Manuela Ferreira Leite cumpriu a sua primeira promessa eleitoral: o programa do PSD é fácil de ler. O "Compromisso de Verdade divulgado na simbólica Casa do Futuro, em Lisboa, resume-se a 38 páginas razoavelmente concisas. Ao arrepio dos tradicionais programas partidários, o PSD assumiu escolhas e selecionou cinco prioridades com que se propõe governar o país: economia, solidariedade, justiça, educação e segurança. "Não nos apresentamos com uma receita que promete tudo a todos", resumiu Ferreira Leite.
Prudente (como António Borges já tinha pré-anunciado), o programa do PSD foi apresentado pela líder como um programa "realista, consistente e acente na verdade". O compromisso de Manuela foi audível: "tudo o que aqui é explicitado será cumprido". Numa indirecta ao socialista António Vitorino, que redigiu o programa eleitoral do PS, Ferreira Leite foi cáustica:" não fizemos como outros partidos que recorreram a grupos de sábios, que se limitaram a fazer copy paste dos programas anteriores".
Pontos fortes do programa do PSD: um novo modelo de política económica "que rompa com o dirigismo do Estado na economia" e que valorize o investimento privado dando especial atenção às PMEs; a suspensão imediata do projecto do TGV "sujeitando-o a uma avaliação"; reavaliação do programa rodoviário incluindo de obras em vias de adjudicação; prioridade à Agricultura; e uma nova filosofia nas políticas sociais.
"Somos um partido social mas não estatista", foi a frase de Manuela Ferreira Leite para explicar que a sua maior aposta para resolver os problemas de pobreza e carência social no país passa por "aproveitar as energias de toda a sociedade civil". "O Estado apoia mas não se substitui ao trabalho ímpar" das instituições privadas e de voluntariado que a líder do PSD diz estarem sub-aproveitadas pelo próprio Estado no país.
Mais rigor na aplicação do Rendimento Social de Reinserção é outro dos compromissos. Na Saúde, embora continue a garantir a universalidade dos apoios a todos os cidadãos, Ferreira Leite abre a porta a uma progressiva "liberdade de escolha entre serviços públicos e privados", sobretudo para começar a dar resposta radical ao problema das listas de espera. E rejeita as taxas moderadoras para internamentos e cirurgias além do aumento das actuais taxas para financiamento do sistema de saúde pública.
Professores e alunos ficam com duas certezas: se Manuela ganhar as eleições, o actual modelo de avaliação dos professores será suspenso e caminhar-se-á para um modelo "que siga os padrões internacionais", ou seja, uma avaliação externa. Também o actual regime de divisão das carreiras entre professores será suspenso, bem como a impossibilidade de os alunos chumbarem por faltas.
O PSD promete aumentar a autonomia das escolas remetendo o Ministério da Educação a um papel progressivamente regulador.
Faltam a Justiça e a Segurança. Na primeira, Manuela quer que cada juíz veja limitado o número de processos que lhe pode ser entregue mas defende um aumento de vencimentos diferenciado de acordo com o mérito qualitativo e quantitativo do seu desempenho. E promete "uma luta sem quartel à corrupção". Na Segurança, compromete-se com um reforço de meios às forças policiais e quer corrigir a lei quadro da política criminal e a lei das armas.
A assistir à sessão estiveram dirigentes do PSD (incluindo Paulo Mota Pinto, responsável pela coordenação e redacção do texto final) e candidatos a deputados. Entre eles Maria José Nogueira Pinto, a ex-dirigente do CDS que aceitou integrar as listas de Manuela.