O norte-americano Philip Roth
e o israelita Amos Oz
são os escritores mais bem cotados nas bolsas de apostas para o próximo Prémio Nobel da Literatura, que a Academia Sueca anunciará hoje em Estocolmo.
Philip Roth surge em primeiro lugar numa sondagem ontem realizada pelo jornal sueco "Svenska Dagbladet
", ao passo que Amos Oz lidera a lista da casa de apostas britânica Ladbrokes, na qual estão bem situados os norte-americanos Joyce Carol Oates e Thomas Pynchon.
A lista de nomes, a maioria dos quais habitual nos prognósticos dos últimos anos, inclui os italianos Antonio Tabucchi e Claudio Magris, o japonês Haruki Murakami, o albanês Ismail Kadaré, o holandês Cees Nooteboom, o austríaco Peter Handke, o checo Milan Kundera e até o músico norte-americano Bob Dylan.
Nos últimos dias, reforçaram também as suas posições a romena-alemã Herta Müller, a argelina Assia Djebar e o nigeriano Chinua Achebe.
O sírio-libanês Adónis, o sul-coreano Ko Un e o sueco Thomas Tranströmer são as apostas mais seguras se o premiado for um poeta, o que não acontece desde que em 1996 foi galardoada a polaca Wislawa Szymborska.
O factor tempo pode beneficiar a literatura dos Estados Unidos, já que o último vencedor daquele país foi a escritora Toni Morrison, em 1993.
Longo jejum
Maior número de anos passou desde que as letras de língua espanhola foram distinguidas pela Academia Sueca pela última vez: foi em 1990, quando o mexicano Octavio Paz sucedeu na lista dos premiados ao espanhol Camilo José Cela.
Um espanhol, Luis Goytisolo, surge como o mais bem posicionado de entre os autores hispânicos, à frente dos eternos Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes e de outros como Juan Marsé e o nicaraguense Ernesto Cardenal.
O vencedor do ano passado, Jean-Marie Gustave Le Clézio, pôs fim a uma espera de mais de duas décadas para a literatura francesa, a mais galardoada ao longo da história, com 14 prémios, mas que não ganhava desde 1985, com Claude Simon.
Mas nem o esquecimento da literatura de uma língua nem a constância de um nome nas apostas jogam necessariamente a favor ou contra os candidatos, como demonstram os autores escolhidos pela Academia Sueca nos últimos anos.
Se em 2004 ganhou, contra todas as previsões, a austríaca Elfriede Jelinek, dois anos depois, a vitória foi para o grande favorito, o turco Orhan Pamuk, e em 2007 resgatou-se a britânica Doris Lessing, que parecia votada ao esquecimento.
A Academia Sueca diz que só premeia autores e não literaturas nem países, embora as suas escolhas pareçam às vezes ser mais ditadas por questões políticas ou pelo critério de rotação geográfica do que pela qualidade literária.
O que a eleição do Nobel da Literatura recuperou este ano foi a calma habitual, depois da agitação surgida em 2008 nos dias anteriores ao anúncio do vencedor, devido a críticas do secretário permanente da Academia, Horace Engdahl, à literatura norte-americana.