Uma vez mais em Portugal a euforia da vitória fácil e da lágrima ao canto do olho foi conseguida à custa do esforço alheio - o esforço individual de cada atleta -, com o resultado inevitável: a desilusão pelos "desaires".
O entusiasmo geral dos Portugueses antes de grandes provas é admirável, só comparado com o desprezo com que se avaliam resultados, mesmo quando se está entre os dez melhores do mundo.
É verdade que se estabeleceram objectivos e bastante ambiciosos. Porém, estes deveriam ser utilizados exclusivamente, à posteriori, para avaliar os resultados. É igualmente verdade que alguns, poucos atletas, proferiram afirmações desadequadas, mas só quem nunca esteve perante a "pressão" das câmaras de televisão desconhece a facilidade do errar.
A pertinência das discussões feitas por uns e por outros nem sempre recaíu no que realmente é essencial: o problema das "corridas de fundo", designadamente, o facto de em Portugal não se investir, por um lado no desporto escolar e, por outro, no desporto de Alta Competição, e daí não existirem "Zeus" que nos valham - porque existem Outros
Mundos,
nos quais se começa desde cedo a "treinar", na rua, na escola e no ginásio.
É espantosa a banalização com que se analisam os "desaires" de quem ficou em quarto, em sétimo ou décimo lugar, em especial, por serem usualmente proferidos por quem, muitas vezes, nunca fez nada de relevo, nem sequer a nível nacional.
Despreza-se, no momento da critica, a capacidade de relativizar . É sabido que os resultados em qualquer jogo, e em especial quando estão presentes os melhores de diversos continentes, são sempre incertos e as vitórias difíceis de alcançar. É assim no desporto, nas empresas e na vida.
"Revoltados" com o insucesso alheio, esquecem-se as verdadeiras excepções, algumas bem presentes nos Jogos. Esquece-se também, muitas vezes neste país tão só de alguns, os casos de empresas, organizações ou individualidades que possam regozijar de estar entre as melhores do mundo, quer em competições pontuais quer em rankings globais.
Tal como nestas Olímpiadas é necessário aprender a estimular quem arrisca, quem abdica vezes sem conta dos "prazeres" do dia-a-dia e abandonar a crítica fácil sempre que os resultados não são os esperados.
Voltando aos Jogos Olimpicos, os casos de sucesso, quando acontecem, devem ser em primeiro lugar "assacados" aos atletas, e depois ao país. O habitual "nós ganhámos" mas o "atleta perdeu" tem de ser banido da lógica dos nossos pensamentos. Mas também todos sabemos que isso "só lá vai" com Educação.
Se os críticos se inspirassem nos atletas Portugueses, Olímpicos ou Para-Olímpicos, para estabelecer de forma exemplar os seus objectivos, e conseguissem ficar pelo menos entre os dez primeiros, Portugal seria um país extraordinário.
Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL
e Presidente do Conselho de Administração da Holos