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Não matar a liberdade à nascença

A liberdade de imprensa só foi experimentada em Portugal nos últimos 35 anos. Os ataques que José Sócrates lhe tem feito e a ideia de que o papel dos jornalistas é derrubá-lo podem destruir o que ainda agora começou.


Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
10:24 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Uma Justiça enredada no seu próprio novelo, dependente de guerras mesquinhas por pequenos poderes. Jornalistas com pouca autonomia e proletarizados. Empresas de comunicação social frágeis, nas mãos de grupos que se dedicam a outros negócios, e que quase sempre dependem de alguma forma do Governo que está ou do que há de vir. Um Estado tomado pela pequena e grande corrupção. Crise económica e descrença total dos cidadãos em praticamente todas as instituições. Está criado o caldo para a desgraça.

O fenómeno da judicialização da política e de uma democracia marcada pelo ritmo dos escândalos criam uma sensação de um iminente Apocalipse. Este clima de fim dos tempos não é exclusivamente português. A corrupção ainda menos. Mas como, em Portugal, o populismo mais radical não tem tido espaço para furar o quadro partidário, são muitas vezes os jornalistas e colunistas que ocupam este lugar, trocando a informação enquadrada pela gritaria permanente. Quem, na sua ingenuidade, julgue que disto nascerá algum movimento de cidadania "regenerador" engana-se. Este ambiente de "Fórum TSF" contínuo cria desespero, descrença e desistência. É sintoma do problema, mas seguramente não faz parte solução.

Em toda a nossa história tivemos 35 anos de imprensa sem censura. A nossa comunicação social tem todos os problemas que se podem encontrar nos EUA e no resto da Europa. Mas sem os anos de maturação de regras e consensos deontológicos para a construção de uma imprensa minimamente independente das pressões políticas e económicas e capaz de se autoregular. A nossa comunicação social é tão relevante para a vida pública como a de qualquer democracia. Mas é incrivelmente mais frágil na autonomia das empresas e dos seus profissionais.

Como muitos temiam, com o caso Casa Pia (e aqui é indiferente o que se pense sobre o decorrer e desfecho provável do processo judicial propriamente dito), o país perdeu a inocência. Várias fronteiras foram ultrapassadas pelos jornalistas sem que estes tivessem os instrumentos necessários para aprender com os erros e abusos. Ultrapassadas essas fronteiras, sabíamos que nada voltaria a ser como antes. Apercebemo-nos também de como a nossa justiça está bloqueada e refém de todas as pressões.

Do que aconteceu, o PS tirou a lição errada. Que para impedir que uma direcção do seu partido fosse de novo decapitada através do curto-circuito Justiça-jornalismo-política teria pelo menos de controlar um dos factores que lhe eram externos. Escolheu o elo mais fraco: a comunicação social.

No meio de tudo o que está a acontecer, vale a pena parar para pensar antes de saltar para cada barricada. É indispensável que o julgamento político severo e sem contemplações da relação que José Sócrates mantém com a liberdade de imprensa - que numa democracia madura levaria à sua inevitável demissão - não ponha nas mãos dos jornalistas aquilo que cabe à política e aos cidadãos. O papel da comunicação social é fiscalizar, denunciar, informar, formar opinião. Pode e muitas vezes deve ter um ponto de vista. Mas não é o de substituir a organização democrática dos cidadãos. Até porque mesmo os jornalistas e as empresas que detêm os órgãos de comunicação social têm interesses particulares.

Muito graças ao ambiente de crispação que José Sócrates criou na relação com os jornalistas (e a fulanizarão nele próprio de todos os conflitos políticos), como se eles fossem o seu principal adversário, estabeleceu-se a ideia de que existem dois tipos de órgãos de comunicação social: os que são controlados por José Sócrates e os que o querem derrubar. O que hoje sabemos sobre o que José Sócrates e os seus amigos parecem andar a fazer nos bastidores contribui um pouco mais para esta percepção. A minha preocupação é simples: que esta forma de ver a comunicação social, depois das primeiras indignações, se acabe por naturalizar.

É por isso urgente garantir que os abusos deste governo nesta matéria sejam politicamente punidos. Mas também garantir que no caminho não se destrói um frágil corpo deontológico pouco experimentado no nosso país. Talvez esta tarefa pouca guerreira não seja a mais tentadora quando o que vende é a indignação histérica permanente. É coisa mole para o concurso de testosterona em que vive a nossa vida pública. Mas se falharmos nela, podemos esquecer a liberdade que queremos defender.

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Oh Daniel
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 11:57 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

... os textos politicamente correctos são bem o exemplo da dificuldade porque passam os assalariados dos media, especialmente aqueles que têm alguma ligação, ou reconhecida como tal, a determinado campo ideológico!

Por isso é que o Daniel foi aqui chamado a este fórum, para dar a ideia que viria aqui fazer o contra-ponto ao raposo!

Creio que já muitos comentadores perceberam isso e sabem reconhecer as diferenças entre um e outro!

Mas o País e uma "democracia madura" exigem mais: exigem que se possa continuar a escrever sem medo e sem lápis azul por perto, como é apanágio aqui neste Expresso, onde se proclama a liberdade de expressão para os agentes da corporação mas se sanciona sempre os "de fora" os voluntários, como eu e outros comentadores que aqui já se manifestaram desagradados com vários actos censórios!

Em "democracia madura" há suficiente cultura para separar o lixo daquilo que é "alimento".

Mas essa "separação" não pode ser feita por nenhum "lápis azul"!

É feita por quem tem poder para o fazer:o povo!

Cumprimentos

António da Rocha
 
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    TEM TODA A RAZÃO NO QUE DISSE....    Ver comentário
Pretoriano (seguir utilizador), 1 ponto , 12:52 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Oh Daniel    Ver comentário
Daniel Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:59 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Oh Daniel    Ver comentário
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 13:53 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Sistema de comentários    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 17:18 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Oh Daniel    Ver comentário
Daniel Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:20 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Não matar a liberdade à nascença
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:18 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Se eu estivesse no lugar de Sócrates resolvia este problema com os jornalistas de duas maneiras. Uma seria entregar o caso a Carlos Queiroz, dava-lhe todos os meios para ganhar o jogo, não querendo saber quais os metedos utilizados e tanto me fazia que fosse ao murro ou à estalada. Isso era um problema que só a ele dizia respeito, mas só me interessava era o resultado. Como ele já começou o seu treino e pelo que consta o resultado foi dois a um, o mesmo podia ser alargado e quanto mais melhor. Se o Plano A não resultasse o que duvido, fazia acionar o Plano B, que se baseia na estrega do caso ao seu amigo Mário Soares, o que ele não teria problemas que com um bom almoço, regado com um bom vinho Alentejano na companhia dos jornalistas tudo ficaria sanado. Sempre ouvi dizer que se apanham mais moscas com uma gota de mel que com um pote de vinagre. Se Sócrates abandonar o barco seria giro ver como comandante a Manuela,o Paulo,o Jeronimo ou o Francisco.
 
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    Re: Não matar a liberdade à nascença    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 18:01 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Não matar a liberdade à nascença    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:41 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Colunistas
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:34 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Henrique Raposo e Daniel de Oliveira, pela maneira como escrevem, de certeza que estão em campos opostos.
Isso é bem demonstrativo como no Expresso se cultiva o PLURALISMO.
Por alguma razão é o melhor órgão da imprensa escrita que se publica em Portugal.
Aqui, não se procede, como recentemente, no Jornal de Notícias. Não existe censura.
Os colunistas, merecem a confiança da Direcção do Jornal e Pinto Balsemão não mete "prego nem estopa".
Outros, não pode orgulhar-se do mesmo.
Inteiramente de acordo com título do seu artigo:
NÃO MATAR A LIBERDADE Á NASCENÇA !
E quando cita o caso da "CASA PIA".
E, ainda ao escrever que os ataques que J. S. tem feito à Comunicação Social, acusando-a de o tentar derrubar, PODEM DESTRUIR O QUE AINDA AGORA COMEÇOU.
 
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Aos meus amigos
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 1:22 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Boa-noite a todos os comentadores por quem tenho estima!
Boa noite a todos os comentadores que neste espaço têm feito intervenções inteligentes e bem escritas
Chegou a hora de me retirar!
Ser insultado por medíocres que mal sabem escrever, ver ofendida a memória da minha mãe por um energúmeno que dá pelo nome cobarde de Odisseia na Terra, que publica repetidamente o mesmo texto propagandístico com os favores da equipa deste jornal faz-de-conta que é democrático mas que a sua prática prova não ser,... não é só mau, é péssimo!
Ter de aturar criaturas que aqui residem e que vomitam comentários sem nexo, sem qualidade e com forte pendor partidário de extrema direita, é pactuar com autênticos atentados à democracia e tornar-me má pessoa como eles são!
Chegou, por isso, a hora de partir para preservar a minha integridade moral, cívica, educacional e ética!
Quando um director de um jornal me responde nos termos ofensivos que utiliza, é óbvio que está a dizer-me, sem equívocos, que devo retirar-me!
Faço-lhe a vontade!
Na hora de partir, deixo -lhe aqui um excerto do livro de poemas de António Aleixo: Contigo em contradição pode estar um grande amigo, ... desconfia daqueles que estão, ... sempre de acordo contigo!
Não sei se Henrique Monteiro entenderá alguma coisa disto, mas deve ter tempo de sobra para procurar aprender.
Ou, então, peça ajuda aos seus indefectíveis!
A coluna vertebral não se deve dobrar em circunstância nenhuma!

Cumprimentos
...
 
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Bravo!
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 10:51 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
.
 
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A Liberdade:sem pricípio nem fim
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 11:02 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
O comentador está baralhado: Atacou o semanário " SOL", e já deve ter percebido que isso foi uma grossa asneira,não há argumentação que sustente o ataque:nem violação de segredo de justiça,nem falta de ética ,nem oportunidade jornalistica para o fazer.O papel da Imprensa é ser sempre o 4º poder, na defesa intransigente da liberdade e da democracia.Um Jornal que se preze não é um partido político e é na afirmação consequente dos valores da verdade que ele se deve posicionar.Os leitores não querem jornais tácticos, vendidos ao orçamento da manjedoura das empresas públicas.O Páis ,Portugal,embora sendo um País pequeno tem uma Imprensa de gabarito internacional: e tratou este assunto de Sócrates-como de outros que infelizmente já aconteceram , com a mesma determinação que o fariam jornais de referência internacional.A Liberdade começou muito antes do 25 de Abril,também na Imprensa, dentro do conceito universal de infinito,sem pricípio nem fim.
 
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Hom'Essa (seguir utilizador), 1 ponto , 8:15 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
A LIBERDADE DE IMPRENSA
THUNDERS SS (seguir utilizador), 1 ponto , 11:09 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Uma coisa é informar, criticar e denunciar,outra coisa é caluniar e difamar.Por vezes é ténue a linha que divide as duas.
 
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    Re: A LIBERDADE DE IMPRENSA    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 19:42 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Não matar a liberdade à nascença
naif (seguir utilizador), 1 ponto , 12:10 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Totalmente de acordo com António da Rocha.
A liberdade de imprensa´tem um limite, uma fronteira que sei ,não é muito fácil. Comparadamente, é como a fronteira do que é pornográfico e o erótico.
 
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Liberdade de informação
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 15:46 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

Dr. Daniele,

Há de observar que, na hipótese de os mass media serem concentrados nas mães de uma única pessoa, haveríamos o fim da democracia e o início do totalitarismo.
A certo em fazer informação, a censura deve obrigatoriamente intervir em certos casos específicos para defender os cidadãos e contra todo o abuso.
O 4° poder é a imprensa que é capaz de influenciar a opinião pública; o 5° poder a televisão e o radio.
As notícias devem circular assaz livremente senão ninguém saberia os acontecimentos políticos no Pais. Ao contrário questões insignificantes, repetidas cada dia até à extenuação, ocupariam um amplo espaço a fim de desviar a atenção pública dos factos reais da Sociedade.
Temos que esperar que isto nunca se passe.
Gostei muito do Blogue de hoje.

António
 
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    Re: Liberdade de informação    Ver comentário
userEX105252 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:19 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Liberdade de informação    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 19:40 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
    Re: Liberdade de informação    Ver comentário
mamamon (seguir utilizador), 1 ponto , 11:33 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Uma na ferradura e outra... na ferradura. No cravo
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
...não se bate.

O que vende é a indignação histérica?
Vejamos a crónica com o título “desliguem o telefone…” depois de várias considerações, culmina: querem viver num local onde sejam escutados (pelos jornalistas) a cada segundo? Onde o direito à privacidade não vale um caracol? A RDA experimentou. Chamava-se STASI.

Ora a isto eu chamo alarme e “indignação” e só não sei se “histérica”

E agora temos: …no caminho não se destrói um frágil corpo deontológico pouco experimentado no nosso Pais. Desculpe, mas os seus colegas, mesmo aqueles que tem mais tempo de profissão, que você de idade, passaram-lhe procuração? Quem o “guindou” tão alto? É precisamente esse “ar” moralista, que não consigo entender.

Eu concluo que na sua opinião, os jornalistas habituam-se a atacar o Primeiro-Ministro e depois não há quem os pare. Nem prevê a hipótese de um futuro Primeiro-Ministro diferente? Alguém com um percurso académico, mesmo que curto ou fraco em classificações, mas sem práticas domingueiras? Alguém que nos restaurantes, não trate de assuntos de Estado e principalmente que fale em voz baixa como mandam as regras da boa educação? Alguém que tendo em consideração a “reserva” que o cargo obriga, não fala sobre assuntos de Estado com amigos, por mais amigos que sejam? Alguém que se sinta “seguro”, com poucos ou irrelevantes “rabos-de-palha”?

Então sim, os jornalistas podem e devem esmiuçar o resultado das políticas e ignorar as "práticas".

  ...
 
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Os colunistas dos Blogues
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 17:54 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu estou de acordo com o que disse ANO1933 sobre os dois jornalistas.
Eles são indiscutivelmente versados na sua profissão.

António

 
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a bem da nação.. no fim das revoluções;sempre vier
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 19:47 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
No final das revoluções;sempre vieram os oportunistas;e aos poucos foram tomando o poder;e aí no meu portugal;não foi diferente..FOI ASSIM;EM TODAS AS REVOLUÇÕES;EM QUE OS PRÓPRIOS REVOLUCIONÁRIOS FORAM GUILHOTINADOS;PELOS ANTIGOS DONOS DO PODER;E ASSIM ACONTECEU AÍ NO MEU PORTUGAL..ATÉ QUANDO ..???CUMPS..KANTIFLAS..
 
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