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"Não devia ter festejado"

Thierry Henry acusa federação de o ter abandonado e pensou em deixar a selecção da França.

Exclusivo Expresso/L'Équipe* (www.expresso.pt)
13:43 Terça feira, 1 de dezembro de 2009
[FRASE]“Como perdi uma final da Taça em circunstâncias semelhantes sabia bem o que os irlandeses estavam a sentir”, diz Henry
[FRASE]“Como perdi uma final da Taça em circunstâncias semelhantes sabia bem o que os irlandeses estavam a sentir”, diz Henry

Thierry Henry pesou durante muito tempo os prós e os contras antes de se decidir. Devia ou não falar? Devia deixar o tempo curar as feridas?

Desde a qualificação da selecção da França para o Campeonato do Mundo, depois do seu toque com a mão na bola no jogo do play-off contra a República da Irlanda (1-1), e da sua passagem pela sala de imprensa, as suas únicas palavras tinham vindo num comunicado redigido em inglês, transmitido pelo seu agente e pelo seu advogado, ambos em inglês. E retomado pelas estações de televisão de além-Mancha, BBC e Sky.

Porquê um comunicado em inglês? Confortavelmente instalado no salão da sua casa de Barcelona, o melhor goleador da história da selecção francesa (51 golos), com 32 anos, explicou-se. Sem cólera mas com determinação.

Também contou como chegou a pensar em deixar os Azuis, mas que mudou de ideias. O jogador do Barça não esqueceu as declarações infelizes de alguns nem o apoio tardio da sua Federação. O tempo curará as feridas, sem dúvida. Mas Henry diz que não se esquecerá.

Com um pouco mais de distanciamento, como analisa a polémica de que tem sido alvo?
Tem sido muito duro. Tudo partiu de um facto do jogo para ir parar muito mais longe. Demasiado longe. Ouvi certas pessoas darem lições de moral sobre o assunto, apesar de eu ter pedido desculpa, no campo e fora dele.

Foi o que disse a Richard Dunne no fim do desafio?
Claro. Joguei muitas vezes contra ele. Depois de termos jogado durante mais de seis anos um contra o outro em Inglaterra, achei normal ir pedir-lhe desculpa.

Não fez isso para a fotografia?
Pff... Estou-me nas tintas para a fotografia... Como perdi uma final da Taça em circunstâncias semelhantes (contra o Liverpool, 1-2, em 2001), sabia bem o que os irlandeses estavam a sentir. Assim, o mínimo que podia fazer era pedir-lhe desculpa. E ele aceitou-as.

O que se passou nessa final?
Nesse dia, uma mão de um jogador do Liverpool, o Stéphane Henchoz, sobre a linha não foi assinalada. Foi um facto do jogo. Muitos de nós ficaram decepcionados por o árbitro não ter visto. Mas ninguém ficou zangado com o jogador em questão.

Censuram-no também por ter festejado tão entusiasticamente a qualificação da França...
Podem eventualmente censurar a minha explosão depois do golo. Não devia ter festejado. Mas, francamente, foi incontrolável. Depois de tudo o que tínhamos sofrido... Isso sim, lamento. Foi por isso que logo a seguir fui cumprimentar os irlandeses um a um. E depois não festejámos. Nem mesmo no balneário. As pessoas não deviam andar a dizer disparates.

Sentiu-se apoiado nesta história?
Fora os que me são próximos e as pessoas que me contactaram, não senti qualquer apoio. No dia seguinte ao desafio, e mesmo dois dias depois, senti-me só, verdadeiramente só. Foi apenas depois de ter enviado o meu comunicado para a imprensa que a Federação francesa se manifestou.

Justamente, porque elaborou o comunicado em inglês e não em francês?
O meu advogado e o meu agente são ingleses. E havia urgência, por razões pessoais, que só a mim dizem respeito. Não posso dizer mais nada...

O seu comunicado saiu depois da FIFA ter recusado a repetição do jogo. Porquê?
Trabalhámos neste comunicado com o meu advogado sem saber que a Federação internacional responderia no mesmo dia sobre o assunto. Parti para o treino enquanto o meu advogado dava uma última revisão ao texto. Não estava ao corrente.

Qual foi a reacção que mais o chocou?
Não sei. Em contrapartida, tenho de agradecer a todos os desportistas que me apoiaram. Isso tocou-me profundamente.

Grandes jogadores como Maradona ou Messi marcaram golos com a mão e festejaram-nos. Sente que a reacção ao que se passou consigo foi exagerada?
Num dado momento, acreditei que tinha feito algo de muito grave. Depois do jogo fui a uma conferência de imprensa para dizer que tinha feito mão. Podia muito bem ter evitado e não dizer nada. Mas eu não fujo às minhas responsabilidades.

Alguns desejariam que tivesse falado ao árbitro durante o jogo...
Estava numa situação de onde nunca poderia sair a ganhar.

Chegou a pensar que esta questão pudesse arruinar o fim da sua carreira?
Não. Francamente, não acredito que tudo o que realizei até ao presente fique marcado por um incidente num jogo.

É verdade que pensou em abandonar a equipa de França?
Sim, sem dúvida. Na sexta-feira, quando tudo foi demasiado longe, senti-me muito perturbado. E não foi a primeira vez. Depois do Campeonato do Mundo de 2006, também pensei nisso mas era demasiado cedo. Depois do Euro-2008, igualmente, mas não era o momento. Havia uma geração que precisava de mim. Não foi possível. Apesar de tudo o que acabo de passar, do facto de me sentir abandonado, não deixarei o meu país ficar mal.

O que o fez mudar de opinião?
Reflecti. Havia verdadeiramente matéria para reflectir. Pus em risco o meu futuro no Barça para ir jogar lesionado na selecção. A este respeito, nunca agradecerei suficientemente ao meu treinador (Josep Guardiola) e ao público do Barça pelo seu apoio. Eu não podia dobrar o joelho. Mas era impossível parar quando se ia disputar a qualificação. Sempre vim bater-me pela França. Como um cão. Nunca me furtei à selecção. Tentei sempre responder presente. Sim, foi uma questão que coloquei a mim próprio. Sem o apoio dos meus próximos, talvez não tivesse chegado à mesma conclusão. Mas tomei a minha decisão, vou bater-me até ao fim. Mas o que acabo de passar vai ficar gravado na memória. Pode-se sempre perdoar, mas nem sempre se pode esquecer.

Isso quer dizer que tem algumas contas a ajustar?
Ligarei às pessoas com quem tenho de falar. Julga-se muitas vezes sem ter todos os dados na mão.

Está a pensar em quem?
Não vou citar nomes. Elas sabem de quem estou a falar.

No sábado, sentiu apreensão ao entrar no campo do Bilbao com o seu clube (1-1)?
Não. O público assobiou a minha entrada em jogo mas isso é uma coisa normal. Em contrapartida, todos os treinadores espanhóis me defenderam. Mesmo os jogadores do Barça ficaram chocados com o que se estava a passar em França.

Quer dizer que uma polémica como esta não teria surgido se jogasse noutra selecção?
Não. Não faço ideia e nem quero pensar nisso. Sou francês e orgulhoso de o ser.

*Tradução de Aida Macedo

 

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009
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Entrevista
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:03 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Esta entrevista mostra o grande valor humano do entrevistado: aqui, como tantas vezes em campo, antes e depois do polémico "facto do jogo", Thierry mostra a fibra que tem, o homem que é. Parabéns!
 
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    Re: Entrevista    Ver comentário
muitovinho (seguir utilizador), 1 ponto , 16:46 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
    Re: Entrevista    Ver comentário
ginoportuga (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Quarta feira, 2 de dezembro de 2009
    Re: Entrevista    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:22 | Quarta feira, 2 de dezembro de 2009
Terrible Henry...
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 19:34 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Por favor, não crucifiquem o génio, principalmente aqueles que viram virtudes, na célebre mão de Maradona...
 
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    Re: Terrible Porto    Ver comentário
Miguel Lifôro (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Quarta feira, 2 de dezembro de 2009
Não vejo sinceramente arrependimento
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 20:11 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
O título não pressupõe que o jogador está efectivamente arrependido do que fez. Se estivesse na realidade arrependido, em vez de "Não devia ter festejado" devia ter dito "Não devia nunca ter feito aquilo que fiz, pois prejudiquei séria e irreversivelmente a outra selecção contra quem joguei. Tudo farei para que a FIFA ordene a repetição do jogo". Se o discurso do Thierry Henry tivesse sido mais ou menos este, ficaria razoavelmente convencido do seu arrependimento. Assim, soa-me a falso. Ficou envergonhado mais pelo facto de ter sido descoberta a batota que fez do que propriamente arrependido. No fim de tudo isto, a batota valeu a pena. A França irá ao Mundial e a Irlanda ficará em casa a ver o torneio pela televisão.
 
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Acreditem
c_duarte (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 23:18 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Se este jogo tivesse um árbitro de linha final, como os das LE, ele não tinha visto o Henry jogar a bola com a mão.
Como diria Maradona "não sei se o golo foi marcado com a mão, mas se foi, a mão era de Deus", ou seja como em tudo na vida, tambem no futebol há os filhos de Deus e os que ficam a chupar.
 
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A FIFA que abra os olhos!!!
costinha79 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 12:04 | Quarta feira, 2 de dezembro de 2009
A FIFA que abra as pestanas e adira à modernidade e às novas tecnologias!!!!

Tudo isto não aconteceria se parassem 3 minutos para ver a repetição na televisão!!!!

Para que serve o 4º Arbitro??? Dêem-lhe uma televisão!!!!! Já passa a fazer alguma coisa de útil!!!!

Acabavam com grande parte das polémicas tal como aconteceu no Rugby e no Futebol Americano!!!

A justificação da paragem do jogo é perfeitamente demagógica????!!!!!!! Quanto tempo teve o jogo interrompido com os jogadores irlandeses a reclamar????

ABRAM OS OLHOS E NÃO PERCAM MAIS ADEPTOS!!!!!
 
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Alienação enjoativa
TVLA (seguir utilizador), 1 ponto , 14:58 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Ainda bem que vêem disto para ver se se libertam desta alienação obscenamente paga em prejuizo dos que precisam e merecem.
Os milhões de contos derretidos pela FPF resolvia o problema de milhares de desempregados....
A desfaçates vai ao ponto de construirem 10 estádios para agora impludirem dois deles por serem inúteis e cara a manutenção. Isto n~eo é um país: é um pagode à custa de 2 milhões de pobres!
 
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triste henry
dragon city (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
se calhar a experteza dele vai servir para o prejudicar.
enfim tambem tem de ser prejudicado para outros jogadores no futuro pensar duas vezes antes de fazer asneiras.
mas e a fifa, a uefa, não deviam ser castigadas tambem.
tudo se resumia a uma repetiçao do jogo.
já antes com maradonas ,vatas e outros não fizeram nada agora são uns paus mandados dos clubes ditos grandes ou seleçoes.
 
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ironia...
xpresso (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
ao mesmo tempo é irónico isto ter acontecido com a selecção francesa... tendo em conta que o "presidente" da uefa, monsieur platini é um homem que tanto presa os valores, o fairplay, a atitude...
 
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Abel Xavier
lavrense (seguir utilizador), 1 ponto , 18:23 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Ainda está bem viva na memória a correria desenfreada que este "artista" encetou atráz do árbitro para que este marcásse o penalty na meia final do Euro 2000 por falta do Abel Xavier. E não foi tão evidente como a que este cometeu. Franciu enganador...
 
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Uma vitima chamada Henry
Malekas (seguir utilizador), 1 ponto , 20:00 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Mais vale tarde que nunca. Este reconhecimento expresso publicamente pelo Thierry Henry suscita-me algumas dúvidas quanto à sua veracidade. A impressão que dá é que o jogador francês só se penitenciou porque na verdade, as imagens do lance são demasiado evidentes da batota. Caso não houvesse imagens do lance, será que o Henry se confessaria publicamente ? Tenho sérias dúvidas. Aliás, o mesmo jogador no final do jogo teve ainda a ousadia de dizer que..."tinha sido bola na mão e não mão na bola". Mas o espírito do desporto profissional é este mesmo. Interessa mesmo é alcançar os fins. Os meios empregues, nada importam. Esta assunção de batota por parte do jogador só acontece porque o mesmo foi invectivado e acossado pelos cinicos e hipocritas do costume. Se calhar, os que agora o crucificam, beberam com ele no final do jogo, champanhe para celebrar o "feito". Neste caso a censura social só funcionou mesmo porque há imagens demasiado evidentes da batota. Caso contrário, estariam todos muito bem caladinhos que nem ratos. Precisam-se de consciências limpas e bem formadas. Este mundo e muito particularmente o futebol, está repleto de batoteiros. Mas coitado do Henry, está inserido num mundo em que as virtudes são públicas e os vicios devem ficar na privacidade da consciência de cada um. O pior é quando as pessoas não têm consciência do mal que fazem.
 
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Num segundo se perde, num segundo se ganha.
Águas claras (seguir utilizador), 1 ponto , 23:53 | Terça feira, 1 de dezembro de 2009
Henry, perdeu num segundo tudo o que havia feito de bom na sua carreira desportiva. Se Tudo o que diz soa a falso. Admito a mão institiva, mas posteriormente devia reagir doutro modo e não tentar desculpar-se com inverdades, como aquela de bola na mão. Devia ser impedido de participar na fase final.
 
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COMO TODOS NÓS FARÍAMOS...
ÉRREPÊ (seguir utilizador), 1 ponto , 22:43 | Quarta feira, 2 de dezembro de 2009
.,..Festejou aquilo que lhe pareceu certo, na altura que lhe pareceu a mais certa, e que lhe deu o resultado que, como em tantas outras vezes e com tantos outros personagens diferentes, acabou por dar certo, certamente só nos acabaríamos por arrepender muitíssimo mais tarde, quando a nossa consciência nos dissésse que o que tinhamos feito não tinha sido o mais...certo! Não entendeu? Mesmo depois de todo este tempo para pensar? Então, deixe-se de palpites e pônha-se no lugar do homem! Mesmo que consciente que ele não fez o mais certo!...
 
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A ATENÇAO DOS SRS DO EXPRESSO....
ginoportuga (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
ESTE CIDADAO, NAO E EXEMPLO, PARA MERECER QUE ESTA MATERIA FIQUE AQUI NO JORNAL,EXPOSTA DURANTE TANTO TEMPO,OU OS SRS NAO OBSERVARAM AINDA PELO REDUZIDO NUMERO DE COMENTARIOS QUE AQUI APARECEM.
 
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