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Negócio social pode criar mais emprego

O Governo vai lançar um programa nacional de microcrédito no valor de €15 milhões na segunda metade de 2010.

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)
23:57 Domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Governo vai lançar, no segundo semestre de 2010, um programa nacional de microcrédito no valor de 15 milhões de euros e abrir, até Junho, uma linha de crédito para o sector social de 12,5 milhões de euros, que poderá abranger cerca de 8900 entidades ao abrigo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES).

As duas medidas, que fazem parte de uma resolução aprovada, na semana passada, em Conselho de Ministros, vêm de encontro à visão demonstrada com sucesso por Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, no Bangladesh, e por muitos conhecido como o "pai do microcrédito" ou o "banqueiro dos pobres".

Recentemente, este economista e Prémio Nobel da Paz, em 2006, veio defender o empreendedorismo social como meio de obter a satisfação de necessidades básicas em todo o planeta, a começar pela criação de emprego. Segundo Muhammad Yunus, "a actual crise económica e ecológica precisa de um paradigma novo e não se pode perder esta oportunidade para educar de outra forma as futuras gerações".

Negócio de responsabilidade social


O seu conceito de negócio social combina o empreendedorismo com a responsabilidade social das organizações sem fins lucrativos, mas pode estender-se a todo o tecido empresarial. "Hoje, negócio significa apenas dinheiro. Ter a maximização do lucro como objectivo final. Quem é que definiu as coisas assim? Também temos altruísmo em nós e podemos criar um negócio nessa base, chamando-lhe negócio social e tendo por objectivo resolver problemas sociais e ambientais", explica.

"Não nos interessa produzir com uma margem de lucro de 20%, queremos que as pessoas tenham acesso a alimentação, água potável, energia, saúde, educação, etc... É um negócio que tem nos direitos humanos na sua motivação. Os negócios sociais abrem essa janela de oportunidade, criando um novo caminho para o desenvolvimento", defende Muhammad Yunus.

"Os dois modelos podem coexistir porque hoje temos uma enorme capacidade tecnológica e podemos usá-la para combater a pobreza e a degradação ambiental - prossegue o presidente do Grameen Bank - é uma lógica acessível aos cidadãos em geral, pois trata-se de usar métodos que todos conhecemos, mas com um objectivo e um resultado diferentes. A lógica empresarial faz sentido para todos, é transparente: produzir algo para preencher uma necessidade, só que aqui é de bem-estar e não de lucro".

Novo conceito


Muhammad Yunus alerta para a necessidade de dizer às crianças e aos estudantes que, "ser bem sucedido na vida, não é só ter um emprego que dá dinheiro e muitas promoções. Todos podem deixar a sua assinatura no planeta, dizendo: estive aqui e fiz algo de marcante".

"O nosso sistema educacional e a nossa estrutura de pensamento deve ser mudada para que os jovens pensem desta forma: que problema quero resolver com um negócio social? A criação de emprego é o negócio social mais simples do Mundo: basta não se importar de ter menos lucro e conseguir dar emprego a duas, cinco ou dez pessoas, e usar toda a margem de lucro para expandir o negócio e não para ficar mais rico", advoga Muhammad Yunus.

O modelo do negócio social é algo de totalmente novo, em que não há uma orientação geral para fazer lucro, mas que é maioritariamente focado na resolução de necessidades básicas, sejam elas desemprego ou falta de habitação. Isto traz uma enorme satisfação ao dono deste tipo de empresa, tanto como ganhar muito dinheiro.

Palavras-chave  Blogues, Economia
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