13/02/2012 atualizado às 1:11
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Notas de rodapé

PSD está perdido em parte incerta e a direita faz de Mário Crespo o seu herói, José Sócrates entretém-se a tentar calar colunistas. O essencial fica de fora do debate político quando se debate o que mais conta no Parlamento: o Orçamento do Estado.


Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:45 Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Existisse em Portugal uma direita digna desse nome e estaríamos a debater o défice, o endividamento público, o peso do Estado na economia e o papel dos privados no combate ao desemprego. Estaríamos a discutir o conselho do FMI para reduzirmos os salários dos nossos trabalhadores para aumentar a competitividade.

Fossem os partidos à esquerda do PS vistos como verdadeiras alternativas de poder e o país estaria a discutir se queremos o modelo sueco, finlandês e dinamarquês,  que aposta em mais receitas fiscais e mais despesa pública, ou o modelo romeno, búlgaro e lituano, que prefere um Estado magro nas receitas e nos gastos. Estaríamos a discutir políticas públicas de emprego e a discutir se o nosso problema é termos salários demasiado altos para as nossas possibilidades ou termos a sociedade mais desigual de toda Europa em que apenas alguns vivem muito acima das nossas possibilidades.

Estivesse o PS interessado em governar e estaria a explicar porque reduz o investimento público quando fez dele o seu cavalo de batalha e como podem as grandes obras criar emprego agora.

Houvesse políticos neste país e cidadãos interessados na política e o debate sobre o Orçamento do Estado seria o momento alto da democracia parlamentar.

Houvesse jornalismo empenhado nessa democracia e estaria o país a tentar compreender o que está por de trás dos números do Orçamento do Estado, para além de frases feitas em economês e as verdades lapidares que disfarçam cartilhas ideológicas.

Como nada disto se passa, resta o escândalo e as conversas de restaurante. Sem líder e sem norte, a direita põe as suas esperanças em Mário Crespo, como as pôs em José Manuel Fernandes ou Manuela Moura Guedes. Sem compostura e sem ideias, o PS entretém-se a tentar calar jornalistas e colunistas. Sem horizonte de poder, o resto da esquerda não consegue fazer passar o seu discurso no meio do burburinho da espuma dos dias.

O que é relevante é nota de rodapé. O que é acessório está no centro do debate. É este o nosso défice democrático. Porque falta o confronto político com alternativas claras, sobra a arrogância infantil de José Sócrates e o nulo absoluto em que se transformou o PSD.

 

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Notas de Rodapé
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 10:02 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Ora aqui está uma nota, que não é de rodapé, uma nota que merece realmente a pena. É que eu também acho, como o Cronista, que o maior problema de Portugal neste momento é o facto de os seus maiores e mais reais problemas terem sido, e continuarem a ser, remetidos para a condição de meras notas de rodapé. E o pior nem sequer são as notas de rodapé, pois em notas de rodapé também se podem dizer coisas essenciais; o problema, o grave problema, é que os reais problemas se transformam em notas de rodapé de um discurso sem nexo nem coerência formal; notas de rodapé de um discurso obtuso e mais comandado por interesses partidários do que pelos reais interesses da Nação; notas de rodapé de um discurso que anda aos zigue-zagues, que não prevê o seu fim, que não sabe onde vai, nem onde exactamente se encontra. Associo-me, por isso, ao desejo de Daniel Oliveira: que o Discurso Político de Portugal, com Notas de Rodapé ou sem elas, se transforme rapidamente naquilo que deve ser: um discurso atento à realidade; um discurso disponível para o encontrar das melhores e mais viáveis soluções; um discurso feito de perspectivas de futuro e não de azedumes do passado e do presente. Um discurso, portanto, que nos porte avante, que nos faça crescer, que aumente a confiança de todos os Portugueses, que a todos mais e melhor nos faça trabalhar, que à sociedade civil dê novas perspectivas de empenho e desenvolvimento e a cada cidadão ou cidadã o/a faça sentir-se mais responsável pelo Bem Comum.
 
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Queridos Inimigos
Guayaes (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:35 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
José Luís Borges Disse:"Escolher os inimigos merece um cuidado redobrado,pois acabamos por nos parecer a eles"
Será que Portugal não tem problemas mais graves para resolver ? Será que para promover um livro,é preciso transformar estes "casos pessoais" num caso nacional ?
 
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    Como tudo realmente se passou!    Ver comentário
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 13:49 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
O PROBLEMA, O SEU PROBLEMA É ISSO
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 11:00 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
é NÃO perceber o que está em causa e dessa forma confirmar todas as suspeitadas que muitos têm sobre si; você continua a ser um comunista do pior que anda a fingir que é muito moderno e ainda mais democrata.

o que está em causa com mais esta manifestação caciquista de Sócrates NÃO é a direita nem a esquerda.

o que está em causa é a Liberdade, o Pluralismo, a Liberdade de Opinião, a Liberdade de Imprensa, a qualidade da nossa Democracia.

no fundo você hoje teve um grande momento de transparência, foi 100% coerente pois andou e tudo fez durante muitos anos para torpedear o Estado de Direito em Portugal... bom, bom eram as Democracias ditas populares

esta sua análise é bastante reveladora mas bastante triste.

a mim você nunca enganou. eu sempre tive a certeza que pessoas com a sua formação tal como as de extrema direita não são recicláveis, não têm emenda
 
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    Re: O PROBLEMA, O SEU PROBLEMA É ISSO    Ver comentário
ANTIDEMOCRATA (seguir utilizador), 1 ponto , 12:34 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
    Re: O PROBLEMA, O SEU PROBLEMA É ISSO    Ver comentário
lusofora (seguir utilizador), 1 ponto , 13:14 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Notas de rodapé
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:22 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Tudo isto acontece só porque o povo não sendo analfabeto na sua totalidade ainda não é culto na sua maioria. Se assim não fosse há muito que tinha mandado as ideologias às malvas e os politicos à fava. Disse-o mais que uma vez que caso nenhum partido conseguisse ganhar as eleições Legislativas com maioria absoluta o País ía ficar ingovernavel. Acredito plenamente pelo andar da carruagem que estamos mais perto da queda do Governo do que muitos pensam. Não é acusando Sócrates com ou sem razão que o País vai saír da crise, quando ainda todos sabemos o estado em que se encontra a Oposição. Quem semeia ventos pode colher tempestades. Também quem não quer uma boa mãe pode calhar-lhe em sorte uma má madrasta. Os politicos não têm juizo, mas o povo é que vai pagar. Disse-o já mais que uma vez que o maior défice que o País tinha de enfrentar era a idade da maior parte dos seus politicos. Como exemplo podemos olhar para Manuela F. Leite, que ao crer permanecer indefinidamente à frente do maior partido da Oposição, está a prejudicar o partido e o País e ainda pensa que faz parte da solução quando é o problema. Como é possivel com problemas tão graves em Portugal e no Mundo ser uma conversa de restaurante o centro das atenções. Esta é uma pratica nos últimoa tempos em moda, que fazem lembarar velhas cuscas ao soalheiro.
 
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MODELOS
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 13:27 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Discutir modelos? Pela santa! ih ih ih!
Sócrates foi á Finlândia e veio de lá encantado, aquilo sim, aquilo é que é ensino, temos de o aplicar em Portugal.-
Quando é que os poderes portugueses deixam de fazer «copy-paste»? E ainda por cima mal feitos, emprenham pelo ouvido e depois nasce um monstrinho nado-morto. (desculpem o «emprenham» se em Portugal for asneira)
O país senta-se no sofá e entre bocejos, vê telenovelas e folhetins em restaurantes de luxo, com almoços pagos e bem pagos por nós para eles «reduzirem» as despesas!
 
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Sair da cátedra e vir para a rua.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Felizmente o País tem muitos e bons Jornalistas que escrevem sobre o País,nos seus Jornais Nacionais ou Regionais, ao contrário até de uns senhores que se divertem na televisão nuns programas da treta tipo parodiantes de Lisboa em formatoTV e provavelmente com um cachet que dá para boas viagens e outras mordomias.Portugal têm é politicos a mais ,mas isso não há volta a dar.Depoi do funcionalismo público os partidos criaram um novo polvo de militantes com cartão que sofregamente consomem a riqueza que devia ser de todos.É esse o sentido das reflexões que os intelectuais devem fazer:sair da cátedra e vir para o meio do Povo.
 
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És um chato Daniel
SPONGEBOB (seguir utilizador), 1 ponto , 12:11 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
O que a gente quer saber é se o Manel sabe que o Nuno come com a Bárbara.
 
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Você anda distraido
Prestige (seguir utilizador), 1 ponto , 12:56 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
O PSD está a dormir?
Andam há meses a defender o congelamento de alguns dos grandes investimentos e agora o Governo finalmente ganhou juízo e cancelou uma série deles. Acha que é coincidência?
 
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A liberdade e a democracia não são notas de rodapé
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 13:42 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
As sucessivas tentativas (todas bem sucedidas diga-se) do PS para calar a imprensa livre não são uma nota de rodapé! São um facto muito mais grave do que a degradação do rating da República, em resposta à qual tão afanosamente PSD e CDS foram dar a mão ao dito PS, aprovando um orçamento que mantém o essencial da governação socialista a troco de peanuts políticos, que dificilmente serão vistos pelos respectivos eleitores como grandes conquistas e que irão amarrar doravante os dois partidos aos resultados da governação.
Essa sua afirmação é todo um programa, bastante querido à esquerda, que por razões politicamente correctas passa sempre abafado nas entrelinhas do discurso social-justicialista, estilo Robin dos Bosques, muito mais popular ao ouvido do povo.
Existisse direita em Portugal e este governo teria enfrentado uma moção de rejeição do seu programa e um chumbo no orçamento (ou então ia negociá-lo com o PCP e o BE, como certamente desejaria que tivesse acontecido). Sem medo de ratings! O rating fundamental para uma comunidade política é o rating da sua democracia e da sua liberdade, e esse, há muito que está degradado.
 
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Pré condições para a discussão
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 17:50 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Ao contrário do que Danny O dá a entender, a dita direita discute e muito a questão do deficite e do FMI e do Comissário Ecofin e do Gov. do BP. A nível institucional - não ouvi nenhum comentário partidário sobre a questão do Sr. Crespo - e a nível de comentário reconheça que o assunto é inescapável.
Importa-se Danny O de repescar o que disse sobre Santana Lopes quando veio à baila uma tal «central de informação» que alguém inventou?
É ou não é preocupante a «mainmise» que o governo do PS fez sobre a comunicação social, o controlo do grupo Oliveira com o dinheiro da Caixa, o apagamento dos jornalistas incómodos, e por aí fora?
A discussão dos «grandes temas», como pretende, “a la Conde de Abranhos”, é muito interessante, mas antes disso avaliemos as condições dessa discussão. É possível ter alguma discussão quando a mentira reina e os media lhe dão cobertura?
Em Outubro de 2008, já a direita, como lhe chama, estava super preocupada com o crescimento do deficit e da divida pública, e o governo jurava que o deficit seria de 2,2% e quem pretendeu que pudesse chegar aos 8/9% foi ridicularizado. Serviu para aumentar os funcionários públicos em 2,9% em ano eleitoral e deflação, serviu para lançare uma série de contratos públicos absurdos para toda a gente, menos para a Mota Engil, Soares da Costa e quejandos. Contratos adjudicados por ajuste directo em 2009? 96 % segundo a imprensa.
O Sr. quer ter discussões úteis, enquanto o governo abafa todo o ruído desfavorável ?
 
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Calar quem incomóda
sousaalmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 18:55 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
É realmente assim, o Daniel Oliveira tem toda a razão e toca nos pontos essênciais de todos estes problemas politicos.
Não temos governo à altura das nossas e prementes necessidades, mas, tambem não temos oposição. É confrangedor ver tanto o PSD como o CDS, a tentarem defender os seus pontos de vista, alguns deles, com resoluções possíveis, para os seus próprios interesses.
Não se consegue antever uma politica credível em que os portugueses acreditem, por parte do governo e do PS, mas tambem, nada de novo é apresentado por parte da oposição, com a finalidade de se poder pôr este País a andar para a frente e deixar a cauda da europa.
Será que não temos politicos competentes? Se é assim, chamem independentes, façam qualquer coisa para sairmos deste flagelo e, por amor de Deus, parem com as guerrinhas politicas, já não há pachorra. Chegou a hora de se começarem a preocupar com o País.
 
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Subscrevo
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
e até que enfim o Expresso dá voz a alguém de esquerda.
 
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À esquerda do PS
JF Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:10 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
"Fossem os partidos à esquerda do PS vistos como verdadeiras alternativas de poder e o país estaria a discutir se queremos o modelo sueco, finlandês e dinamarquês, que aposta em mais receitas fiscais e mais despesa pública, ou o modelo romeno, búlgaro e lituano, que prefere um Estado magro nas receitas e nos gastos"
Já agora gostava que explicasse porque é que a maioria dos portugueses não confia no PC e no BE. O BE não serve para nada, acabou por se transformar no PC 2, quando muitos julgavam que podiam contar com ele para em conjunto com o PS fazer uma governação de esquerda. A exemplo das eleições autarquicas, nas próximas eleições os portugueses dirão que não querem dois PC. O bloco só serve para fazer demagogia, não querem assumir responsabilidades, se isso pode ser suficiente para um grupelho trotskista, não o é para a maioria dos que votaram BE.
 
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Um Estado de direito
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 20:17 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010

Dr. Daniele,

Aqui estamos de novo no nosso encontro quotidiano.
Eu tenho medo que nos últimos anos se difundiu uma ideia um tanto minimal de democracia, que não prevê o exercício dela senão como participação eleitoral e se apresenta cada vez mais esvaziada de sentido.
Ela, em vez, é literalmente o resultado das nossas ações e relações e da maneira em que nós vamos entendê-las; é nas nossas mães mas não funciona por causa de mecanismos que se mantêm sempre iguais. Nós é que determinamos o seu funcionamento e as modalidades deste funcionamento, o equilíbrio entre as várias instâncias.
O termo "Democracia" é rico de nuances, das quais é difícil dar uma única definição, na minha opinião, pode ser sintetizada: Democracia não é tratar todos da mesma maneira mas cada um segundo as suas possibilidades e habilidades. Como se pode ver, os três termos de partida, ou seja diversidade, oportunidade e igualança (nas diferencias) encontram-se todos nesta única "formula".

António
 
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