23/02/2012 atualizado às 14:24

Música: A Orquestra é amadora, de cordas, tem 20 instrumentistas e faz 20 anos

Lisboa, 14 Mai (Lusa) - Se os registos não falham, é a única orquestra amadora portuguesa de cordas, inteira e unicamente de cordas - Orquestra do Círculo de Música de Câmara (CMC) de seu nome. Tem cerca de 20 instrumentistas e faz precisamente este ano 20 anos.

17:30 Quinta feira, 14 de maio de 2009

Lisboa, 14 Mai (Lusa) - Se os registos não falham, é a única orquestra amadora portuguesa de cordas, inteira e unicamente de cordas - Orquestra do Círculo de Música de Câmara (CMC) de seu nome. Tem cerca de 20 instrumentistas e faz precisamente este ano 20 anos.

Não tem sede, tem "site" - www.orquestracmc.org.pt - e ensaia, desde há algum tempo, no auditório da Junta de Freguesia de São João Brito, que esta cede a título gratuito.

É este, o da Junta de Freguesia, um dos poucos apoios com que a formação conta. Estado e mecenas não constam da lista.

A par do da Junta, recebe também, quando necessário, e pontualmente, o da Academia de Música de Santa Cecília. Há um vínculo forte a explicar esta relação de proximidade: são ex-alunos da Academia 80 por cento dos elementos da Orquestra.

Foi, de resto, da Academia, ou mais precisamente do seu então director, Alberto Nunes, instrumentista e professor de violino e violeta, que veio o grande empurrão para o arranque: quando um grupo de músicos amadores lhe pediu colaboração, "ele achou o grupo muito interessante, começou a 'trabalhá-lo', e percebeu que seria um espaço que poderia servir também para os seus alunos [da Academia] com alguma técnica do instrumento e que, não querendo seguir a via musical, tivessem interesse em continuar a tocar".

É ainda hoje este o quadro de funcionamento da Orquestra, vinte anos e mais de oitenta concertos volvidos - o que dá uma média de quatro/cinco concertos por ano, um por trimestre, em salas de dimensão, condições acústicas e prestígio variáveis.

A par de pequenas salas, de igrejas, o CMC já actuou também no CCB, no São Carlos, na Aula Magna - e é com visível orgulho, em todos os casos, que o assinala à Lusa, numa semanal noite de ensaio da orquestra, a violinista e Coordenadora Susana Pais.

"Ensaiamos uma vez por semana, o que é manifestamente pouco", reconhece.

Como quer que seja, a Orquestra tem tido um acolhimento "interessante" e hoje é possível afirmar que é coisa do passado a impressão que por vezes os instrumentistas tinham de estarem apenas na sala de concerto, a ouvi-los, "os familiares e os amigos".

Hoje, acredita Susana Pais, o leque de presenças alargou-se, e é perceptível um "interesse crescente". "Se tivermos o cuidado - ressalva - de explicar o que estamos a tocar. Fazemos concertos comentados. As pessoas gostam de perceber o que estão a ouvir. E nós procuramos levar ao público um repertório acessível, que não seja tão erudito que não permita que a sua audição seja entendível por qualquer tipo de pessoa".

Violinista na Orquestra Sinfónica, Luís Santos está desde Outubro último à frente da Orquestra e aposta em acrescentar ao seu repertório, "muito virado para o século XVIII", mais obras de compositores contemporâneos.

É o que neste momento está a ser feito e, na sua avaliação, com excelente acolhimento por parte dos músicos, que em muitos casos não conheciam as obras agora ensaiadas.

Para essa acentuação do contemporâneo no repertório, entende Luís Santos não ser necessário qualquer ajustamento.

"A formação - diz - é equilibrada. Quando as pessoas estão todas, temos a formação ideal: quatro ou cinco primeiros violinos, quatro ou cinco segundos [violinos], quatro violas, três violoncelos e dois contrabaixos. Mais, já seria um pouco complicado".

E o trabalho - de aperfeiçoamento e "amadurecimento" do som da orquestra - vai sendo feito. Com inevitáveis alterações na formação, como é de regra. Há os veteranos - João Girbal, um dos membros fundadores, Vasco Barbosa, um reputado violinista - e os novíssimos: por exemplo, Sofia Barreira, com 18 anos apenas. Há os chegam, há os que partem.

Para Vasco Barbosa, tocar no CMC "tem muita importância, é uma forma de conviver, de estar ainda metido dentro da música - razões mais do que suficientes para estar aqui". Girbal "afina pelo mesmo diapasão" e corrobora o seu colega de naipe - vai continuar a tocar, "não se reforma" da música.

"Às vezes - diz Vasco Barbosa - os profissionais já estão fartos da música. Aqui, não. De maneira que há aqui um prazer em fazer música que é grato e é comunicativo".

Ainda com seis anos de faculdade pela frente, Sofia Barreira, violinista, não quer seguir uma carreira profissional na música, mas não desiste de continuar a tocar. Está no CMC desde Outubro.

"Há pessoas aqui muito, muito divertidas - confidencia - Têm uma experiência que nós não tempos, tocaram em orquestras, algumas tocaram no estrangeiro. Têm uma experiência muito boa para nos transmitir."

Vai continuar no CMC. Com colegas de mais ou menos a sua idade, outros na casa dos 30, dos 40 até aos 70 e mais. O futuro...a seu tempo se verá. Para ela e para toda a orquestra.

Lusa/fim

Lusa
Palavras-chave  Música
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