"A senhora sempre escreveu contra o esquecimento e sempre lembrou o alto valor da liberdade, que nunca é uma evidência. Por isso, é um feliz acaso que tenha recebido tal distinção precisamente este ano, em que se comemora o fim das ditaduras no leste da Europa, há 20 anos."
Horst Koehler, Presidente da Alemanha num telegrama de congratulações enviado a Herta Müller
"Estou impressionado e muito contente porque é uma óptima romancista. Confesso que o meu favorito era Amos Oz. Mas devo sublinhar que o Comité
Nobel tomou uma óptima decisão."
Günther Grass, escritor alemão e Nobel da Literatura em 1999
"Pode ter sido uma surpresa, mas é inteiramente justo. O facto de uma mulher escritora e ainda jovem receber o prémio Nobel é muito significativo, e tem também impacto político."
Gottfried Honnefelder, presidente da Deutsche Buchhandel (Associação Alemã dos Editores e Livreiros)
"É uma das vozes plenamente publicadas que enriqueceram no plano semântico a literatura alemã. Nasceu numa minoria alemã na Roménia, mas o alemão dela é diferente. Esta forma de emigração no território da língua é paradigmática no mundo da literatura. Eu acho que o Nobel da Literatura nunca é só um prémio literário. Herta Müller criticou o regime totalitário e o facto de não se poder expressar livremente."
Joachim Bernauer, director do Instituto Goethe em Portugal
"É com alguma decepção que recebo esta notícia. Herta Mueller merecia o Prémio Nobel como mereciam centenas ou milhares de escritores de outros países. É uma escolha que não entusiasma. É uma situação que tenho muitas dificuldades em explicar."
António Sousa Ribeiro, especialista em literatura de expressão alemã e director do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras de Coimbra
"Para mim é uma surpresa porque hoje de manhã ouvi na Antena 2 outros nomes como Adónis ou Ismail Kadaré, pelo que não pensava que fosse Herta
Müller a vencer o Nobel. É sempre um dado curioso quando um Nobel surpreende, até porque a função da Literatura também é surpreender. Dizer algo novo."
Teresa Cadete, professora universitária
"A escrita de Herta Müller é brilhante, fluente, tem muitas imagens e tem uma maneira de narrar inesperada. No panorama dos escritores alemães, Herta Müller merecia este prémio. Além de ser uma boa escritora, Herta Müller é também uma pessoa muito radical, muito coerente que nunca pactuou com a ditadura ou o nazismo e que é filha de um nazi."
Teresa Dias Furtado, professora universitária
"Tem uma escrita metafórica, que dá a entender situações políticas com uma linguagem muito bem trabalhada."
João Barrento, crítico literário
"Não é uma carta fora do baralho, uma vez que várias vezes se falou dela para Nobel da Literatura, mas é uma desconhecida do grande público
e também dos portugueses. Quando existe um Mario Vargas Llosa ou um Philip Roth na calha, não se dá o prémio a uma Herta Müller, mas isso é a minha opinião pessoal. Mas a Academia é o que é e não é por acaso que nos últimos anos o impacto do Nobel da Literatura não tem sido muito."
Mafalda Lopes da Costa, crítica literária







