As empresas familiares representam 80% do tecido empresarial português, geram 60% do PIB e são responsáveis por 50% do emprego, mas as estatísticas disponíveis evidenciam que metade não passa para a segunda geração e só 20% chega à terceira. Os dados constam do Livro Branco da Sucessão Empresarial, que a AEP - Associação Empresarial de Portugal apresenta terça-feira, em Matosinhos, no Congresso Europeu da Sucessão Empresarial.
Consciente de que entre os desafios que se colocam a esta tipologia empresarial, a sucessão é o mais importante, a AEP vai, também , criar um Observatório Permanente para monitorizar a temática. O objetivo é procurar minimizar o número de processos de sucessão falhados e consequentemente prolongar o ciclo de vida das empresas familiares.
O trabalho de diagnóstico, levantamento de boas práticas e proposta de ações ajustadas à realidade recorre a exemplos internacionais, como a Ikea e a Inditex para explicar a importância de instrumentos como o planeamento fiscal testamentário ou o plano de comunicação para a sucessão.
Os casos IKEA e Inditex
No caso do Ikea, o fundador estabeleceu um complexo sistema de fundações, sociedades e holdings, de forma a evitar uma batalha de sucessão entre os quatro filhos e a consequente divisão da multinacional por lutas familiares, de acordo com um modelo que terá, também, sido ditado por razões de ordem fiscal.
Na Inditex, o próprio Amancio Ortega anunciou a sua substituição na liderança em Janeiro de 2011, através de uma carta aos trabalhadores em que assegurava um contexto de "tranquilidade e segurança", garantindo "ser o melhor para o futuro da empresa". "Tratar-se-á de uma nova etapa que será a combinação de juventude e experiência", justificou.
No debate sobre o quadro nacional, a AEP terá o contributo direto dos empresários Alexandre Soares dos Santos (Jerónimo Martins), António Guedes (Aveleda), Jorge Meireles (António Meireles SA), Eugénio Santos (Colunex), entre outros.