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No país do ódio

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
0:00 Sexta-feira, 8 de Jan de 2010
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Portugal é um país de odiadores. O ódio é a moeda de troca do nosso comércio emotivo. Basta olhar à nossa volta. O primeiro-ministro, por exemplo, é uma destilaria de ódio. Aliás, o PS é a Via Láctea do ressentimento. Mas, atenção, a política é apenas a ponta do iceberg. Debaixo da capa do porreirismo sorridente, existe um manto de ódio a palpitar por toda a sociedade portuguesa. Nas estradas, há uma guerra civil. Na internet, a cultura do insulto campeia alegremente. Atrás do volante ou atrás do teclado, os portugueses vestem sempre a pele de odiadores profissionais.

A nossa alma colectiva, essa empoeirada cave metafísica, vive do ódio e para o ódio. E não estou a falar de um ódio contra os 'estrangeiros'. Não. Este ódio vai de português para português. Portugal é o pretexto para o Zé odiar o Chico, e vice-versa. Não existe patriotismo em Portugal, porque os portugueses - paradoxalmente - nunca têm contacto com o país. Os portugueses vivem no interior dos seus casulos tribais. As corporações e os partidos criam uma película peçonhenta que separa as pessoas do país. No seio destes casulos que flutuam acima da realidade, odiar as outras tribos flutuantes é a única identidade aceitável. Os partidos existem para odiar, com os decibéis da varina, os outros partidos (olhe-se para o Parlamento). As corporações existem para morder, como cadelinhas amestradas, as outras corporações (olhe-se para a justiça). Fazer bem ao país não interessa, porque só interessa fazer mal às outras tribos.

Por causa deste clima odiento, revi um filme que funciona, na minha cabeça, como um antídoto contra este hábito de odiar. Realizado por Joaquim Leitão, "20.13 - Purgatório" (2006) remete-nos para a guerra colonial. A personagem principal, o alferes Gaio (Marco d'Almeida), é um crítico da guerra. Este jovem oficial detesta o regime de Salazar. Porém, Gaio nunca abandona os seus soldados. Como diz o capitão, "deve ser duro combater com lealdade mas sem fé, não é Gaio?". Gaio não tem fé na ideologia salazarista, mas mantém a lealdade aos seus homens. Porque o amor que tem pela sua gente é superior ao ódio que sente pelo regime. Porque antes do nosso umbigo ideológico existe uma coisa chamada 'país'. Ora, esta humildade patriota, personificada por Gaio, é uma coisa raríssima em Portugal. Os portugueses nunca colocam o país acima das tribos. Portugal não é uma pátria. Portugal é um pretexto para o ódio que, não sei porquê, habita no peito dos portugueses. Vivemos consumidos por este ódio selectivo que apenas selecciona como alvo outros portugueses. O português é o lobo do português.

Mano


A relação entre irmãos é complicada. 'Abel e Caim' não veio do nada. Se o meu caro leitor tem um irmão, sabe bem do que estou a falar. É fácil dizer "gosto de ti, mana". Mas já não é assim com o mano. 'Abel e Caim' não veio do nada. Um dos grandes filmes da década, "Nós Controlamos a Noite", aborda este amor de mau feitio que une dois irmãos. E o filme até nos oferece uma saída para esta guerra fria fraternal: o realizador, James Gray, colocou 'Abel e Caim' de pernas para o ar. Nunca o desrespeito pelo argumento bíblico foi tão poderoso.

Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Dezembro de 2009

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Conversa de nalgas!
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 16:42 | Sexta-feira, 8 de Jan
Quem lê o texto na diagonal, até aprova. Está bem e coisa-e-tal.
Mas quem o lê, de facto, vê que está inquinado. Inquinado de forma a tornar pertinente a popular frase de "diz o roto para o nu, porque não te vestes tu". Então só o Sócrates e o PS é que odeiam????? Ninguém odeia o Sócrates e o PS????
A começar por ti, oh Raposo?????????
Daaaaaaa....
O gajo até escreve bem e já o congratulei por muita coisa, mas quando fala do PS e do Sócrates, o ÓDIO CORROI-LHE AS ENTRANHAS....
Conversa de nalgas, portanto!
Oh amigo Raposo, não escreva sobre esses dois temas que não tem credibilidade.
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Bem prega Frei Tomás...
ESPADA DE DAMOCLES (seguir utilizador), 1 ponto , 2:44 | Sexta-feira, 8 de Jan
Estimado Sr. Raposo, o que lhe apraz referir sobre o apelo ao ódio ao regime (essa coisa abstracta, disforme e horrenda que alguma entidade divina tenebrosa se lembrou de inventar não se sabe bem quando) que manifestou no seu artigo de dia 04-01-2010 (1) ou aos pelo menos 11 simpáticos elogios que dirigiu ao seu amigo Sócrates no dia 03-12-2009 (2)?
 
Esses seus escritos e os outros que aqui não mencionei, por não querer correr o risco de ser apelidado de exaustivo, não possuem qualquer relação com o sentimento de ódio que refere e que diz ser semeado por uma certa casta de "odiadores profissionais” que se escondem atrás do teclado, pois não? Por certo deverão existir para si diversas variedades de ódios que, a bem da verdade, até deveriam ser considerados, pelo contrário, como algo regenerador e benéfico.

Vindo de si é previsível constatar que o ódio é um companheiro assíduo apenas do Outro e que em si este nunca se entranhou. As criaturas superiores têm por habito considerarem-se imunes a este flagelo mas, ao contrário do Sr. Raposo, estas são, ainda que teoricamente, um exemplo de coerência.

Compre um espelho e tenha a dignidade de olhar para ele de frente pelo menos uma vez na vida, ou em alternativa veja o filme que refere pelo menos mais umas 1000 vezes. Talvez o antídoto que inventou comece a surtir efeito.

1 - http://aeiou.expresso.pt/...
2 - http://aeiou.expresso.pt/...
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    Re: Bem prega Frei Tomás...    Ver comentário
como é que diz que é (seguir utilizador), 1 ponto , 8:48 | Sexta-feira, 8 de Jan
No país do Ódio
sara09 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Sexta-feira, 8 de Jan
Caro Henrique,

Mais um tema polémico, mas para mim dificil de comentar, porque o ódio é o sentimento mais mesquinho do ser humano.
Os "odiadores profissionais" , [não conhecia a expressão] que se escondem atrás do teclado, de um nick ... e que enfim despejam os seus ódios e frustrações sobre nós... é verdade que existem. Não lhe tiro a razão.

Mas Henrique, ou eu sou muito ingénua, ou não consigo ler tudo, também tem no seu painel bons comentadores, ainda que não estejam de acordo consigo, escrevem de forma correcta e educada.

É certo que muitas pessoas não sabem viver em comunidade, e que aqui somos uma comunidade on-line de pessoas que comentam por gosto e como tal deviam fazê-lo dentro do respeito que é exigido.

Sem falar de Caim e Abel do seu texto, lembro-me de uma passagem de um livro de Almada Negreiros que diz isto:" Na Antiga Grécia, onde um homem que tem de castigar um escravo é tomado de ira, ... de tal maneira que é forçado a suspender o castigo dizendo-lhe: o que a ti te vale é...eu não estar assim tão irado, senão, se eu tivesse serenidade neste momento, não perdias nenhuma das que te queria dar". (Obras Completas A.Negreiros).

Penso que é isso que nos falta, serenidade, paciência são grandes virtudes...antes de desferir ataques contra tudo e todos.

Mas sabe, eu acho que vale a pena arriscar seja o que for! Deixar de nos preocupar com as opiniões dos outros. Agir por nós próprios, enfrentar a verdade...

Sara
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O complexo do aluno suficiente.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:19 | Sexta-feira, 8 de Jan
Esta história do ódio não lembra ao diabo nem reina na internet.São complexos de quem não acerta na escolha dos temas e muito menos lhe sabe dar a volta.
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Ódio de ovelha
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 10:27 | Sexta-feira, 8 de Jan
Ao falar de ódio e de lobos como falou parece que o colunista esqueceu, ou pretende que ignoremos, que as ovelhas também odeiam. Dizer que Portugal é um país de odiadores em que o ódio vai de português para português abre várias questões.
A primeira é que não foi definido o que no caso se entende por ódio, e dizer que o ódio é uma emoção não adianta a não ser que se explique o que são emoções e a diferença entre sentimentos e emoções. Há pessoas que se comovem loucamente com acontecimentos que não impressionam ou impressionam de formas diferentes as outras pessoas. Qual é a mecânica da emoção? Os sportinguistas odeiam os benfiquistas? Os católicos amam os protestantes?
Segunda, não se percebe bem se é o Zé que odeia o Chico e vice-versa ou se são grupos de Zés, Chicos e Manéis que odeiam colectivamente outros grupos de Manéis, Chicos e Zés.
Por último, mas não menos importante, o odiador Henrique nada diz da sua posição no país do ódio. Quais são os seus alvos? O Zé, o Chico, ou todos os portugueses? Considera-se alvo de quem? Do Chico ou de todos os portugueses? Se o Henrique é uma daquelas raríssimas coisas que colocam o país acima da tribo qual é a sua tribo?
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Não creio que haja tanto ódio?
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 10:50 | Sexta-feira, 8 de Jan
Sr. jornalista, parece-me que o seu artigo é que está cheio de ódio, e como tal generaliza e pensa que a maioria pensa como o senhor.
Não conhecia o termo "odiadores profissionais", será que são pessoas pagas para gerar o odio?
Penso também que o seu artigo é um atestado de incompetência mental para a grande parte da população portuguesa.
Julgo que antes de escrever, deve pensar bem o que vai dizer e ter um pouco de respeito pelos portugueses. Na ausencia de inspiração, não arrisque e espere para o dia seguinte.
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Ódio é forte, mas que os Portugueses se 'mimam'...
Por-ti-gal (seguir utilizador), 1 ponto , 20:52 | Sábado, 9 de Jan
Alguém aqui falou num espelho; pois parece que há aqui um mercado a explorar.
Os próprios comentários são tão agressivos como o texto de H.R. Que não deixa de ser uma grande verdade.
Comprem um espelho.
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Ódio virtual
Outubro1560 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:30 | Segunda-feira, 11 de Jan
Mas ninguém aqui excluiu o ódio da equação? O que se disse é que este se converteu num hábito, num adereço identitário.

Não me digam que a crítica pressupõe que o Raposo não odeie. Ou que o facto de odiar o desautorize moralmente a criticar quem odeia porque sim. Ou porque isso o faz sentir-se importante, ou lhe empresta identidade, ainda que virtual.

Parece que o âmago da questão escapou a alguns comentadores.

É um facto que a internet é um meio fértil de postiços identitários de entre os quais o ódio é um dos mais bem cotados, exactamente por essa razão. A força que nos falta na vida real simulamo-a a odiar no mundo virtual.

O que está errado não é amar ou odiar é a inconsistência do móbil. O hábito contrário à razão que em boa verdade nos afasta cada vez mais do nosso eu real.
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