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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
22:45 Segunda-feira, 8 de Fev de 2010
Que bom haver um Mel Gibson, versão cada vez mais louca, em Hollywood. O homem só parece interessado em explorar mares nunca dantes navegados. Dentro em pouco ainda aparece aí com o habitual sangue na guelra a retratar mais um rebelde resistente: um viking loiro, e aguerrido. Saiam-lhe da frente.

Depois de ter viajado ao ano zero para retratar os últimos dias de Jesus Cristo no filme 'A Paixão de Cristo', depois de ter visitado a extinção das culturas indígenas da América Central na aventura 'Apocalipto', Mel Gibson, o vingador, prepara-se para derramar ainda mais sangue com uma saga sobre os vikings.

'The Viking' ainda é título temporário mas o projecto está, de facto, em andamento. Leonardo di Caprio disse há dias em Nova Iorque que, "por causa da energia visionária que Mel Gibson tem emprestado aos filmes que realizou até agora", se mantém muito interessado em protagonizar a história. O produtor Graham King, que recebeu o Óscar pelo filme 'The Departed', mantem-se à frente dos esforços de financiamento. Graham King é conhecido pelo integralismo e bom gosto dos filmes que financia, e encontra-se também por trás do filme que Martin Scorsese quer fazer já a seguir, 'Silence', sobre o martírio dos jesuítas portugueses no Japão medieval.

Gibson, que se encontra agora a promover o novo filme 'Edge of Darkness' - uma história americana contemporânea sobre mais um caso de atropelamento da inocência em favor de interesses económicos imperiais - disse que a sua atracção pelo passado violento de uma certa Europa setentrional se deve ao facto de nunca ter visto no cinema algo que fizesse justiça ao tema. Com voz vitoriosa rematou que vai, finalmente, "devolver o V aos vikings".

É possível que o diálogo seja estritamente em idioma normando. A 'Paixão de Cristo' foi toda falada em línguas locais já extintas, como o aramaico. O 'Apocalipto' usou apenas os dialectos falados no tempo em que o império Maia subjugava as culturas mais vulneráveis do México actual.

Sobre 'The Viking', Gibson referiu "Já percebi que vou meter medo a muita gente", uma alusão às suas histórias mostradas em carne e osso.

O actor e realizador tem levado uma vida de tal modo extrema que, das aventuras apocalípticas da série Mad Max ao seu apreço pela religião - Gibson é conhecido como católico conservador que acha repelentes as adaptações liberalizantes do Vaticano ao longo dos últimos 40 anos - o trajecto dele em Hollywood passou a ser um dos mais singulares.

Pai de muitos filhos, divorciado e dono da sua própria igreja nas colinas remotas de Malibu, Mel Gibson já foi largamente condecorado pela academia do cinema. Tem sido uma vida de altos e baixos. Encostado pela polícia há uns meses quando conduzia embriagado, levantou a voz, lançou vários insultos, resistiu e acabou encarcerado, não sem antes dizer bem alto que aquela humilhação, tal como quase "todas as guerras do mundo" se devia a mais uma conspiração judaica.

O escândalo fez como que, na altura, os estúdios da Sony Columbia rescindissem o contrato de pós-produção num momento em que ele se encontrava a finalizar a mistura sonora do Apocalipto'.

Os vikings são originários da Escandinávia e, durante a época de ouro que decorreu entre os séculos VIII e XII, conseguiram chegar a locais tão distantes como a península ibérica, Kiev, Bagdade e Terra Nova, fazendo deles os primeiros europeus a abordar aquilo a que mais tarde iria ser baptizado com o nome América. O domínio viking esmoreceu quando o cristianismo de vertente romana, erradicando gradualmente códigos de honra e divindades várias, tomou conta do velho continente. "Claro que, pessoalmente, a minha vontade é apenas a de cortar aos pedaços um convento inteiro", riu-se Gibson com o ar de rapazote que cultiva, brincando, não tanto com a fama dos vândalos do norte mas com a sua reputação rebelde de homem cada vez mais marginalizado e disposto a desposar ideias politicamente incorrectas.

Com a sua famosa sede de sangue, pilhagem sem misericórdia e machados de duas lâminas que partiam em dois tempos qualquer crânio inimigo, só no século XVIII é que as lendas heróicas dos vikings conseguiram ser redimidas pelos estudos arqueológicos.

No século XIX, auxiliada pela música de Wagner - e, mais tarde, pela depuração ideológica advogada pelo nazismo - a mitologia escandinava regressou ao patamar de estima que as civilizações precocemente avançadas têm junto da classe académica. Mel Gibson, esse, está disposto a dar-lhe mais uma ajuda em direcção à eternidade.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
11:59 Sexta-feira, 5 de Fev de 2010
Conrad Murray, o médico privado de Michael Jackson, já se encontra em Los Angeles e vai entregar-se hoje às autoridades, disse o advogado Ed Chernoff. Clique para visitar o dossiê Michael Jackson (1958-2009)
Conrad Murray contratou um especialista em defender médicos cujos doentes morreram devido ao excesso de Propofol
Conrad Murray contratou um especialista em defender médicos cujos doentes morreram devido ao excesso de Propofol
Pat Sullivan/AP

Após meio ano de investigações mantidas em segredo a procuradoria da cidade parece estar pronta para dar início ao processo judicial. O médico Conrad Murray vai hoje entregar-se voluntariamente à polícia, disse o seu advogado Ed Chernoff. Assim que o médico se render, a polícia tratará logo de ir a tribunal formalizar a acusação daquele que, desde o início, tem sido considerado o único suspeito num caso que cativou multidões. Jackson morreu a 25 de Junho passado num momento em que se preparava para uma série de concertos em Londres que, supostamente, lhe iriam devolver o estrelato.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ Michael Jackson morre aos 50 anos

Espera-se que, diante do juiz e agora que já são do conhecimento geral os hábitos farmacológicos do cantor, Conrad Murray se declare inocente.

Residente em Houston, no Texas, Murray era o médico residente de serviço quando o cantor entrou em coma respiratório após lhe ter sido administrada uma dose excessiva do anestético Propofol.

Murray quer evitar humilhação

Por vezes, a conselho dos advogados de defesa, um suspeito que esteja quase a ser inculpado formalmente tem vantagens em render-se, de maneira a que se evitem cenas de humilhação pública marcadas por um indivíduo de alto perfil a ser levado para a esquadra, e mais tarde à banca do juíz, com as mãos e os pés algemados.

A caução que geralmente é imposta em casos de homicídio involuntário ascende a uns meros 25 mil dólares.

Acredita-se que Conrad Murray, agora que contratou o advogado Michael Flanagan, um especialista em defender médicos cujos doentes morreram devido ao uso excessivo de Propofol, esteja a colocar todas as suas esperanças na discussão do caso em tribunal, quando ambos os lados puderem apresentar provas perante um painel de jurados.

O mesmo advogado de Britney

Flanagan tem muita experiência de situações mediaticamente escaldantes, dado ter defendido há pouco tempo a cantora Britney Spears numa situação de atropelamento com veículo motor e fuga subsequente. Outro advogado contratado por Conrad Murray é Joseph Low, conhecido por ter conseguido ilibar uma série de soldados americanos destacados para o Iraque e que que se viram acusados de tiroteios injustificados dos quais resultaram a morte de civis inocentes.

Entretanto, através de um advogado, a família Jackson reagiu já à possibilidade de Conrad Murray só vir a ser acusado de homicídio negligente, um crime que acarreta pena nunca excedendo os 4 anos de prisão maior.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
13:43 Terça-feira, 12 de Jan de 2010
Se Conrad Murray aceitar assumir-se como parte responsável na morte por negligência de Michael Jackson, é possível que a pena seja reduzida para uns meses de prisão, além de perder a licença profissional enquanto médico. Clique para visitar o dossiê Michael Jackson (1958-2009)
Conrad Murray numa foto de arquivo de Novembro do ano passado
Conrad Murray numa foto de arquivo de Novembro do ano passado
Pat Sullivan/AP

O médico envolvido na morte de Michael Jackson vai ser condenado a quatro anos de cadeia. Pelo menos é isso que deixa indicar o último relato da Associated Press no que diz respeito ao Dr. Conrad Murray. Segundo fontes localizadas dentro da investigação policial, a agência noticiosa americana refere que a acusação vai qualificar as acções de Conrad Murray como negligentes na forma mais agravada.

Clique para aceder ao índice do Dossiê Michael Jackson morre aos 50 anos

Michael Jackson morreu em Junho de 2009 de paragem cardíaca, um acontecimento sísmico na cultura popular que quase provocou a queda da rede americana da Internet. A ideia de negligência, ou seja, de que a morte do cantor resultou em parte do comportamento e das escolhas feitas por quem tinha o dever de cuidar dele, entra na categoria penal de homicídio não premeditado, com penas de cadeia que podem ir aos quatro anos.

Processo em preparação há sete meses

Há sete meses que a provedoria de Los Angeles prepara o caso mais mediático do ano. Conrad Murray recusou-se a assinar a certidão de óbito, apesar de ser o médico residente na mansão que Michael Jackson mantinha na cidade. Jackson estava a viver temporariamente em Los Angeles enquanto se preparava para regressar aos palcos, com uma série de concertos em Londres. Deixou para trás filhos órfãos e um legado artístico que tem sido disputado por várias multinacionais e familiares.

Julga-se que, havendo julgamento e não um acordo de compromisso entre as partes, a acusação estatal venha a pedir a pena máxima dada a falta de cooperação por parte do médico em tudo que está relacionado com a investigação. Com o tempo que o dossiê legal levou a alinhar, prevê-se que o condado de Los Angeles tenha provas suficientes para levar o médico a aceitar, logo à partida, alguma culpa na tragédia, tão estranho foi o seu comportamento na presença da equipa médica de emergência que, quando chamada ao local, tentou reanimar o cantor.

Conrad Murray ouve o testemunho do seu advogado durante uma das audiências de preparação do processo judicial que o condado de Los Angeles lhe está a mover
Conrad Murray ouve o testemunho do seu advogado durante uma das audiências de preparação do processo judicial que o condado de Los Angeles lhe está a mover
Isaac Brekken/AP

A acusação terá de provar que Conrad Murray contribuiu decisivamente para a morte, algo que vai ser estabelecido apenas se a acusação conseguir ligar com causalidade do colapso final de Michael Jackson às doses excessivas do poderoso Propofol que o cantor usava para se anestesiar. Como foram conseguidas as receitas médicas? Quem administrava as doses, supostamente frequentes, ao paciente?

Classe médica em cheque

O condado terá de provar ainda que, durante todo este processo, Conrad Murray usou métodos que divergiam largamente dos padrões estabelecidos na profissão.

Acredita-se que o julgamento acabe por ser uma prova difícil para toda a classe médica. A autópsia revelou que a dose fatal de Propofol terá sido injectada por um médico que, segundo testemunho do próprio, só se ausentou durante uns minutos para ir ao quarto de banho.

Registos telefónicos revelaram posteriormente que Conrad Murray se manteve ocupado com variadíssimas chamadas telefónicas durante 47 minutos, uma parcela de tempo que corresponde exactamente ao momento em que Michael Jackson terá começado a perder sinais vitais.

Aparelhos de reanimação inexistentes

As autoridades legais assinalaram também na autópsia que o estado de saúde de Michael Jackson não exigia um medicamento tão potente como Propofol, podendo ler-se nas entrelinhas que o médico vai ser acusado de providenciar drogas em vez de terapia, bom conselho e melhor cuidado.

O relatório das autoridades refere ainda que no quarto em Michael Jackson morreu não havia os necessários aparelhos de reanimação que devem existir por norma em qualquer hospital ou clínica, pública ou privada, onde se use Propofol.

Se Conrad Murray aceitar assumir-se como parte responsável, é possível que a pena seja reduzida para uns quantos meses de cadeia, a que se acrescentará a perda da sua licença profissional.

 

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José Mendes
15:54 Quarta-feira, 4 de Nov de 2009
Oito décadas passadas sobre a primeira entrega dos Óscares de Hollywood, a cerimónia volta a ser apresentada por um dueto. Douglas Fairbanks e William DeMille (em 1929) sucedem Alec Baldwin e Steve Martin.
A dupla Martin e Baldwin será a responsável pela apresentação dos Óscares
A dupla Martin e Baldwin será a responsável pela apresentação dos Óscares

A solução de compromisso foi encontrada depois da recusa do actor australiano Hugh Jackman em fazer de anfitrião, repetindo a dose do espectáculo de 2008.

Baldwin anda na mó de cima com o sucesso da série televisiva "30 Rock ", para a NBC, e já disse que apresentar o espectáculo de entrega dos galardões da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas é "a oportunidade de uma vida".

Steve Martin , por seu lado, afirmou estar feliz por partilhar o ofício de mestre de cerimónias com "o inimigo Alec". Não é função que surpreenda Martin, que apresentou as galas de 2001 e 2003.

A única semelhança entre os dois espectáculos só pode causar preocupação aos produtores Bill Mechanic e Adam Shankman: em 2001, pela primeira vez, os Óscares foram vencidos nas audiências televisivas pelo 'reality show' "Survivor".

Na segunda 'tentativa' de Steve Martin, em 2003, repetiu-se a história, com o concurso de busca de talentos "American Idol" a levar para casa o grosso dos 'shares'.

A 82ª festa de entrega dos Óscares está agendada para 7 de Março próximo. O Kodak Theater, em Los Angeles, volta a fazer de cenário e teatro de operações.

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Europa Heróica

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
18:41 Quarta-feira, 7 de Out de 2009
O realizador Michael Mann, conhecido pela série Miami Vice, atira-se a um dos símbolos mais duradouros da imagem, o fotógrafo Robert Capa.
Omaha Beach, 1944. Robert Capa em cima dos acontecimentos.
Omaha Beach, 1944. Robert Capa em cima dos acontecimentos.

Antes de haver CNN ou telemóveis capazes de tirar retratos a qualquer momento, o mundo tinha Robert Capa. Era ele o fotógrafo que trazia da frente de batalha imagens que davam verdade aos noticiários da actualidade.

Do Dia D na praia normanda de Omaha à guerra civil espanhola, das travessuras de Picasso no sul de França passando pelo conflito na Indochina - onde acabou por perder a vida quando pisou uma mina - o fotógrafo de origem húngara vai finalmente ter uma biografia à medida da sua visão grandiosa. Michael Mann, já refeito do embate furioso com o gangster John Dillinger no filme Public Enemies, decidiu fazer da vida de Capa a sua próxima epopeia visual.

Quatro olhos, dois mestres, um destino 

Embora não deixe de ser uma notícia inesperada e benvinda - sobretudo numa Hollywood que parece cada vez mais devorada por bonecada e super-heróis - o encontro quase que podia ter sido previsto. Michael Mann e Robert Capa parecem destinados um para o outro.

O fotógrafo teve a vida típica de um meteoro em chamas, com percurso excitante mas que se apagou cedo e tragicamente. Michael Mann, por seu lado e ao longo de uma colecção de aventuras que vincam sempre a determinação humana - sobretudo a que tem temperamento masculino impulsivo - parece torcer sempre pelo heroismo físico, sim, mas que é sempre inspirado por uma fé tão íntima como inexplicável.

Em filmes como O Último dos Mohicanos e Heat-Cidade Sob Pressão, os seus homens sozinhos têm sempre a possibilidade de apostar nesta ou naquela sorte, mas no fim são eles que decidem meter pés ao caminho e ir à luta por meios próprios.

Estúdio de artistas 

O filme vai ser financiado pela Columbia, um estúdio que está a ter um ano fantástico em Hollywood. No fim de semana passado, numa estratégia quase pugilística, atirou com a concorrência para o tapete e colocou 2 filmes nos 2 primeiros lugares, entre eles o muitíssimo estimável Zombieland.

Até ao final do ano a Columbia ainda vai estrear o This Is It, protagonizado por um Michael Jackson talvez maior que nunca, e a aventura-catástrofe de Roland Emmerich, 2012, sobre o fim do mundo de acordo com os vaticínios da civilização Maia. Quem já viu diz que o espectáculo é absolutamente gigantesco. Perdão: as palavras que têm sido empregues são Best B-movie EVER!

Aperture: Capa ao perto

O filme de Michael Mann terá por base o livro Esperando a Robert Capa, de Susana Fortes, e segue a relação que capa manteve com uma fotógrafa judia chamada Taro e que se encontrava em Paris fugida à Alemanha nacional-socialista, isto em 1935. Taro acaba por morrer em 1937, durante a guerra civil espanhola, quando, um pouco a oeste de Madrid, os republicanos impôem perdas graves aos soldados republicanos na batalha de Brunete.

Nesse mesmo conflito Capa capta uma das suas imagens mais memoráveis e polémicas, a de um soldado que cai no momento em que é baleado, uma composição fotográfica de tal modo chocante, airosa no movimento, trágica e espiritual que alguns consideram demasiado perfeita para ser autêntica.

O tom do filme que Michael Mann será menos épico que intimista, o que não deixa de ser um bónus duplo. Para a Columbia, o orçamento não deverá chegar aos 50 milhões, aquilo que em Hollywood se chama peanuts quando a acumulação de talento tem esta força. Mas o grande beneficiado é mesmo Robert Capa. Um retrato perto do corpo fica a condizer. O lema dele era só um: se a fotografia não saiu suficientemente boa, então é porque a máquina fotográfica não chegou suficientemente perto.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
17:06 Terça-feira, 6 de Out de 2009

As autoridades suíças decidiram hoje manter o realizador Roman Polanski atrás das grades.

Roman Polanski foi apanhado nas 'garras' da Justiça suíça
Roman Polanski foi apanhado nas 'garras' da Justiça suíça
Arnd Wiegmann/Reuters

Visionário, sobrevivente, amante, perfeccionista, o melhor. A todos estes epítetos Roman Polanski vai ter de acrescentar mais um: pássaro na gaiola.

Após uma semana de detenção, Roman Polanski terá de ficar em Zurique mais uns tempos. A justiça suíça decidiu hoje que o realizador de origem polaca, detido no aerporto internacional de Zurique há uma semana quando entrava no país para participar no festival de cinema local, não pode ser posto em liberdade por haver forte probabilidade de se evadir novamente.

Polanski fugiu dos Estados Unidos em 1978,l meses depois de ter sido detido pela polícia de Los Angeles, cidade onde vivia na altura, acusado de ter violado uma menor de 13 anos. O realizador tem reafirmado que, após várias manobras legais e um período breve de encarceramento, a sua fuga à justiça americana foi a única solução que encontrou para um processo que, entretanto, se tinha desvirtuado fatalmente por manobras políticas e traições judiciais.

As comunidades culturais europeias e americanas, lideradas por nomes como Woody Allen e Martin Scorsese, têm exigido a libertação imediata do cineasta. Mas Folco Galli, porta-voz do ministério da justiça em Berna declarou que Polanski não poderia ser colocado em liberdade provisória dado que "o risco de fuga se mantém alto".

Só no final do mês a Suíça vai decidir, finalmente e como tem sido pedido pelo procurador geral na Califórnia, se Polanski irá ser extraditado para os Estados Unidos.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)
14:45 Domingo, 4 de Out de 2009

O realizador de histórias tão únicas como 'Being John Malkovich' e 'Adaptation', apresentou o seu terceiro filme. Eis aqui as primeiras imagens de 'Where The Wild Things Are' em estreia absoluta.

A história conta como um menino de 9 anos, Max, foge de casa porque ninguém o entende
A história conta como um menino de 9 anos, Max, foge de casa porque ninguém o entende

Spike Jonze, ainda o único surrealista que, pelo menos em Hollywood, fala das pequenas misérias que se vão agarrando como alcatrão aos nossos pés, decidiu - este ano como Tim Burton e Wes Anderson - contar uma história com crianças.

"O que quis fazer não foi um filme para crianças mas um filme sobre a infância", referiu, como se quisesse dizer que é a visita é retrospectiva. De longe, a infância parece apenas um lugar inóspito onde a criança enfrenta a solidão, a depressão, a raiva, a incompreensão, e aprende a fazer as pazes com os limites de uma vida que até ali se julgava sem limites. Que visão majestosa de uma fera amansada, dando-se conta do mundo em que está metida.

É sempre bom sinal quando um cineasta com veia de autor manda as primeiras cenas filmadas para o estúdio, para serem aprovadas, supervisionadas, e o estúdio - neste caso a Warner - deixa entender que não era bem aquilo que eles tinham em mente. Aleluia: enfim um cineasta-autor com reputação de imprevisível, como antigamente!

Max refugia-se numa ilha onde vivem umas criaturas gigantescas e fofas, um pouco como os ursos de peluche que já houve lá por casa
Max refugia-se numa ilha onde vivem umas criaturas gigantescas e fofas, um pouco como os ursos de peluche que já houve lá por casa
Clássico da literatura americana

Baseado no clássico escrito por Maurice Sendak em 1963, a história conta como um menino de 9 anos, Max, foge de casa porque ninguém o entende e se refugia numa ilha onde vivem umas criaturas gigantescas e fofas, um pouco como os ursos de peluche que já houve lá por casa. Na ilha o Max quer ser rei de toda a gente, uma ideia cheia de sorte porque as criaturas selvagens que vivem na ilha, vendo bem as coisas, até nem se importariam de ter um rei novo.

As coisas complicam-se daí para a frente. Digamos apenas que o Max, quando se vê cheio poder, tem de fazer escolhas difíceis. E as criaturas, cada vez mais estranhas, continuam a dizer piadas sobre os ossos tenros do novo rei. Tudo muito estranho.

A história, que foi acusada de imoral quando primeiro publicada e continua, depois de tantos anos, aberta a todo o tipo de interpretações, vive muito da mestria visual de Spike Jonze, um rapaz iconoclasta que, aqui e agora, no Hilton de Beverly Hills, aparece vestido com aquilo que parecia ser um fato feito de gabardina e gravata, isto quando o clima de Los Angeles permite sempre que osverdadeiros autores vistam apenas uma tshirt e jeans.

O realizador promete um filme «excitante e assustador»
O realizador promete um filme «excitante e assustador»
Lutas viscerais, cinematografia orgânica

Bom rapaz que nunca fala de si, Jonze diz que procurou, para as filmagens, os locais adequados à textura real da história. As criaturas vivem numa floresta. O filme tem água, areia, árvores e brincadeiras, alem de construções de madeira fantásticas. As filmagens decorreram na Austrália, a duas horas de Melbourne.

Palavras do autor: "Sempre quis levar a história a sério. A criança é de verdade e, por isso, o mundo da sua imaginação tinha de ser real. Não podia ser uma paisagem alternativa feita só com desenhos. Ele vai para a ilha e tem de aprender a viver com aquelas criaturas estranhas. Não sabe bem quais são as regras e, nesse sentido, o Max é mais uma criança nessa situação, como qualquer criança que tenta compreender como funciona um mundo governado pelos adultos. Aos 9 anos a profundidade das tuas sensações não é menor do que as emoções sentidas pelos adultos".

Objecto de arte

É, pois, um filme de conceito. Não sei como é que Hollywood arranjou dinheiro para isto mas a sorte, para já, é toda do público. Este 'Where The Wild Things Are' estreia mesmo a tempo do Halloween. Faz sentido. Não é que seja sobretudo assustador mas é, pelo menos, assustadoramente original e inesquecível. Vem com canções escritas por 'Karen O', que Jonze conhecia do tempo em que fazia vídeos musicais. Ela é dos 'Yeah Yeah Yeahs'.

Para as sequências narrativas, sublinhando a completa integridade do exercício, a banda sonora foi entregue a Carter Burwell. O filme é protagonizado pelo menino Max Records, sendo que a voz do Carol, a criatura mais incompreendida da ilha e a única que entrega toda a sua devoção ao novo rei, ficou entregue ao ursinho assanhado James Gandolfini. "Nunca fiz nada como este filme, excitante e assustador", afirmou Jonze.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
9:30 Terça-feira, 29 de Set de 2009
A detenção inesperada de Roman Polanski no passado domingo, em pleno aeroporto internacional de Zurique, desencadeou uma ronda de reacções em ambos os lados do Atlântico. A trama da história ganha todos os dias ângulos fascinantes.
A detenção de Roman Polanski está a gerar protestos em vários países
A detenção de Roman Polanski está a gerar protestos em vários países
Francois Mori/AP

Há cerca de 31 anos que Roman Polanski é considerado fora da lei pela polícia de Los Angeles. Um dos grandes mestres do cinema europeu que Hollywood acarinhou e elevou a alturas novas, Polanski fugiu dos Estados Unidos em 1978 após ter sido condenado por actos lascívos cometidos com uma menor de 13 anos.

Samantha Geimer, a mulher que ao tempo fez a queixa crime e que hoje é mãe de 3 filhas, obteve a nível privado uma indemnização do realizador e já repetiu em diversas ocasiões que gostaria de ver o assunto encerrado.

Desde 2005 que a Suiça tem conhecimento de que o mandato de captura americano se mantinha em efeito. Não ficou ainda claro porque decidiu agir agora.

Roman Polanski é proprietário de uma casa na estância de inverno de Gstaad mas até agora nunca havia sido interpelado pelas autoridades suiças, daí não ter hesitado quando o festival de cinema de Zurique lhe pediu que comparecesse a receber o Golden Eye, o maior prémio do certame.

Entretanto, em Los Angeles, a porta voz da procuradoria referiu que a detenção do realizador nunca deixou de constar da agenda de trabalhos, mas que o fugitivo nunca fora capturado até agora porque conseguira evitar sempre os países com quem Washington acordou o retorno de pessoas procuradas pela lei.

De facto, quando há uns anos atrás Polanski processou a revista Vanity Fair por danos morais causados na sequência de um artigo publicado, os seus depoimentos foram recolhidos em Paris e enviados via satélite para Londres, onde decorria o julgamento. Por causa dos acordos de repatriamento entre os EUA e o Reino Unido,o realizador estava ciente de que seria um erro deslocar-se a Inglaterra.

Debra Winger lança lume

A actriz Debra Winger, que se encontra actualmente em Zurique presidindo ao júri do festival de cinema, mostrou-se chocada com o facto de os serviço suiço de controlo de fronteiras ter acedido ao pedido do procurador geral do condado de Los Angeles, descrevendo o arranjo secreto entre um e outro como "conluio filistino tendo por base um caso legalmente moribundo sustentado por pormenores técnicos".

Ao tempo, num acordo assinado entre Polanski e a polícia de LA, o realizador admitiu formalmente a sua culpabilidade e aceitou, não só o cumprimento da pena de prisão mas que lhe fossem feitos variadíssmos testes psicológicos. O realizador argumenta que a sentença imposta foi cumprida, dado ter passado mais de 40 dias num estabelecimento correccional da Califórnia. Depois disso, alega, não teve outra solução que não fosse escapar a forças policiais e judiciais que todos os dias se tornavam mais imprevisíveis na gestão da queixa crime.

Um documentário do canal televisivo HBO, estreado em 2008 com título Roman Polanski: Wanted and Desired, mostrou como o juíz encarregue de guiar o processo, Lawrence Rittenband, foi ensaiado pessoalmente pelo procurador geral que liderava a acusação, em violação clara dos direitos do arguido.

Lockerbie-Tripoli parte 2?

Depois do colapso da banca americana, os governos dos Estados Unidos e a Suiça têm andado numa guerra fria no domínio dos segredos bancários. Submersa pela maior crise financeira desde que há memória, a nova classe dirigente em Washington exige acesso ilimitado às contas pessoais de quem esteve envolvido na derrocada de Wall Street, mas a indústria bancária concentrada em Zurique alega que o princípio do sigilo deve ser protegido por se tratar de um pilar central na confiança financeira mundial.

Tem-se especulado que, perante a pressão exercida pela Casa Branca, a polícia helvética tenha decidido apaziguar os ânimos oferecendo a detenção de Polanski como prova de boa fé e compromisso possível.

Tanto Polanski como Debra Winger são de origem judaica e, cada um à sua maneira, verdadeiros enfants terribles simbólicos de uma época em que o expressionismo individual era mais valorizado que os resultados obtidos nas bilheteiras. Os dois triunfos de Polanski nos Estados Unidos, A Semente do Diabo e Chinatown, lidam com temas de crueldade intimista, opressão social e corrupção institucionalizada, todos eles labirintos que o indivíduo tenta descodificar desesperadamente com a ajuda de princípios morais pouco adequados às circunstâncias. O primeiro filme aludiu à violação demoníaca de uma mulher inocente e, no segundo, o drama vem sob a forma de incesto e da ganância generalizada.

Protestos europeus

A França, através do ministro dos negócios estrangeiros Bernard Kouchner, já enviou um pedido de clemência à ministra da defesa americana, Hillary Clinton. A Polónia também já reagiu negativamente à detenção.

A ministra da justiça suiça, Eveline Widmer-Schlumpf, declarou que a polícia de fronteiras no aeroporto de Zurique não tem por hábito descriminar e que, se havia um pedido de detenção vindo dos Estados Unidos, o corpo policial só podia mesmo manter-se neutro e dar seguimento aos trâmites normais de uma convenção assinada entre dois países. Os Estados Unidos têm agora 60 dias para pedir formalmente a entrega do prisioneiro. Polanski encontra-se actualmente numa cela individual, isolado 23 horas por dia.

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Rui Henriques Coimbra (www.expresso.pt), em Los Angeles
14:38 Domingo, 27 de Set de 2009
O realizador Roman Polanski, vencedor do óscar da Academia de Hollywood pelo filme O Pianista, foi hoje detido no aeroporto de Zurique pelas autoridades locais.
As acções do realizador eram investigadas pela polícia de Los Angeles
As acções do realizador eram investigadas pela polícia de Los Angeles
AP/George Brich

O realizador foi interpelado pela polícia de fronteiras quando se deslocou à Suíça para receber um prémio atribuido pelo festival de cinema organizado pela cidade.

Roman Polanski tem vivido em França depois de, em 1978, ter abandonado ilegalmente os Estados Unidos num momento em que as suas acções eram investigadas pela polícia de Los Angeles. A Suíça mantem acordos com os Estados Unidos em matérias ligadas ao repatriamento de indivíduos suspeitos em processos crime.

Roman Polanski, de origem judaica e hoje com 76 anos, nasceu em França mas foi com os pais para a Polónia pouco antes do início da segunda guerra mundial. Sobreviveu aos motins no gueto de Cracóvia e à perseguição nazi quando ainda era criança, embora a mãe tivesse sido presa e, posteriormente, viesse a falecer no campo de extermínio de Auschwitz.

Há mais de 30 anos que o cineasta anda fugido às forças de segurança da cidade de Los Angeles, uma das mais duras e militarizadas do país. O seu processo é longo e resultou de um caso de sexo que terá tido lugar em 1977, quando Polanski beneficiava dos favores de Hollywood após a realização de dois clássicos do cinema - A Semente do Diabo, de 1968, e Chinatown, em 1974.

De acordo com documentos da época o realizador teria forçado uma menor de 13 anos a manter relações sexuais com ele após ingestão de bebidas alcoólicas e medicamentos. O contacto íntimo aconteceu na piscina da residência que o actor Jack Nicholson ainda mantem nas colinas de Hollywood, em Mulholland Drive.

A fuga de Polanski para a Europa tem sido, por uns, vista como o último recurso do realizador num processo judicial que se tinha tornado demasiado incoerente, corrupto e sujeito a pressões morais externas; e, por outros, como um acto criminoso na vida de um realizador dotadíssmo que insitia em obedecer apenas às suas próprias normas de conduta.

A menor envolvida no processo legal referiu há bastante tempo que não está interessada em que Polanski seja recambiado e encarcerado, preferindo que o assunto seja remetido para o esquecimento público. Mas ao longo deste últimos 30 anos a polícia de LA sempre encarou a fuga de Polanski para a Europa como um caso que ficara por resolver.

Roman Polanski, que recebeu finalmente o óscar de melhor realizador em 2002, encontra-se casado com a actriz francesa Emmanuelle Seigner, a sua primeira relação duradoura depois de ter fugido dos Estados Unidos para procurar refúgio em França. O realizador esteve casado durante um ano com a actriz Sharon Tate, vítima dos simpatizantes de Charles Manson quando se encontrava no oitavo mês de gravidez.

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Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
20:19 Sábado, 26 de Set de 2009
O realizador Roland Emmerich alia-se à Sony. O filme chama-se "2012" e o objectivo é só um: topo da tabela ubber alles.
2012: realmente The End.
2012: realmente The End.
Sony Pictures

A Sony fez as suas reservas no mercado publicitário americano. Os números são excepcionais a todos os níveis. Para a campanha que promove o filme "2012", realizado pelo alemão Roland Emmerich com a sua habitual assinatura operática e catastrófica, a Sony vai exibir dois minutos do filme em cerca de 450 estações de televisão de todo o país. Quando: 1 de Outubro, entre as 22h50 e as 23h00. Pico do prime-time, 110 milhões de espectadores garantidos. 

Roland Emmerich, que tem agora 53 anos e continua a ser um desses rapazinhos de cabelo branco e mansão muito histórica e ainda mais boémia situada no sopé de Hollywood Hills, sempre quis fazer maior e melhor, impelindo a nova aventura para os temas eternos da parábola misturada com a grande calamidade.

Desta vez é o mundo que vai acabar mesmo, tal como previram as primeiras civilizações que habitaram as pirâmides do Yucatán. Aliás, como diz o filme logo no início, já começaram os suicídios em massa. Claro que Hollywood não podia deixar passar em branco tanta boa ideia.

Pegar fogo às bilheteiras

O "2012", sobre as premonições do calendário maia apontando para a destruição planetária nessa data, tem de tudo como um Big Mac de três andares: John Cusack como pai aflito, crianças, conspiração governamental para seleccionar sobreviventes e salvar a raça humana, chuva de meteoros, terramotos, todas as raças solidárias, Amanda Peet a fazer de mãe perfeita, actores ingleses para dar gabarito, cidades esboroando-se magnificamente, o avião presidencial tentando sobreviver às marés e, até, um porta aviões dando à costa como um Titanic do apocalipse.

Essa é, por exemplo, uma das cenas que têm sido mais faladas, dado que o navio de guerra é levado por uma onda gigante que o arrasta pela costa adentro, varrendo do caminho a Casa Branca como se fosse uma carcaça de doninha fedorenta na berma da estrada.

Como a residência oficial do Presidente também já fora eliminada num filme anterior de Roland Emmerich, quando os extra-terrestres vieram de visita, a obsessão do realizador, juntamente com a sua nacionalidade e o facto de vir emparelhada a uma multinacional nipónica, tem dado que falar nos circuitos mais conservadores de Los Angeles.

Roland Emmerich von Wunderkind é conhecido pelo espectáculo das suas imagens. Se Michael Bay é o grande retratista do mundo animado, Roland Emmerich tem sido rotulado como paisagista de palco inteiro capaz de produzir um espectáculo moderno com temas antigos.

Foi ele quem apelou à autodeterminação no filme "Independence Day" e também quem, num esforço enorme de ilustração panfletária, lutou pela causa ambientalista no "The Day After Tomorrow". Hollywood gosta de Roland Emmerich. O mundo, segundo a história que conta nas bilheteira, aprecia-o ainda mais.

No novo "2012" o resultado parece ser ainda mais grandioso, como se o terceiro volume da Bíblia tivesde sido ilustrado pela National Geographic. Dado que uma das sequências mostra um tsunami a galgar os Himalaias, o filme custou cerca de 200 mil dólares, oficialmente. Só estreia a 13 de Novembro mas os media já foram convidados pela Columbia Pictures, detida pela Sony, para uma viagem promocional às praias de Cancún. Tratando-se de um desses lançamentos globais que em alemão se diz blitzkrieg, a estreia em Portugal foi agendada para 12 de Outubro.

Se o filme é sobre o fim do mundo, o alerta tem de ser geral. Além dos trailers bombásticos nos cinemas e dos anúncios nos jornais, a Sony preparou uma espécie de pelotão de fuzilamento publicitário, aquilo a que, em Hollywood se chama um roadblock.

Publicidade impossível de evitar

Não é ideia nova isto de forçar o público a confrontar uma inevitabilidade publicitária em estilo operação stop. A ideia de sinergia é isso mesmo. Dado que uma aglomerado mediático geralmente tem estúdio de cinema, estação de rádio e estação de TV, uma novidade produzida pela Universal acaba sempre por ser promovida pela NBC, porque o dono é o mesmo. A 20th Century Fox, com estúdios na Austrália e jornais em Wall Street, consegue, por vezes, organizar roadblocks de escala razoável. 

A diferença está em que, desta vez, o estúdio japonês vai ter acesso a mais publicidade do que nunca, apesar de não fazer parte de uma rede mediática tentacular. Além de todas as estações de televisão da ABC, NBC e CBS, os dois minutos de filme serão ainda exibidos em 89 canais de TV por cabo, estações locais independentes nos 70 maiores mercados regionais e, adicionalmente, em muitos canais televisivos de língua espanhola. Além dos 110 milhões de telespectadores garantidos, a Sony prevê captar 30 milhões adicionais através da internet e dos telemóveis.

Como os maias só garantiram que o mundo ia acabar no solestício de Inverno, há ainda duas épocas altas que a Sony pode aproveitar. É natural que a Columbia Pictures volte a distribuir o filme nos cinemas em finais de 2011 e, até, em 2012. Se tal acontecer, a mais recente epopeia de Roland Emmerich poderá vir sob a forma de director's cut ou 3D, de maneira a esgotar completamente o formato grande ecrã (e a experiência comunitária que um filme deste género sabe usar) antes do lançamento em DVD. 

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