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Música de sanfona

Daniel Oliveira
8:00 Segunda feira, 13 de julho de 2009

Durante mais de seis meses a Comissão de Inquérito Parlamentar à nacionalização do BPN funcionou de forma exemplar. Muito por acção de três deputados: João Semedo, Nuno Melo e Honório Novo. Pela primeira vez em muitos anos, o Parlamento mereceu um elogio generalizado e as tão mal afamadas comissões de inquérito ganharam alguma credibilidade.

Esta semana chegou a vez do relatório. E uma obscura sanfona fez o que se esperava: deu música ao país. Mostrando que não se deixou influenciar pelos depoimentos dos inquiridos, a relatora não tirou nenhuma consequência do que ouviu. A não ser uma vaga ideia: a de que o Banco de Portugal poderia ter sido mais diligente. Na realidade, como ficou evidente na Comissão, Vítor Constâncio fechou os olhos a quase tudo. Supervisionou mal e nunca actuou quando tinha de actuar.

Diz-se no relatório que a situação que levou à nacionalização resultou da crise dos mercados financeiros, o que é pura e simplesmente falso. E não se explica porque se deixou de fora da nacionalização os activos financeiros da SLN, aumentando assim a factura a pagar pelo Estado e descomprometendo os accionistas. Assim como não se explica porque foram as contas do Banco Insular incluídas nas do BPN, apesar deste 'balcão' ter cinco titulares que ficaram libertos de um buraco de mais de quinhentos milhões de euros.

Não mudo um milímetro no balanço que faço deste inquérito. Os factos lá estão, prontos para seguir para a Procuradoria. E lá esteve, exposta a todos, a promiscuidade entre a política e os negócios. As conclusões do relatório ficam apenas para o currículo de uma deputada a quem o PS deu esta tarefa e que, graças à sua irrelevância, a aceitou com todo o zelo. Um parlamentar sem autonomia para se recusar a fazer este triste papel não tem condições para ocupar o lugar.

Os partidos devem começar a ser punidos por pôr nas suas listas simples marionetas dispostas a tudo para manter o seu lugar. Por isso, os eleitores devem decorar este nome: Sónia Sanfona. Mas também o nome dos que cumpriram a sua função. A política é feita por pessoas. E elas não são todas iguais.

D'Orey é do povo

As marias albertinas já não vão nessa de chamar vanessa às suas meninas. Segundo o Instituto dos Registos e do Notariado, passámos a outra fase. Apesar de nunca terem perdido o destaque que merecem, as marias, as anas e as fátimas deram, há uns anos, lugar às tânias, vanessas, cátias e kátias - com diferentes e imaginativas conjugações.

Pois bem, se do nome mais popular se passou para o de estrela de novela, agora deu-se mais um salto social, com o regresso à tradição mas com outra patine. São os rodrigos e os diogos, os martins e os tomás, as beatrizes e as matildes que se multiplicam como coelhos. Das duas uma: ou as famílias numerosas da linha de Cascais e da Foz estão a cumprir com especial empenho as suas funções reprodutivas ou o país está a explicar que futuro espera para os seus filhos.

Eu, que sou da geração nascida de uma burguesia culpada, das catarinas e das marias sem mais nada, de poucos apelidos e da interdição do uso público de artigos presunçosos, vejo com alegria este grito de ambição. Começa-se pelos nomes próprios. Mas só quando o Espírito Santo, o Mello e o D'Orey estiverem ao alcance de todos saberemos que conquistámos finalmente a democracia plena. Que se nacionalizem já!

Daniel Oliveira

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Para quando o 26
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:57 | Segunda feira, 13 de julho de 2009
Caro Daniel, após o 25 de Abril estes casos mediáticos vieram sempre a acontecer, só que agora é a descarada e cada vez mais frequentes.
O que realmente me admiro, é que alguem com poderes para sanar este tipo de "democraçia" não façam nada?
Ou estão a espera de um banho de sangue, pois da maneira em como os portugueses são sujeitos a este tipo de política corrupta, a paciênçia tem limites e esta está nos limites da compreensão humana.
cumprimentos
 
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tonto e contratonto
cacc (seguir utilizador), 1 ponto , 14:08 | Segunda feira, 13 de julho de 2009
ó DO, afinal você também não escapa aos folhetins da "silly season".
põe-se agora analisar porque as pessoas dão este ou aquele nome ao filhos e esquece que vivemos no país dos professores, doutores e engenheiros.
esquece que em Portugal, os detentores de cargos públicos que resultam de eleição popular directa ou indirecta, na qualidade de cidadãos, são tratados e se tratam pelos títulos académicos ou profissionais que adquiriram, na sua vida académica ou profissional, quando foram eleitos apenas enquanto cidadãos.
veja-se o exemplo que nos é dado pelas democracias ditas "ocidentais", onde ninguém vai chamar Dr. ao Obama, ao Sarkozy ou ao Gordon Brown.
cá no nosso sítio, é um Prof. Cavaco, um Eng. Sócrates, uma Dr. Manuel FLeite. Até os comentadores são Prof.s do mais distinto que há.
que me lembre, o actual PR figurava no boletim de voto como "simplesmente" Aníbal Cavaco Silva, no entanto, no site da presîdência, a biografia do Presidente é apresentada como biografia do "Prof. Cavaco Silva".
na minha opinião é por aqui que se deve começar, por eliminar estas barreias dos títulos e não falar de Mellos e D`Oreys e por aí fora. isso é folhetim.
neste aspecto, honra seja feita a António Capucho, cujo nome completo você talvez conheça.
 
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A sanfónica melodia, em dó maior ...
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:23 | Quarta feira, 15 de julho de 2009
A relatora do inquérito parlamentar ao caso BPN não podia fazer nada de diferente, aliás ninguém da bancada do PS faria diferente por obediência cega ao líder. A subserviência é generalizada, em Portugal pessoas livres há muito poucas, porque se depende sempre de alguém ou de qualquer coisa e o poder político nos últimos anos tem destruído as conquistas que, neste aspecto particular, Abril de 1974 permitiu. O resultado do bem conduzido inquérito parlamentar, só podia ser este e nenhum outro, porque para o Povo os senhores não cometem actos indignos, criminosos ou qualquer tipo de falta e a relatora Sanfona é do Povo, porque a sanfona é popular. Daqui conclui-se que a democracia só se alcança quando qualquer deputado se chamar Rodrigo Espiríto Santo D'Orey Sanfona, podendo apenas ser outro o nome próprio. Nessa altura já as Marias os Jaquins e Zés, estarão em vias de extinção, para mal dos aristocráticos democratas que deixam de ter quem os sirva, passando a servir-se uns aos outros, mal certamente mas é o que merecem. Por fim, uma pequena referência aos constâncios cá do burgo que ganham mal e não podem dar o passo certo para a porta de saída, como é que sobreviveriam coitados, com tão parco ordenado. Por último, também por aqui estamos perante uma questão de espinha dorsal ou de falta dela e o POVO, ordeiro não é capaz de lhes dar um valente pontapé no traseiro.
 
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Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 18:55 | Quinta feira, 16 de julho de 2009


http://www.apfn.com.pt/

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