das câmaras digitais, aliada ao aumento da qualidade desta tecnologia, reduziram os modelos analógicos e a película de 35 mm a um culto dos puristas da fotografia. A migração das câmaras digitais para os PCs, os portáteis e, sobretudo, os telemóveis, despoletou aquela que é a revolução mais marcante deste século: a revolução da imagem. Graças aos telemóveis e à Internet, uma imagem, seja ela a do nascimento de um filho ou a de um desastre aéreo, pode, em segundos, atravessar o planeta. A fotografia (e o vídeo) digitais ajudaram as notícias a percorrer o mundo de forma mais rápida, ao mesmo tempo que fomentaram novas formas de relação humana, com a partilha dos instantâneos da nossa vida nas redes de relacionamento social da Internet. A possibilidade de divulgação quase instantânea de notícias fez também emergir uma nova tendência: o jornalismo do cidadão, que abre a porta a qualquer pessoas participar de forma activa na divulgação de conteúdos (de texto, mas sobretudo de imagem), uma tendência em muito favorecida pela evolução de telemóveis equipados com câmaras digitais.
Smartphones Primeiro foi o telefone: a invenção que nos permitiu comunicar para qualquer parte do mundo. Depois foi o telemóvel, a invenção que nos permitiu comunicar a partir de qualquer parte do mundo. O futuro, contudo, pertence à última evolução da telefonia: os smartphones, a tecnologia que colocou o mundo dentro de um telefone. Ainda que tenham começado a ser desenvolvidos no final do século passado, foi na primeira década do séc. XXI que os smartphones começaram a sua afirmação como um meio global, o computador que cabe no nosso bolso. Graças ao desenvolvimento da rede 3G, dispositivos como o iPhone ou o Blackberry permitem aceder à Internet, tirar fotos, ver vídeos e filmes, ouvir música ou usar o GPS. Para muitos, são apenas o acessório da moda no momento, mas, no futuro, já não saberemos prescindir deles. Serão o comando universal para várias facetas da nossa vida: com eles projectaremos imagens de TV em alta definição numa tela ou parede (através de um micro-projector incorporado no terminal), ajustaremos a temperatura da casa ou pagaremos a conta de supermercado. Ah, e também poderemos fazer chamadas. Em vídeo-conferência, claro.
Wi-Fi Há 10 anos, quando dei os primeiros passos no jornalismo, para enviar este texto para a redacção precisaria de cabos que me permitissem ligar à linha telefónica, programas de acesso à Internet e muita paciência. Hoje, graças a uma pequena caixa a que chamam "router", que distribui o sinal de Internet por uma área equivalente a um campo de futebol, posso fazê-lo aqui do escritório de casa, mas também sentado no sofá da sala, deitado na cama ou enquanto relaxo no jardim. Posso até sair de casa e enviar o artigo enquanto tomo café ou no intervalo das compras no centro comercial mais próximo. Sem cabos e sem ruído. Rápido e eficiente. A tecnologia que permitiu esta revolução chama-se Wi-Fi e não é mais que a tecnologia de ligação à Internet sem fios. Hoje, todos os portáteis comercializados já integram dispositivos para captar os sinais das redes sem fios. Não nos basta ter onde possamos aceder à Internet. Queremos poder ligar-nos em qualquer lado. E, não menos importante, de forma gratuita, uma tendência que se expande em muitos locais e que se generalizará aos terminais móveis.
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GPS A primeira década do novo milénio fica marcada por uma revolução na forma como nos relacionamos com o espaço urbano: a integração de receptores de GPS (acrónimo em Inglês de Sistema de Posicionamento Global) em dispositivos móveis, como os carros, relógios e telemóveis, entre outros. Além de fundamentais nos sistemas de navegação área, marítima e terrestre, os receptores de GPS permitem hoje a qualquer pessoa saber as coordenadas exactas da sua localização e, graças a um simulador, encontrar o caminho para determinado local. A tecnologia tem beneficiado o trabalho de guardas florestais, geólogos, pescadores, arqueólogos, etc., bem como as actividades de lazer de ciclistas, balonistas, ecoturistas e outros aventureiros que precisam de orientação. A generalização do GPS permitiu ainda o surgimento de um novo conceito: a agricultura de precisão. A incorporação de um receptor de GPS nas máquinas agrícolas permite armazenar dados que, com a ajuda de um programa específico, podem traçar um mapa de produtividade da lavoura e optimizar os processos agrícolas.
Netbooks Em 1981, o primeiro PC da IBM pesava quase 12 quilos (só o teclado chegava aos 2,7 quilos), tinha a capacidade de uma calculadora de hoje e os mais de 1500 dólares que custava só eram acessíveis a algumas bolsas. Com os anos, os computadores tornaram-se mais potentes, mas também mais baratos, pequenos e, sobretudo, portáteis, permitindo aos utilizadores levá-los para qualquer lado. Até ao momento, a grande revolução introduzida no mercado dos computadores do séc. XXI são os netbooks, que substituíram os portáteis nos padrões de consumo de milhões de pessoas em todo o mundo. Se ainda não tem, é muito provável que o próximo computador que comprar seja um netbook. É um aparente paradoxo, porque estes mini portáteis têm muito pouco de revolucionário: são essencialmente versões mais pequenas e menos equipadas dos seus irmãos mais velhos. A grande revolução operou-se sobretudo pelo preço (partir de 200 e poucos euros) e pela ultra-portatibilidade (pesam menos de um quilo em alguns casos) que, aliada ao advento da Internet móvel, os tem tornado objectos indispensáveis na vida de cada vez mais pessoas. Num futuro não muito distante a revolução chegará também à tecnologia. Os netbooks de amanhã não se limitarão a ser apenas mais pequenos, mais leves e mais baratos; impulsionarão a criação de novos processadores (ou a adaptação, por exemplo, dos processadores ARM usados nos MP3 e telemóveis, entre outros dispositivos) e o uso de sistemas operativos alternativos ao Windows, como o Linux, o Xandros ou o Ubuntu.
E-paper (papel electrónico) Imagine um ecrã portátil, flexível e transparente, do tamanho de uma folha A4, tão fino como um cartão de crédito. Imagine que o pode dobrar num canudo para o transportar facilmente e depois desdobrá-lo em casa, no comboio, num café ou no trabalho, para consultar as notícias do seu jornal favorito ou ler a última novidade literária. Pode soar a ficção científica mas a realidade começa a ganhar forma graças aos avanços numa área conhecida como electrónica transparente. Na nova era do papel electrónico, o Kindle, o pequeno leitor de e-books da Amazon, disponível nos mercados internacionais desde Outubro, será quase uma peça de museu. Editores de livros, revistas e jornais vão virar-se para soluções que ofereçam ecrãs maiores mas retrácteis e, eventualmente, a cores, o que lhes permitiria, de uma assentada, diminuir os custos com a impressão e distribuição, reduzir a factura ambiental devido ao abate de árvores e atacar uma geração divorciada do papel tradicional. Será o advento de uma espécie de iPod do texto, uma forma simples de transportar materiais de leitura para qualquer lado. E não será apenas o mundo editorial a beneficiar: imagine, por exemplo, as etiquetas de produtos nas prateleiras dos supermercados cujos dados podem ser alterados através de uma simples comunicação sem fios.
(Textos publicados na Revista Única, edição 31 Dezembro 2009)