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Números sobre educação que o vão espantar

8:00 Segunda feira, 17 de março de 2008

Estamos habituados a falar da educação, da paixão sobre a educação como se Portugal fosse um país que investe pouco nesse sector. No actual debate em curso talvez seja altura de dizer com todas as letras que é mentira!

Não interessa o Governo, nem o ministro. Entre 1995 e 2004 (dados do último relatório da OCDE, disponível "online") Portugal gastou mais em serviços de Educação, e em relação ao seu PIB (portanto em percentagem da riqueza que cria), do que a Holanda, a Suíça, a República Checa, o Reino Unido, o Luxemburgo, o Canadá, a Grécia, a Espanha, os EUA, o Japão, a Estónia, a Irlanda ou a Eslováquia, por exemplo. Claramente acima de Portugal, só a Suécia e a Dinamarca.

Se alguns destes países têm PIB monstruosos, outros, como a República Checa, a Grécia ou a Eslováquia são comparáveis. E apesar de gastarem menos têm resultados claramente melhores. Qual é o problema?

O problema pode não ser público, mas privado. Constituir uma escola privada em Portugal deve ser mais difícil do que constituir um banco ou uma companhia de seguros. Na verdade, em Portugal, quase todo o investimento nas escolas é público. Só seis países dos 35 da OCDE (Islândia, Nova Zelândia, Israel, Suécia, Noruega e Dinamarca) gastam mais dinheiro público em instituições escolares. Mas se ao público somarmos o privado, Portugal passa para 17º lugar. Atrás do Chile, por exemplo, mas mesmo assim ainda à frente da Holanda e da República Checa.

Quer isto dizer que investimos de acordo com a média dos países desenvolvidos, mas que quase todo o esforço é público. Apesar de tudo, as melhores escolas, veja-se os "rankings", são privadas. Os resultados na educação são péssimos e não é por falta de dinheiro. Será por falta de condições de quem ensina? Passemos aos salários dos professores para ver o que se passa.

Os professores, em Portugal, após 15 anos de experiência (número-padrão utilizado pela OCDE), ganham 1,62 do PIB "per capita". A média dos 19 países da Europa contabilizados na OCDE é de 1,41; a média de toda a OCDE (já com os EUA, a Rússia, o Japão, a Austrália, etc.) é de 1,36. Não estamos mal.

Melhor só na Alemanha, Holanda, Suíça e Turquia.

Estes são os números, os resultados são péssimos e a OCDE tem mais um terrível - Portugal é o país onde mais se depende do estrato social para chegar ao fim do secundário.

Depois de anos de "eduquês" e discursos sobre a igualdade, é tempo de mudar. Não há discursos ou ideologias que resistam a factos, a menos que queiramos todos continuar na lua.

Henrique Monteiro

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Falhas de raciocínio de espantar
Manuel Almeida (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 10:34 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Henrique Monteiro apresenta números e sobre eles retira conclusões opostas ao que eles dizem. Vejamos porquê com dois exemplos simples.

Primeiro

Imaginemos a pessoa A que ganha 500 moedas e a pessoa B que ganha 2,000 moedas. Isto é a pessoa B ganha 4 vezes mais que a pessoa A. Imaginemos que os dois são portugueses. Imaginemos que os conhecemos.

Imaginemos também que mandar um filho à escola custa 50 moedas (transportes, livros, comida, mochila, lápis, canetas, compassos, material desportivo, etc.). Assim, gastando ambos o mesmo em moedas, o primeiro gasta 10% do seu rendimento com a educação do filho e o segundo apenas 2,5%. O rendimento médio dos dois é de (500+2,000)/2=1,250 moedas e o gasto com educação médio é de (50+50)/2=50 moedas. Pelo que 50/1,250= 4% é o gasto percentual médio.

Imaginemos agora que Henrique Monteiro (HM) é o patrão da pessoa A que se vem queixar que o seu ordenado é insuficiente. HM explica-lhe que não é verdade, pelo contrário, o que acontece é que está a gastar mal. Está a gastar 10% do seu rendimento em educação do filho quando devia gastar apenas 4% que é a média, e que algumas pessoas mais eficientes conseguem mesmo gastar apenas 2,5%.

Convencida a pessoa A regressa a casa e faz as contas. Deve gastar 4% do que ganha em educação: 4%*500=20 moedas. Tem de cortar em algum lado. O que cortar ? Corta no material escolar, já que o passe é indispensável para o rapaz chegar à escola, e o filho lhe assegura que não consegue viver sem comer todos os dias. No final do ano o rapaz que era bom aluno reprova. Porque será?

Fazer contas com percentagens não adianta. HM devia sabê-lo. Só serve para levar ao desastre. Sabemos que a Grécia, a República Checa são países mais ricos que Portugal.

Se HM quisesse ser rigoroso deveria dizer que enquanto formos mais pobres o mesmo investimento em educação se traduzirá sempre numa maior percentagem em relação ao PIB. Não é ineficiência é ... aritmética.

O mesmo raciocino (aposto que HM consegue, desta vez, chegar lá sem ajuda) se aplica em relação aos ordenados dos professores.

Segundo

Portugal é o país em que a educação mais depende do estrato familiar. É o PISA que o vêm demonstrar e dizer claramente.

Imaginemos o aluno H filho e neto de professores universitários. A partir dos 3 anos os pais começam a ensina-lo a ler e a escrever e mesmo a fazer contas. Quando entra para a escola primária já sabe ler, escrever e boa parte da aritmética. Tem livros em casa, ouve música erudita, vai ao cinema e já foi mesmo ao teatro. Visitou todos os museus da cidade em que vive.

Imaginemos o aluno M, pais analfabetos, trabalhando 10 horas e demorando mais uma para chegar ao emprego. Ao todo 12 horas fora de casa. Mal vê os pais. Quem toma conta dele é a irmã mais velha dois anos. Não tem livros em casa. Nunca foi ao cinema, nem ao teatro, nem entrou em qualquer museu.

Quanto custa a escola primária de cada um destes alunos para que o resultado ao final dos 4 anos seja igual ? Será o mesmo para os dois? Qual custará mais?

Não parece haver dúvidas que o custo do aluno M deverá ser muito mais caro (em moedas) do que o do aluno H.

O mesmo se passa entre países. O ensino elementar em Portugal para os mesmos resultados deverá custar muito mais (em moedas) do que o ensino na Suécia (já que o nosso nível cultural é muito inferior). É o que se passa?

 
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    Re: Falhas de raciocínio de espantar    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 10:48 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Esclarecimentos    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 11:29 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Esclarecimentos    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 12:48 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: A cartilha do Savimbi.    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 18:22 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: A cartilha do Savimbi.    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 8:17 | Terça feira, 18 de março de 2008
    Re: A cartilha do Savimbi.    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 11:31 | Terça feira, 18 de março de 2008
    Re: A cartilha do Savimbi.    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 14:53 | Quarta feira, 19 de março de 2008
    Re: A cartilha do Savimbi.    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 23:32 | Quarta feira, 19 de março de 2008
Estatísticas
Mamaevovo (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:24 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Adoro estatísticas, só queria saber quem é que bebe o meu vinho e se será o mesmo que me dá os cigarros dele!
A e B recebem o mesmo para gastos de casa, A gasta o dinheiro todo em alimentação porque gosta de trazer a família alimentada correctamente, em contrapartida B gasta o mínimo em alimentação tem a família subnutrida e sobra-lhe dinheiro para comprar aquele "plasma".
O que se passa com os gastos da educação é mais ou menos o mesmo.
Visitei uma escola básica em 2001, lá estava o computador com que o eng. Guterres equipou as escolas, fiquei pasmada quando a professora me disse:
«Os miúdos é que me ensinam, pois destas tecnologias não percebo nada».
Pergunto eu, que sou meio parva: não teria sido preferível não distribuir tantos computadores e só os atribuir depois de os professores terem sido qualificados para os usar?
O facto de se gastar uma percentagem maior do PIB, não quer dizer que se esteja a investir correctamente ou pode querer dizer que para acertar o passo com os que já gastam menos seja necessário gastar mais.
 
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Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 14:15 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Estatísticas    Ver comentário
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 14:56 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Para inglês ver    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:19 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Para inglês ver    Ver comentário
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 7:56 | Terça feira, 18 de março de 2008
ora...
mascas (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 14:12 | Segunda feira, 17 de março de 2008
aqui está um dos aspectos mais evidenciados das politicas educativas em portugal...que se gasta muito dinheiro mas que não se tem resultados...da experiencia que acumulei trabalhando a montante do sistema de ensino, na formaçãop profissional o que posso ver é que a maioria dos jovens não entende a escola...algo tão simples e no fundo complexo como isto...são mandados para lá por obrigação na sua maioria, os pais como foi brilhantemente exemplificado no post do caro Manuel Almeida são totalmente determinantes no percurso e aproveitamento escolar dos filhos seja não só pelo acompanhamento prestado mas acima de tudo pelo enaquadramento que dão á importancia da escola no planeamento de vida e no projecto de realização dos filhos...resumindo ninguem entende o papel da escola e muito menos o explica ás crianças os objectivos e pretensões do percurso escolar, é-lhes apresentado quase como uma fatalidade inevitável, enfadonha e em muitos aspectos frustrante devido á incapacidade de enquadrarem na sua experiência de vida o que lhes é transmitido na instituição escola...aos adultos falta a compreensão de uma realidade acelerada funcionalmente até á velocidade da luz num espaço de tempo demasiado curto para que se tenham sequer apercebido do rompimento da velocidade do som, ou se quisermos o salto que de newtom, se deu para einstein e que se discute em heisenberg...ainda andam perdidos na relatividade, sem perceber a mecânica e demasiado distantes da quântica, sobre a qual decidem e pseudo projectam...são raciocinios demasiado lentos e estratégias demasiado rigidas para a elasticidade que o próprio sistema neurológico humano já provou ter, assim como para a realidade que se apresenta para os jovens "contaminada" pelo trabalho de algumas das melhores mentes e sistemas de indução criados e sustentados por todo o sistema em que coabitam, e em contraponto para que eles compreendam e consigam escrutinar e interpretar o que os envolve são-lhes dados mecânicas e estratégias que nem estratégia comportam, despejam-lhes conteúdos e conceitos em cima muitas vezes nem compreendidos na sua totalidade por que os ministra e como é apresentado sem uma inter ligação com o que a realidade produz torna-se frustrante e desinteressante...depois como em poucas casas há o indispensável complemento de filtragem e desconstrução da envolvente, como foi, volto a referir pelo caro Manuel Almeida, bem desenhado, uma pequena percentagem dos jovens se enquadra no sistema de ensino vigente...interdisciplinaridade, elasticidade pedagógica, projecto escola comunidade...coisas que dependem mais das pessoas que dos programas...haja vontade de todos
 
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Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 15:05 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: ora...    Ver comentário
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 15:33 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Caro Henrique Monteiro
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 10:36 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Isso de usar numeros e' um bocado cruel. A maioria das pessoas vai preferir insulta-lo e chama-lo de fascista a aceitar que o que diz e' perfeitamente correcto.

Uma das coisas que ficou da celebre gaffe de Guterres foi a intencao de colocar o pais a gastar 5% do PIB num das suas paixoes. Lembro-me bem que em dois ou tres anos ele conseguiu atingir essa despesa com grande sucesso. Claro que nos nao notamos grande diferenca no pais, mas enfim... a promessa era mesmo a de gastar mais dinheiro.

Portugal tem professores a mais, e continuamos a produzir mais como se nao tivessemos nenhuns. Por outro lado impedimos alunos com medias altissimas de serem medicos, quando eles querem se-lo e o pais precisa deles. Continuamos a nao ter qualquer tipo de planificacao governamental para: 1) quais sao as profissoes que o pais necessita; 2) quais as areas universitarias e tecnicas em que o estado deve investir; e 3) quais as areas que o pais tem que desinvestir.

Um comentario mais para o seu anterior artigo de opiniao, tambem sobre a educacao. Acho que as suas propostas muito razoaveis, e todas elas ja foram testadas com sucesso em outros paises. Deve ser mesmo a nossa "especificidade cultural" que as torna impossiveis para Portugal...

 
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    Re: Caro Henrique Monteiro    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 18:02 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Professores a mais?
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:03 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Não sei se existem professores a mais. Quantos professores existem por crianças em idade escolar? Qual é esse racio nos outros países? Não sei. Seria interessante que quem o soubesse disponibilizasse a informação.

Sei apenas que Portugal é o país da Europa com maior taxa de abandono escolar e com as mais baixas habilitações. Será que existe excesso de professores, ou déficit de alunos no ensino?

Nos números que Henrique Monteiro divulga na página 6 vê-se que em Portugal mais de 50% dos alunos não completa a educação secundária (12º ano). Pior que Portugal só a Turquia e o México. Não completa porque desistem, porque começam a trabalhar. Se tivéssemos nas escolas os mais de 50% de alunos que não terminam os estudos teríamos professores a mais?
 
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    Re:Numeros servem a quem e para quê?    Ver comentário
CaçAventesmas (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Mudar para onde?
CaçAventesmas (seguir utilizador), 1 ponto , 12:23 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Estamos fartos de números.

Queremos é uma melhor politica. E tudo começa com melhores salários para as famílias. Depois uma educação pensada, nacional, e não partidária à medida do partido do punho.

Ponto da Situação, de uma escola secundária do Seixal.

www.montidubotas.blogspot.com
 
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    Re: Mudar para onde?    Ver comentário
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:57 | Terça feira, 18 de março de 2008
INDEPENDENTE DOS EUROS GASTOS
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Segunda feira, 17 de março de 2008
A questão em Portugal, como já, há muito, está diagnosticado não é sobretudo uma questão do dinheiro investido, portanto esta é uma falsa questão.

          Em Portugal o problema é, por um lado, o da eficácia e da estratégia dos investimentos, onde e como se investe e com que resultados, e, por outro ,de organização, como se constituem, as Instituições, gerem os seus recursos e promovem a excelência.

          Sem se resolverem as questões organizacionais, a da selecção e promoção da excelência, por mais dinheiro que se gaste, os resultados serão mediocres, sobretudo nas profissões em que a motivação intrinseca é fundamental, como é o caso dos professores, os médicos, as força militares e de segurança.

        Se pode ser verdade que o ensino privado secundário é de boa quelidade, de modo nenhum o mesmo se verifica no ensino Superior que estando mal para os alunos não se discute, porque está muito bem para os professores, porque ganham e não estão minimamente obrigados a dar aulas, sobretudo nas Faculdades Públicas.

            Esta pequena nota dá um sinal do que se discute, quando se fala do ESTADO DA EDUCAÇÃO, até pareça que se está a discutir mais a SITUAÇÃO PROFISSIONAL dos PROFESSORES. SERÁ?

andrade da silva
 
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Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 16:35 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: As estatisticas e os dados são fundamentais    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:24 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: INDEPENDENTE DOS EUROS GASTOS    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 15:34 | Quarta feira, 19 de março de 2008
Sr. Henrique...
CaçAventesmas (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Ainda há bem pouco ouvi a sra. Filomena Mónica dizer que argumentar com numeros é a melhor maneira de enganar as pessoas. Dão para tudo.

Evidentemente, que muita gente já sabia disto, até eu e o sr. Henrique. Com uma diferença, a profissão do sr. Henrique exige que se continue a querer manipular e ensandecer a opinião publica com números. O governo faz o mesmo. Todavia, com cada vez menores resultados ou mesmo contraproducentes.

Politiqueiros de pacotilha.
 
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Cartas do Comendador
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 16:07 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Permitam-me que aconselhe, os interessados neste assunto, a lerem as "cartas abertas do Comendador Marques Correia", desta semana .
A brincar, a brincar aborda um dos principais problemas do nosso ensino: a disciplina/indisciplina nas aulas.
 
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Sobre a EDUCAÇÃO...
AFDO (seguir utilizador), 1 ponto , 16:13 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Nem sei por onde começar e sinto-me particularmente descomprometido para falar sobre este assunto. Não sou Professor e os rendimentos da minha família não dependem do ensino. Mas sou Pai de 4 filhos e de 5 num futuro breve, pelo que sou particularmente sensível a este assunto.

O problema da Educação, assim como a maior parte dos problemas do nosso país, é estrutural.

Existem, de facto, Professores a mais em Portugal, essencialmente porque, nós, o Estado, continuámos a formar Professores ao mesmo ritmo, se não a um ritmo superior, que formávamos durante a década de 70 e 80. Contudo, nestas décadas, o número de crianças e adolescentes em idade escolar diminuiu significativamente, não só pelo aumento do abandono escolar, mas, principalmente, pela enorme diminuição da natalidade.

É por isto que temos Professores a mais.

Outro dos principais problemas da Educação em Portugal é de facto o ponto de partida. Partimos muito atrás dos nossos "amigos" europeus sobretudo dos últimos. E, além disso, temos, se me permitem, um dos piores índices de cidadania da Europa.

Por isso não me espanta o que se gasta com a educação nem o que se paga aos Professores. Considero que os Professores até poderiam exigir mais condições de trabalho, como por exemplo (só um, porque haveria muitos), terem um local onde trabalhar quando não estão a dar aulas, que não a sala de Professores, uma vez que concordo com as horas que os Professores têm que estar nas Escolas. É, também, evidente, creio que até consensual entre os Professores, que têm que ser avaliados. Se não concordam com o sistema proposto pelo Ministério da Educação, então lutem por outro, mas têm que ser avaliados para se poderem distinguir os bons dos maus Professores. Não me chocaria sequer que um dos itens da avaliação fosse a pontualidade, onde sinto, pela experiência que tenho com os meus filhos, que os professores mais falham.

Outro dos problemas é o pouco que se exige aos alunos e, sobretudo, aos pais. No dia em que os pais tiverem que custear a educação dos filhos no ensino público no caso de não terem aproveitamento, por serem manifestamente mandriões, quando não meio delinquentes, a atitude dos pais mudará certamente e, consequentemente, a dos filhos.

Atrevo-me até a propor um sistema que exigiria muito a alunos e Professores e que poderia contribuir, também, para a avaliação dos Professores.

Exames a nível Nacional todos os anos, iguais para todos os alunos e Escolas.
Quanto maior for a diferença, em valor absoluto, entre as notas da avaliação contínua e as do exame a nível nacional, pior a avaliação do Professor, quanto mais próximo de 0 (zero) melhor a avaliação do Professor. Quanto ao que isto faria pela exigência

É a velha teoria dos dois coelhos e de apenas uma cajadada.
 
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    Incentivos errados    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 16:44 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Sobre a EDUCAÇÃO... Profs a mais.....    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 18:05 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Sobre a EDUCAÇÃO... Profs a mais.....    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 1:45 | Terça feira, 18 de março de 2008
Farto de aldrabões!
Alfredo Censurado (seguir utilizador), 1 ponto , 16:53 | Segunda feira, 17 de março de 2008
- Em 2000, um barril de petróleo custava 63USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=0.90USD).
- Em 2008, um barril de petróleo custa 98USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=1.40USD).
E a Galp com aumentos obscenos nos lucros todos os anos!
E o governo a arrecadar milhões em isp todos os anos!
...
E a EDP com aumentos obscenos nos lucros todos os anos!
E a Brisa com aumentos obscenos nos lucros todos os anos!
E a Banca com aumentos obscenos nos lucros todos os anos!
.....
Sócrates vai-te embora, não desgraces mais as familias portuguesas!
 
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    Re: Farto de aldrabões!    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 17:31 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Farto de aldrabões e "mete-nojo" obscurantista    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 19:10 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Analisem os dados
Pseudo... (seguir utilizador), 1 ponto , 19:19 | Segunda feira, 17 de março de 2008
http://translate.google.c... X&oi=translate&resnum=2&ct=result&prev=/search%3Fq%3Docde%26hl%3Dpt-PT

http://www.min-edu.pt/np3...

http://www.gave.min-edu.p...

Para que todos possam analisar um pouco melhor os dados...
 
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    Re: Analisem os dados.    Ver comentário
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 20:58 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Interpretações
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:07 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Os números e factos que o director do Expresso nos revela, não são grande surpresa, pelo menos para mim.
Para além de todo o género possível de interpretações que se podem (sempre) fazer sobre as voltas e voltinhas a que os mesmos nos conduzem, há factos e situações que duma forma global, serena e objectivamente, sem pré-conceitos e pré-juizos, podemos constatar.
1- O sector da educação tem gasto, desde 1995, sempre mais dinheiro (excepto nos últimos dois anos), com o presumível propósito de melhorar o nosso ensino, porque o ensino, melhor dizendo, a educação, é o factor-chave mais importante que temos para o futuro, blá, blá, blá. Isto é certo, em Portugal ou em qualquer país do mundo civilizado.
2 - O nível, em termos percentuais, do que temos gasto em educação em relação ao PIB é da mesma ordem de grandeza, ou ainda mais elevado, que a melhor média europeia.
3 - Os resultados deste investimento que o país, isto é, que os sucessivos governos deste país têm feito, podem considerar-se desastrosos. Como ainda hoje o bastonário da ordem dos Engenheiros frisou andamos a "formar" ignorantes, ou pouco menos: pessoas que não estão de todo preparadas para desempenhar satisfatoriamente as respectivas profissões. Pessoas "formadas" que escrevem e interpretam mal o português, dão erros de ortografia e de sintaxe a cada passo e que vêm do secundário com uma deficientíssima preparação em matemática e física. E em preparação cultural, que não é menos importante. Andamos, ao fim e ao cabo, a formar desempregados.
4 - Quem são os principais responsáveis por este muito grave insucesso? De diferentes maneiras somos todos, ou quase todos: a) o ministério com os programas forjados por insignes cabeças cheias de ideias "modernaças" e inconsequentes, sem uma política séria de disciplina para as escolas (para não criar "problemas" nem atritos...) e sem uma política rigorosa de formação, avaliação e selecção de professores. b) os professores cuja maioria não tem qualidades para o bom desempenho dessa nobre e importantíssima profissão, nem percebem que, nos dias de hoje, é cada vez mais fundamental a aprendizagem e o esforço continuados.
c) grande número das famílias que educam os seus filhos numa cultura de facillitismo e de permissividade, ignorando que disciplina não é repressão e autoridade não é autoritarismo.
5 - Os resultados estão à vista: uma geração de pobres ignorantes e incapazes (com as habituais excepções, que as há sempre), descontando aquela menor percentagem de alunos que vêm de bons colégios particulares reservados para as famílias de posses.
6 - A somar a toda esta "desgraça" temos, consequentemente, pessoas a fazer leis dum modo muito teórico e burocrático, cujos fundamentos e motivações até podem ser bons e necessários, mas que são cheias de incongruências e dificuldades de execução quando passadas à prática. São fabricadas por gente "de gabinete", cheia de conhecimentos teóricos e de saber especializado, mas sem uma noção e uma experiência da organização cultural e funcional da vida quotidiana. Estou farto de ver srs. doutores que acabam os cursos com boas classificações mas que ignoram olimpicamente as coisas mais comezinhas do dia a dia, que passam anos sem lerem um livro ou sem se interessarem minimamente por uma qualquer manifestação cultural.
7- A educação, em Portugal, é mais um gigantesco desperdício de dinheiro e de esforços a somar a tantos outros, como por exemplo, o da energia. Por todo o lado da nossa vida do dia a dia desperdiçamos tempo, dinheiro, energia, bens materiais mal ou nada aproveitados.
Será para sempre? Enquanto as bases duma sã sociedade - a educação e a instrução - não melhorarem significativamente não podemos esperar por melhores dias. Seja qual for o governo que esteja no poder.
8- O mérito deste governo é -pela primeira vez, talvez desde o 25 de Abril- ter tido a coragem e o reconhecimento da responsabilidade que este este estado calamitoso de coisas obriga a enfrentar. Certamente e inevitavelmente com erros e faltas. Que outra coisa poderíamos esperar ? Só um milagre... mas esses não são para países inteiros.
Nuno Costa

 
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    Re: Interpretações    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 21:50 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: Interpretações    Ver comentário
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Terça feira, 18 de março de 2008
    O seu a seu dono    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 23:05 | Segunda feira, 17 de março de 2008
    Re: O seu a seu dono    Ver comentário
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:23 | Terça feira, 18 de março de 2008
    Re: O seu a seu dono    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 23:03 | Terça feira, 18 de março de 2008
Crise
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 21:10 | Segunda feira, 17 de março de 2008
O Subprime amaricano (ainda) não trouxe gente a rua, apesar da sua dimensão de crise social.

Os grandes movimentos de rua não conseguiram mudar o mundo.

O musculo do dialogo, face to face, é mais forte que o braço de ferro.

 
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Quanto ganha um director de jornal?
farfalho (seguir utilizador), 1 ponto , 11:36 | Terça feira, 18 de março de 2008
No critério adoptado pela OCDE.

Não devia ganhar nada. Já que nada produz.
 
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