|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
|
6:41 Quinta feira, 29 de abril de 2010
|
A melhor actriz do ano divorcia-se e anuncia que adoptou um menino de Nova Orleães. Cheque mate. Peço os vossos aplausos para a vencedora, Miss Bullock. É com ela que ficará o troféu de Mulher de 2010 Com Mais Classe.
Numa jogada secreta e alucinante que conseguiu envolver a revista People (na qual Sandra Bullock surge em capa da edição, nas bancas esta semana), um orfanato na Luisiana, todos os órgãos de comunicação social metediços, um bebé a sério, um processo de divórcio (absolutamente encharcado em sexo, mentiras e talvez vídeo), um ex-marido famoso e, claro, ela mesma com a vida num turbilhão, a actriz surpreende toda a gente com uma jogada multifacetada em que conseguiu rodear as circunstâncias mais escândalosas e delicadas para se afirmar como mulher em pleno controlo da sua vida.
Sandra anuncia na capa da People que não só já se divorciou, como está perfeitamente satisfeita e super ocupada e deliciada com o novo homem da sua vida: o bebé Louis, que ela adopta agora oficialmente e mostra nas páginas interiores como se, ao largo, nada tivesse acontecido. O sangue frio da actriz, revelando alguém com imensa inteligência aos comandos dos acontecimentos, tem espantado até os analistas com mais experiência nas lides da cultura popular e afirmação individual americanas.
Desde o momento em que o escândalo rebentou, poucos dias depois da ovação recebida a 7 de Março na maior noite da Academia, que Sandra Bullock simplesmente não aparecia em público. A última vez que foi vista: quando ainda promovia o filme The Blind Side em tudo que era secção vídeo de supermercado barato, porque era em lugares desse tipo, com a classe média tentando encontrar uma saída para a crise, que ela ia ao encontro do seu público, aquele que, nos cinemas do sul, primeiro fez dela a actriz mais bem sucedida do ano.
Mas, no momento em que as infidelidades do marido foram reveladas, Sandra Bullock sumiu-se mais depressa que um caracol. Há dias foi vista a fazer jogging em Los Angeles sem a aliança no dedo. Foi aí que começaram as especulações, de que o marido podia esquecê-la pois não havia esperança para o casal. Mas ninguém estava à espera que a oscarizada, apesar da sua reputação de trabalhadora incansável segundo a ética tradicional alemã, conseguisse manter-se firme nos seus planos de vida apesar de o mundo se ter esboroado à sua volta. Mas não há dúvida: pediu o divórcio no Texas e adoptou, como mãe solteira, o menino Louis Bullock. A vida dela continua.
Os documentos legais, terminando a relação marital com Jesse James, 4 anos mais novo que ela, dizem apenas que o arranjo matrionial se tornara insuportável por cauisa das muitas divergências e discussões.
Jesse James também já apareceu em público sem a aliança, e com ar de quem ainda tentava emergir de um pesadelo. Numa carta divulgada, James admite os desvios extra-conjugais, elogia a sua Sandy como quem reconhece erros cometidos e assegura que vai continuar a lutar "contra a montanha mais alta da minha vida", uma referencia as dificuldades que vai encontrar em reaver a mulher que ainda ama.
Também num documento divulgado, Sandra Bullock refere que a sua reacção às infidelidades começou por ser de espanto, acrescentando a seguir que "O que ele fez foi estúpido e inaceitável na minha vida. Não tenho espaço nos meus dias para manobras de medo, cenários nazis, dor ou homofobia".
O bebé, Louis Bardo Bullock, começou por ser um projecto do casal, mas Jesse James fica agora relegado ao papel de pai dos 3 filhos que trouxe para o casamento com Bullock. O pequeno Louis ainda não tem 4 meses mas a actriz declarou: "Não tenho outra maneira de o descrever: ele é simplesmente perfeito. É como se sempre tivesse feito parte da família". Sandra e Jesse começaram o processo de adopção há 4 anos mas o bebé só foi trazido para o lar adoptivo em Janeiro. O casal queria esperar pelos óscares para dar a notícia aos órgãos de comunicação social, mas os acontecimentos precipitaram-se.
No filme The Blind Side, que lhe deu finalmente o óscar após 20 anos de carreira em Hollywood, Sandra Bullock faz de mãe que adopta um menino negro. No discurso emocional de aceitação do prémio, a actriz referiu que o óscar era dedicado a todas as mães que, sem fazer demasiadas perguntas, cuidam das crianças abandonadas "porque essa a única coisa que deve realmente ser feita".
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles, AP
|
13:40 Sábado, 24 de abril de 2010
|
O sistema judicial da Califórnia confirmou hoje que Roman Polanski terá mesmo de voltar a Los Angeles para a leitura da sentença e cumprimento da pena aplicável.
A Suiça tinha, basicamente, pedido aos americanos que, na presença de actos cometido há 32 anos dos quais não resultaram vítimas ainda à espera de justiça, considerassem a possibilidade de revisitar o caso em tribunal sem forçar o arguido a estar presente. Foi por isso que pediram que um um juíz de instância superior confirmasse o pedido de extradição feito pela procuradoria distrital há cerca de 3 meses.
Hoje, em Los Angeles, Peter Espinoza, juíz do supremo tribunal da Califórnia reafirmou que: não, Roman Polanski não pode ser julgado e condenado in abscentia. Portanto: sim, tudo indica que o cineasta terá de ser recambiado à força.
Foi em Janeiro que ficara decidido por um juíz distrital que Polanski teria de comparecer em tribunal dos Estados Unidos no seguimento de um caso de violação e fuga. O realizador pedira para não ser extraditado, sujeitando-se assim à justiça americana mas sem a enfrentar. O compromisso não parece ter sido aceite: um tribunal superior ao primeiro confirma agora que Polanski não pode ser julgado à distância. Vai ter mesmo de comparecer na cidade que abandonou quando a polícia lhe tinha dado ordens para ficar.
Polanski começou por fugir para Londres, onde mantinha casa quando não estava a atrabalhar para os estúdios em Hollywood. Mas, por causa dos tratados entre o Reino Unido e os EUA, sentiu-se obrigado a procurar asilo em França, um país que lhe era familiar. Desde 2005 que as autoridades americanas têm a circular, com o nome dele, um mandato de captura internacional.
Depois de imposta uma caução de 4.5 milhões de dólares, Polanski mantem-se actualmente sujeito a prisão domiciliária no casarão que comprou em Gstaad. Polanski geralmente reside em Paris mas desembarcou no aeroporto de Zurique no seguimento de um convite que lhe havia sido feito pelo festival de cinema local.
Semanas antes, em Los Angeles, um dos jornais diários da indústria do cinema, o Daily Variety, referiu numa coluna marginal que Polanski iria ser beneficiado por uma homenagem em Zurique, e que os organizadores do tributo contavam com a presença dele. Tantos anos passados sobre os acontecimentos -- e sobretudo agora que até a Academia das Artes do Cinema lhe deu o óscar de melhor realizador, pelo filme O Pianista, com o qual Polanski confirmou que a carreira ia muito bem apesar de não trabalhar em Hollywood -- acredita-se que a polícia de Los Angeles tenha sido alertada pela notícia. Não foi a Interpol ou a CIA. Foi apenas uma notícia pequena escrita por alguém que, como muita gente, julgava que o caso estava, de facto, encerrado.
A Suiça tem-se visto entre a espada e a parede, tentando equilibrar o estatuto centenário de neutralidade com a necessidade de acalmar as autoridades americanas, ultimamente apostadas em regulamentar o sistema financeiro de modo a evitar outro colapso económico. Especula-se que a Suiça está a usar Polanski como moeda de troca na batalha mais recente que opoe a administração Obama aos segredos bancários que são o ganha-pão da maior indústria suiça.
O realizador de origem polaca encontrava-se a trabalhar em Hollywood quando, numa noite em 1977, na residência do amigo Jack Nicholson, recorreu a bebidas alcoólicas e medicamentação vária na companhia de uma menina de 13 anos que, mais tarde, o acusou de actos considerados predatórios e mesmo criminosos. Polanski seguiu, de início, os vários trâmites do sistema judicial americano mas, em desespero de causa e após ter sido sujeito a testes psiquiátricos e às muitas hesitações de um juíz pressionado politicamente, decidiu fugir para a Europa.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
0:32 Sexta feira, 16 de abril de 2010
|
Antes de ser Jackie Onassis a grande senhora era conhecida por Jacqueline Kennedy, esposa do Presidente americano assassinado em Dallas. Actriz Rachel Weisz aceitou agora responsabilizar-se por transpor tanto estoicismo estiloso para o cinema.
Rachel Weisz ganhou um Óscar em 2005 pela participação no «Fiel Jardineiro»
AP
Parece uma história contada no paraíso: Darren Aronofsky, o único realizador americano que consegue ser ao mesmo tempo lírico e realista duro que não desvia o olhar quando a vida se torna humilhante e repelente, aceitou que a protagonista do seu próximo filme seja a própria esposa.
O filme é sobre uma das primeiras damas mais icónicas da história contemporânea. A actriz é a respeitadíssima Rachel Weisz, vencedora de um Óscar em 2005 pelo retrato espantoso de activista ecológica abocanhada pelo sistema no filme "O Fiel Jardineiro".
De título provisório "Jackie", a história vai rever os dias que se seguiram à tragédia ocorrida quando o Presidente e esposa se encontravam de visita ao Texas, isto em Novembro de 1963.
É desses momentos que surgiram alguns dos registos fotográficos mais arrebatadores da História americana recente: o juramento do vice-Presidente L. B. Johnson, no avião de regresso a Washington, tendo ao lado uma viúva solenemente real e com o vestido ainda salpicado de sangue; o pedaço de filme em que ela gatinha pelo tejadilho do carro num momento em que o corpo do marido jaz inerte no assento traseiro da limusine descapotável; ou a sua fragilidade de mãe jovem durante o funeral, com o filho John ainda pequenino fazendo continência ao caixão que passa.
O filme vai cobrir apenas os quatro dias que se seguiram à manhã fatídica em Dallas.
A notícia é especialmente bem-vinda num momento em que a política norte-americana atravessa uma fase tão cínica. Espera-se que a renascença de Jacqueline Kennedy, considerada a única rainha bem amada que os Estados Unidos já tiveram, devolva à cena actual o sentido de sacrifício, interesse nacional, amor pelas artes, coragem e, naturalmente, estilo intemporal.
Especulação cresce
O facto de o filme vir com o carimbo de um dos casais mais vanguardistas do cinema actual, isso é coisa que tem criado especulações interessantes. Aronofsky, um enfant terrible que nos filmes "The Fountain" e "The Wrestler" devolveu ao cinema a dimensão épica do sofrimento humano quando confrontado com a necessidade de idealismo trascendental, tem um estilo suficientemente errático para desafiar quasquer previsões quanto ao retrato que vai apresentar.
Para mais, Jackie Kennedy não é uma personagem pacífica. Embora ainda hoje seja considerada por muitos como uma figura intelectual respeitável e de referência nas questões do estilo - especialmente os vestidos rosados escolhidos a dedo para a visita oficial a Jaipur, na Índia-, o seu percurso posterior tem sido visto com alguma suspeita, sendo mesmo acusada de calculista na questão das núpcias contraídas com o armador grego Aristóteles Onassis.
Ascendência judia e húngara
Rachel Weisz trará, sem dúvida, toda esta complexidade para a história que vai contar. A actriz britânica vive no bairro de East Village, em Nova Iorque, e acaba de completar 40 anos bafejada pelos recursos que lhe ficaram de uma ascendência judia e húngara.
Além de uma beleza imparável que tanto pode ser hippie 1971 como Theda Bara 1917, parece ser incapaz de errar quando lhe entregam a liderança de um projecto. Ganhou há dias o maior prémio do teatro londrino ao fazer de Blanche Dubois, uma personagem quase gótica que um americano, Tennessee Williams, imaginou sobrevivendo nas ruas proletárias de Nova Orleães.
Parte do Óscar atribuído em 2005 pela Academia de Hollywood teve a ver com a gravidade dramática com que a actriz se entrega ao trabalho. No filme "O Fiel Jardineiro", por exemplo, a paixão sentida por Ralph Fiennes fica mais tocante quando percebemos a descoberta que ele faz: ela, a mulher amada, era realmente um desess seres extraordinários pelo qual vale a pena arriscar tudo.
Atenção aos Óscares que aí vêm
O filme pedia que, antes de abandonar o ecrã, Weisz deixasse para trás um rasto indelével de graciosidade e tenacidade capaz de mudar um homem, vingar uma causa e, quem sabe, alterar o mundo para melhor. Foi isso mesmo que ela fez.
Boa ideia é ficar atento às cerimónias de prémios que se seguem. Dos útimos 10 Óscares entregues à melhor actriz do ano, sete foram para trabalhos em que a actriz retratou uma pessoa de carne e osso.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
23:28 Sábado, 10 de abril de 2010
|
Será que Elizabeth Taylor vai casar-se outra vez? Ainda ninguém confirmou nada mas, pelo menos, apareceu nesta Primavera o boato mais feliz do ano: a mais romântica, e bela, criatura de Hollywood está outra vez noiva!
Elisabeth Taylor é a deusa do amor aos 78 anos
AP/Dan Steinberg
Confirmando de uma vez por todas que Elizabeth Taylor ainda é a grande romântica e amante da sensibilidade masculina, há indícios de que a actriz está pronta para o marido número 9. Foi a revista "US Weekly" quem afirmou que Elizabeth Taylor começou uma nova fase de noivado.
Elizabeth Taylor, que já não aparece no cinema desde Os Flinstones, gosta de manter os seus fãs bem informados, pelo menos os mais de 200 mil que a seguem febrilmente nas novas redes sociais que ela comanda a partir da residência que tem em Bel Air. Quando em Julho de 2009 recebeu outra vez alta do hospital Cedars Sinai, após uma intervenção cirúrgica delicada, disse a toda a gente que se sentia dorida "mas intacta", de acordo com uma mensagem telegráfica que deixou no Twitter.
Se ficar confirmado, o marido número 9 chama-se Jason Winters, um senhor substancialmente mais alto e forte que a actriz, especialmente agora que ela se encontra enferma e sempre muito limitada pelo uso de uma cadeira de rodas. Jason Winters também é substancialmente mais novo que aquela actriz veterana. Os relatórios menos sentimentais têm sublinhado o facto de ela ter 78 anos e ele 49.
De assistente pessoal a noivo...
Jason Winters começou a trabalhar como assistente pessoal da actriz. Há três anos que têm aparecido juntos nas cerimónias que envolvem tapete vermelho, poucas, porque ela não tem saúde para grandes diatribes sociais. Foi nessas ocasiões, escassas, que Liz Taylor lhe deu a mão.
O gesto tinha sido interpretado até agora como apoio físico, compreensível numa senhora que havia chegado a uma fase da vida em que o ombro em que se chora também tem de ser guarda-costas. Mas, se a última informação vinda a público está correcta, de cada vez que ela lhe deu a mão no tapete vermelho, o que ela estava realmente a fazer era a apresentar ao mundo o seu novo grande amor.
Hollywood tem andado nas núvens com a possibilidade de uma nova renascença que devolva Elizabeth Taylor ao estrelato. Lançada para a fama no Natal americano de 1944, quando a América estava a sangrar em duas guerras transoceânicas e o público só queria ir ao cinema ver histórias felizes que acabassem numa vitória, Elizabeth Taylor, aos 12 anos, vingou nos cinemas com o filme "National Velvet", em que faz de miúda que treina um cavalo de maneira a poder ganhar um prémio.
A sua abundância emocional, conjugada idealmente com uma beleza que durante décadas nunca deixou de reunir admiradores, fizeram dela, instantaneamente, uma estrela de cinema.
Oito maridos na lista
Daí para a frente - além dos oito maridos que desposou ao longo de muitos episódios boémios que lhe deram a fama de vendaval sexual, que nem ela mesma conseguia controlar - Elizabeth Taylor deu ao cinema alguns dos trabalhos mais elevados da arte dramática tal como Hollywood a faz para o ecrã popular. Profissionalmente invejada (a alcunha dela em Hollywood era One Shot Liz, porque conseguia fazer a cena toda na perfeição logo ao primeiro take), Elizabeth Taylor também é dona de um perfil que até lhe colocou aos pés, além do milhão de dólares em salário, a rainha deusa Cleópatra numa superprodução que os estúdios de Los Angeles nunca tinham visto antes.
Jason Winters não tem sido apenas visto ao lado da actriz nos momentos raros em que ela re-emerge da sua mansão. O seu sucesso comercial é visível. Como dono de uma companhia de gestão artística, a Sterling Winters Management, já teve oprtunidade de guiar a carreira de celebridades conceituadas, caso de Janet Jackson.
Numa confissão captada por Liz Smith, cuja prosa colunista diária traz notícias sobre as vedetas, Elizabeth Taylor refere que "Jason Winters é um dos homens mais maravilhosos que já tive o prazer de conhecer. É por isso que o adoro". Isto já em 2007.
Desde então têm-se mantidos inseparáveis. Sobretudo quando viajam para locais paradisíacos. "Ele comprou-nos há dias uma casa absolutamente linda no Havai. Vamos lá passar umas temporadas sempre que nos é possível", acrescentou Dame Elizabeth com uma notória alegria na voz.
A actriz divorciou-se do último marido, Larry Fortensky, em 1996.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
19:28 Sexta feira, 2 de abril de 2010
|
Actriz Anna Paquin é a última vedeta do espectáculo a anunciar a sua orientação sexual. "Bissexual", diz ela num anúncio público.
Anna Paquin surge com alguma surpresa a declarar a sua bissexualidade num anúncio para a campanha "Give a Damn", em que se apela a sensibilidade americana no sentido de proteger os jovens que ainda debatem questões íntimas de identidade sexual. Woopi Goldberg, Cindy Lauper, os cantores Elton John e Clay Aiken, Eric Roberts e outras vedetas das artes americanas juntaram-se a Anna Paquin para lembrar que a sociedade ao largo deve fazer mais no sentido da aceitação dos adolescentes homossexuais, lésbicas, bissexuais e transsexuais.
Anna Paquin encontra-se actualmente em fase ascendente dada a popularidade na série televisiva "True Blood", em que é a protagonista numa história que, por vezes, parece apenas povoada por vampiros que só querem dormir com toda a gente. Escrita por Alan Ball, o mesmo que assinou o filme "American Beauty" e a série semanal de culto "Six Feet Under", o novo "True Blood" parece ser uma história dominada por corpos possuídos pelo apelo da carne e da igualdade moral. Paquin contracena com Stephen Moyer, seu noivo na vida real.
No anúncio, feito num estilo directo, algumas das personalidades dizem-se gay e outras heterossexuais. Anna Paquin, além de revelar abertura de espírito, explica o problema que tenta agora irradicar: muitos dos jovens que descobrem a sua sexualidade acabam por ser postos na rua pela família, espancados e, até, assassinados. Não é aceitável, dizem os actores e restantes vedetas, que um adolescente pressionado socialmente seja obrigado a confiar o segredo a alguém (um colega, um melhor amigo) para se ver logo a seguir maltratado e ameaçado de morte.
Crimes por revelações sexuais
Nos Estados Unidos, as estatísticas provam que todos os dias, uma vez por hora, é cometido um crime resultante do ódio baseado no preconceito, e isso acontece com frequência na situação em que o adolescente se encontra mais vulnerável porque foi rejeitado pelos amigos e familiares por motivos de identidade sexual.
Actualmente com 27 anos, surfista e residente da praia de Venice, em Los Angeles, Paquin preserva intacta o respeito que lhe ficou quando, em 1993 com o filme "O Piano", ganhou o Óscar de melhor actriz secundária. Tinha 11 anos e passava a ser, depois de Tatum O'Neill, a actriz mais nova a vencer o maior prémio da Academia. Revelando uma firmeza e profissionalismo raros quando o nome dela foi lido, subiu ao palco, soluçou e riu-se com um descontrolo muito bem controlado antes de agradecer a toda a gente da maneira mais bem educada. O mundo voltou a cair de amores pela exuberância emocional daquele geniozinho da arte dramática.
Desde então tem escolhido uma carreira diversa que alterna fluidamente entre grandes sucessos de bilheteira, caso da saga "X-Men", com filmes de introspecção civilizacional, como "Hurly Burly" e "A 25ª Hora", este último feito por Spike Lee.
Hollywood 'sai do armário'
Nascida no Canadá mas de nacionalidade neo-zelandesa, a actriz coloca-se hoje numa posição profissional interessante. Embora Hollywood goste de brincar no ecrã com a ideia da mulher libertária, as actrizes que vivem abertamente nas franjas sexuais são mais excepção do que regra. Amanda Seyfried no filme mais recente de Atom Egoyan, "Chloe", e Annette Bening no "The Kids Are Alright", são os exemplos mais recentes de Hollywood abrindo as janelas da sexualidade humana.
Com tanto ar fresco, as revelações sexuais intimíssimas parecem estar na ordem do dia. Ricky Martin mostrou-se homossexual há uns minutos atrás, Tilda Swinton continua a ser a única oscarizada que tem filhos de um homem mas vai de viagem com outro; e, agora, Anna Paquin decide exibir as suas cores mais garridas para dar voz à campanha True Colors organizada pela ícone pop Cindy Lauper.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
|
21:47 Quarta feira, 31 de março de 2010
|
Fontes relatadas pelo canal CBS confirmam que Sandra Bullock quer manter-se separada do marido, Jesse James. Mais interessante ainda: a actriz talvez venha mesmo a exigir a custódia de Sunny, a filha dele.
|
Jesse James e Sandra Bullock na noite em que a qactriz receber oÓscar e tudo parecia correr sobre rodas
Peter Kramer/AP
|
Embora Sandra Bullock ainda não tenha emergido do anonimato forçado em que se refugiou depois de tornadas públicas as alegações de infidelidade marital, parece cada vez mais que a actriz não está nada interessada em reunir-se ao marido, Jesse James.
Somadas, subiu recentemente para quatro o número de mulheres que, munidas de conselheiro legal, declararam ter mantido relações íntimas com Jesse James durante os cinco anos de matrimónio deste com a recém galardoada com um Óscar.
Era a primeira vez que Sandra Bullock contraía matrimónio. Jesse James tinha estado casado duas vezes antes de conhecer Sandra, uma actriz de Hollywood conhecida pela sua correcção ética, sucesso, anti-glamour, acessibilidade e, este ano, entrada triunfal na galeria das figuras ilustres.
A hipótese do divórcio, de acordo com um comentador da revista "US Weekly", terá ganho ímpeto quando a actriz referiu a amigos que "não está interessada em explicações e desculpas".
Mãe de facto de Sunny
 |
| Jesse James assegurou querer recuperar a estabilidade do seu casamento com Sandra Bullock, mas a actriz recém galardoada com um Óscar referiu a amigos que «não está interessada em explicações e desculpas» |
| Peter Kramer/AP |
A filha enteada, Sunny, conta agora 6 anos, o que leva a indicar que foi Sandra Bullock quem chamou a si a responsabilidade pela educação da criança. A ideia de custódia, embora negada pelos representantes que a actriz contratou em Hollywood, faria todo o sentido por várias razões.
Embora Sandra Bullock não tenha com Sunny uma relação de parentesco biológico, pode argumentar-se que a sua responsabilidade tem sido idêntica dado ter funcionadp como mãe de facto. A anterior mulher de Jesse James, mãe da menina, já foi actriz da indústria porno, confessou-se dependente de drogas e encontra-se actualmente, depois de práticas ilegais relacionadas com o consumo e distribuição de narcóticos, a viver numa half way house em regime semi-prisional observado de perto pela polícia.
Embora a actriz continue a não ter apoio legal, apesar das circunstâncias perturbantes em que Sunny se encontra - o pai, segundo os últimos noticiários, acaba de ser internado no Sierra Tucson, um centro de reabilitação também vocacionado para o tratamento da compulsão sexual -, observadores acreditam que Sandra Bullock tome controlo da situação de maneira a poder garantir o bem estar da única criança menor envolvida nesta escândalo.
Jesse James, entretanto, assegurou hoje num comunicado que tenciona frequentar tantas sessões de terapia quantas as que forem necessárias para recuperar a estabilidade do seu casamento com Sandra Bullock.
Sabedoria inata herdada da mãe
A vocação protectora pode ser detectada noutro domínio: a fé que Sandra tem na sabedoria inata de uma figura materna responsável. Ao longo dos anos, a actriz norte-americana não tem escondido que a pessoa mais influente na sua vida foi a mãe, Helga, uma mulher de origem alemã que tomou as rédeas da família sempre que havia convulsões de percurso.
A disciplina educacional facilitada pela mãe fez com que Sandra Bullock tivesse acesso, por exemplo, a uma infância extraordinariamente diversificada, que incluiu muitos anos passados na Alemanha.
A actriz, aliás, descobriu parte da sua vocação artística quando começou a cantar nos coros religiosos da região de Nuremberga. No recente discurso de aceitação do Óscar para melhor actriz do ano, Sandra Bullock disse: "Este prémio também é para a Helga Bullock, porque foi ela, quando eu era ainda uma miúda, quem impediu que fosse dar uma volta de carro com os rapazes que gostavam de mim. Ela sabia o que, certamente, iria acontecer".
Recolhida no sossego texano
Sandra Bullock foi literalmente ovacionada na noite de 7 de Março, quando a Academia americana de artes cinematográficas atribui um dos prémios mais vistosos e valiosos no mundo das artes. Poucos dias depois, porém, foram tornadas públicas as alegações de infidelidade repetida por parte de um marido que ela elogiou até no palco.
A 13 de Março Sandra Bullock ainda se encontrava em tournée pelo país a promover o filme "The Blind Side". Foi vista pela última vez a falar do seu trabalho numa sessão de autógrafos organizada pelos supermercados Walmart.
Desde então, abandonou o marido, a casa que ambos tinham em Los Angeles, foi procurar sossego na residência que tem na capital do Texas, Austin, e cancelou a digressão vitoriosa que a levaria às estreias que a promoção do filme "The Blind Side" tinha planeadas para Londres e Berlim. E recusa pronunciar-se publicamente sobre o colapso vertiginoso de uma relação que, até há pouco tempo, parecia atipicamente feliz.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
21:20 Terça feira, 30 de março de 2010
|
Ricky Martin 'sai do armário' e provoca debate nacional. Mesmo que seja notícia - novidade não parece ser -, qual vai ser o impacto desta nova afirmação masculina que saltou para a mesa das conversas americanas?
|
Ricky Martin diz que a revelação da sua orientação sexual já podia ter acontecido há muito tempo, mas só agora lhe pareceu adequado
Chris Pizzello/AP
|
Nem de propósito: o website oficial do cantor
diz apenas que Ricky Martin está, de momento, a ser remodelado. O cantor de origem porto-riquenha veio a público dizer que é menos mulherengo do que os seus filmes musicais deixavam acreditar. É agora "um homossexual" bafejado pela sorte da vida, declarou ele num momento em que a carreira estava a precisar de propulsão.
No blogue que publica regularmente, Ricky Martin, agora com 38 anos e pai de gémeos produzidos com assistência laboratorial, referiu que a revelação sexual já podia ter acontecido há muito tempo mas só agora lhe pareceu adequado. O ídolo da música encontra-se ocupado a escrever a sua biografia e foi por aí, acrescentou no texto divulgado através da Internet, que se tornaram insistentes as questões relacionadas com a verdade da sua pessoa.
Cultura homossexual em crescendo
A presença de líderes populares homossexuais é, actualmente, uma constante na cultura de massas americana. Ellen DeGeneres, uma actriz comediante que declarou a sua homossexualidade ao microfone e em prime time na comédia "Ellen", está quase a usurpar a coroa de Oprah Winfrey no domínio dos talk shows, sendo que Winfrey é outra que tem sido perseguida por boatos sexuais.
Neil Patrick Harris abriu a cerimónia dos Óscares. Lindsay Lohan ainda hoje manda twits amorosos à sua ex-namorada Samantha Ronson, lidos por milhares de fãs inabaláveis. E Chastity Bono, filha da cantora Cher, acabou de pedir ao tribunal que confirmassem a mudança genital com a devida alteração do nome próprio.
Uma das franjas mais interssantes do debate tem sido a de perceber se os actos de revelação pública ajudam ou não os homossexuais que lutam pelos direitos civis. A nova visibilidade de Ricky Martin torna a homossexualidade mais visível, e por isso mais aceitável, ou afirma novamente a estranheza da condição?
Por outras palavras: 'sair do armário' é um acto de liberdade ou de rendição? Para muitos activistas a ideia de confessionalismo vai absolutamente contra a liberdade inata que um homossexual deve sentir. Para estes não há uma idade aconselhável para 'sair do armário', uma vez que, como fica confirmado por Ricky Martin, o problema está exactamente na existência desse tal espaço de refúgio inicial que nunca deveria ter sido fechado.
Fuga ao esquecimento
O
 |
| Com uma carreira sólida, Ricky Martin mantinha atrás de si uma falange enorme de fãs |
| Andres Leighton/AP |
cantor tem uma importância mercantil subvalorizada. Ignorado pelos críticos e associado apenas a um tipo de festa hedonista, Ricky Martin parecia quase estar a ser atirado para o esquecimento antes de tempo, agora que o universo da música digital e os sons das novas tendências se aprestam a passar-lhe ao lado. Mas a importância do seu portefólio mantém-se.
Além de ter aberto as portas do mercado musical norte-americano a uma vaga avassaladora de novas vedetas de ascendância latina que, entretanto, se transformaram em autênticas máquinas talentosas de fazer dinheiro - Jennifer Lopez, Mark Anthony, Henrique Iglésias, Shakira -, Ricky Martin mantinha carreira sólida que trazia atrás de si uma falange enorme de fãs.
Embora a sua plateia fosse sobretudo feminina e gay, Ricky Martin conseguiu cruzar influências étnicas e deu origem a muita música dançável e romântica capaz de atrair os novos e os menos novos, hispânicos e brancos e asiáticos, urbanos ou tradicionais, numa faixa de território que abrangia não só toda a América Latina mas, como um fenómeno imparável, milhões de pessoas em todas as partes do planeta.
Sucesso histórico
Alto, bem parecido, com sangue aventuroso feito em partes iguais da Catalunha e da Córsega, Martin abanou o pélvis e deu ideia de que tinha chegado para repor a folia no corpo. O sucesso tem sido histórico.
 |
| Ricky Martin iniciou uma carreira a solo em 1991, quando a sua fama subiu em flecha com as baladas sobre a vida louca que alcançara e parecia aproveitar ao máximo |
| John Riley/AP |
Foi ele quem cantou o hino nacional da FIFA no Mundial de 1998, em França. O disco chegou ao 1.º lugar em muitos países. O mesmo já se tinha passado com os álbuns que fizera com o grupo Menudo, antes de seguir carreira a solo em 1991, quando a sua fama subiu em flecha com as baladas sobre a vida louca que, entretanto, alcançara e parecia aproveitar ao máximo.
Ricky gravou um dueto com Madonna. Cantou nos palcos da Broadway. Cobriu a casa com discos de platina obtidos na África do Sul, Grécia, EUA, México, Alemanha e um pouco por todo o lado.
Desconfortável com os boatos
Mas nas entrevistas cRicky Martin ontinuava a mostrar-se desconfortável quando vinham à baila os boatos sexuais. Ele negava. A questão parecia tão óbvia para toda a gente - menos para ele, que entretanto era sempre vistao a namorar raparigas que ajudavam a sua imagem nas tabelas de venda - que até Barbara Walters, a imperatriz da televisão americana, o posicionou entre a espada e a parede num confronto amigável que tiveram. Mais tarde ela veio confessar que a pressão inquisitorial tinha sido pouco elegante e cruel.
Este último aspecto devolve-nos ao que Ricky Martin acabou de desvendar: a sua sexualidade. Até que ponto é importante que o tenha feito? Uma vez que, fora ele mesmo, toda a gente parecia estar ciente dos factos, resta apenas saber do impacto comercial de tal decisão.
Aí temos apenas dois exemplos, nenhum deles realmente adequado. George Michael (que também ergueu carreira com a ajuda de uma masculinidade que agora parece mais ambicionada do que autêntica) e Elton John (mais poderoso e, por isso, mais seguro de si).
Tanto um como outro continuam a encher estádios. Elton John, aliás, consegue ter tempo para cantar em funerais de princesas e em musicais da Disney. A sua popularidade é mais global do que nunca. Há dias, a rainha do Reino Unido, Isabel II, reafirmou que Elton John podia ser muita coisa mas que, para ela, seria apenas Sir.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
15:53 Quarta feira, 24 de março de 2010
|
Um dos guarda-costas de Michael Jackson acusa médico do cantor, Conrad Murray, de ter preferido proteger-se em vez de manter a respiração boca-a-boca que é prática comum em casos de vida ou morte.
|
«Em vez de ter salvo o paciente, Conrad Murray preferiu salvar a sua própria reputação», acusa a mãe de Michael Jackson
Mark Boster/Reuters
|
Alberto Alvarez, uma das testemunhas mais valiosas no caso criminal que o condado de Los Angeles está a tecer contra Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson, disse que o doutor que tratava privado o rei da pop entrou em pânico no momento em que Michael Jackson mais precisava dele.
Quando o cantor foi descoberto sem pulso detectável, em vez de continuar a fazer as manobras de respiração artificial boca-a-boca, Conrad Murray terá gasto tempo precioso a organizar o desaparecimento das embalagens do medicamento propofol, acusa o antigo guarda-costas de Michael Jackson.
O propofol, bem como o acesso ao mesmo e dosagem, está no epicentro da investigação policial que ainda decorre. Acredita-se que Conrad Murray tenha adquirido a drogaria farmacêutica no mercado negro, ou sob nome falso em receitas que ele mesmo assinava e mandava aviar no estado do Nevada. Michael Jackson morreu em Los Angeles a 25 de Junho do ano passado.
Reanimação interrompida
 |
| Criar entraves à investigação, por exemplo através da adulteração ou manipulação das provas in situ, aumenta a gravidade da actuação de Conrad Murray no auxílio prestado a Michael Jackson |
| Jason Redmond/AP |
Doses excessivas de sedativos, ansiolíticos, analgésicos e propofol, um anestético poderoso usado nas câmaras hospitalares onde se fazem cirurgias delicadas, foram descobertas na autópsia feita a Michael Jackson, juntamente com outros traços físicos resultantes da sua batalha prolongada com dependências várias, autoestima, abuso familiar, afirmação sexual e racial.
Foi Alberto Alvarez quem ligou para o serviço de emergências. Quando a equipa de socorro chegou à mansão - alugada por Michael Jackson em Beverly Hills enquanto se ocupava em ensaios diários para a ronda de concertos agendada para Londres -, Conrad Murray deu a impressão de estar ainda a tentar ressuscitar o cantor, isto num momento em que o desfecho parecia claro para os restantes presentes.
Alberto Alvarez vem confirmar, de certa maneira, o profissionalismo de fachada exibido por Conrad Murray. Já pairavam sobre o médico de Michael Jackson suspeitas de manobras financeiras pouco transparentes, dívidas ao fisco e uso de anestéticos letais num quarto privado, que não estava adequadamente equipado para o efeito.
Agora, uma peça de informação vinda do interior da casa onde Michael Jackson parou de respirar: quando o pânico se instalou, parece que Conrtad Murray interrompeu a respiração boca-a-boca de modo a poder ir esconder o propofol que Jackson, através de agulhas intravenosas, usava à margem da lei.
 |
| Declarações de uma testemunha vêm confirmar, de certa maneira, o profissionalismo de fachada exibido por Conrad Murray |
| Mark Boster/AP |
Criar entraves à investigação, por exemplo através da adulteração ou manipulação das provas in situ, aumenta a gravidade do caso.
Comportamento malicioso
O guarda-costas declara que a chamada para o número das emergências só foi feita quando o médico lhe deu luz verde. E isso só sucedeu depois de Murray ter dito a Alvarez onde esconder as embalagens de propofol que se encontravam nas imediações da cama onde Michael Jackson foi encontrado de boca aberta e braços estendidos.
Katherine Jackson, a mãe do cantor, já solicitou publicamente à Procuradoria de Los Angeles que a pena pedida pela acusação seja mais incisiva. Conrad Murray foi acusado publicamente de ter cometido homicídio negligente, pelo facto de não ter cuidado do doente como era sua obrigação deontológica.
Katherine Jackson ouviu o que Alberto Alvarez disse e, através do seu advogado, Adam Streisand, declarou que o comportamento do médico nos minutos fatais demonstra malícia.
"Em vez de ter salvo o paciente, preferiu salvar a sua própria reputação. É visivelmente um caso de malícia premeditada", acusa Katherine Jakson. A mãe pede que, face às alegações do guarda-costas tornadas públicas agora, o crime passe a ser considerado homicídio em segundo grau em vez de, apenas, o resultado triste e imprevisível de mera negligência.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
19:09 Segunda feira, 22 de março de 2010
|
Duas semanas depois de ter ganho o Óscar de melhor actriz em Hollywood, Sandra Bullock sai de casa, depois de tornadas públicas as infidelidades flagrantes do marido, Jesse James. (Veja vídeo no fim do texto)
Clique para visitar o canal Life & Style.
|
Durante a época dos prémios, recentemente, Sandra Bullock manteve a sua reputação de namorada da América
Chris Pizzello/AP
|
Não sei se repararam mas acabou de estoirar o escândalo do momento, tamanho ecrã grande e com a chancela da Academia de Hollywood. Não é todos os dias que, nos noticiários, aparece uma mulher de Óscar na mão mas em fuga desesperada.
 |
| Sandra Bullock e Jesse James na noite de atribuição dos Óscares, quando tudo era ainda cor-de-rosa |
| Peter Kramer/AP |
Adorada pelas multidões e maltratada dentro de portas, Sandra Bullock (princesa vinda da classe operária mas que, nestas últimas duas semanas, envergou um vestido dourado e passou a sentir-se a mulher mais feliz de todas as que existem) estava casada com uma fraude.
O marido, Jesse James, um desses homens duros que tem na TV um show sobre motards, mantinha, afinal, uma relação com uma mulher coberta de tatuagens e que se especializou em filmes porno. Sandra Bullock, sem dúvida destroçada e traída, desapareceu para parte incerta.
Vítima mais recente da maldição do Óscar
Tão incerta que a única certeza é esta: não vai comparecer terça-feira à estreia londrina do filme "The Blind Side", o mesmo que lhe deu o Óscar também com a ajuda dos votantes da Academia que vivem na Inglaterra.
Para Sandra Bullock, uma actriz empresária de pulso firme, germânico e ensinado por uma mãe que ela mencionou com adoração quando lhe deram o Óscar, sempre colocou a ética laboral muito acima do glamour gratuito. Esta ausência forçada do tapete vermelho inglês é não só uma enorme perda publicitária mas, sobretudo, uma falta moral.
Entretanto, Jesse James emitiu um comunicado confirmando que o problema foi todo causado por ele próprio, que a culpa não é de mais ninguém senão dele e que, claro, está pronto para pedir desculpas públicas à esposa.
Explicação possível: Sandra Bullock é apenas a mais recente vítima da maldição do Óscar. Tal como Julia Roberts, Halle Berry, Reese Witherspoon, Charlize Theron e, há apenas uns dias, Kate Winslet, parece que ganhar um Óscar é a melhor maneira de se perder o mais amado. Todas estas actrizes venceram casadas mas divorciaram-se pouco tempo depois, com a prevalência do motivo da separação caindo sempre no desregramento sexual dos maridos.
Michelle Bombshell em cenários nazis
Só que, desta vez, o caso parece mesmo aliciante para quem segue as andanças imperfeitas das gentes, supostamente, mais que perfeitas: a outra mulher, Michelle McGee (também conhecida por Michelle Bombshell), adorava sadomasoquismo e enveredava por cenários nazis.
Jesse James conheceu Sandra Bullock em 2002. Quando o namoro entre eles se tornou público, era raro o evento ou entrevista em que ela não o elogiava com respeito. Embora a actriz tenha conseguido subir em Hollywood graças a muito método e ele parecesse ter optado pelas actividades extracurriculares do submundo rebelde, o noivado anunciado deixou toda a gente contente por ela.
 |
| Jesse James e Sandra Bullock conheceramk-se em 2002 e casaram-se em Santa Bárbara, numa cerimónia bonita |
| Matt Sayles/AP |
De certa maneira fazia sentido que uma mulher tão independente e terra-a-terra como Sandra Bullock montasse casa com um senhor cicatrizado e tatutado que vive à margem das convenções. Ele era uma pessoa a sério que vinha, no fundo, completar a imagem acessível que ela sempre cultivou. Casaram-se em Santa Bárbara numa cerimónia bonita.
Durante a época dos prémios, recentemente, Sandra Bullock manteve a sua reputação de namorada da América, saudando as câmaras que a seguiam com gestos de saudação negra, em estilo gangue de MTV, sublinhando com isso a alegria de se ver ali num sítio que, talvez não lhe pertencesse: o tapete vermelho, o pódio, a glória, o aplauso dos colegas mais sérios e, como uma cereja na coroa de tanta felicidade, o seu grande amor finalmente encontrado.
Traição durante as filmagens
Quando o envelope foi aberto e o nome dela apareceu, durante vários segundos Sandra Bullock inclinou a cabeça para escutar o marido. Não saltou de alegria. Com a sua segurança e maturidade habituais, mostrou que, para ela, o esposo bad boy continuava a ser a única prioridade.
Jesse James já tinha estado casado duas vezes. Antes de Sandra Bullock viveu com uma mulher que trabalhara nos filmes pornográficos, Janine Lindemulder, grávida no momento em que James decidiu trasferir o seu local de residência.
 |
| Jesse terá traído Sandra Bullock na casa que ambos tinham na zona costeira sul de Los Angeles, quando a actriz gravava o filme que lhe valeu o Óscar |
| Chris Carlson/AP |
Ontem, Lindemulder publicou um twit para toda a gente, agradecendo ao mundo a generosidade de ter providenciado mais uma prova de como o seu ex era, realmente, uma homem cheio de lealdade.
Jesse James terá traído Sandra Bullock na casa que ambos tinham na zona costeira sul de Los Angeles, o Orange County chique, quando a actriz se encontrava na outra ponta do país a gravar o "The Blind Side", sobre a rectitude moral face às distorções do mundo.
Sandra Bullock tinha lutado por adquirir direitos paternais face aos filhos que Jesse James trouxe para o matrimónio. Desde então mantinha com as crianças uma relação próxima e responsável, de mãe estável.
Discurso premonitório?
No discurso de aceitação do Óscar, Sandra Bullock mencionou que o prémio era atribuído, sobretudo, às mães do mundo que tomam conta das crianças que aparecem abandonadas. "É isso que elas fazem porque é isso que tem de ser feito", acrescentou a actriz.
Agora, as palavras parecem dirigidas mais do que à história do filme ou aos filhos que o marido trouxe para a relação, para o próprio Jesse James que ela compreendeu e desposou mas não conseguiu salvar.
Mas não foi só isso que, nestes últimos tempos, fez pender a balança em seu favor no tribunal da opinião pública. A caminho da canonização, Sandra Bullock doou um milhão de dólares para a reconstrução do Haiti, comprou um casarão imenso em Nova Orleães para ajudar a renascença urbana, gerou mais de 3 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira desde que apareceu nos cinemas no início dos anos 1990.
Hoje, em vez de viver o seu momento de ouro, anda escondida. O país quer vê-la, falar com ela, ouvir o que tem para dizer. Sobretudo, garantir-lhe que merece melhor.
|
|
|
|
Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
|
17:39 Quarta feira, 10 de março de 2010
|
Até morta Farrah Fawcett foi ignorada por Hollywood. Ou, pelo menos, pela Academia, quando, na cerimónia de entrega dos Óscares, a retrospectiva de artistas falecidos ao longo de 2009 não incluiu o nome da loiraça de "Os Anjos de Charlie".
|
Farrah Fawcett morreu vítima de um cancro no cólon, aos 62 anos
Rene Macura/AP
|
A omissão levou muita gente a perguntar o que se passou para que Farrah Fawcett fosse outra vez negligenciada em favor de outras pessoas com menos peso no domínio da fama, que é aquele em que Hollywood parece habitar. A primeira explicação poderia ser: Farrah Fawcett era, sobretudo, uma actriz de televisão. Mas isso não acalmou os críticos da Academia. Michael Jackson foi incluído embora o seu domínio fosse o musical, com incursões menores em filmezinhos da Disney, como "Capitão Eo". Além disso, Farrah Fawcett também fez filmes.
Omissão intencional
Um deles, "Extremities", começou por ser uma peça na Broadway, protagonizada por Susan Sarandon. Fawcett era uma actriz ambiciosa que nunca teve papeis à altura. Mesmo no dia da morte - de cancro, um processo que ela manteve disponível via programas de TV mas que nunca descambou para o porno-exibicionismo tão em voga hoje no pequeno ecrã - foi ultrapassada nos noticiários pelo falecimento, no mesmo dia, do cantor Michael Jackson - isto a 25 de Junho do ano passado.
A Academia de Hollywood defendeu-se dizendo que todos os anos há pessoas famosas, entre elas actrizes, que não cabem no formato e no tempo atribuído a tais retrospectivas. Ou seja, a omissão não foi negligência. Foi intencional. Ryan O'Neill, o companheiro da actriz em muitos anos conturbados, já se mostrou desiludido com o atitude da Academia do cinema.
Hollywood, através dos estúdios Sony Columbia, fez há tempos mais de 500 milhões de dólares com dois filmes estreados nos cinemas e que foram baseados na série de televisão "Os Anjos de Charlie". A série foi vendida em muitos países em parte por causa da beleza solar representada por Farrah Fawcett, uma miúda do litoral texano e que antecipou a vaga de Pamela Andersons que apareceriam muito mais tarde.
Desorganização geral no tributo aos mortos
O tributo aos artistas falecidos é um momento emblemático dos Óscares, porque lembra o fim de muitos talentos que, naquele mesmo ecrã, ainda há pouco obtiveram as suas maiores glórias. Mas, este ano, parece ter caído vítima da desorganização geral.
Dos falecidos, um actor respeitadíssimo como Karl Malden mereceu a menção diminuta do costume, mas o realizador Hohn Hughes, que continua a ser visto como um gosto adquirido, teve direito a uma assembleia dos seus antigos actores. Muitos apareceram no palco como se tivessem ressuscitado na sepultura, ou, pelo menos, de um centro de reabilitação.
Na retrospectiva dedicada aos filmes de horror, disse-se que o último filme dessa veia a ser reconhecido pela Academia foi há 37 anos, com o "Rosemary's Baby", de Roman Polanski. Dado que há cerca de 20 anos o horrendo Hannibal Lecter meteu medo a tanta gente antes de ganhar os prémios todos, o mínimo que se leva a crer é que a Academia não deve ter grande cabeça, nem para Farrah Fawcett nem para a matemática. O que, talvez, confirme a vertente artística daquela associação.
|
|
|
|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
|