A mesma proposta de Pedro Santana Lopes pune com a suspensão de membro do partido até dois anos ou com a expulsão os militantes que violem o dever de lealdade para com o programa, estatutos, directrizes e regulamentos do PSD, especialmente se o fizerem nos 60 dias anteriores a eleições. DN
Não percebo o alarido que esta alteração estatutária despertou. Aderir a um partido implica comprometer parte da liberdade individual. Implica submissão à vontade da maioria e saber controlar o "cálculo político" individualista e o "ego inflacionado", para pegar nas palavras do Miguel Caldas
. Naturalmente, quem milita no PSD talvez se sinta ofendido com tal verbalização e todos os partidos aproveitarão este momento para se promoverem como espaços de tolerância e urbanidade. Pois.
Vitalino Canas não perdeu tempo e disse que esta alteração estatutária é de cariz "estalinista". Será? Se for, o PS só não é "estalinista" nos estatutos, pois desencadeou processos de expulsão de candidatos seus que protagonizaram candidaturas adversárias às apresentadas pelo PS - como se esperaria que fizesse, obviamente. Parece-me preferível ter regras claras e bem estabelecidas à partida do que reprimendas subtis e nunca assumidas, pois os estatutos valem para todos e as reprimendas só valem para alguns, contribuindo a longo prazo para inquinar a atmosfera entre os militantes e pôr alguns na engorda com vista a futuras transferências entre partidos. Um exemplo recente da reprimenda subtil? O BE do (ex-?) trotskista Louçã pôs uma militante sua (Joana Amaral Dias) de "castigo" por ter sido a mandatária para a juventude da candidatura presidencial de Mário Soares. Estaline. Trotsky. Não compliquemos. Querem liberdade absoluta? Não militem em partidos.