Doze anos depois da aprovação da Plataforma de Acção, aprovada na IV Conferência Mundial da Mulher, em Beijing, o aumento da representação das mulheres no processo de decisão continua a ser geralmente lento e limitado, afirma um relatório da Comissão Europeia em vésperas do Dia Internacional da Mulher, que se assinala amanhã.
Entre 1995 e 2007, a representação feminina nos parlamentos nacionais a nível mundial passou de 10% para 17%, bem longe da massa crítica de 30%, considerada necessária para que as mulheres possam efectivamente influenciar as decisões políticas. A União Europeia, apesar de tudo, teve um melhor desempenho, já que a participação das mulheres nos parlamentos passou de 16% para 24% no mesmo período de tempo.
Portugal tem 27% mulheres no Parlamento
São também europeus oito dos 20 países a nível mundial que atingiram a meta dos 30%: Suécia, Finlândia, Holanda, Dinamarca, Espanha, Bélgica, Alemanha e Áustria. O Parlamento Europeu também passou a meta, com 31% de mulheres deputadas. Por outro lado, em sete países da UE (República Checa, Chipre, Irlanda, Eslovénia, Hungria, Roménia e Malta), as mulheres representam menos de 15% dos membros dos parlamentos. Em Portugal, há 27% de mulheres na Assembleia da República.
O documento "Homens e Mulheres na tomada de decisão em 2007 - situação actual e tendências" revela ainda que houve uma melhoria a nível governamental, em particular na UE15, onde a participação das mulheres nos governos passou, no mesmo período, de 16% para 27%. Finlândia (60%), Noruega (53%), Suécia (46%) e Espanha (41%) são os campeões. Em Portugal, essa percentagem é de 12%.
Sub-representadas na economia
Mas as mulheres estão especialmente sub-representadas na esfera económica, onde ocupam 32% dos postos de chefia. Nenhum banco central da União é dirigido por uma mulher e os homens constituem 90% dos corpos dirigentes das grandes empresas. Em 2006, a percentagem de mulheres-dirigentes e quadros de empresas em Portugal era de 33,1%.
Por outro lado, a taxa de emprego média das mulheres (15-64 anos) no terceiro trimestre de 2007 na UE27 era de 58,8% (em Portugal 62,3%) e a taxa de desemprego, em Janeiro de 2008, de 7,4% (9,3% em Portugal).
As mulheres são a maioria dos professores do ensino primário e secundário (74,2% em Portugal, ao passo que a média comunitária é de 69,2%), mas estão em minoria no ensino superior (42% em Portugal, acima da média na UE27 - 38,2%), apesar de serem diplomadas em maior número.
Rede de mulheres no poder
A Comissão Europeia anunciou entretanto a criação de uma nova rede europeia de mulheres no poder, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Mulher. Com esta rede, que será criada este ano, Bruxelas quer "promover o intercâmbio de experiências e de boas práticas nos 27 países da EU", segundo a nota de imprensa.