O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, defendeu ontem no Parlamento a necessidade de estudar todas as hipóteses que permitam reduzir a dependência energética, incluindo a opção pela energia nuclear.
Vítor Constâncio, que falava durante a apresentação do Boletim Económico de Verão do banco central, sublinhou a importância de Portugal adoptar "uma política energética diferente" que permita fazer frente à "alteração estrutural dos preços da energia".
"A alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear", afirmou o governador do banco central, defendendo que "tudo tem de ser feito para evitar a dependência energética".
As reacções não se fizeram esperar.
A Quercus acusou hoje o governador do Banco de Portugal de "ingenuidade e desconhecimento", uma vez que os ambientalistas consideram esta opção errada também do ponto de vista financeiro.
"Um dos principais argumentos contra o nuclear é que é muito insustentável do ponto de vista de custos", declarou à agência Lusa o dirigente ecologista Francisco Ferreira, apontando o exemplo das "enormes derrapagens" da central nuclear finlandesa.
"Só por ingenuidade sobre o sistema energético ou por desconhecimento das prioridades do ponto de vista de custo é que podem ter sido feitas as declarações do governador do Banco de Portugal", acrescentou.
Já a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) mostrou-se favorável a um debate sobre o nuclear, mas exortou os interessados a apresentarem todos os custos deste tipo de produção de energia.
O debate é sempre útil, até porque tem estado inquinado. A mentira permanente de não quererem fazer as contas leva à necessidade de um debate sério", disse à Lusa o presidente da LPN, Eugénio Sequeira o ambientalista.
"Quanto custa qualquer avaria numa central? Quanto custa o encerramento duma central?", questionou o ambientalista.
O ex-ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, entende que o recurso ao nuclear é a única forma de Portugal conseguir uma base energética estável, a par da utilização de outros tipos de energia.
"Com as energias renováveis havia quem julgasse que resolvia o problema, mas nunca com elas conseguimos ter uma base energética estável", afirmou Mira Amaral à Lusa.